Inflação mais alta, orçamento mais pressionado

IPCA de agosto acima do esperado e novas pressões de custo, elevamos a projeção do IPCA de 2021 de 7,7% para 8,4%. Para o INPC, estimamos 8,6%. 


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  • Com IPCA de agosto acima do esperado e novas pressões de custo, elevamos a projeção do IPCA de 2021 de 7,7% para 8,4%. Para o INPC, estimamos 8,6%. 
  • A inflação mais alta torna o orçamento de 22 ainda mais desafiador. Estimamos que proposta orçamentária que está no Congresso enfrentará uma pressão de quase 70 bilhões de reais, por conta da revisão da inflação e de compromissos políticos não contemplados na peça orçamentária

Inflação continua surpreendendo: revisamos IPCA para 8,4% este ano

Devido à surpresa no IPCA de agosto divulgado hoje – o índice subiu 0,87%, enquanto nossa projeção apontava alta de 0,65% –, elevamos nossa projeção do ano.  O principal desvio em relação ao projetado foi nos combustíveis veiculares (0,08pp) e os demais 0,14pp se espalharam entre os demais itens, revelando dinâmica mais desafiadora da inflação no curto prazo. Ao incorporar apenas a surpresa na nossa projeção, impacto seria +0,22pp.

Além disso, a revisão também leva em conta o resultado do IGP-DI de agosto divulgado ontem, que revelou pressão ainda mais forte nos preços ao produtor com correspondência no IPCA tanto para bens industriais, quanto alimentos, que devem se traduzir em repasses mais altos já em setembro (ver gráficos). Já enxergamos essa elevação nas coletas de alta frequência de preços de alimentos (FGV) e combustíveis (ANP).

Dessa forma, nossa projeção para o IPCA de 2021 subiu para 8,4%, acima da projeção anterior de 7,7%.

A inflação mais alta este ano gera uma inércia maior para 2022, colocando um risco de alta em nossa projeção de 3,7% para 2022. Por outro lado, estamos fazendo uma revisão mais abrangente do cenário – para incluir os últimos desdobramentos políticos e econômico – que provavelmente incluirá uma reação mais intensa do Banco Central. 

Esta revisão deve ser concluída e publicada no início da semana que vem.

Inflação mais alta torna perspectivas fiscais ainda mais desafiadoras

A inflação mais alta hoje significa mais gastos públicos amanhã.

Parte das despesas obrigatórias do governo central é indexada à inflação do ano anterior. Em particular os benefícios sociais. De acordo com o Tesouro Nacional, a cada 1 pp de aumento da inflação do INPC, os gastos públicos aumentam em 8 bilhões de reais.

Na proposta orçamentária do governo enviada ao Congresso em agosto, a previsão de inflação do INPC para 2021 é de 6,2%. Conforme mencionamos acima, agora projetamos o INCP 2021 em 8,6%.

Assim, tudo mais constante, as despesas obrigatórias devem ser 19,0 bilhões acima do que está contemplado na proposta de orçamento do governo, comprimindo outras despesas (uma vez que as despesas totais são limitadas pelo teto constitucional).

Mas esse não é o único problema do orçamento. Compromissos políticos importantes, como o aumento do programa Bolsa Família (mudado para Auxílio Brasil) e as emendas de relator, não constam do projeto atual. Além disso, é provável que o programa de desoneração setorial da folha de pagamento seja estendido.

A tabela a seguir resume a proposta de orçamento e suas lacunas. Estimamos que a diferença entre a proposta oficial e um “orçamento realista” é de 69,1 bilhões de reais.

O problema orçamentário pode ser endereçado com a aprovação da PEC dos Precatórios ou outra solução similar que permita ao governo postergar parte das despesas anuais com decisões judiciais e reduza outras despesas discricionárias (as linhas vermelhas na tabela).

Isso exigiria uma boa coordenação entre o Poder Executivo, o Judiciário e o Congresso. Mas as chances disso diminuíram, após os recentes eventos políticos (em particular as manifestações de 7 de setembro).

Um orçamento irrealista, em meio a turbulências políticas, é o principal risco para o cenário econômico daqui para frente.

Anexo: Tabela de projeções de inflação atualizada

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