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Frigoríficos: caso atípico de vaca louca leva a restrição temporária nas exportações para a China

Apesar das expectativas de retomada em março, tentamos endereçar possíveis impactos.

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Ao tentar abordar os impactos potenciais, nossas principais conclusões são (i) o restante do mundo (RoW) não é capaz de compensar totalmente a demanda da China; (ii) a duração da suspensão pode levar de um impacto zero a bastante crítico; (iii) pode desencadear a realocação de volumes entre países como uma oportunidade estratégica para algumas empresas; e (iv) o contrato comercial entre China e Brasil parece muito rigoroso apesar da co-dependência entre os países. A diversificação desempenhará um papel importante, especialmente geograficamente, uma vez que outro risco sanitário (gripe aviária – IAAP) paira sobre o setor. Apesar de trazer caminhos diferentes, o caso atípico de vaca louca (EEB) soma-se ao risco de IAAP e a uma perspectiva desafiadora de curto prazo como overhangs (riscos de curto prazo), em nossa opinião, e deve continuar a penalizar as ações dos frigoríficos no curto prazo.

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Retomada rápida é o cenário base

Um caso atípico de EEP foi confirmado no estado do Pará, interrompendo imediatamente as exportações de carne bovina do Brasil para a China, conforme acordo entre os dois países. O fato de se tratar de um caso atípico de EEB, por si só, já traz maior tranquilidade aos frigoríficos, pois não oferece risco ao restante do rebanho nem à saúde humana. Além disso, o caso agora se passa em um contexto político diferente do anterior (2021), e o atual governo já anunciou uma visita à China para tratar do assunto. Por isso, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, anunciou que espera que a suspensão das exportações termine em março, o que teria um impacto limitado nos frigoríficos, a nosso ver, à semelhança do que aconteceu em 2019.

O restante do mundo não é capaz de compensar a demanda da China

Levando em consideração as exportações de carne bovina ex-China nos últimos 5 anos (Figura 1), tentamos entender qual é o potencial de demanda adicional do resto do mundo que poderia compensar a paralisação das exportações para a China.

Utilizando a quantidade máxima exportada para o restante do mundo juntamente com a média 2021/22 (Figura 1), concluímos que no caso de uma parada maior do que o esperado, o abastecimento doméstico enfrentaria um aumento mínimo de oferta adicional de, em média, ~88 mil toneladas (Figura 2), ou ~15%, em média (Figura 5), ​​na expectativa de aumento de disponibilidade de carne bovina em meses sem exportações para a China.

Vale ressaltar que para esta estimativa mantivemos a expectativa de aumento do abate para 2023 (Figura 4), portanto, no caso de uma paralisação mais longa, a estratégia de abate dos frigoríficos terá um papel importante para enfrentar o excesso de oferta no mercado interno de carne bovina.

Fontes: ABIEC, Cepea, IBGE, SECEX and XP Research.
Fontes: ABIEC, Cepea, IBGE, SECEX and XP Research.
Fontes: ABIEC, Cepea, IBGE, SECEX and XP Research.
Fontes: ABIEC, Cepea, IBGE, SECEX and XP Research.
Fontes: ABIEC, Cepea, IBGE, SECEX and XP Research.

Diversificação poderia trazer alternativas não-óbvias para a mesa

Tomando a JBS por exemplo, a empresa poderia aumentar as exportações via Austrália ou EUA. No entanto, a Austrália ainda está em processo de reconstrução de seu rebanho, limitando possíveis exportações adicionais para a China, enquanto nos EUA há uma condição que restringe as exportações de animais que receberam beta-agonista para o país asiático. Marfrig e Minerva poderiam aumentar as exportações via Uruguai e Argentina, mas provavelmente essas plantas já estão próximas de sua capacidade máxima.

No entanto, como o Paraguai e a Colômbia não conseguem exportar para a China, enquanto na Austrália e nos EUA o potencial de aumento é limitado, a China precisa do Brasil como principal fornecedor. Dessa forma, os preços da carne tendem a subir no país, o que pode servir de gatilho para que Uruguai e Argentina passem a exportar outros cortes para a China que antes eram destinados a outros países. Assim, empresas com posicionamento geográfico diversificado poderiam compensar o impacto negativo no Brasil e capturar um preço melhor na China.

Vale lembrar que devido à sazonalidade e ao Ano Novo Chinês, a demanda da China deveria voltar a se recuperar no final do 1T23 e início do 2T23. Dessa forma, isso também traz um certo conforto para os frigoríficos, visto que ainda faltaria cerca de ~1 mês para o imbróglio ser resolvido antes que o impacto pudesse ser maior nos resultados das empresas.

Vale destacar também que apenas 3 das 33 plantas habilitadas a exportar para a China estão no Pará, e nenhuma pertence a players listados (JBS, Marfrig e Minerva).

Ações não precificaram os últimos casos, enquanto os preços do boi gordo demoraram a recuperar

Assim como nas figuras 9 e 10, as ações dos frigoríficos brasileiros não tiveram grandes variações de preços nos últimos casos em que a vaca louca atípica foi encontrada. Adicionalmente, é possível identificar que os preços do gado sofreram após a identificação dos casos, sendo que em 2019 demorou 1 mês para voltar aos patamares anteriores, enquanto em 2021 demorou pouco mais de 2 meses.

Assim, mesmo com um efeito negativo nos preços de venda dos frigoríficos, os pecuaristas sofrem a maior pressão e as margens podem se manter devido aos preços mais baixos do gado.

Fontes: ABIEC, Cepea, IBGE, SECEX and XP Research.
Fontes: ABIEC, Cepea, IBGE, SECEX and XP Research.
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