Tudo sobre Renda Fixa em agosto (e o que esperar)

Leia aqui sobre os principais indicadores macroeconômicos e como impactam os produtos de renda fixa, além do desempenho de títulos públicos e o que esperar para os próximos meses.


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Caso esteja iniciando sua jornada na Renda Fixa, recomendamos começar pelo conteúdo “Renda Fixa: O que é preciso saber?

Renda Fixa: tudo sobre o que passou e o que esperar.

No mês de julho, observamos contínua redução na inclinação da curva de juros futuro, indicando melhor percepção de risco pelo mercado. Hoje, dia 5 de agosto, novo corte na Selic foi realizado, desta vez de 0,25 ponto percentual, levando a taxa para 2,0% ao ano. A poupança continuou com forte captação e Tesouro Direto apresentou captação líquida positiva, porém com redução. No geral, vemos migração de ativos mais conservadores para ativos de risco. Neste ponto, vale ressaltar que ativos de crédito privado podem oferecer risco mais elevado a taxas atraentes, porém com menos risco do que o mercado de renda variável. Houve novas emissões de debêntures, elevando o prazo médio em relação aos meses anteriores, um bom indicativo. As aberturas de spreads no mês foram em magnitude menor do que em junho e as ações de ratings foram mais equilibradas entre elevações e rebaixamentos, indicando que o pior pode ter passado.

Para os próximos meses, continuamos esperando retomada gradual da economia, com reflexo sobre o mercado de renda fixa. À medida em que tenhamos melhor visibilidade da situação econômica, emissores sentem maior segurança para realização de investimentos e para a tomada de novas dívidas. É necessário observar, no entanto, que a redução da percepção de risco se reflete sobre os prêmios de risco, que já têm diminuído. Ainda enxergamos boas oportunidades neste sentido, porém a janela para encontrar a combinação de altos prêmios e baixo risco de crédito fica cada vez menor. Sendo assim, acreditamos ser válido procurar estas boas opções, desde que adequadas ao perfil de investidor.

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Alocação recomendada

A alocação recomendada em renda fixa para cada perfil de investidor em nosso relatório Onde Investir em Agosto é a seguinte:

Ativos de renda fixa são recomendados para todos os perfis de investidor. O que muda, basicamente, são três quesitos importantes: o tipo de ativo, o indicador e o percentual a ser alocado. Ou seja: é muito importante manter uma carteira diversificada.

No Radar

Destaques do mês de julho

  1. Os principais riscos hoje, na visão do mercado, são o cenário fiscal e a recuperação econômica. Ou seja, os riscos em relação direta com a pandemia parecem ter diminuído.
  2. Nova redução de inclinação e de nível da curva DI futuro, continuando a refletir expectativas de novos cortes de juros no curto-prazo, mas queda na percepção de risco para o longo.
  3. Movimento semelhante na curva da NTN-B, com redução de inclinação.
  4. Revisão das nossas expectativas para o cenário econômico.

Como agir?

  1. Hoje, 5 de agosto, o Copom decidiu por novo corte na Selic em 0,25 ponto percentual. Com isso, a taxa foi para 2,0% ao ano, novo piso histórico.
    1. A recomendação é, portanto, de contínua busca por diversificação.
    2. Com o cenário menos incerto, abre-se espaço para maior exposição a risco (possível também na renda fixa).
    3. Escolha sempre de acordo com seu perfil.
  2. No caso de investimentos de prazos mais longos, preferimos ativos indexados à inflação, possibilitando ganhos reais (acima do IPCA).

O mercado de Renda Fixa

Poupança

No resultado parcial do mês de julho, a captação líquida da Poupança estava novamente positiva, em R$ 27 bilhões. No ano, a Poupança apresenta captação líquida de R$ 112 bilhões.

Apesar de acreditarmos que parte dessa captação possa vir de investidores buscando ativos conservadores, vale ressaltar que o auxílio emergencial que vem sendo pago pelo governo a trabalhadores por causa da crise do covid-19 é transferido, em parte, para a conta-poupança das pessoas.

Considerando a taxa Selic em sua mínima histórica e perspectiva de novo corte, combinada ao rendimento da caderneta de poupança de apenas 70% desta taxa, essa aplicação fica cada vez menos atraente.

Veja mais sobre comparações do investimento em Poupança em relação a outras aplicações também conservadoras, como o Tesouro Selic e emissões bancárias.

Tesouro Direto

Captação Líquida

No caso do Tesouro Direto, em junho (último dado disponível) houve captação líquida de R$ 330 milhões. No semestre, o resultado foi negativo em R$ 41 milhões.

O principal ativo comprado por investidores foi o Tesouro Selic, historicamente o mais buscado. Isso casa, em nossa visão, com a busca por ativos mais conservadores pelos investidores, dado o cenário de incerteza e de aversão a risco.

O número de investidores cadastrados no programa continua crescendo e atingiu 7,4 milhões em junho, evolução de 70% em relação ao mesmo mês de 2019.

Consideramos o Tesouro Direto uma excelente porta de entrada ao mundo dos investimentos. Sendo assim, o crescimento é um bom indicativo não apenas para esta aplicação, mas para investimentos como um todo.

Rentabilidade

No mês de julho, todos os títulos negociados no Tesouro Direto apresentaram valorização. Isso se deve principalmente ao alívio nas expectativas para os juros no futuro (veja em “No Radar”) ao longo de toda a curva DI.

Entenda mais sobre a relação entre preços dos títulos e os juros aqui.

Emissões Bancárias

O estoque de emissões bancárias apresentou evolução de 1,6% no mês de julho em relação a junho de 2020.

Os principais destaques foram o aumento em LCAs, de 6,7% e em LIGs, de 5,1%.

O estoque de CDBs cresceu novamente, porém em menor magnitude, em 2,3% no mês. A desaceleração do crescimento está alinhada com nossa visão de cenário menos incerto e, portanto, menor busca por ativos mais conservadores. No entanto, vale ressaltar que ainda é possível encontrar prêmios interessantes.

Do lado negativo, o estoque de LCIs caiu 2,2% no mês. Este é um movimento interessante, considerando que LIGs, também voltadas ao financiamento imobiliário, cresceram. Continuaremos monitorando estes dados para avaliar há uma tendência de troca de instrumento de financiamento.

Crédito Privado

Mercado Primário

Estoque (DEB, CRI e CRA), indexadores e emissão de debêntures

O estoque de ativos de crédito privado apresentou leve crescimento de 1% em relação a junho, com aumento principalmente no estoque de CRAs. Vemos, portanto, ativos para financiamento de atividades do agronegócio em destaque tanto em emissões bancárias quanto de crédito privado.

Como pode ser visto no segundo slide (acima), ativos pós-fixados continuam predominando tanto no estoque quanto em novas emissões de debêntures. O destaque no mês de julho foi o aumento da participação de novos ativos emitidos indexados ao IPCA em relação ao mês anterior.

No terceiro slide, vemos que a emissão de debêntures (incentivadas ou não) atingiu R$ 5,6 bilhões no mês, redução de volume em relação aos R$ 9 bilhões emitidos em junho. Vale notar, no entanto, que junho contou com emissão de R$ 5 bilhões da Intercement.

O prazo médio das emissões do mês subiu novamente, para 6,8 anos, indicando maior abertura a risco de investidores.

Debêntures incentivadas

O volume emitido de debêntures incentivadas, com foco em financiamento à infraestrutura e isentas de imposto de renda, apresentou aumento em julho, em razão de emissões de R$ 1,9 bilhão do setor de saneamento (Iguá, Sabesp e Paranaguá) e de R$ 587 milhões do setor de energia elétrica (Vila Piauí I e Light).

Mercado secundário

Fluxo

No mês de julho, o volume negociado de debêntures no mercado secundário atingiu R$ 13,7 bilhões (vs. 14,3 bilhões em junho). O ativo mais negociado foi uma debênture emitida pela Eneva.

No caso de CRIs, o volume de negociação foi de R$ 2 bilhões, semelhante ao mês de junho. O principal ativo negociado foi o CRI General Shopping III, emitido em julho.

Para CRAs, o volume negociado foi de R$ 6 bilhões, 20% superior ao mês de junho. O destaque de negociação foi o CRA BRF, emitido durante o mês de julho.

Temos observado que com a redução da percepção de risco nos mercados, investidores têm migrado para ativos de maior risco, como a renda variável, o que ajuda a reduzir o fluxo observado no mercado secundário de crédito.

Ressaltamos que ativos de crédito privado também podem apresentar risco mais elevado e, portanto, boas rentabilidades, sendo uma boa alternativa para quem busca diversificar a carteira.

Próximos vencimentos de debêntures

No mês de agosto, são esperados R$ 2,7 bilhões em vencimentos de debêntures, mas é possível enxergar no gráfico acima que a concentração de vencimentos se dará em dezembro, com cerca de R$ 11 bilhões.

O principal vencimento do mês agosto é uma debênture da Vale (VALE19).

Spreads de crédito

Abaixo, podemos observar as 20 maiores aberturas e os 20 maiores fechamentos de spreads no mês de debêntures incentivadas.

Conforme apresentado na seção “No Radar”, a curva DI apresentou novo fechamento no mês, ao longo de toda a curva. Isso faz com que as taxas nominais dos ativos caiam, reduzindo atratividade aos investidores pessoa física (que muitas vezes não escolhem pelo prêmio). A queda na demanda tem como um dos efeitos a abertura dos prêmios.

Já havíamos visto movimento semelhante no mês anterior, porém em maior magnitude e mais concentrado em vencimentos mais curtos. Em julho, as aberturas foram menores e menos concentradas.

Ratings

No mês de julho, pudemos observar movimento mais equilibrado entre elevações e rebaixamentos de ratings.

Essas foram as ações de ratings das principais agências de classificadoras de risco no mês, tanto para emissores quanto para emissões.

Note que pode ser necessário rolar a tabela para visualizar tudo.

Veja mais

Fontes

Anbima
Banco Central do Brasil
Tesouro Direto
S&P Global
Fitch Ratings
Moody’s
B3

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