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Bitcoin: valor de mercado volta ultrapassar US$ 1 trilhão. Saiba o que está por trás da alta em outubro

Bitcoin tem valorização em outubro e valor de mercado da criptomoeda volta ultrapassar US$ 1 trilhão. Entenda o que sustenta esse movimento

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O valor de mercado de todos os Bitcoins disponíveis voltou a ultrapassar a marca de US$ 1 trilhão em 6 de outubro de 2021, maior valor desde maio de 2011, com algumas notícias ancorando a recuperação do criptoativo em outubro. O preço do Bitcoin chegou a ser negociado acima de US$ 55 mil na máxima do dia, maior cotação desde 28 de abril.

Desde a queda do preço com a notícia de que a China proibiu a mineração da criptomoeda e declarou ilegais as transações com os criptoativos, em 24 de setembro, o Bitcoin já acumula valorização de 23%.

Mas o que está por trás dessa recuperação do Bitcoin, esse movimento é sustentável? Veja abaixo os 5 principais fatores que têm influenciado esse movimento.

1.Possibilidade de lançamento de ETF de Bitcoin nos EUA

Um otimismo recente com o criptoativo veio após notícias de que a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) pode aprovar o primeiro ETF (Exchange-Traded Fund) , fundo negociado em bolsa, de futuro de Bitcoin nos Estados Unidos,  o que pode atrair mais investidores e aumenta o alcance das criptos no mercado.

A SEC está analisando mais de 20 solicitações de ETFs e ETFs de futuros de produtos conectados ao Bitcoin e ao Ether.

O presidente da SEC, Gary Gensler, disse, no dia 5 de outubro, que os EUA não pretendem banir as criptomoedas, durante  audiência Comitê de Serviços Financeiros da Câmara norte-americana.

Os comentários de Gensler seguiram o mesmo posicionamento do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, que disse que não havia nenhum plano para impor uma proibição às criptomoedas durante audiência no Congresso americano na última semana de setembro de 2021.

2. Busca por proteção contra aumento da inflação

Pelo fato de não serem regulados pelos banco centrais e, portanto, sua emissão, não está sujeita ao controle por parte dos regulares, o Bitcoin vem sendo considerado como um ativo potencial de reserva de valor, que é buscado pelos investidores como proteção contra a perda do poder de compra pela alta da inflação.

Para alguns investidores, como Bill Miller, que foi investidor-chefe de uma das maiores gestoras americanas, a Legg Mason, o Bitcoin tem potencial para ser no novo “ouro digital”. 

Assim como o ouro, o Bitcoin possui uma limitação para nova emissões que é de 21 milhões de unidades. A criptomoeda também tem liquidez e pode ser comprada e vendida no mercado, ou trocada por mercadorias.

Contudo, apesar da forte valorização da moeda nos últimos anos, a volatilidade do ativo ainda é alta o que pode dificultar sua adoção como reserva de valor. Segundo o sócio e diretor de distribuição da gestora Hashdex, Stefano Sergole, a volatilidade do Bitcoin pode chegar a 70% a 80%, disse em painel na International Week.  Depois de superar o recorde de 64 mil dólares em abril de 2021, o Bitcoin chegou próximo de 30 mil dólares na mínima do dia 19 de maio.

3. Maior interesse de investidores institucionais

O crescimento do mercado de criptomoedas, que soma mais de US$ 2 trilhões em valor de mercado, tem atraído cada vez mais investidores institucionais de grandes fortunas.

O investimento de empresas como a Tesla, MicroStrategy e a oferta de grandes bancos como Goldman Sachs e Morgan Stanley de exposição a esses ativos para seus clientes ajudaram a chancelar os investimentos nesse mercado. Empresas como Paypal, Visa e Mastercard também passaram a aceitar o pagamento com criptoativos, o que contribuiu para reduzir a desconfiança com o uso dessas criptomoedas.

No fim de setembro de 2021, o Morgan Stanley informou a SEC que dobrou a exposição ao Bitcoin por meio da compra de ações do Grayscale Bitcoin Trust (GBTC),  maior fundo do mundo da criptomoeda.

Depois que o megainvestidor Ray Dalio, fundador da Bridgewater Associates, afirmou preferir ter criptomoedas que títulos públicos, agora o  CEO e CIO  da Soros Fund Management, family office do megainvestidor George Soros,  disse possuir Bitcoin na carteira. Em entrevista à Bloomberg, em 5 de outubro, Fitzpatrick disse que o fundo tem “algumas criptomoedas, [mas] não muitas”.

O preço do Bitcoin também foi impulsionado pelas negociações no mercado futuro. Os futuros de bitcoin da Chicago Mercantile Exchange (CME), referência global para negociação de derivativos, foram todos ultrapassados com o rompimento dos preços estabelecidos com alta recente do criptoativo.

4. Migração da mineração para outros países

Com o aumento das restrições na China para a atividade de mineração de criptomoedas, os mineradores começaram a migrar as operações para outros lugares como Estados Unidos, Rússia, Cazaquistão e Geórgia.

A China já vem apertando o cerco ao mercado de criptomoedas desde 2017, alegando que afeta a ordem financeira e gera riscos de atividades criminosas, e também tem impacto para o meio ambiente dado o alto consumo de energia.

Em 24 de setembro, a China intensificou a repressão ao comércio de criptomoedas classificando-a como “atividade ilegal” e proibindo a mineração em todo o país, o que levou o preço do Bitcoin a cair quase 5%. Desde então, o preço da criptomoeda já se recuperou e acumula alta de 23%.

A criação de novas unidades de Bitcoin se dá a partir do processo chamado de mineração.  Nesse processo, os “mineradores” são computadores que tentam resolver problemas matemáticos que permitem a realização de blocos de operações. Quem consegue, ganha como recompensa novas unidades das moedas digitais.

A China hoje exerce um papel importante no mercado de mineração de criptomoedas, sendo responsável, em abril, por 65% da atividade computacional mensal utilizada pelos na atividade de mineração, de acordo com  o Índice de Consumo Elétrico de Bitcoin de Cambridge (CBECI).

5. Surgimento de novos produtos; Brasil ganha novos fundos de Bitcoin

O investimento em criptomoedas tem  crescido no Brasil e novos fundos que aplicam nesses ativos têm surgido.

A XP lançou, em 1º de outubro, o fundo Trend Cripto Dólar FIC FIM, que tem exposição ao Nasdaq Crypto Index (NCI) – que acompanha a performance de uma cesta de criptomoedas (Bitcoin, Ethereum, Stellar, Litecoin, , Bitcoin Cash e Chainlink) . A XP também começou a oferecer o fundo o Trend Bitcoin Dólar FIC FIM, que investe apenas em Bitcoin. Os dois fundos têm investimento inicial de R$ 100.

O Trend Cripto Dólar tem exposição ao mesmo índice do ETF de criptomoeda HASH11,lançado em abril pela Hashdex na bolsa brasileira.

A XP Seguros também lançou o Hashdex Criptoativos XP Seguros Prev FIC FIM, um fundo de previdência de criptomoedas. O fundo tem exposição de 40% da carteira (o limite máximo) ao Hashdex Nasdaq Crypto Index e outros 60% na renda fixa e é voltado para investidores qualificados, ou seja, quem tem mais de 1 milhão de reais em patrimônio ou que tenha comprovação de investidor qualificado a partir de algumas certificações específicas para profissionais do mercado financeiro. A aplicação mínima é de 5 mil reais e cobra taxa de administração máxima de 1,70% ao ano e não possui hedge cambial e é mais uma opção para o investidor diversificar seus investimentos.

As criptomoedas, assim como uma ação, têm seus preços determinados pelas negociações no mercado. Porém, apresentam uma volatilidade bem acima dos investimentos mais tradicionais. Por essa razão, é recomendado alocar apenas um pedaço pequeno do portfólio de investimentos nesses ativos e manter a sua carteira diversificada.

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