Tudo sobre Renda Fixa em dezembro 2019 (e o que esperar)

Leia aqui sobre os principais indicadores macroeconômicos e como impactam os produtos de renda fixa, além do desempenho de títulos públicos e o que esperar para os próximos meses.


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Caso esteja iniciando sua jornada na Renda Fixa, recomendamos começar pelo conteúdo “Renda Fixa: O que é preciso saber?

Renda Fixa: tudo sobre o que passou e o que esperar.

Em dezembro, ocorreu a última reunião do Copom do ano, quando houve também o último corte da Selic, de 50 bps, para 4,5% ao ano. As emissões de crédito privado no ano superaram em 26% aquelas de 2018, demonstrando o bom ambiente para as empresas no país. Além disso, dados do Tesouro Nacional mostraram que investidores buscaram mais títulos indexados à inflação do que pós-fixados em novembro (último dado disponível), reversão de uma preferência histórica por Tesouro Selic. Por fim, no mês houve maior número de elevações de ratings do que rebaixamentos.

Para o começo de 2020, o cenário continua otimista para a economia brasileira e para o investidor, que deve buscar diversificação de sua carteira e maior risco (alinhado a seu perfil). Os dados do fim do ano anterior demonstram que isso já está ocorrendo. Esperamos contínua elevação no volume de emissões de crédito privado e esperamos que a tendência de redução de captação da poupança de mantenha.

Alocação recomendada

Ativos de renda fixa são recomendados para todos os perfis de investidor. O que muda, basicamente, são três quesitos importantes: o tipo de ativo, o indicador e o percentual a ser alocado.

A alocação recomendada em renda fixa para cada perfil de investidor em nosso relatório Onde Investir em Janeiro é a seguinte:

No Radar

Destaques do mês

  1. Revisão da perspectiva do rating do Brasil, de estável para positiva, pela S&P Global;
  2. Ata do Copom reitera tom cauteloso;
  3. Acordo comercial parcial entre EUA e China na guerra comercial;
  4. Continuamos com visão otimista para a economia brasileira e mantemos nossa expectativa de corte da Selic na próxima reunião do Copom, para 4,25% a.a., encerrando ciclo de cortes.

Como agir?

  1. Para melhorar a rentabilidade da carteira, o cenário exige que o investidor busque diversificação e ativos mais arriscados.
  2. Continuamos indicando o Tesouro Prefixado 2022, com base em nossa visão de oportunidades na parte intermediária da curva (cerca de três anos).
  3. No caso de investimentos acima de quatro anos, preferimos ativos indexados à inflação, possibilitando ganhos acima do IPCA por prazos mais longos.
  4. Escolha sempre de acordo com o seu perfil

O mercado de Renda Fixa

Poupança

No mês de dezembro, a captação líquida da Poupança ficou positiva em R$ 17 bilhões.

Historicamente, dezembro é o mês de captação mais forte da poupança. Esse movimento pode ser explicado pelo pagamento do 13º, que muitas vezes é pago diretamente na conta poupança.

No acumulado do ano, a captação foi positiva em cerca de R$ 13 bilhões.

Apesar disso, chama a atenção a forte redução de captação da poupança em 2019 em comparação com 2018.

Considerando a queda na taxa Selic para 4,5% (e expectativa de novo corte para 4,25%), combinada ao rendimento da caderneta de poupança, de apenas 70% dessa taxa, essa aplicação fica cada vez menos atraente.

Veja mais sobre comparações do investimento em Poupança em relação a outras aplicações também conservadoras, como o Tesouro Selic (aqui) e emissões bancárias (aqui).

Tesouro Direto

Captação Líquida

No caso do Tesouro Direto, em novembro (último dado disponível) foi possível observar captação líquida negativa, em R$ 528 milhões.

No ano, os títulos públicos negociados no programa já acumulam captação líquida positiva de R$ 126 milhões.

O principal ativo comprado por investidores foi o Tesouro IPCA+, ultrapassando o Tesouro Selic, historicamente o mais buscado, o que pode ser explicado pela queda na taxa Selic.

Os investidores continuam comprando principalmente ativos com prazo entre 5 e 10 anos de vencimento, alongando o perfil de seus investimentos, visando maior rentabilidade.

Rentabilidade

No mês de dezembro, foi possível observar elevação nos preços dos títulos públicos, de forma geral.

Isso se deve a novos fechamentos da curva DI futuro (veja em “No Radar”) no mês de dezembro, resultado de sentimento mais otimista dos mercados local e global.

O efeito é mais forte sobre os títulos mais longos. Quanto mais longo o título, maior o risco e maior a sensibilidade a variações nas expectativas de juros.

Entenda mais sobre a relação entre preços dos títulos e os juros aqui.

Emissões Bancárias

No ano, o estoque de emissões bancárias cresceu 10% em relação a 2018.

Os principais destaques foram crescimento de 18% no estoque de LFs, de 12% em LCs, e queda de 9,4% em LCIs.

Essa variação indica maior captação por parte de instituições financeiras e redução de captações de empresas do setor imobiliário (parcialmente compensada por aumento no volume de CRIs; abaixo).

Crédito Privado

O estoque de ativos de crédito privado manteve a tendência observada no ano, que é de crescimento. No ano, foram 17% acima do estoque de 2018.

Em relação a novembro, houve aumento de cerca de 1,7% no estoque de debêntures, de 2,6% no de CRAs e de 3,7% no de CRIs.

Chama atenção o crescimento de CRIs, que vinham apresentando movimentos tímidos nos últimos meses.

No segundo slide (acima), vemos que a emissão de debêntures (incentivadas ou não) atingiu R$ 177 bilhões em 2019.

Isso representa crescimento de 26% em relação a 2018 e reforça nossa visão da importância desse instrumento para 2020.

No período, pôde-se também observar contínuo alongamento do prazo médio das emissões de debêntures (incentivadas ou não) em comparação com 2018, atingindo 6,7 anos em média.

Prazos mais longos representam risco mais alto, o que se traduz em taxas de emissão mais elevadas (e portanto mais atraentes aos investidores).

Debêntures incentivadas

O volume emitido de debêntures incentivadas, com foco em financiamento à infraestrutura e isentas de imposto de renda, mostra tendência de crescimento.

Nos primeiros onze meses de 2019 (último dado disponível), foram emitidos R$ 27 bilhões desse tipo de instrumento (+34% vs. 11M18).

O setor de energia elétrica continua representando a maior parte das emissões.

Acreditamos que a tendência de alta de emissões deva continuar, em linha com expectativa de crescimento econômico, incentivo do governo em novos projetos e redução da participação do BNDES em investimentos de infraestrutura.

Abertura spreads de crédito

Conforme apresentamos em nossos relatórios mensais mais recentes, os últimos meses foram marcados por abertura dos spreads de crédito.

Essa abertura, por sua vez, não refletiu deterioração na qualidade de crédito de emissores.

O movimento de abertura tem sido resultado de um ajuste técnico do mercado.

Além disso, a curva NTN-B, que é um balizador dos ativos indexados à inflação, abriu (expectativas para a inflação futura subiram). Com isso, as taxas nominais desses ativos ficaram mais atraentes aos investidores, o que pode ter gerado movimento de compra.

No entanto, em dezembro pudemos começar a enxergar movimento de consolidação desses novos patamares, indicando estabilização dos spreads e possível fim desse ciclo de ajuste técnico.

Continuaremos monitorando o mercado para melhor entendimento sobre o fim ou não desse ciclo.

De modo geral, esperamos que novas emissões de crédito privado sejam realizadas a taxas mais elevadas, acompanhando o ajuste ocorrido nos últimos meses.

Ratings

Durante o mês de dezembro, essas foram as ações de ratings das principais agências de classificadoras de risco:

No mês, pudemos observar mais ações de elevação de rating do que rebaixamentos, apontando para a melhora geral do perfil de risco de emissores privados.

Além disso, diversos emissores foram avaliados pela primeira vez, corroborando nossa visão de cenário atraente a novos participantes.

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