XP Expert

Comissão Europeia apresenta esta semana a revisão de seu principal sistema de comércio de emissões | Café com ESG, 16/07

Combustível em destaque do lado das empresas e na política

Compartilhar:

  • Compartilhar no Facebook
  • Compartilhar no X
  • Compartilhar no Whatsapp
  • Compartilhar no LinkedIn
  • Compartilhar via E-mail
MY Banner Intratexto2semestreMid Year 2026 Hellobar mobile

Bom dia! Neste relatório diário publicado todas as manhãs pelo time ESG do Research da XP, buscamos trazer as últimas notícias para que você comece o dia bem informado e fique por dentro do temaESG – do termo em inglês Environmental, Social and Governance ou, em português, ASG – Ambiental, Social e Governança.

Quais tópicos abordamos ao longo do conteúdo? (i) Notícias no Brasil e no mundo acerca do tema ESG; (ii) Performance histórica dos principais índices ESG em diferentes países; (iii) Comparativo da performance do Ibovespa vs. ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial, da B3); e (iv) Lista com os últimos relatórios publicados pelo Research ESG da XP.

Principais tópicos do dia

• O pregão de quarta-feira encerrou em território levemente negativo, com o IBOV e o ISE recuando 0,36% e 0,77%, respectivamente. 

• Do lado da política, (i) o governo alemão planeja um pacote de alívio nos custos de energia para empresas e consumidores no valor de 13,3 bilhões de euros em 2027, a ser financiado pelo Fundo de Clima e Transformação (KTF) – o pacote inclui subsídio para as tarifas de rede elétrica, bem como medidas de alívio para indústrias de uso intensivo de energia, por meio de um sistema de preços de eletricidade para o setor industrial e medidas de compensação de custos de energia, que ajudam a atenuar os gastos associados à precificação de carbono; e (ii) a Comissão Europeia apresentará, na sexta-feira, a revisão de seu principal sistema de comércio de emissões, resultando em um cronograma mais longo para a vigência do mecanismo – além disso, o órgão também avalia incluir custos de carbono para voos que partem do bloco, além de estudar permitir a concessão de mais licenças de carbono gratuitas, desde que sejam realizados investimentos na Europa. 

• No internacional, a Índia pela primeira vez neste ano teve fontes não fósseis respondendo por mais da metade da demanda instantânea de eletricidade do país, indicando que a rede elétrica já consegue operar, ainda que por períodos curtos, com predominância de energia livre de combustíveis fósseis.

Gostaria de receber os relatórios ESG por e-mailClique aqui.
Gostou do conteúdo, tem alguma dúvida ou quer nos enviar uma sugestão? Basta deixar um comentário no final do post!

Brasil

Nespresso reduz emissões líquidas de CO2 pela primeira vez

“Após investir 1,2 bilhão de francos suíços (US$ 1,49 bilhão) durante dez anos em programas de sustentabilidade, a Nespresso conseguiu, pela primeira vez, reduzir em 3% as emissões líquidas globais de gases de efeito estufa, em relação ao ano-base de 2018. O resultado, divulgado com exclusividade ao Valor, foi alcançado em 2025 pela controlada da Nestlé, que criou a categoria de cápsulas de café. Com isso, as emissões líquidas ficaram em 1,15 milhão de toneladas de CO2e. A Nespresso também atingiu 100% de eletricidade de fontes renováveis em 2025. Um conjunto de iniciativas globais permitiu a redução. Entre elas estão o Plano Nespresso de Qualidade Sustentável, que une busca por qualidade, práticas de agricultura regenerativa, inclusão social e rastreabilidade total do produto. O programa, que começou em 2003 com 300 agricultores na Costa Rica, tem hoje com 131 mil agricultores em 18 países. No Brasil, a marca investe em torno de R$ 70 milhões por ano em cerca de 500 fazendas de café parceiras do programa. Essas fazendas respondem por aproximadamente 30% do volume de café adquirido pela Nespresso no mundo. “Nossos investimentos na transição para a agricultura regenerativa estão impulsionando avanços concretos. Os resultados de cada investimento são colhidos com consistência e a longo prazo”, afirma Daniel Motyl, gerente de café verde na Nespresso Brasil. Um dos pilares da estratégia da companhia é a agricultura regenerativa. De acordo com auditoria independente da Enveritas, 85% do café verde da marca é produzido em fazendas participantes do Plano Nespresso de Qualidade Sustentável. A marca oferece suporte técnico e incentivo financeiro para estimular os produtores a adotarem práticas regenerativas, como uso de fertilizantes orgânicos, biochar e monitoramento ambiental. A Nespresso também investe em agroflorestas para remoção de carbono da atmosfera. De acordo com a empresa, em 2025, foram plantadas mais de 2 milhões de árvores em regiões do Plano Nespresso, sendo 1,9 milhão de unidades destinadas especificamente à remoção de carbono. Outra iniciativa que contribuiu para a redução das emissões foi o investimento em economia circular. Quando as cápsulas Nespresso foram lançadas, há 40 anos, o seu destino virou uma preocupação ambiental mundo afora. Atualmente, 33% das cápsulas vendidas pela marca no mundo são recicladas, e a meta global é chegar a 50% de embalagens reciclagem até 2030. Hoje, 79 países têm acesso a algum sistema de reciclagem para cápsulas Nespresso, segundo a empresa. No Brasil, segundo Marina Gargiulo, gerente de branding, comunicação e sustentabilidade na Nespresso Brasil, 100% dos consumidores têm acesso a pelo menos um modo de reciclagem: por meio dos mais de 400 pontos de coleta, as 42 boutiques Nespresso no país ou enviando pelos Correios. Todo o material coletado é encaminhado ao centro de reciclagem em Valinhos (SP), onde o alumínio e a borra de café são separados e reinseridos em novas cadeias produtivas. A borra de café, por exemplo, é usada na produção de biometano, iniciativa com potencial de evitar a emissão na natureza de 857 toneladas por ano de carbono equivalente.”

Fonte: Globo Rural; 15/07/2026

Aumento da mistura na gasolina deve demandar 300 mi litros de etanol de milho

“Se o aumento da mistura obrigatória do etanol anidro na gasolina de 30% para 32% (E32), aprovado nesta terça-feira, 14, pelo Centro Nacional de Política Energética (CNPE), deve gerar demanda adicional anual da ordem de 1 bilhão de litros de etanol, cerca de 30%, ou 300 milhões de litros, devem vir de indústrias de etanol de milho, segundo avaliação do presidente da União Nacional do Etanol de Milho (Unem), Amaury Pekelman. O cálculo considera a participação do biocombustível derivado de milho na produção nacional de etanol, explica o executivo. “É um começo de melhoria da demanda, porque estamos com uma oferta maior superior à neste ano. Então é muito importante a ampliação”, disse Pekelman à Globo Rural. Mesmo com consumo adicional de 1 bilhão de litros de etanol em um ano, ainda assim se manterá o desequilíbrio. Até então, havia estimativa de superávit de 3 bilhões a 4 bilhões de litros. Agora, a previsão é de 2 bilhões a 3 bilhões de litros, segundo o executivo. Isso porque a produção de etanol segue crescendo. Neste ano, o etanol recebeu impulso também dos preços mais baixos do açúcar, que estimulam as usinas sucroenergéticas a destinar uma parcela maior de cana para a produção do biocombustível. O executivo diz que há vários projetos de novas usinas de etanol de milho em estudo, que podem vir a ser viabilizados com o estímulo do E32 e também pela perspectiva de elevação da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina para E35. “Com o incentivo do E32 e do E35, as empresas vão olhar melhor os investimentos”, disse. “Ter demanda garantida é importante, mas os investimentos também dependem de disponibilidade de terra, matéria-prima, mão-de-obra, e tem também do SAF (combustível de aviação) e do combustível para navegação. Tudo isso influencia a decisão de investimento”, afirmou. A expectativa, conforme Pekelman, é conseguir a aprovação do E35 (gasolina com 35% de etanol anidro) no começo de 2027, antes do período de prorrogação do E32 terminar, em meados do ano que vem. Pekelman disse que o Ministério de Minas e Energia (MME) já criou um grupo de trabalho para discutir com várias montadoras de veículos sobre o processo e os estudos necessários para chegar ao E35. “Gostaríamos de ter isso até o começo do ano que vem, mas vai depender de como se darão os estudos. O ideal seria antes de o E32 cair”, disse o presidente da Unem, referindo-se ao período máximo de 360 dias de vigência da medida aprovada pelo CNPE. A medida tem vigência de 180 dias, prorrogável, por uma única vez, por igual período.”

Fonte: NovaCana; 15/07/2026

Axia conclui venda de fatia em ativos de transmissão ao Grupo Energia Bogotá por R$ 451,4 milhões

“A Axia Energia concluiu a venda da fatia de 49% que detinha em quatro transmissoras de energia para o veículo de investimento Gebbras, do Grupo Energía Bogotá, da Colômbia, que passará a deter a totalidade dos ativos. A antiga Eletrobras recebeu R$ 451,4 milhões no negócio, conforme comunicado divulgado ao mercado nesta quarta-feira (15). A transação engloba as sociedades de propósito específico Goiás Transmissão, MGE Transmissão, Transenergia Renovável e Transenergia São Paulo. Elas respondem por aproximadamente 1.086 quilômetros de linhas de transmissão em Estados das Regiões Centro-Oeste e Sudeste. O Grupo Energía Bogotá adquiriu a participação majoritária nos ativos em 2015. As concessões se estendem até o fim da próximo da década e devem gerar uma receita líquida de aproximadamente R$ 218 milhões em 2027.”

Fonte: NovaCana; 15/07/2026

Aneel autoriza Petrobras a operar usina solar no Complexo Boaventura

“A Petrobras recebeu, na terça-feira (14), autorização da Aneel para operar uma usina solar no Complexo Boaventura, em Itaboraí (RJ), com potência instalada de 13,5 megawatts. Conforme publicado no Diário Oficial da União, a unidade irá operar sob regime de autoprodução, com prazo da outorga de 35 anos. Confira os resultados e indicadores da Petrobras e das demais companhias de capital aberto no portal Valor Empresas 360 A companhia tem buscado instalar usinas fotovoltaicas nas instalações da estatal para ampliar a capacidade de autogeração de energia renovável. Na Regap, em Betim (MG), a Petrobras anunciou a primeira operação de usina fotovoltaica em refinaria, em março. São 20 mil placas solares, com capacidade de 13,3 megawatts. Na Refinaria do Nordeste (Rnest), antiga Abreu e Lima, em Ipojuca (PE), a companhia planeja instalar uma usina solar com capacidade de 12 megawatts, para suprir 10% do consumo da refinaria. O Complexo de Energias Boaventura começou as operações de processamento de gás no terceiro trimestre de 2024. Esse é o terceiro nome da unidade, que já foi chamada de Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) e, no governo Bolsonaro, foi rebatizada como Gaslub. A pedra fundamental do ativo foi lançada em 2006 e as obras começaram em 2008, mas foram paralisadas em 2015, após as denúncias de corrupção investigadas pela Operação Lava-Jato, a partir de março de 2014.”

Fonte: Valor Ecoômico; 16/07/2026

Etanol deve ter aumento de consumo de 17% neste mês, diz pesquisa

“O consumo de etanol deve aumentar em julho e em agosto, segundo levantamento da Argus com as principais distribuidoras do país. Conforme a consultoria, índices favoráveis da economia, como aumento dos níveis de emprego e renda em relação a iguais meses de 2025, devem impulsionar as vendas do combustível. As projeções indicam aumento de 17% do consumo de etanol em julho e de 19% em agosto. Os cálculos foram feitos antes do anúncio de aumento da mistura de etanol na gasolina, anunciado na terça-feira (14). Para a Argus ainda é cedo para avaliar, porém, se o aumento da mistura de etanol na gasolina de 30% para 32%, aprovado na terça, poderá fazer com que as vendas do produto cresçam ainda mais neste mês e no próximo.Segundo a especialista, no Estado de São Paulo, referência para o perfil de consumo dos combustíveis, o etanol tem sido mais atrativo do que a gasolina desde setembro de 2018. “Isso é o que chamamos de paridade média. É a conta feita pelos motoristas que têm carros flex para avaliar qual combustível compensa mais, entre gasolina e etanol.” No diesel, Albuquerque diz que o volume consumido em julho e agosto deve ficar estável de um mês para o outro, em cerca de 6,3 milhões de metros cúbicos. O mercado de diesel tem sido pressionado pelo aumento da margem de refino internacional, como resultado da guerra no Oriente Médio e pela decisão da Rússia de suspender exportações. Nesta quarta-feira (15), a Petrobras disse que o cenário deve pressionar o mercado de diesel global e impactar o Brasil. Em nota ao Valor, a estatal afirma que, embora não compre diesel russo, reconhece que o país é importante fonte de suprimento para o Brasil, importador líquido do combustível. “A redução dessa oferta tende a aumentar a competição pelos volumes disponíveis no mercado internacional e elevar o custo das importações de outras origens, principalmente do Golfo dos Estados Unidos. O maior consumo do etanol se destaca pela maior competitividade do biocombustível em relação à gasolina na comparação anual, segundo a Argus. Já a gasolina deve ter volume de consumo estável em julho, em comparação a igual mês de 2025, e queda de 1% em agosto. No caso do diesel, as estimativas são guiadas pela perspectiva para o Produto Interno Bruto (PIB) e o desempenho de setores intensivos no consumo. O consumo de diesel deve apresentar queda anual de 1,4% em julho e alta de 3,8% em agosto, segundo a Argus. De janeiro a junho, o preço médio do etanol no Brasil caiu 10,02%, de R$ 4,59 para R$ 4,13, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Na semana de 5 a 11 de julho, o preço do combustível recuou ainda mais, conforme a agência, para R$ 4,06. No caminho oposto, a gasolina comum ficou mais cara, segundo a ANP, um aumento de 4,74%, saindo de R$ 6,32 em janeiro para R$ 6,62 em junho na média do país. Na semana de 5 a 11 de julho, a gasolina recuou para R$ 6,58. Além dos preços, os dados de mercado de trabalho também favorecem o cenário, segundo a Argus. No trimestre encerrado em abril, a taxa de desemprego alcançou 5,8%, queda de 0,8 ponto percentual em comparação a igual período de 2025, conforme dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) Contínua.”

Fonte: Valor Ecoômico; 15/07/2026

Rock in Rio vai compensar emissões de deslocamento

“De forma inédita em seus 41 anos, o Rock in Rio vai compensar as emissões de carbono não apenas das atividades na Cidade do Rock, na zona sudoeste da cidade, mas também do deslocamento dos participantes. Entram na conta as viagens feitas pelo público, artistas, fornecedores e funcionários do momento em que saem de casa até o retorno. A decisão marca um novo capítulo de uma estratégia de descarbonização iniciada pelo festival há duas décadas. Em 2006, na edição de Lisboa, o Rock in Rio passou a compensar as emissões geradas no evento. A edição 2026, de 4 a 13 de setembro, amplia esse compromisso ao incluir o transporte do público, que responde por quase 70% da pegada de carbono associada ao festival. Cerca de dois terços dos visitantes vêm de fora do Rio, usando avião, ônibus e carros. O Rock in Rio estima que serão compensadas cerca de 50 mil toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO2e), o que corresponde às emissões anuais de 18,8 mil carros movidos a fontes fósseis. O volume considera ações para compensar as atividades na Cidade do Rock mais os deslocamentos. Para o cálculo específico dos deslocamentos, o festival vai utilizar pesquisas por amostragem com o público e coleta de informações de artistas, patrocinadores, fornecedores e funcionários. “Essa sempre foi a nossa grande angústia”, diz Roberta Medina, vice-presidente executiva da Rock World, empresa que criou e organiza o Rock in Rio e o The Town e produz o Lollapalooza Brasil. Segundo ela, o evento já adotava medidas para reduzir emissões do transporte, como restringir o acesso de carros particulares e incentivar o uso de metrô, BRT e ônibus executivos. “Mas a experiência do festival começa muito antes dos portões abrirem e continua depois que a música termina. Agora conseguimos assumir responsabilidade por toda essa jornada.” Para compensar 100% de pegada de carbono do evento, o Rock in Rio combinará três instrumentos. A maior parte das emissões do evento – cerca de 43,7 mil toneladas de CO2e – será compensada por créditos de carbono gerados pela Usina Hidrelétrica Teles Pires, administrada pela Axia Energia. Já o consumo de eletricidade da Cidade do Rock será associado a cerca de 4 mil Certificados de Energia Renovável (Recfy), que não compensam emissões mas certificam que uma quantidade equivalente de energia renovável foi gerada e injetada no sistema elétrico. Uma terceira frente envolve a doação de 15 mil mudas e 1 milhão de sementes de espécies nativas cultivadas, entre elas mogno, jatobá, pau-brasil e muiracatiara, algumas usadas na fabricação de instrumentos musicais. As mudas compensarão mais 6.328 toneladas de CO2e, enquanto as sementes têm potencial para capturar cerca de 428 mil toneladas de carbono ao longo do desenvolvimento de novas florestas, permitindo restaurar 900 hectares, em projetos monitorados pelo Instituto Socioambiental (ISA). Leandra Peres, diretora de comunicação da Axia, diz que a parceria ajuda a aproximar um tema ainda pouco conhecido do público. “O Rock in Rio tem enorme poder de mobilização. Queremos mostrar que compensação de carbono e emissões estão mais próximas da vida das pessoas do que elas imaginam. Todo mundo emite carbono ao viajar, consumir energia ou se deslocar.” Embora a compensação seja importante, não substitui a redução das emissões. Ao longo do tempo, o festival reduziu o uso de geradores, ampliou o consumo de energia da rede elétrica, substituiu equipamentos por versões mais eficientes, adotou iluminação LED, implantou copos reutilizáveis, fortaleceu programas de reciclagem e exigiu práticas ambientais de fornecedores.”

Fonte: Valor Ecoômico; 16/07/2026

E32 amplia demanda por anidro em até 1 bilhão de litros e dá estabilidade, diz Renato Cunha

“A elevação do teor obrigatório de etanol anidro na gasolina de 30% para 32% deve ampliar a demanda pelo biocombustível entre 900 milhões e 1 bilhão de litros e proporcionar maior estabilidade ao mercado, avaliou o presidente da NovaBio, Renato Cunha. Para ele, a medida aprovada na terça-feira, 14, pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), representa um avanço previsto desde a lei do Combustível do Futuro e fortalece o planejamento da cadeia produtiva. Segundo Cunha, a mudança amplia em cerca de 6,6% o mercado potencial do etanol anidro. “O mercado cresce 6,6% em termos de possibilidade de vendas”, afirmou o presidente da NovaBio, que representa dezenas de usinas do setor sucroenergético, principalmente nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil. Na avaliação do executivo, a medida garante um destino maior para a produção e melhora o fluxo financeiro das usinas. “Tem um mercado mais garantido. Terá espaço para liquidez. Se as vendas aumentam, aumenta o fluxo de caixa das empresas”, disse. “Não é um aumento de preço, é um aumento do tamanho do mercado”, acrescentou. Para Cunha, a ampliação da mistura também contribui para equilibrar o planejamento industrial das usinas, uma vez que o anidro passa a oferecer maior previsibilidade de comercialização. “O anidro dá estabilidade. Se ele tem um mercado perene, sem oscilar muito, a usina se programa melhor”, afirmou. Segundo ele, esse ambiente pode influenciar as decisões sobre o mix de produção entre açúcar e etanol. “Tem uma garantia de volume maior de destino da produção, o que pode estabilizar o mercado e os preços da cadeia”, observou. O presidente da NovaBio defendeu que o aumento do teor de etanol melhora a qualidade ambiental da gasolina ao elevar sua oxigenação e reduzir a intensidade de carbono. “Você oxigena a gasolina, descarboniza e dá um upgrade de qualidade”, disse. Em meio às incertezas provocadas pelo conflito no Oriente Médio, ele acrescentou que a medida também reforça a segurança energética ao ampliar a participação de um combustível produzido no país. Cunha observou que a adoção do E32 cumpre parte do cronograma previsto na lei do Combustível do Futuro, que já havia autorizado testes com misturas de até 35% de etanol. “O governo cumpriu uma parte do planejamento previsto na lei. A próxima meta é chegar a 35%”, declarou. Para a região Nordeste, o dirigente considera que a decisão chega em um momento favorável. Segundo ele, a maior demanda por anidro tende a melhorar o ritmo das vendas logo no início da moagem. “Vamos começar a safra nova com uma expectativa de melhor cadência de vendas do etanol anidro”, comentou. Na avaliação do executivo, o maior escoamento do biocombustível também pode reduzir parte da pressão sobre o mercado de açúcar. Apesar da avaliação positiva, Cunha ponderou que o setor ainda enfrenta dificuldades no mercado de etanol hidratado, pressionado pelo avanço da oferta, sobretudo com a expansão da produção de etanol de milho. Segundo ele, o crescimento da produção ocorreu em ritmo superior ao consumo, reduzindo a remuneração das usinas.”

Fonte: NovaCana; 15/07/2026

Internacional

Espera-se que as indústrias europeias ganhem mais tempo para emitir carbono

“Espera-se que as indústrias europeias ganhem mais tempo para continuar emitindo carbono, o que beneficia operações altamente poluentes, mas prejudica empresas e países que já reduziram suas emissões. A Comissão Europeia apresentará, na sexta-feira, a revisão de seu principal sistema de comércio de emissões, resultando em um cronograma mais longo para a vigência do mecanismo. A Comissão também avalia incluir custos de carbono para voos que partem do bloco, como parte da revisão do sistema, que arrecada um total anual de cerca de 40 bilhões de euros para a UE. Além disso, estuda permitir a concessão de mais licenças de carbono gratuitas, desde que sejam realizados investimentos na Europa. No âmbito do ETS (Sistema de Comércio de Emissões), as empresas devem pagar ou utilizar licenças para cada tonelada de carbono emitida, criando um incentivo financeiro para a redução de gases de efeito estufa. Atualmente, o sistema não permite a emissão de novas licenças de poluição até 2039 — um ponto de controvérsia de longa data. A revisão permitiria a criação de novas licenças de emissão até bem avançada a década de 2040. Espera-se que a Comissão alivie a pressão sobre a indústria para reduzir emissões de carbono, desacelerando o aperto no limite de licenças emitidas pelo sistema — segundo pessoas a par do assunto —, ao mesmo tempo em que mantém a UE alinhada com sua meta climática de neutralidade de carbono até 2050. Isso envolveria um ajuste na redução anual do volume de licenças de carbono disponíveis — medida conhecida como “fator de redução linear” e acompanhada de perto pelo setor industrial. A taxa seria ajustada de 4,4% para uma faixa entre 3,5% e 3,9% no período de 2031 a 2035, segundo uma fonte a par dos planos, passando para cerca de 2,2% após 2036. Uma segunda fonte confirmou a estrutura proposta, mas ressaltou que os detalhes ainda dependem de aprovação final. Indústrias altamente poluentes têm feito lobby contra o sistema atual, alegando que o custo do carbono agrava o desafio dos preços elevados de energia na Europa, tornando-as menos competitivas. Estados-membros dependentes de combustíveis fósseis — incluindo Itália, Polônia e outros países da Europa Central e Oriental — também têm pressionado por maior flexibilidade. No entanto, líderes na questão climática, como os países nórdicos e a Espanha, defenderam que a taxa permanecesse próxima ao seu teto atual de 4,4%, sendo flexibilizada apenas mais tarde na década, à medida que as emissões fossem sendo eliminadas.”

Fonte: Financial Times; 15/07/2026

Codelco vê projeto de lítio no salar de Maricunga, no Chile, viável dentro de mais oito anos

“A chilena Codelco espera que seu projeto de lítio no salar de Maricunga se torne realidade em oito anos, afirmou nesta quarta-feira (15) o presidente do conselho da companhia, Bernardo Fontaine. O projeto de lítio de Maricunga é administrado pela produtora estatal de cobre Codelco e sua parceira Rio Tinto. “O acordo ainda não foi assinado porque está sujeito a determinadas condições, algumas das quais já foram cumpridas e outras ainda estão pendentes no âmbito internacional”, afirmou Fontaine. O acordo de joint venture aguarda aprovação regulatória do Chile e da China, após obter aprovações antitruste sem restrições no Brasil, na Coreia do Sul e na Polônia, acrescentou o executivo. O Ministério da Mineração do Chile está revisando o contrato especial de operação para atender às observações feitas pelo órgão nacional de auditoria. Durante seu discurso, Fontaine também afirmou que o lítio não deveria ser classificado como um mineral crítico, argumentando que ele não enfrenta riscos de oferta e existe em abundância em todo o mundo. O novo conselho da Codelco está revisando os planos e projetos da mineradora estatal, priorizando investimentos e avaliando potenciais vendas de ativos. A companhia perdeu em 2025 o título de maior produtora de cobre do mundo.”

Fonte: Financial Times; 15/07/2026

Trabalhadores de minério de ferro da BHP na Austrália entram em greve

“Trabalhadores das operações de minério de ferro da BHP na Austrália Ocidental cruzaram os braços na quinta-feira, na primeira greve no setor de mineração da importante região de Pilbara em décadas, após meses de negociações trabalhistas fracassadas. Cerca de metade dos 450 trabalhadores do terminal de exportação da BHP em Port Hedland apoiou a greve de oito horas, parte de uma disputa crescente sobre salários e condições de trabalho no local. Pilbara é a fonte de grande parte do minério de ferro mundial, utilizado na produção de aço. Port Hedland é um dos maiores portos de exportação de ferro, escoando a enorme quantidade de material produzida pela BHP. Os empregos na mineração na remota e pouco povoada região de Pilbara já foram considerados lucrativos, mas os trabalhadores afirmam que isso mudou nos últimos anos. Embora os vastos recursos de minério de ferro da região tenham sido um pilar da economia australiana por décadas, eles agora enfrentam ameaças de novas operações, incluindo a mina de Simandou, na Guiné. A paralisação de quinta-feira, envolvendo trabalhadores de manutenção e operação de três sindicatos, ocorreu após longas, porém infrutíferas, negociações com a BHP na terça-feira. Os trabalhadores afetados alegam que possuem contratos individuais que variam substancialmente em termos de remuneração e outros aspectos fundamentais, e que os níveis salariais gerais para essas funções sofreram uma redução real ao longo da última década. Os trabalhadores votaram a favor da greve em junho — a primeira ação sindical no setor de mineração da região em décadas. A próxima negociação, mediada pela Comissão de Trabalho Justo (Fair Work Commission) da Austrália, está agendada para 21 de julho. A BHP está entre as maiores produtoras de minério de ferro do mundo, mas vem direcionando seus investimentos para o cobre. Esse metal industrial de alta condutividade tem grande demanda à medida que países expandem redes de energia para centros de dados de IA e estações de recarga para veículos elétricos. “Continuamos comprometidos em negociar de boa-fé e acreditamos que envolver a comissão é a maneira mais construtiva, transparente e justa de alcançar o melhor resultado”, afirmou um porta-voz da BHP. “Assim como fazemos diante de quaisquer possíveis interrupções em nossos negócios, temos planos em vigor para garantir que as operações possam continuar com segurança.” A greve ocorreu no momento em que a BHP relatou uma queda de 3% na produção de minério de ferro em relação ao ano anterior, no trimestre encerrado em junho, enquanto a produção de cobre recuou 5%. A produção de cobre no próximo ano poderá cair até 15% em relação a 2026, alertou a empresa, devido à redução da concentração do metal em sua principal mina, Escondida, no Chile.”

Fonte: Financial Times; 16/07/2026

Energia limpa ultrapassa 50% da demanda na Índia e expõe novo gargalo da transição

“A Índia atingiu neste mês um marco em sua transição energética. Pela primeira vez neste ano, fontes não fósseis responderam por mais da metade da demanda instantânea de eletricidade do país, indicando que a rede elétrica já consegue operar, ainda que por períodos curtos, com predominância de energia livre de combustíveis fósseis. O recorde foi registrado em 6 de julho, às 11h46 (horário local), quando fontes renováveis, hidrelétricas e usinas nucleares atenderam a 50,2% da demanda de eletricidade da Índia. O patamar foi mantido por cerca de 15 minutos e representa o segundo ano consecutivo em que o país alcança esse nível de participação de fontes não fósseis. Embora pontual, o episódio é visto como um indicativo da mudança na matriz elétrica da sexta maior economia do mundo e do país mais populoso do planeta. Com uma demanda por eletricidade que deve continuar crescendo nas próximas décadas, a Índia busca expandir sua oferta de energia sem repetir a trajetória de desenvolvimento baseada em combustíveis fósseis. O avanço também faz parte da estratégia do país para reduzir a dependência de petróleo, gás e carvão importados, sobretudo do Oriente Médio, fortalecendo a segurança energética em um cenário de instabilidade geopolítica. Ao mesmo tempo, o marco revela um novo desafio para a transição energética. À medida que a capacidade instalada de geração solar e eólica cresce, a infraestrutura elétrica passa a ser o principal gargalo para incorporar essa energia ao sistema. Assim como ocorre no Brasil, a Índia começa a registrar episódios de curtailment, termo utilizado para descrever situações em que usinas eólicas ou solares precisam reduzir a geração por limitações na capacidade de transmissão ou pela falta de sistemas de armazenamento. Na avaliação de especialistas, esse movimento indica que o país entra em uma fase já observada em economias como Brasil, China e diversos países europeus. Nessa etapa, o desafio deixa de ser instalar novos parques renováveis e passa a ser modernizar a rede elétrica para integrar volumes crescentes de geração variável. “O fato de a Índia ter atendido mais da metade de sua demanda de eletricidade com energia limpa, ainda que por um breve período, demonstra de forma contundente o que já é tecnicamente possível”, afirmou Bruce Douglas, CEO da Global Renewables Alliance (GRA). Segundo ele, o debate passa agora da viabilidade técnica para a velocidade com que os sistemas elétricos conseguirão operar com energia limpa durante todas as horas do dia, o que exigirá investimentos em armazenamento, flexibilidade da rede e expansão da capacidade renovável.”

Fonte: Exame; 15/07/2026

Governo alemão planeja pacote de alívio nos custos de energia de € 13,3 bilhões para 2027

“O governo alemão planeja um pacote de alívio nos custos de energia para empresas e consumidores no valor de 13,3 bilhões de euros (15,2 bilhões de dólares) em 2027, a ser financiado pelo Fundo de Clima e Transformação (KTF), informou o Ministério das Finanças na quarta-feira. O pacote inclui um subsídio para as tarifas de rede elétrica, bem como medidas de alívio para indústrias de uso intensivo de energia, por meio de um sistema de preços de eletricidade para o setor industrial e medidas de compensação de custos de energia, que ajudam a atenuar os gastos associados à precificação de carbono. Até 2030, um total de € 13,2 bilhões será redirecionado do KTF para o orçamento principal, de acordo com o plano de negócios do KTF para 2027 e o planejamento financeiro do governo até 2030. Os custos de energia aumentaram drasticamente desde o início da guerra envolvendo o Irã, pressionando as indústrias alemãs de uso intensivo de energia e o setor manufatureiro como um todo. Empresas alemãs, incluindo montadoras e siderúrgicas, já haviam reclamado que os preços elevados da energia as colocavam em desvantagem competitiva antes mesmo da guerra. O montante de auxílio é € 2,5 bilhões superior ao previsto para 2026, com mais de € 5,5 bilhões destinados a tarifas de rede, € 5 bilhões à compensação de preços de energia e cerca de € 2,5 bilhões ao preço da eletricidade para a indústria. Ao mesmo tempo, o governo está reduzindo os gastos em outras áreas do fundo climático. O Ministério das Finanças afirmou que o financiamento para programas não comprometidos do KTF será geralmente reduzido em 30%, embora alguns projetos sejam isentos. O apoio à transição para veículos elétricos, por exemplo, será reduzido em 10%, ou € 200 milhões, até 2029. Os compromissos existentes não serão afetados. Na semana passada, o governo federal aprovou sua proposta para o orçamento federal de 2027 e o planejamento financeiro até 2030. No entanto, isso não incluiu um plano para o KTF. Somente em 2027, € 2,7 bilhões em receitas de comércio de emissões que normalmente seriam destinadas ao KTF serão usados ​​para ajudar a fechar as lacunas orçamentárias. Dos € 40,3 bilhões planejados para gastos do KTF em 2027, € 22,5 bilhões já foram destinados a projetos de modernização, informou o ministério. O plano econômico deve ser aprovado pelo parlamento juntamente com o orçamento federal no final de novembro.”

Fonte: Reuters; 15/07/2026

Dez países pedem à UE que reconsidere o novo preço do carbono sobre combustíveis

“Dez países, incluindo Itália e Polônia, instaram a União Europeia a reconsiderar uma nova taxa de carbono sobre combustíveis, como parte de uma revisão separada do mercado de carbono do bloco, segundo um comunicado conjunto visto pela Reuters. A oposição deles à taxa ameaça comprometer os planos de atualizar a principal política climática de Bruxelas — o sistema de comércio de emissões (ETS) — e pode colocá-los em conflito com defensores da nova cobrança, como Alemanha e Suécia. Na sexta-feira, a Comissão Europeia proporá uma revisão do sistema de comércio, que obriga usinas de energia, fábricas, companhias aéreas e empresas de transporte marítimo a pagar por suas emissões de CO2. Em um comunicado compartilhado com a Comissão na terça-feira, os 10 países afirmaram que ela deveria aproveitar a revisão para também repensar um novo preço para o CO2, conhecido como ETS2, que a UE planeja impor aos combustíveis de aquecimento e transporte a partir de 2028. “Os cidadãos europeus não deveriam enfrentar novos impostos climáticos nas atuais circunstâncias econômicas e geopolíticas. Portanto, o ETS2 deve ser abordado diretamente na revisão e cuidadosamente reconsiderado”, dizia o comunicado. Itália, Polônia, Bulgária, Chipre, República Tcheca, Estônia, Grécia, Hungria, Romênia e Eslováquia assinaram o documento, que também exigia mudanças no mercado de carbono existente. Por exemplo, eles pediram que a UE concedesse às indústrias mais licenças gratuitas de emissão de CO2, sem condições abrangentes. A Comissão indicou que pretende conceder mais licenças gratuitas apenas a empresas que concordem em investir na descarbonização na Europa. Diante da resistência de governos preocupados com o fato de que a nova taxa de carbono sobre combustíveis elevaria os preços para os consumidores, Bruxelas já adiou a medida em um ano. Seus defensores argumentam que ela é crucial para impulsionar a transição para carros e sistemas de aquecimento doméstico mais limpos, e que as receitas da taxa de CO2 serão reinvestidas para ajudar as pessoas a adotarem tecnologias limpas, reduzindo o impacto sobre os consumidores. A Comissão afirmou que não deseja fazer mais alterações antes do lançamento, para dar tempo às empresas de se prepararem. No entanto, quando governos nacionais e legisladores da UE negociarem e aprovarem as mudanças no mercado de carbono, eles poderão incluir suas próprias emendas, inclusive sobre a taxa ETS2. Os 10 países por trás do comunicado possuem votos suficientes no sistema da UE para bloquear emendas às quais se oponham.”

Fonte: Reuters; 15/07/2026

Eletrificar a Europa não basta

“A União Europeia deverá apresentar nesta semana seu Plano de Ação para a Eletrificação. A iniciativa parte de um diagnóstico correto: embora a geração de eletricidade na Europa esteja se tornando progressivamente mais limpa, a eletricidade ainda representa apenas cerca de 23% do consumo final de energia da União Europeia. Transportes, aquecimento e parte significativa da indústria ainda dependem de combustíveis fósseis. O plano pretende acelerar a eletrificação desses setores, reduzir a exposição às importações de petróleo e gás e proteger a economia da volatilidade energética. Mas eletrificar mais não significa necessariamente descarbonizar ao menor custo. O risco é a Europa tratar o problema predominantemente como uma questão de ampliar a geração renovável, modernizar redes, instalar armazenamento, acelerar licenciamentos e subsidiar o consumo industrial. Tudo isso é necessário. Não será, porém, suficiente para resolver o conflito crescente entre descarbonização, segurança energética e competitividade. A eletrificação altera profundamente a economia da localização industrial. Petróleo, carvão e gás natural possuem elevada densidade energética, podem ser armazenados e percorrem grandes distâncias a custos relativamente baixos. Por mais de um século, a energia foi até a indústria. Eletricidade solar, eólica e hidráulica obedecem a outra lógica. São dependentes da geografia, das redes e da disponibilidade de transmissão, armazenamento, balanceamento e redundância. Hidrogênio, amônia e metanol ajudam a contornar essas limitações, mas não as eliminam. Converter eletricidade em moléculas, transportá-las e eventualmente reconvertê-las envolve perdas energéticas, infraestrutura e custos adicionais significativos. Para boa parte da indústria, portanto, a variável decisiva não será apenas o custo de geração da energia renovável, mas o custo de entregar energia limpa, firme e confiável no local de consumo. Esse é o ponto que a política europeia não pode ignorar. À medida que aço, alumínio, químicos, fertilizantes, combustíveis sintéticos e outros setores se eletrificam, o preço e a disponibilidade da energia tornam-se determinantes ainda mais importantes das decisões de investimento. Regiões com melhores ventos, maior incidência solar, disponibilidade de terras, água e sistemas menos congestionados passam a ter uma vantagem estrutural. A Europa tem três opções. A primeira é tentar reter domesticamente a maior parte das cadeias industriais verdes. Isso exigiria enormes investimentos em geração, redes, armazenamento e subsídios permanentes. Pode ser justificável em atividades críticas, mas, como estratégia geral, corre o risco de transformar uma desvantagem geográfica em custos fiscais e de competitividade recorrentes. A UE estima serem necessários investimentos anuais da ordem de 660 bilhões de euros até 2030 e vários trilhões adicionais para alcançar a neutralidade climática em 2050. A segunda opção é proteger a produção doméstica com conteúdo local, compras públicas, barreiras comerciais e uma aplicação cada vez mais defensiva do Carbon Border Adjustment Mechanism (CBAM). Essa abordagem pode evitar concorrência desleal de produtos intensivos em carbono, mas torna-se contraproducente quando também bloqueia produtos efetivamente mais limpos e baratos. O recente movimento em favor de requisitos “Made in EU” ilustra a tentação de confundir descarbonização e combate ao vazamento de carbono com territorialização da produção.”

Fonte: Valor Econômico; 16/07/2026

Onda de calor sem precedentes no Reino Unido, com temperaturas acima de 30°C, alimenta “onda de fogo” e sobrecarrega os serviços de emergência

“Os serviços de emergência alertaram que estão sob extrema pressão, à medida que uma “onda de incêndios” de abrangência nacional perturba os transportes, danifica a infraestrutura e degrada a qualidade do ar em uma área do Reino Unido mais extensa do que nunca. A situação ocorre após o Reino Unido registrar 25 dias (não consecutivos) com temperaturas de 30°C ou mais — incluindo nove dias acima de 34°C —, superando o recorde de 1976. O Met Office informou que não se espera um alívio significativo com chuvas nos próximos dias. O climatologista do Met Office, Michael Kendon, afirmou que o ritmo do aquecimento global faz com que as regiões do norte estejam enfrentando temperaturas equivalentes às do sul da Inglaterra na década de 1960. “Lancashire está como Londres em 1961. Paralelamente, o número de dias com temperaturas acima de 30°C e noites acima de 18°C ​​na Grande Londres mais do que quadruplicou na década mais recente em comparação com o período de 1961 a 1990, segundo o relatório mais recente sobre o clima no Reino Unido. Em quase toda a Inglaterra — exceto no sudoeste, em Cumbria e em Northumberland —, o aumento da temperatura foi de pelo menos 3°C; em uma faixa que vai de Kent a Lincolnshire, o aumento superou 4,5°C, considerando os mesmos períodos de comparação. Esse valor é mais de três vezes superior ao aumento de 1,3°C na temperatura média anual do Reino Unido. A combinação de calor prolongado, condições de seca e ventos fortes neste verão mantém elevado o risco de incêndios florestais em grande parte do país. Mesmo antes da semana mais recente de incêndios, cerca de 17.237 hectares haviam sido queimados até 8 de julho, em comparação com uma média de 8.628 hectares no Reino Unido, segundo análise de dados do Financial Times. Joe McNorton, especialista em incêndios do Centro Europeu de Previsão do Tempo a Médio Prazo (ECMWF), afirmou que se trata de uma temporada de incêndios acima da média, embora a área total queimada esteja abaixo da registrada no mesmo período do ano passado, quando o Reino Unido enfrentou o pior ano de incêndios florestais já registrado. Centenas de serviços ferroviários foram cancelados nesta semana devido a incêndios às margens das vias e a transtornos causados ​​pelo calor. A fumaça de diversos incêndios florestais reduziu a qualidade do ar em várias áreas urbanas, incluindo nuvens de fumaça sobre Manchester. As equipes de bombeiros preparavam-se para novos focos de incêndio, uma vez que a previsão indica a persistência do tempo quente e dos ventos fortes por pelo menos mais uma semana. Phil Garrigan, presidente do Conselho Nacional de Chefes de Bombeiros, afirmou que o “período prolongado de atividade significativa de incêndios florestais” estava “colocando os serviços de bombeiros e resgate sob extrema pressão”. Segundo ele, os incêndios florestais não se restringiam mais a áreas remotas de charnecas ou zonas rurais, mas ameaçavam cada vez mais residências, empresas, redes de transporte e outras infraestruturas críticas. O Corpo de Bombeiros de Londres combateu vários incêndios florestais nos últimos dias, incluindo um em uma área de vegetação rasteira próxima à estação de Stratford, que derreteu equipamentos da rede ferroviária aérea e provocou a interdição da linha por vários dias.”

Fonte: Financial TImes; 16/07/2026

Índices ESG e suas performances

(1) O Índice ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial da B3) tem como objetivo ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de empresas com reconhecido comprometimento com o desenvolvimento sustentável, práticas e alinhamento estratégico com a sustentabilidade empresarial.
(2) O Índice S&P/B3 Brasil ESG mede a performance de títulos que cumprem critérios de sustentabilidade e é ponderado pelas pontuações ESG da S&P DJI. Ele exclui ações com base na sua participação em certas atividades comerciais, no seu desempenho em comparação com o Pacto Global da ONU e também cias sem pontuação ESG da S&P DJI.
(3) O ICO2 tem como propósito ser um instrumento indutor das discussões sobre mudança do clima no Brasil. A adesão das companhias ao ICO2 demonstra o comprometimento com a transparência de suas emissões e antecipa a visão de como estão se preparando para uma economia de baixo carbono.
(4) O objetivo do IGCT é ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de emissão de empresas integrantes do IGC que atendam aos critérios adicionais descritos nesta metodologia.
(5) A série de índices FTSE4Good foi projetada para medir o desempenho de empresas que demonstram fortes práticas ambientais, sociais e de governança (ESG).
.


Ainda não tem conta na XP? Clique aqui e abra a sua!

XP Expert

Avaliação

O quão foi útil este conteúdo pra você?


A XP Investimentos CCTVM S/A, inscrita sob o CNPJ: 02.332.886/0001-04, é uma instituição financeira autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil.Toda comunicação através de rede mundial de computadores está sujeita a interrupções ou atrasos, podendo impedir ou prejudicar o envio de ordens ou a recepção de informações atualizadas. A XP Investimentos exime-se de responsabilidade por danos sofridos por seus clientes, por força de falha de serviços disponibilizados por terceiros. A XP Investimentos CCTVM S/A é instituição autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil.


Este site usa cookies e dados pessoais de acordo com a nossa Política de Cookies e a nossa Política de Privacidade.