Tudo sobre Renda Fixa em novembro (e o que esperar)

Leia aqui sobre os principais indicadores macroeconômicos e como impactam os produtos de renda fixa, além do desempenho de títulos públicos e o que esperar para os próximos meses.


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Caso esteja iniciando sua jornada na Renda Fixa, recomendamos começar pelo conteúdo “Renda Fixa: O que é preciso saber?

Renda Fixa: tudo sobre o que passou e o que esperar.

Em novembro, tivemos revisão da nossa projeção de crescimento para o PIB em 2019, de 1,0% para 1,2%, reflexo de evidências mais positivas para o fim do ano. No mês, pudemos observar também reversão de tendências, como de abertura dos spreads de crédito e de sucessivos fechamentos da curva DI, que passou a abrir com maior cautela do mercado e aproximação do fim dos cortes da Selic.

Para o fim de 2019 e começo de 2020, esperamos Selic a 4,5% após a última reunião do Copom. Os spreads de crédito devem caminhar para o fim do ciclo de ajuste técnico que vem sendo observado nos últimos meses, mas continuamos enxergando boas oportunidades de compra de ativos de crédito privado (preços mais baixos e qualidade de crédito adequada).

Alocação recomendada

Ativos de renda fixa são recomendados para todos os perfis de investidor. O que muda, basicamente, são três quesitos importantes: o tipo de ativo, o indicador e o percentual a ser alocado.

Para o próximo mês, a alocação recomendada em renda fixa para cada perfil de investidor em nosso relatório Onde Investir em 2020 é a seguinte:

No Radar

Destaques do mês

  1. Reversão do ciclo de fechamento da curva de juros, com um mês marcado por tensões internas e externas que levaram à maior cautela do mercado.
  2. Mesmo assim, continuamos com visão otimista para a economia brasileira e mantemos nossa expectativa de corte da Selic na próxima reunião do Copom, para 4,5% a.a.

Como agir?

  1. Para melhorar a rentabilidade da carteira, o cenário exige que o investidor busque diversificação e ativos mais arriscados.
  2. Continuamos indicando o Tesouro Prefixado 2022, com base em nossa visão de oportunidades na parte intermediária da curva (cerca de três anos).
  3. No caso de investimentos acima de quatro anos, preferimos ativos indexados à inflação, possibilitando ganhos acima do IPCA por prazos mais longos.
  4. Escolha sempre de acordo com o seu perfil

O mercado de Renda Fixa

Poupança

No mês de novembro, a captação líquida da Poupança ficou positiva em R$ 2,4 bilhões.

Esse movimento pode ser explicado pelo pagamento da primeira parcela do 13º, que muitas vezes é paga diretamente na conta poupança.

No acumulado do ano, a captação é negativa em cerca de R$ 3,9 bilhões.

A captação líquida negativa nos últimos onze meses pode indicar movimento de investidores para ativos com melhores rentabilidades, em linha com o que indicamos.

Considerando a queda na taxa Selic para 5,0% (e expectativa de novo corte para 4,5%), combinada ao rendimento da caderneta de poupança, de apenas 70% dessa taxa, essa aplicação fica cada vez menos atraente.

Veja mais sobre comparações do investimento em Poupança em relação a outras aplicações também conservadoras, como o Tesouro Selic (aqui) e emissões bancárias (aqui).

Tesouro Direto

Captação Líquida

No caso do Tesouro Direto, em outubro (último dado disponível) foi possível observar captação líquida positiva, em R$ 49 milhões.

No ano, os títulos públicos negociados no programa já acumulam captação líquida de R$ 654 milhões.

O principal ativo comprado por investidores foi o Tesouro Selic 2025, uma das melhores alternativas à poupança, em nossa visão.

Os investidores continuam buscando principalmente ativos com prazo entre 5 e 10 anos de vencimento, alongando o perfil de seus investimentos, em busca de maior rentabilidade.

Rentabilidade

No mês de novembro, foi possível observar queda nos preços dos títulos públicos, de forma geral.

Isso se deve à reversão de sucessivos fechamentos da curva DI futuro (veja em “No Radar”), que passou a abrir no último mês, devido à maior cautela do mercado.

O efeito é mais forte sobre os títulos mais longos. Quanto mais longo o título, maior o risco e maior a sensibilidade a variações nas expectativas de juros.

Entenda mais sobre a relação entre preços dos títulos e os juros aqui.

Emissões Bancárias

Em novembro, o estoque de emissões bancárias permaneceu praticamente constante em relação a outubro (+0,7%). Os principais destaques foram crescimento de 1,5% no estoque de CDBs e queda de 1,3% em LCIs.

Por outro lado, os estoques dos outros ativos permaneceram praticamente inalterados.

Crédito Privado

O estoque de ativos de crédito privado manteve a tendência observada no ano, que é de crescimento. Nos 11M19, já são 14,5% acima do estoque do ano completo de 2018.

Em relação a outubro, houve aumento de cerca de 1% nos estoques de debêntures, CRAs e CRIs no mês de novembro.

O crescimento do estoque de CRIs continua sendo o mais tímido, refletindo recuperação ainda lenta do setor imobiliário.

No segundo slide (acima), vemos que a emissão de debêntures (incentivadas ou não) atingiu R$ 157 bilhões nos 11M19.

Isso representa crescimento de 24% em relação ao mesmo período no ano anterior e reforça nossa visão da importância desse instrumento para o próximo ano.

No período, pôde-se também observar contínuo alongamento do prazo médio das emissões de debêntures (incentivadas ou não) em comparação com 2018.

Prazos mais longos representam risco mais alto, o que se traduz em taxas de emissão mais elevadas (e portanto mais atraentes aos investidores).

Atenção: A Anbima divulga as informações sobre debêntures incentivadas com atraso. Por isso, os dados mais recentes aqui apresentados são de setembro de 2019.

O volume emitido de debêntures incentivadas, com foco em financiamento à infraestrutura e isentas de imposto de renda, mostra tendência de crescimento.

Nos primeiros nove meses de 2019, foram emitidos R$17 bilhões desse tipo de instrumento (+25% vs. 9M18). O setor de energia elétrica continua representando a maior parte das emissões.

Acreditamos que a tendência de alta de emissões deva continuar, em linha com expectativa de crescimento econômico, incentivo do governo em novos projetos e redução da participação do BNDES em investimentos de infraestrutura.

Abertura spreads de crédito

Conforme apresentamos em nosso relatório mensal de outubro, os últimos meses foram marcados por abertura dos spreads de crédito, que por sua vez não refletiu deterioração na qualidade de crédito de emissores.

O movimento de abertura tem sido resultado de um ajuste técnico do mercado.

Na segunda metade do mês de novembro, no entanto, já foi possível observar certa desaceleração desse movimento. Identificamos como uma das razões a aproximação do fim do ciclo de ajuste dos preços dos ativos.

Além disso, a curva NTN-B, que é um balizador dos ativos indexados à inflação, abriu (expectativas para a inflação futura subiram). Com isso, as taxas nominais desses ativos ficaram mais atraentes aos investidores, o que pode ter gerado movimento de compra.

Apesar de certa estabilização, ainda enxergamos spreads maiores, com preço mais baixo dos ativos. Isso mantém, em nossa visão, a oportunidade de compra de ativos de crédito privado, que apresentam risco de crédito relativamente baixos no cenário atual.

Ratings

Durante o mês de novembro, essas foram as ações de ratings das principais agências de classificadoras de risco:

No mês, pudemos observar mais ações de elevação de rating do que rebaixamentos, apontando para a melhora geral do perfil de risco de emissores privados.

Além disso, diversos emissores foram avaliados pela primeira vez, corroborando nossa visão de cenário atraente a novos participantes.

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