Curva plana? Curva invertida? O que está acontecendo com a curva de juros no Brasil?

Ouviu falar que a curva de juros está invertida e não entendeu? Explicamos aqui neste artigo.


Compartilhar:

  • Compartilhar no Facebook
  • Compartilhar no Twitter
  • Compartilhar no Whatsapp
  • Compartilhar no LinkedIn
  • Compartilhar via E-mail

A autora agradece as contribuições feitas ao relatório por Marcelo Freller

Se você não tem familiaridade com a curva de juros, sugerimos leitura do artigo O que é curva de juros?

Para quem tem acompanhado mais de perto as movimentações do mercado nas últimas semanas, deve ter ouvido que o cenário fiscal deteriorou de maneira significativa após proposta de alteração na regra do teto de gastos. Resumidamente, isso significa que o governo poderia gastar (muito) mais do que o previsto anteriormente, em um contexto já delicado devido à pandemia e seus reflexos sobre a economia e as contas públicas.

Essa deterioração e o risco fiscal envolvido é expressado, dentre outras maneiras, através da curva de juros, indicando que o mercado espera que o Banco Central tenha que subir mais os juros para controlar a inflação causada pela demanda mais estimulada. Normalmente, o traçado dela é, de fato, uma curva ascendente, como podemos observar no gráfico a seguir nas curvas referentes a um ou seis meses atrás.

O que passou a causar estranheza foi, em primeiro lugar, seu traçado mais plano observado por exemplo na semana passada, indicando expectativa de manutenção de juros no mesmo patamar por um período longo (curva preta). E talvez mais incomum ainda, seu formato “invertido”, ou seja, refletindo juros mais baixos a partir de certo prazo (curva amarela).

Gráfico 1: Curva DI (%).

Fonte: Bloomberg. Elaboração: XP.

Mas afinal, como interpretar essa curva que não parece tão curva assim nesse momento?

O movimento que vimos nas últimas semanas (linha preta do gráfico), em que a curva ficou plana (flat) nos vencimentos intermediários e longos, pode ser chamado de bear flattening: ocorre quando as taxas curtas sobem mais do que as longas, sendo considerado um indicativo de retração esperada na economia. Ou seja, taxas de vencimentos curtos se elevam em antecipação a um ciclo de política monetária mais contracionista. De fato, é o que esperamos no curto prazo, uma vez que tudo indica que a Selic continue sendo elevada até atingir 11% no próximo ano, visando o controle da inflação.

Já nesta semana está ocorrendo outro efeito curioso: a curva passou a ficar invertida. Isso significa que os títulos de longo prazo estão com taxas mais baixas do que os de curto prazo. Esse é um movimento contra-intuitivo, até ao se considerar que prazos mais longos, dada a maior incerteza, deveriam se refletir em prêmios maiores. Basicamente, quando a curva inverte, o que podemos interpretar é que o mercado espera que, após o ciclo de aperto monetário (aumento de juros), a economia vai enfraquecer.

Como exemplo, podemos ver no gráfico a seguir esse movimento nos EUA; quando houve inversão de curva (representado pela diferença negativa entre o título soberano de 10 anos e o de 2 anos), em seguida a economia passou por períodos de recessão econômica.

Gráfico 2: US Treasury: Diferença de rentabilidade entre títulos de 10 anos e 2 anos (%)

Após períodos de juros altos e atividade econômica fracas, o que se espera é que a inflação baixe. Com isso, deixa de ser necessária a manutenção de taxas de juros altas por um tempo prolongado e assim o Banco Central pode começar a reduzir gradualmente a Selic. É esse movimento que está refletido em nossa curva atualmente: o Banco Central cortando juros visando atingir o patamar de juro neutro (que não estimula nem desestimula a economia) após o aperto monetário no curto prazo.

O que isso significa para os investimentos em renda fixa?

O Brasil vive um momento particular, em que o descontrole fiscal leva o Banco Central a elevar a taxa Selic bem acima do chamado “juro neutro” para controlar as expectativas de inflação. É interessante notar que o mercado não acredita em descontrole fiscal permanente, pois nesse caso, os títulos mais longos deveriam embutir esse prêmio de risco, e a curva deveria manter o formato tradicional ascendente.

O que podemos entender da curva atual é que o mercado espera que o Banco Central vá subir a taxa de juros para 13,5% em 2022 e em seguida derrubar essa taxa para 12% em 2023, onde permaneceria por bastante tempo. Entendemos que o mercado pode passar a precificar esse risco de descontrole fiscal permanente em algum momento, considerando a eleição presidencial do ano que vem. Caso isso se concretize, o cenário poderia se tornar pior para as taxas de juros mais longas.

Em nossa visão, o caminho com melhor relação risco x retorno seria esperar que, após passado o choque de inflação atual, o ciclo de alívio monetário que deve ocorrer em 2023 será mais forte do que o precificado na curva. Em outras palavras, a Selic deveria voltar para o patamar de um dígito (abaixo de 10%), e a melhor forma de aproveitar esse movimento seria através de títulos prefixados intermediários (com vencimentos entre 2 e 3 anos).

Isso não significa, no entanto, que ativos pós-fixados e atrelados ao IPCA não sejam atraentes. Pelo contrário: dado o cenário econômico que se desenhou ao longo deste ano, as taxas estão muito mais altas do que no começo do ano (como pode ser visto no Gráfico 1 deste relatório), o que pode sim também representar boas oportunidades para composição de carteira.

De modo geral, quando a curva está plana, entendemos que pode não ser tão vantajoso escolher títulos de prazos muito longos, uma vez que títulos mais curtos (e, portanto, menor arriscados) pagam taxas semelhantes.

No caso da inversão da curva, o racional é parecido: por que alongar muito o prazo dos meus investimentos se eu consigo taxas atraentes em títulos curtos?

Vale sempre lembrar que a economia é composta por diversos ciclos e que o horizonte dos investimentos deve ser de longo prazo. Por isso, vale aproveitar oportunidades, porém sem esquecer da importância da diversificação e de se ater aos títulos adequados ao perfil de investidor e objetivos de cada um.

Gostou? Tem alguma sugestão? Não deixe de avaliar e deixar seus comentários!

Acreditamos que a melhor forma de se proteger de riscos é através de uma carteira diversificada, o que inclui ativos de renda fixa. Renda fixa não se limita a ativos conservadores e/ou que acompanhem a taxa Selic. Sendo assim, há diversas opções de prazos, indexadores e emissores diferentes que permitem encontrar maiores rentabilidades. Quer saber em que papéis investir?

Assine Expert Pass, e veja as nossas recomendações de alocação em ativos de renda fixa.

Se você ainda não tem conta na XP Investimentos, abra a sua aqui.
Avaliação

O quão foi útil este conteúdo pra você?


Newsletter
Newsletter

Gostaria de receber nossos conteúdos por e-mail?

Cadastre-se e receba grátis nossos relatórios e recomendações de investimentos

Telegram
Telegram XP

Acesse os conteúdos

Telegram XP

pelo Telegram da XP Investimentos

Leia também
Disclaimer:

Este material foi elaborado pela XP Investimentos CCTVM S/A (“XP Investimentos” ou “XP”) tem caráter meramente informativo, não constitui e nem deve ser interpretado como sendo material promocional, solicitação de compra ou venda, oferta ou recomendação de qualquer ativo financeiro, investimento, sugestão de alocação ou adoção de estratégias por parte dos destinatários. Os prazos, taxas e condições aqui contidas são meramente indicativas. As informações contidas neste relatório foram consideradas razoáveis na data em que ele foi divulgado e foram obtidas de fontes públicas consideradas confiáveis. A XP Investimentos não dá nenhuma segurança ou garantia, seja de forma expressa ou implícita, sobre a integridade, confiabilidade ou exatidão dessas informações. Este relatório também não tem a intenção de ser uma relação completa ou resumida dos mercados ou desdobramentos nele abordados.
Os instrumentos financeiros discutidos neste material podem não ser adequados para todos os investidores. Este material não leva em consideração os objetivos de investimento, situação financeira ou necessidades específicas de qualquer investidor. Os investidores devem obter orientação financeira independente, com base em suas características pessoais, antes de tomar uma decisão de investimento. A XP Investimentos não se responsabiliza por decisões de investimentos que venham a ser tomadas com base nas informações divulgadas e se exime de qualquer responsabilidade por quaisquer prejuízos, diretos ou indiretos, que venham a decorrer da utilização deste material ou seu conteúdo. Os desempenhos anteriores não são necessariamente indicativos de resultados futuros. Este relatório é destinado à circulação exclusiva para a rede de relacionamento da XP Investimentos, incluindo agentes autônomos da XP e clientes da XP, podendo também ser divulgado no site da XP. Fica proibida sua reprodução ou redistribuição para qualquer pessoa, no todo ou em parte, qualquer que seja o propósito, sem o prévio consentimento expresso da XP Investimentos. A Ouvidoria da XP Investimentos tem a missão de servir de canal de contato sempre que os clientes que não se sentirem satisfeitos com as soluções dadas pela empresa aos seus problemas. O contato pode ser realizado por meio do telefone: 0800 722 3710.

BM&F Bovespa Autorregulação Anbima - Gestão de patrimônio Autorregulação Anbima - Gestão de recursos Autorregulação Anbima - Private Autorregulação Anbima - Distribuição de Produtos de Investimentos

A XP Investimentos CCTVM S/A, inscrita sob o CNPJ: 02.332.886/0001-04, é uma instituição financeira autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil.

Toda comunicação através de rede mundial de computadores está sujeita a interrupções ou atrasos, podendo impedir ou prejudicar o envio de ordens ou a recepção de informações atualizadas. A XP Investimentos exime-se de responsabilidade por danos sofridos por seus clientes, por força de falha de serviços disponibilizados por terceiros. A XP Investimentos CCTVM S/A é instituição autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil.

B3 Certifica B3 Agro Broker B3 Execution Broker B3 Retail Broker B3 Nonresident Investor Broker

BMF&BOVESPA

BSM

CVM

Este site usa cookies e dados pessoais de acordo com a nossa Política de Cookies (gerencie suas preferências de cookies) e a nossa Política de Privacidade.