Tudo sobre Renda Fixa no mês (e o que esperar)

Leia aqui sobre os principais indicadores macroeconômicos e como impactam os produtos de renda fixa, além do desempenho de títulos públicos e o que esperar para os próximos meses.


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Caso esteja iniciando sua jornada na Renda Fixa, recomendamos começar pelo conteúdo “Renda Fixa: O que é preciso saber?

Renda Fixa: tudo sobre o que passou e o que esperar.

No mês de setembro, mais uma vez, o mercado reagiu negativamente à continuidade do cenário inflacionário no Brasil e do risco fiscal, além de efeitos externos como desaceleração na China, crise energética global e redução de estímulos nos EUA. O Banco Central elevou a taxa Selic em um ponto percentual, para 6,25% ao ano, o que também contribuiu para nova elevação das expectativas de juros ao longo de toda a curva. O movimento na curva resultou em desvalorização de todos os títulos do Tesouro Direto, com exceção do Tesouro Selic. O mercado primário de debêntures teve nova aceleração, levantando quase R$ 17 bilhões no mês, mas com retração no prazo médio para 5 anos (de 6,6 no mês anterior).

Para os próximos meses, continua no radar a evolução da inflação, além de preocupações fiscais. Devemos continuar vendo volatilidade relevante nas expectativas de juros, impactando os preços dos ativos de renda fixa, principalmente ao nos aproximarmos de ano eleitoral. Esperamos para as próximas reuniões do Copom aumento de 1 ponto percentual (p.p.) em outubro, 1 p.p. em dezembro, 0,75 p.p. em fevereiro de 2022 e 0,25 p.p. em março, encerrando o ciclo de alta em 9,25%. A tendência de elevação da Selic deve continuar a atrair os investidores para a renda fixa, como temos visto nos últimos meses.

No Radar

Destaques do mês de setembro:

  1. A curva de juros apresentou nova abertura em toda a sua estrutura, como reflexo de maiores preocupações com inflação e com o risco fiscal, além de efeitos externos (desaceleração na China, crise energética global e redução de estímulos nos EUA).
    • Com isso, os títulos de renda fixa tendem a desvalorizar, pela relação inversa entre taxa e preço.
  2. No mês, houve nova elevação da taxa Selic pelo Banco Central, para 6,25% ao ano.
  3. Como reflexo das contínuas preocupações com o cenário de inflação, nosso time de Economia da XP revisou suas projeções para os indicadores em 2021 e 2022.
    1. Esperamos Selic em 8,25% em 2021 e 9,25% 2022 e IPCA de 9,0% em 2021 e de 3,9% em 2022.

Como agir?

  1. Trazemos indicações de alocação em nosso relatório Investindo em Outubro 2021: Renda Fixa
  2. Para investimentos de curto a médio prazo, preferimos ativos pós-fixados, que acompanharão a esperada elevação na Selic.
  3. Recomendamos também uma pequena parcela de ativos prefixados, que podem se beneficiar de redução nos juros e inflação esperados em relação à precificação atual na curva.
  4. No caso de investimentos de prazos mais longos, continuamos preferindo ativos indexados à inflação, possibilitando ganhos reais (acima do IPCA), principalmente frente ao cenário atual de alta dos preços.

O mercado de Renda Fixa

Poupança

No mês de setembro, a Poupança apresentou resgates líquidos de R$ 7,7 bilhões. Os longos meses sob a pressão do cenário de covid-19, somados à inflação elevada comprimindo o poder de compra da população tem levado mais pessoas a sacarem recursos da poupança, contrabalanceando os depósitos do auxílio emergencial. Acreditamos que o efeito observado nos últimos dois meses ter relação com este cenário e, em linha com as expectativas econômicas para os próximos meses, espera-se que os resgates continuem.

Considerando a taxa Selic em 6,25%, combinada ao rendimento da caderneta de poupança de apenas 70% desta taxa, essa aplicação é pouco atraente.

Veja mais sobre comparações do investimento em Poupança em relação a outras aplicações também conservadoras, como o Tesouro Selic e emissões bancárias.

Tesouro Direto

Captação Líquida

No caso do Tesouro Direto, em agosto (último dado disponível) houve captação líquida de R$ 1,3 bilhão. No mês, o principal ativo comprado por investidores foi o Tesouro IPCA+, o que pode novamente ter sido reflexo das maiores preocupações de investidores com relação à inflação. O segundo ativo mais procurado foi o Tesouro Selic.

O número de investidores cadastrados no programa continua crescendo e atingiu 12,5 milhões em agosto, evolução de 54% em relação ao mesmo mês de 2020. O número de mulheres representou 33,2% do total de investidores.

Como atualização do programa, desde 13 de setembro os resgates de títulos realizados até às 13h de dia útil serão liquidados no mesmo dia. Após esse horário, a liquidação continuará ocorrendo no dia útil seguinte.

Consideramos o Tesouro Direto uma excelente porta de entrada ao mundo dos investimentos. Sendo assim, o crescimento é um bom indicativo não apenas para esta aplicação, mas para investimentos como um todo.

Rentabilidade

No mês de setembro, assim como nos meses anteriores, quase todos os títulos do Tesouro Direto, com exceção do Tesouro Selic, apresentaram desvalorização, como reflexo principalmente da marcação a mercado causada pela abertura da curva de juros.

Entenda mais sobre a relação entre preços dos títulos e os juros aqui.

Emissões Bancárias

Para enxergar melhor uma curva específica, clique sobre a legenda para “desativar” os ativos não desejados.

Em setembro, o destaque foi aceleração no volume de LFs, LCIs e LCAs dentre o estoque de emissões bancárias. O avanço em um momento de tendência de alta na taxa básica de juros, a Selic, e o aumento no interesse pela renda fixa pelos investidores, principalmente por ativos mais conhecidos (como emissões bancárias).

Crédito Privado

Saiba tudo sobre crédito privado

Mercado Primário

Estoque (DEB, CRI e CRA), indexadores e emissão de debêntures

Para enxergar melhor uma curva específica, clique sobre a legenda para “desativar” os ativos não desejados.

O estoque de ativos de crédito privado cresceu em setembro em todos os ativos. Como pode ser visto no segundo slide (acima), ativos pós-fixados (que inclui ativos em CDI+) continuam predominando no estoque e foram maioria também em termos de novas debêntures emitidas. Logo em seguida, novamente pudemos observar a participação de títulos atrelados à inflação.

No terceiro slide, vemos que a emissão de debêntures (incentivadas ou não) atingiu R$ 16,8 bilhões no mês, sendo praticamente metade do mês anterior. O prazo médio das emissões caiu em relação aos últimos meses, para 4,9 anos.

Debêntures incentivadas

O volume emitido de debêntures incentivadas, com foco em financiamento à infraestrutura e isentas de imposto de renda, somou R$ 629 milhões em setembro, sendo duas do setor de energia (Eletrobras CGT e Tucano Holding) e uma do setor de saneamento (Copasa).

Mercado secundário

Fluxo

No mês de setembro, o volume negociado de debêntures no mercado secundário atingiu R$ 27,2 bilhões (vs. R$ 27,8 bilhões em agosto ), sendo R$ 17,9 bilhões em não incentivadas e R$ 9,3 bilhões em incentivadas. O principal destaque em debêntures não-incentivadas foi a debênture participativa da Vale (CVRDA6) e em incentivadas, uma debênture da Eletrobras.

No caso de CRIs, o volume de negociação foi de R$ 6,1 bilhões (vs. R$ 5,7 bilhões em agosto ), com destaque para Gazit Malls. Para CRAs, o volume negociado foi de R$ 4,6 bilhões (vs. R$ 4,2 bilhões em agosto), sendo o principal ativo negociado um CRA da BRF.

Ressaltamos que ativos de crédito privado também podem apresentar risco mais elevado e, portanto, boas rentabilidades, sendo uma boa alternativa para quem busca diversificar a carteira.

Ratings

Essas foram as ações de ratings das principais agências de classificadoras de risco no mês, tanto para emissores quanto para emissões.

Note que pode ser necessário rolar a tabela para visualizar tudo.

No mês de setembro, houve aumento no número de ações de ratings pelas agências, com ações positivas sendo maioria Isso indica melhora, de forma geral, na qualidade de crédito dos emissores. Os novos ratings atribuídos pelas agências, principalmente os de emissões, indicam diversas novas ofertas que deverão vir a mercado nos próximos meses.

Próximos vencimentos de debêntures

No mês de outubro, que concentra o maior volume de vencimentos dos próximos seis meses, são esperados R$ 4,6 bilhões em vencimentos de debêntures. O principal vencimento do mês é uma debênture da Equatorial.

É interessante também observar o volume de emissões a vencer nos próximos três a quatro meses. As empresas emissoras podem optar por refinanciar suas dívidas, ou seja, realizar novas emissões para pagar as vincendas. Sendo assim, pode-se esperar que parte do volume a vencer nos próximos meses voltará ao mercado em novas emissões.

Veja mais

Fontes

Anbima
Banco Central do Brasil
Tesouro Direto
CVM
Fitch Ratings
Moody’s
B3

Avaliação

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