George Soros: das apostas contra bancos centrais ao ativismo na filantropia

Conhecido por ter 'quebrado' o Banco da Inglaterra, Soros tem investido sua fortuna em iniciativas da área da educação. Conheça a história do influente e controverso megainvestidor


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George Soros: das apostas contra bancos centrais ao ativismo na filantropia

Da fama de “especulador financeiro”, após ficar conhecido por ‘quebrar’ o banco da Inglaterra na aposta contra a libra esterlina a filantropo criticado pela direita radical. O megainvestidor George Soros continua sendo um dos maiores investidores do mundo atualmente.

Conhecido por ser o fundador da Quantum Group Funds, com mais de 25 bilhões de dólares em ativos, também tem seu nome marcado pela “Quarta-Feira Negra”, quando em 1992 investiu na desvalorização da libra esterlina e faturou cerca de US$ 1 bilhão.

Atualmente com fortuna avaliada em US$ 8,6 bilhões, um dos mais polêmicos investidores do mundo concentra seus esforços na Open Society Foundation, uma organização social que busca democratizar o acesso à educação. Saiba mais sobre o megainvestidor abaixo:

História

Nascido na Hungria em 1930, Soros originalmente era chamado de György Schwartz, sobrenome judeu. Apesar da origem ligada à religião, a família de comerciantes de seda não era praticante. Junto com a onda de antissemitismo da época entre as duas guerras mundiais, o pai de George, Tivadar, decidiu adotar um nome que não remetesse tanto ao judaísmo. Neste momento surgiria o nome Soros.

Filho de um ex-prisioneiro de guerra, George viu seu pai lutar também na Segunda Guerra, ao se negar a colaborar com o governo nazista, que ameaçava advogados judeus de serem deportados caso não participassem de um conselho convocado após a invasão alemã na Hungria. Apesar da separação da família, George conta que esse foi um dos períodos mais felizes de sua vida, pela admiração que criou ao heroísmo de seu pai.

No final da guerra, com a sobrevivência de toda sua família, a Hungria passou a ser dominada pela União Soviética. Com isso, ele mudou-se para Londres, Inglaterra, onde estudou Economia em deu os primeiros passos na carreira profissional.

Primeiros passos nos negócios

Estudante na London School of Economics, conheceu Karl Popper, autor do livro A Sociedade Aberta e seus Inimigos, que influenciou o conceito e criação de sua organização com foco em educação, a Open Society Foundation. Formou-se em filosofia em 1951, e em 1954 começou a trabalhar no banco de investimentos Singer e Friedlander, ainda como um modesto atendente.

Brevemente foi crescendo dentro da empresa, passando pela área de negociação, até mudar-se para Nova Iorque, Estados Unidos, para trabalhar em Wall Street. Por lá, Soros passou pelas gestoras F. M. Mayer, Wertheim and Co. e na Arnold and S.

Em 1966, Soros lançou seu primeiro fundo com US$ 100 mil. O sucesso foi tão grande que em 1969 ele criou seu primeiro fundo hedge o Double Eagle.

Com os lucros do primeiro fundo, o megainvestidor criou a  Soros Fund Management, junto o sócio Jim Rogers, que conheceu na Arnhold and S. Bleichroeder.

Seu primeiro fundo, Double Eagle, foi rebatizado para Quantum Fund, que acabou virando o nome da gestora Quantum Group of Funds.

O primeiro fundo da gestora, o Quantum Fund, começou com US$ 12 milhões de patrimônio e chegou a acumular US$ 44 bilhões sob gestão.

Em 2011, Soros distribuiu os lucros para seus investidores e tornou a Soros Fund Management uma gestora de fortunas própria que tinha US$ 27 bilhões sob gestão segundo a Bloomberg.

Principais apostas de investimentos

George Soros apostou contra a libra esterlina em 1992 ficou conhecido por ‘quebrar’ o Banco da Inglaterra

Para George Soros, investimento não é fruto do acaso mas sim de estudar, acompanhar seus instintos e o contexto mundial, aprender com os erros de forma rápida e não se apegar aos investimentos. Com isso, muitas de suas previsões tornaram-se realidade, como a queda do presidente Mahmoud Ahmadinejad no Irã no momento indicado por Soros.

Mas Soros ficou mesmo conhecido por sua aposta contra a libra esterlina, em um dos episódios mais icônicos da história do mercado financeiro. Em 1992, Soros considerava que a moeda estava supervalorizada e, juntamente com outros investidores, entrou vendido no ativo, com US$ 10 bilhões de dólares (dos quais US$ 9 bilhões eram fruto de empréstimo).

Apesar do socorro dos Bancos Centrais da Inglaterra, França, Alemanha, Espanha e Bélgica, a libra sofreu o colapso e Soros lucrou US$ 1 bilhão na operação. Soros ficou com a fama de “o homem que quebrou o Banco da Inglaterra”, no episódio chamado Quarta-Feira Negra.

Mesmo rechaçando a ideia de ter sido “o homem” que causou tamanho impacto, Soros admite que sua fama é um ativo que deve ser cuidadosamente gerido, como qualquer outro. Com a mesma dedicação, geriu seu próprio fundo e manteve um retorno anual médio de 20%, sendo um dos mais rentáveis da história por décadas de existência.

Com apostas altas e arriscadas, vem também a possibilidade de grande perda. E isso ocorreu com o bilionário quando apostou no dólar contra o yen e perdeu US$ 600 milhões em apenas um dia, em 1994. Apesar de ter recuperado parte das perdas quando o yen enfraqueceu, George Soros divulgou amplamente esse fracasso, tal qual faria com um ganho equivalente. Sua justificativa: “vamos mostrar às pessoas que nós somos humanos”.

Dedicação à filantropia

Nos últimos anos, Soros tornou-se alvo de conservadores como financiador de governos e causas de esquerda. Parte do motivo da fama dá-se pelo fato de, desde o final dos anos 70, Soros atuar com doações expressivas para bolsas de estudos, não somente através da Open Society, sua fundação filantrópica. Durante o Apartheid, ofereceu bolsas para estudantes na África do Sul, garantiu a instalação de redes de internet em universidades da Rússia, quando saia da transição como União Soviética, e realizou uma expressiva doação para Bósnia logo após o Massacre de Sarajevo.

Por seu envolvimento com esse tipo de causa, foi, por vezes, acusado de financiar entrada de imigrantes ilegais nos EUA e na Europa, especialmente por adeptos de teoria de conspiração. Em todo o mundo, inclusive no Brasil, é visto como inimigo por grupos de extrema direita. Sua posição política tornou-se mais identificada quando passou a realizar doações massivas para o Partido Democrata, em 2003, mesmo ano que condenou com veemência a Guerra do Iraque.

Soros foi um dos maiores doadores para a campanha da então candidata democrata Hillary Clinton, o que rendeu ataques de Donald Trump em diversas ocasiões. Soros já realizou críticas, inclusive, ao presidente Jair Bolsonaro, a quem acusou de não dar a devida proteção às florestas amazônicas, em prol do pecuarismo.

Entretanto, atualmente, seu posicionamento encontra-se alinhado com o ambicioso projeto de direcionar US$ 1 bilhão para criação de uma rede acadêmica, como um braço da Open Society, chamado Open Society University Network. No Fórum Econômico Mundial de 2020, em Davos, George Soros apresentou sua iniciativa como “a mais importante de sua vida”, que tem por objetivo integrar estudantes e professores de diversos países em cursos de graduação e pós-graduação.

Ao longo dos anos, Soros tornou-se um investidor mítico, como Warren Buffett e Larry Fink ouvido e respeitado. E compreende que, com tal status, há criação de inimigos, o que ele celebra. “Não sabia que tinha tantos inimigos, mas então considero isso uma prova de que estou fazendo algo certo”, disse ele.

Aos 90 anos, George Soros considera que o ativismo, hoje, é sua principal atividade. Ao Financial Times, quando foi eleito a Pessoa do Ano em 2018, declarou: “nós lutamos por princípios, nós lutamos independente do resultado, ganhar ou perder”.

Entretanto, como grande investidor e apostador que é, concluiu ele: “mas eu não gosto muito de perder”.

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