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Inflação prévia de dezembro indica que IPCA deve encerrar o ano perto de 10%

O índice de preços ao consumidor IPCA-15, previa da inflação de dezembro, subiu 0,78%. Com isso, o IPCA-15 fechou 2021 em 10,42%. Alguns itens repetem sua variação entre o IPCA-15 e fechado do mês, e como tivemos surpresa baixista nestes itens, calibramos nossas projeções de curto prazo, projetando agora IPCA de dezembro em 0,63% (antes […]

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O índice de preços ao consumidor IPCA-15, previa da inflação de dezembro, subiu 0,78%. Com isso, o IPCA-15 fechou 2021 em 10,42%. Alguns itens repetem sua variação entre o IPCA-15 e fechado do mês, e como tivemos surpresa baixista nestes itens, calibramos nossas projeções de curto prazo, projetando agora IPCA de dezembro em 0,63% (antes 0,71%). O levou a projeção do ano levemente abaixo de 10% (a tabela aponta para 9,96%), antes em 10,1%.

Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, sete apresentaram alta em dezembro. Apenas Saúde e cuidados pessoais (-0,73%) e Educação (0,00%) não registraram aumento no mês. A deflação do primeiro grupo ocorreu por conta dos itens de higiene pessoal (-3,34%), em particular o perfume (-9,82%), os produtos para pele (-8,70%) e os artigos de maquiagem (-4,71%), produtos que sofreram forte influencia dos descontos concedidos durante a Black Friday, mas tendem a voltar ao nível normal nos próximos meses.

E mais uma vez, o grupo que mais contribuiu para a alta do mês foi Transportes  (2,31%), que foi influenciado principalmente pela alta nos preços dos combustíveis (3,40%) e, em particular, da gasolina (3,28%), que contribuiu com o maior impacto individual (0,21 p.p.) no índice do mês. Dados de alta frequência já apontam queda dos dos preços dos combustíveis na margem, devendo ficar estável ou até com deflação no índice de dezembro.

A inflação de serviços subiu 0,70% em dezembro, abaixo de nossa projeção de 0,68%, após alta de 0,33% em novembro. E os serviços subjacentes, medida monitorada pelo BC, acelerou de 0,50% para 0,66%. Os preços dos bens industriais desaceleraram no mês, de 1,79% para 0,64%, abaixo da nossa projeção (+ 0,77%), mas ainda em nível elevado.

Os núcleos da inflação atingiram 0,67% em dezembro, após alta de 0,87% em novembro. A comparação anual passou de 7,0% para 7,34%, acima da meta de inflação do BC (3,75%). E o índice de difusão chegou a 69%, ante 66% no mês passado.

Com a revisão da inflação ´para o IPCA de dezembro para 0,63% (antes em 0,71%), passamos a projetar inflação em 2021 em 10%, antes em 10,1%. apesar da revisão baixista no ultimo mês do ano, o balanço geral revela que inflação permanece pressionada no curto prazo.

A inflação abaixo do esperado também tem implicações para a política fiscal. O teto de gastos de 2022 foi calculado com base no IPCA de 10,18%. Se ficar em 9,96%, o teto aprovado para 2022 no orçamento é R$ 3,4 bilhões acima do calculado pela nova regra. Essa diferença será incorporada ao limite de 2023.

Para 2022, projetamos inflação de 5,2%. Importante destacar que a inflação cai, mas isso não significa preços mais baixos. A variação para o próximo ano fica menor, mas ainda é uma ´previsão de preços subindo. A alta de juros, desaceleração da demanda, perda do poder de compra e dissipação de choques de oferta devem permitir que inflação desacelere, mas ainda deve encerrar 2022 acima da meta (3,5%). Só vislumbramos inflação de volta à meta em 2023.

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