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Economia em destaque: Seu resumo semanal do cenário econômico internacional e doméstico

Dados de inflação, atividade econômica, fiscal e ata do Copom são os destaques da semana.

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Cenário internacional

No cenário internacional, as atenções seguem voltadas ao avanço das vacinações ao redor do mundo. Dados preliminares de Israel e EUA sinalizam avanços positivos no tocando ao número de hospitalizações e novos casos de contágio. Enquanto isso, a Europa segue marcada por medidas de restrição e sinais de maiores desafios para vacinação em massa em alguns países. No lado positivo, alguns laboratórios já dizem ter desenvolvido vacinas que combatem as novas cepas encontradas no mundo, incluindo no Brasil, África do Sul e reino Unido.

No cenário econômico, a semana começou com discussões sobre a aprovação do pacote de estímulos nos EUA, diante da proposta democrata de US$ 1,9 trilhões. As discussões seguem no Congresso, tocando em particularidades do regramento legislativo norte-americano, que incluimanobras parlamentares que permitem o bloqueio de votações (filibuster) ou a aprovação de certas peças legislativas por maioria simples (reconciliation), além de um último recurso conhecido como “Opção nuclear”. Apesar de democratas terem maioria na Casa, uma parcela relevante de senadores do partido representa estados onde eleitores conservadores têm peso significativo. Portanto, é provável que votem contra propostas mais arrojadas, como a eliminação do filibuster, ou a favor de pautas que alterem a regulamentação parlamentar. Diante desse cenário, o governo Biden continua em busca de um acordo sobre o pacote entre os partidos e um grupo bipartidário estuda contraproposta.

A semana foi também marcada pela reunião do FOMC, na qual a autoridade monetária reforçou que não deverá subir juros ou reduzir o programa de compra de ativos tão cedo – afastando projeções de que isso poderia acontecer ainda esse ano. Tivemos também a divulgação do PIB dos Estados Unidos e de países europeus referentes ao quarto trimestre de 2020. Nos Estados Unidos, o PIB cresceu 4% na comparação interanual do quarto trimestre de 2020, levemente abaixo da expectativa de mercado, e puxado principalmente por investimentos privados. Na Alemanha, França e Espanha, por outro lado, as primeiras leituras do PIB vieram acima do esperado, apesar do cenário bastante desafiador e heterogêneo entre países da região.

Não obstante, o grande destaque da semana ficou para o mercado acionário dos EUA, que registrou forte onda de volatilidade, com o índice VIX atingindo o maior nível desde outubro de 2020, aos 37 pontos. O movimento foi levado pela compra em massade investidores pessoa física nos EUA – que ficou conhecido como “Efeito Reddit”. Diante da pressão ocasionada com a alta maciça de empresas que seguiram a alta da varejista de games, Game Stop, Hedge funds bilionários passaram a correr o risco de desalavancagem forçada, fazendo o mercado global recuar da recente alta.

Enquanto isso, no Brasil  

No cenário doméstico, a vacinação contra a covid-10 segue avançando nas diferentes regiões do país, com notícias positivas em relação a entrega de insumos e doses importadas. Foi destaque também nesse âmbito a discussão sobre a aquisição de vacinas pelo setor privado. Porém, diante da complexidade do tema, que esbarra em questões constitucionais, a discussão segue em andamento – ainda sem um caso concreto sendo debatido por autoridades do judiciário.  

Já na seara de indicadores, os resultados fiscais para o ano fechado de 2020 refletiram um período de gastos extraordinários para combater os efeitos da covid-19, que encerra-se com as atenções voltadas à decisões fiscais de longo prazo. Do lado da arrecadação, o resultado de dezembro ilustrou a mesma dinâmica que observávamos nos últimos meses, com recuperação da receita no contexto da retomada da atividade e da volta de tributos diferidos – que somaram 75% do total diferido no ano. Do lado da despesa, dezembro indicou gastos abaixo do projetado, levado parcialmente por menores despesas obrigatórias, especialmente na previdência, mas principalmente em programas relacionados ao covid-19, cujo orçamento não foi usado integralmente. O déficit primário do setor público consolidado alcançou 9,45% no ano, enquanto a dívida bruta encerrou o ano em 89,3% do PIB (dívida líquida em 63% do PIB) – um número também melhor do que o projetado no início do ano, em função da dinâmica descrita acima, mas também graças a mudanças metodológicas no PIB nominal.

Nessa mesma seara, tivemos também a divulgação do Plano Anual de Financiamento (PAF) pelo Tesouro Nacional. Após um ano em que a dívida subiu vertiginosamente, o Tesouro Nacional elencou as seguintes entre as prioridades no gerenciamento da dívida ao longo de 2021: i) aumento do prazo médio do estoque; ii) redução da parcela atrelada à taxa flutuante, aumentando a parcela atrelada à taxas pré-fixadas ou remunerados por índices de preços; iii) diversificação de investidores; iv) redução da parcela vincente em 12 meses, da qual 50% vence no primeiro bimestre do ano; e v) manutenção da reserva de liquidez acima do nível prudencial.

A semana também foi marcada pela divulgação da ata do Copom. No documento, o Copom discute se é o momento adequado para iniciar a redução dos estímulos monetários extraordinários. Mas conclui que, diante das incertezas particularmente elevadas, é adequado esperar a evolução do cenário neste início de ano. Entendemos que o documento é consistente com nosso cenário de início de ciclo de alta de juros em maio, em particular pela desaceleração econômica esperada para o primeiro trimestre e perspectiva do quadro fiscal inalterado. Não obstante, se houver uma sinalização política na direção de mais gastos fiscais neste ano ou se os resultados da economia surpreenderem positivamente no curto prazo, o Copom pode optar por iniciar o ciclo já em março.

Também foram divulgados nessa semana dados referentes ao mercado de trabalho, tanto do CAGED, quanto da PNAD Contínua (IBGE), que ilustraram um cenário ambíguo na retomada do emprego no país. Enquanto a criação de postos formais de trabalho manteve o ritmo forte dos meses anteriores em dezembro, a avaliação mais ampla do mercado, feita pela PNAD, mostra sinais de enfraquecimento – especialmente devido a volta de pessoas para a força de trabalho. Essa dinâmica pode representar um primeiro indício de desaceleração da economia brasileira na passagem de 2020 para 2021, especialmente considerando o fim do programa de manutenção de emprego e renda (o BEm). Não obstante, entendemos que o mercado de trabalho vem apresentando trajetória benigna, e os próximos meses serão essenciais para entendermos melhor como se dará esse ritmo de recuperação do mercado de trabalho.

Finalmente, foram também divulgados nessa semana os dados de crédito e do setor externo referentes ao mês de dezembro.

No setor externo, o Brasil encerrou 2020 com déficit em transações correntes de USD 12,5 bilhões, ante saldo negativo de US$50,7 bi em 2019. Em percentual do PIB, passamos de -2,7% para -0,9% de um ano para o outro. A pandemia e seus efeitos na atividade econômica doméstico e dos parceiros comerciais do Brasil, nos preços de produtos exportados e no câmbio deram a dinâmica ao longo do ano. Com recuperação gradual de investimentos estrangeiros (tanto em carteira quanto como IDP), e exportações com dinâmica benigna em meio a alta no preço de commodities, acreditamos que o setor mantém-se positivo apesar de surpresa em dezembro – majoritariamente levada pelo efeito contábil de importação de plataformas de petróleo no âmbito do Repetro.

Já os dados de crédito mostraram que apesar de termos visto uma queda nas concessões em dezembro, 2020 foi um ano positivo para o crédito, especialmente diante da queda dos juros e de programas de estímulo ao crédito lançados para combater os efeitos da pandemia. Esse cenário positivo deve se estender pelos próximos meses, mas em um ritmo mais lento, como o resultado de dezembro já sinalizou.

O que esperar

A produção industrial de dezembro e alguns indicadores de atividade econômica referentes a janeiro (como Anfavea e Fenabrave) serão os principais destaques da agenda econômica doméstica da próxima semana. No cenário internacional, os PMI’s compostos serão as principais divulgações.

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