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A semana na Renda Fixa (17/01 a 21/01)

Acompanhe os principais movimentos da semana no mercado de renda fixa e o que esperar para a semana que se inicia.

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Resumo: As taxas futuras de juros se mantiveram estáveis nos vencimentos mais curtos, mas tiveram forte movimento de alta na parte média e longa da curva a partir de terça-feira, após o movimento de elevação nos rendimentos das Treasuries norte-americanas posterior ao feriado nos EUA na segunda-feira. Parte da variação positiva nas taxas foi derivada da percepção do início próximo do ciclo de alta do FED, e o elevado risco fiscal local foi somado à pressão dos servidores públicos por reajustes salariais durante a semana.

As taxas dos títulos do Tesouro indexados à inflação (NTN-B), que balizam os papeis desse indexador no mercado de renda fixa, tiveram estabilidade em quase toda curva em relação à semana anterior, em formato linear a partir dos vencimentos de 2024 até 2060. Destaque para a NTN-B 2022, que descolou seu preço para cima da curva com a possibilidade de menor inflação no curto prazo, visto a proposta de zeragem dos tributos federais de gasolina, diesel e energia elétrica.

Para a próxima semana, o destaque internacional será a decisão de juros pelo comitê de política monetária do Banco Central americano (FOMC), o deflator de consumo pessoal (PCE), o PIB nos EUA referente ao quarto trimestre de 2021 e os índices de gerentes de compras (PMI) nos países desenvolvidos. No Brasil, os destaques entre divulgações de dados serão a prévia da inflação ao consumidor em janeiro (IPCA-15), o IGP-M de janeiro e a taxa de desemprego de novembro medida pela PNAD Contínua. Também contaremos com o resultado primário do governo central e a arrecadação tributária federal de dezembro.

Cenário macroeconômico

No exterior, tensões entre Rússia e OTAN continuam à medida que tropas russas se aproximam da fronteira ucraniana e a escalada da gravidade da situação coloca commodities como o trigo e o gás natural em alta. Além disso, os preços do petróleo atingiram o nível mais alto em sete anos, impulsionados pela forte demanda nas maiores regiões consumidoras do mundo, como EUA e Europa, e está acontecendo apesar da sinalização do Fed de uma política monetária mais apertada à frente.

A Presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, reafirmou que a autoridade monetária não deverá antecipar a elevação da taxa de juros como resposta à pressão inflacionária atual, uma vez que o aumento dos juros poderia “travar o crescimento econômico” e que a política monetária deve agir como um “amortecedor de choques”.

Na contramão do mundo, o banco central chinês cortou a taxa básica de juros de um ano em 0,1pp para 3,7%. O PBOC tem sinalizado que usará mais ferramentas de política monetária para estimular a economia e impulsionar a expansão do crédito, visto que se encontra em outra parte do ciclo econômico.

No Brasil, após nova alta dos preços de combustíveis nesta semana, novas informações sobre uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para conter os preços de combustíveis e eletricidade foram divulgadas. Nas negociações, uma alternativa estudada autoriza o governo para, em momentos de crise e de forma temporária, reduzir ou até zerar as alíquotas dos tributos federais (PIS/COFINS) incidentes sobre gasolina, diesel e energia elétrica. Isso geraria impacto fiscal, segundo nossos cálculos, de R$ 70 bilhões a até R$ 100 bilhões.

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) subiu 0,7% entre outubro e novembro, exatamente em linha com a nossa expectativa e o consenso de mercado. Este resultado interrompeu uma sequência de quatro quedas mensais consecutivas. Em comparação a novembro de 2020, entretanto, o IBC-Br cresceu um pouco abaixo do esperado (0,4% versus 0,5%).

Detalhamos o nosso cenário de atividade para 2022 no relatório Brasil Macro Mensal: Ano novo, mesmos riscos.

Leia tudo o que aconteceu nesta semana em economia.

Juros e inflação

As taxas futuras de juros se mantiveram estáveis nos vencimentos mais curtos, mas tiveram forte movimento de alta na parte média e longa da curva a partir de terça-feira, após o movimento de elevação nos rendimentos das Treasuries norte-americanas posterior ao feriado nos EUA na segunda-feira. Parte da variação positiva nas taxas foi derivada da percepção do início próximo do ciclo de alta do FED, mas ainda o elevado risco fiscal local foi somado com a pressão dos servidores públicos por reajustes salariais durante a semana.

As taxas dos títulos do Tesouro indexados à inflação (NTN-B), que balizam os papeis desse indexador no mercado de renda fixa, tiveram estabilidade em quase toda curva em relação à semana anterior, em formato linear a partir dos vencimentos de 2024 até 2060. Destaque para a NTN-B 2022, que descolou seu preço para cima da curva com a possibilidade de menos inflação no curto prazo, visto a proposta de zeragem dos tributos federais de gasolina, diesel e energia elétrica.

O mercado espera Selic de 11,996% ao final de 2022, acima da expectativa da XP de 11%, 10,693% em 2023 (vs. 7,5% da XP) e 10,88% em 2024. Para inflação, o mercado aponta estimativa de cerca de 5,01% em 2022 (vs. 5,2% da XP), e 6,01% em 2023 (vs. 3,25%). Para 2024 e 2025, o mercado espera 6,18% e 6,46%, respectivamente, o que sinaliza aumento significativo nas expectativas inflacionárias em relação à semana anterior.

A curva de juros pode ser compreendida como as expectativas dos rendimentos médios de títulos públicos prefixados sem cupom (ou seja, sem pagamentos semestrais), a partir dos contratos futuros de juros (ou DI). Entenda mais aqui.

Títulos públicos

Mercado primário (leilões)

Para mais informações sobre o funcionamento de leilões de títulos públicos, clique aqui.

Leilão do dia 18/01 – NTN-B e LFT

No primeiro leilão da semana, realizado na última terça-feira (18), o Tesouro Nacional (TN) ofertou 1,35 milhão de Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B), papéis indexados ao IPCA, e até 3 milhões de Letras Financeiras do Tesouro (LFT). Ao todo foram cinco vencimentos diferentes para as duas séries. O TN vendeu a totalidade ofertada e o volume financeiro somou R$ 4,94 bilhões. Também vendeu integralmente a oferta de LFTs e o volume financeiro chegou a R$ 16,64 bilhões, concentrado no vencimento mais longo.

Leilão do dia 20/01 – LTN e NTN-F

No leilão da última quinta-feira (20), o Tesouro realizou leilão para venda de Letras do Tesouro Nacional (LTN) e Notas do Tesouro Nacional – Série F (NTN-F). O TN vendeu 3.464.000 de LTNs, dividido em três vencimentos, com volume financeiro de R$ 2,8 bilhões. Também vendeu 800 mil NTN-F, ante 900 mil ofertadas, divididas em dois vencimentos e o giro financeiro somou R$ 755,8 milhões.

Mercado Secundário

O IMA-B representa a evolução, a preços de mercado, da carteira de títulos públicos indexados ao IPCA (NTN-B). O IRF-M representa a evolução, a preços de mercado, da carteira de títulos públicos prefixados (LTN e NTN-F). Ambos são calculados pela Anbima.

A semana começou com fluxo leve causado pelo feriado de segunda-feira nos Estados Unidos e ganhou tração durante o resto da semana. A notícia da tentativa do governo de segurar os preços com medidas de intervenção em impostos fez com que operações fossem concentradas nos vencimentos das NTN-Bs de 2022 e 2024.

No mercado de prefixados, houve comprador final nas LTNs 2023 e 2024, mas nas NTN-Fs 2023 e 2027 o fluxo foi mais vendedor. Nas LFTs, comportamento de compra durante a semana por conta de alocadores finais e compra de fundos pós-fixados, além de alongamento de vencimentos, trocando principalmente o vértice de 2022 para 2026.

Tesouro Direto

O preço dos títulos sobe quando a expectativa de juro futuro cai (e vice-versa) devido à relação inversa entre os dois. Esse mecanismo que mostra o efeito dos juros sobre preços é a marcação a mercado. Entenda mais aqui.

A semana foi marcada pela depreciação dos títulos indexados ao IPCA e prefixados. Apesar de alguns vértices terem desvalorizado menos de 1%, no acumulado de 12 meses muitos já superam queda de -10% no preço. Observamos na semana a elevação do juro prefixado nominal e do juro real, aquele que acompanha a rentabilidade dos títulos IPCA+. Os títulos pós-fixados tiveram valorização em torno de 0,15% nos vencimentos de 2024 e 2027.

Crédito Privado

Fluxo

Na última semana, o fluxo médio diário de negociações em debêntures não incentivadas foi de R$ 1,1 bilhão (ante R$ 579 milhões na semana anterior), R$ 383 milhões em debêntures incentivadas (vs. R$ 334 milhões), R$ 219 milhões em CRIs (vs. R$ 215 milhões) e R$ 167 milhões em CRAs (vs. R$ 162 milhões).

Os papeis mais negociados por classe de ativos foram as debêntures da Aegea Saneamento, a debênture incentivada da Usina São Simão (destaque com volume de mais de 3 vezes da segunda mais negociada), CRI LOG e CRA JBS.

Como não são disponibilizados a tempo da publicação do relatório, os dados desta sexta-feira não são considerados e podem alterar o apresentado. Para trazer uma aproximação do resultado em cinco dias, os dados abrangem desde a sexta-feira da semana anterior até a quinta-feira da semana corrente.

Ações de rating

Ratings são notas atribuídas por agências classificadoras de risco de crédito que podem impactar diretamente seus investimentos em Renda Fixa. Entenda mais aqui.

Spreads de Crédito

No gráfico abaixo, apresentamos a movimentação dos spreads de crédito consolidados, com spread médio do dia 17 de dezembro até fechamento do ano de 2021, de debêntures com volume relevante de negociação no mercado, de forma a buscar refletir os níveis médios de spreads do mercado de crédito privado. As informações são apresentadas com base em dados da quinzena anterior, devido à data de disponibilização pela Cetip para a realização de nossa análise.

Vale notar que, dada a dinâmica do mercado secundário no Brasil, os movimentos de abertura ou fechamento de spreads não necessariamente refletem maior ou menor risco dos emissores, podendo apenas ser resultado de questões técnicas (como demanda reduzida ou elevada por papeis, por exemplo).

É possível observar que os spreads médios das debêntures incentivadas de prazo inferior a 3 anos apresentaram fechamento em todos os ratings analisados (AAA, AA+, AA e AA-). Já as debêntures de prazo superior a 4 anos tiveram comportamento contrário, com abertura de basis points (bps) no spread, com exceção da classificação A+. Ressaltamos que estes papeis são atrelados ao IPCA.

Por fim, as debêntures tradicionais em CDI+ com prazo inferior a três anos oscilaram para baixo nos ratings AAA, AA+ e AA, e para cima nos ratings AA- e A+. Utilizamos este prazo para esses papeis por concentrar o maior volume de negociação, sendo, portanto, mais representativo do movimento geral no mercado.

O que esperar – Semana de 24/01 a 28/01

Agenda econômica

Para a próxima semana, o destaque internacional será a decisão de juros pelo comitê de política monetária do Banco Central americano (FONC). Além disso, o deflator de consumo pessoal (PCE), índice de inflação preferido pelo Fed referente à dezembro, e o PIB nos EUA referente ao quarto trimestre de 2021. Também serão dados importantes na semana os índices de gerentes de compras (PMI) nos países desenvolvidos.

No Brasil, teremos agenda grande de indicadores. Os destaques entre divulgações de dados serão a prévia da inflação ao consumidor em janeiro (IPCA-15), o IGP-M de janeiro, a taxa de desemprego de novembro medida pela PNAD Contínua, o resultado primário do governo central e a arrecadação tributária federal de dezembro.

Veja mais

Leilões do Tesouro Nacional

Vencimentos de debêntures da próxima semana

Relatórios publicados de 14/01 a 21/01

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