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A semana na Renda Fixa (22/02 a 24/02)

O que aconteceu nesta semana na renda fixa? Acompanhe os principais movimentos da semana no mercado de renda fixa e o que esperar para a semana que se inicia.

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O que aconteceu nesta semana na renda fixa?
Em uma semana marcada por menos dias úteis devido ao feriado do Carnaval, os juros futuros fecharam em alta, sustentando o patamar acima de 13% nos vértices mais longos. O avanço foi conduzido pelo protagonismo da aversão ao risco tanto no mercado local quanto no offshore.

Pesaram para a abertura da curva a perspectiva de juros mais altos nos EUA, aliada ao resultado do PIB abaixo do esperado no país, e a percepção de menos espaço para o corte da Selic este ano, dada a contínua deterioração das expectativas de inflação.

Os rendimentos (yields) dos títulos do Tesouro americano (Treasuries) também fecharam a semana em alta. O T-note de 2 anos avançou para 4,78% (vs. 4,6% na última sexta-feira), enquanto o T-note de 10 anos subiu para 3,95% (vs. 3,82% na última sexta-feira).

O que esperar para a próxima semana?
No Brasil, atenções voltadas para o anúncio de medidas econômicas, especialmente a decisão sobre reoneração da gasolina. A agenda semanal traz diversos indicadores relevantes, como o PIB do 4º trimestre, a taxa de desemprego (e demais estatísticas do mercado de trabalho) de dezembro, resultados fiscais (governo central e setor público consolidado) e de crédito referentes a janeiro, além do IGP-M de fevereiro.  

Para facilitar a navegação pelo conteúdo, utilize o índice à esquerda da página.

Cenário macroeconômico

Nesta semana, no âmbito doméstico, apesar dos poucos dias úteis devido ao feriado de Carnaval, houve discussões sobre política econômica. Dentre os principais tópicos, pode-se destacar os estudos, por parte do governo, sobre medidas para estimular mercado de crédito privado. Nos últimos dias, a equipe do Ministério da Fazenda também defendeu a reoneração dos impostos federais sobre a gasolina.

Além disso, a inflação de meio de mês, medida pelo IPCA-15, ficou em 0,76% em fevereiro, um pouco acima do esperado (0,72%). O resultado mostra que a queda da inflação observada no segundo semestre do ano passado parece ter sido interrompida. Vale mencionar também que as exportações de carne bovina para a China foram suspensas devido a um caso da doença de “vaca louca” no Pará.

Enquanto isso, na seara internacional, a inflação ao consumidor nos EUA segue resistente. O deflator dos gastos com consumo, a medida favorita de inflação do Fed, apresentou alta de 0,6% em janeiro, levando o resultado em 12 meses para 5,4% (ante 5,3% em dezembro).

Nesta sexta-feira, dia 24 de fevereiro, a guerra na Ucrânia completou um ano. Imaginada inicialmente como curta, o conflito segue sem perspectivas de conclusão. O principal impacto do ponto de vista econômico ocorreu sobre o fornecimento e custos de grãos, fertilizantes e energia. O impacto, contudo, foi amenizado por um inverno menos rigoroso do que o temido na Europa, e pelo recuo dos preços de gás natural e petróleo frente ao pico atingido na eclosão da guerra.

Leia o resumo completo de economia da semana

Juros e inflação

Em uma semana marcada com menos dias úteis, devido ao feriado do Carnaval, os juros fecharam em alta. O avanço foi conduzido pelo protagonismo da aversão ao risco tanto no mercado local quanto no offshore.

Pesaram para a abertura da curva a perspectiva de juros mais altos nos EUA e a percepção de menos espaço para corte da Selic este ano em meio ainda à contínua deterioração das expectativas de inflação.

Além disso, nesta semana, o Relatório Focus do Banco Central contribuiu para o movimento altista das taxas devido a uma nova desancoragem nas projeções de inflação dos agentes financeiros.

Em meio aos dados expansionistas da inflação norte-americana e ao resultado do PIB abaixo do esperado nos EUA, os rendimentos (yields) dos títulos do Tesouro americano (Treasuries) também fecharam a semana em alta. O T-note de 2 anos avançou para 4,78% (vs. 4,6% na última sexta-feira), enquanto o T-note de 10 anos subiu para 3,95% (vs. 3,82% na última sexta-feira).

A curva de juros pode ser compreendida como as expectativas dos rendimentos médios de títulos públicos prefixados sem cupom (ou seja, sem pagamentos semestrais), de hoje até uma determinada data futura, a partir dos contratos futuros de juros (ou DI). Enquanto isso, a Taxa Selic Esperada é a rentabilidade da taxa básica de juros esperada no final de cada período. Entenda mais aqui.

Títulos públicos

Mercado primário (leilões)

Para mais informações sobre o funcionamento de leilões de títulos públicos, clique aqui.

Devido ao feriado do carnaval, não houve leilão na última terça-feira (21).

Leilão do dia 23/02 – LTN e NTN-F

No leilão de quinta-feira, houve oferta de 9,5 milhões de Letras do Tesouro Nacional (LTN), com vencimentos para os próximos três anos, e 450 mil Notas do Tesouro Nacional – Série F (NTN-F), divididas em duas séries de vencimentos em 2029 e 2033. Houve redução da oferta para ambas as categorias.

O TN obteve demanda para a totalidade das LTNs ofertadas e o volume financeiro totalizou R$ 6,9 bilhões. Além disso, vale mencionar que os títulos de maior vencimento fecharam abaixo do patamar de 13%.

As NTN-Fs, por sua vez, foram parcialmente colocadas. Nos dois vencimentos, as taxas ficaram acima de 13% a.a. e o volume financeiro foi de R$ 260 milhões.

Mercado Secundário

O IMA-B representa a evolução, a preços de mercado, da carteira de títulos públicos indexados ao IPCA (NTN-B). O IRF-M representa a evolução, a preços de mercado, da carteira de títulos públicos prefixados (LTN e NTN-F).

Ambos são calculados pela Anbima e podem sofrer variações devido à dinâmica de oferta e demanda de títulos no mercado, reflexo das movimentações no cenário econômico.

O preço dos títulos sobe quando a expectativa de juro futuro cai (e vice-versa) devido à relação inversa entre os dois. Esse mecanismo que mostra o efeito dos juros sobre preços é a marcação a mercado. Entenda mais aqui.

Em uma semana marcada com menos dias úteis, devido ao feriado do Carnaval, os juros fecharam em alta. O avanço foi conduzido pelo protagonismo da aversão ao risco tanto no mercado local quanto no offshore – vide seção “Juros e Inflação” para mais detalhes. Nessa semana, os títulos públicos federais apresentaram desvalorização. Além disso, as taxas de títulos mais longos de inflação ficaram acima do patamar de IPCA + 6,3% e os prefixados fecharam acima das taxas da semana anterior.

Acompanhe as taxas do títulos do Tesouro Direto disponíveis para compra e para resgate

Crédito Privado

Fluxo

Nesta seção, analisamos os dados da Anbima de negociações definitivas de crédito privado, realizando um filtro cujo spread (diferença) entre os preços máximo e mínimo negociados representam mais do que 0,01% do volume negociado no dia, com o intuito de descartar o que acreditamos serem as operações diretas dentro de instituições.

Na última semana, o fluxo médio diário de negociações em debêntures não incentivadas foi de R$ 666 milhões (ante R$ 887 milhões na semana anterior), R$ 289 milhões em debêntures incentivadas (vs. R$ 349 milhões), R$ 88 milhões em CRIs (vs. 137 milhões) e R$ 224 milhões em CRAs (vs. R$ 248 milhões).

Os papéis mais negociados por classe de ativos foram as debêntures da COELCE (COCE19), a debênture incentivada da Petro Rio (PEJA11), CRI da Globo e, por fim, CRA da Minerva.

Como não são disponibilizados a tempo da publicação do relatório, os dados desta sexta-feira não são considerados. Além disso, devido ao feriado do carnaval, nos dias 20/02 e 21/02 não houve negociações.

Ações de rating

Ratings são notas atribuídas por agências classificadoras de risco de crédito que podem impactar diretamente seus investimentos em Renda Fixa. Entenda mais aqui.

O que esperar – Semana de 27/02 a 03/03

Agenda econômica

Mercados globais devem seguir reagindo à perspectiva de juros mais elevados nos países centrais. Em relação à divulgação de dados econômicos, destaque para inflação ao consumidor e ao produtor, taxa de desemprego e índices de sentimento econômico na Europa, além de sondagens industriais e de serviços (ISM) e resultados de produtividade e custo da mão de obra nos Estados Unidos.    

No Brasil, atenções voltadas para o anúncio de medidas econômicas, especialmente a decisão sobre reoneração da gasolina. A agenda semanal traz diversos indicadores relevantes, como o PIB do 4º trimestre, a taxa de desemprego (e demais estatísticas do mercado de trabalho) de dezembro, resultados fiscais (governo central e setor público consolidado) e de crédito referentes a janeiro, além do IGP-M de fevereiro.  

Leilões do Tesouro Nacional

Vencimentos de debêntures da próxima semana

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