CRA JBS – OUT/2024

CRA JBS – OUT/2024

  • Vencimento 15/10/2024
  • Rentab. -
  • Liquidez -
  • Juros -
  • Rating AAA(bra)
  • Risco (0 - 100) 21 Risco Médio

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  • Preço Unitário R$ 1.000,00

Análise do Emissor

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A JBS é a empresa líder mundial no segmento de proteínas, possuindo plataforma diversificada em termos de geografias e de proteínas produzidas e vendidas. A conjuntura atual é favorável à empresa, uma vez que observamos redução do rebanho em outras regiões do mundo, o que aumenta a demanda pelos seus produtos. Além disso, o crescimento do mercado consumidor chinês tem sido também importante propulsor de receitas. Os principais pontos de atenção do caso são a exposição ao câmbio, uma vez que a maior parte de sua operação é dolarizada, a questão fitossanitária (relevante a todas as empresas do setor) e o fato de a JBS possuir litígios em potencial, ressaltando-se as investigações ainda em curso sobre a companhia no âmbito da Operação Lava Jato (2017). Em termos financeiros, a JBS apresentou no primeiro trimestre de 2021 EBITDA ajustado de R$ 6,9 bilhões e alavancagem de 1,76x. A companhia não possui covenants financeiros. Seu caixa de US$ 3,9 bilhões, já considerando captações realizadas em abril e maio, seria suficiente para amortizar dívidas até 2025.

Destaques positivos
  • Líder mundial no segmento de proteínas.
  • Plataforma de produção diversificada, por geografia e por tipo de proteína.
  • Conjuntura global favorável, com redução do rebanho em outras regiões.
  • Crescimento do mercado consumidor chinês.
Pontos de atenção
  • Exposição ao câmbio.
  • Questões sanitárias.
  • Litígios em potencial associados à investigação de corrupção.

Quem é a JBS?

História

As atividades da JBS iniciaram em 1953, quando José Batista Sobrinho, também conhecido como Zé Mineiro, abriu um pequeno açougue na cidade de Anápolis (Goiás), chamado de Casa de Carnes Mineira. No ano de 1957, com o movimento de instalação da nova capital federal e atraído por incentivos fiscais, José Batista se instalou em Brasília, fornecendo carne bovina para os trabalhadores da cidade ainda em construção.

Em 1969, Zé Mineiro compra o primeiro frigorífico com selo de inspeção federal (SIF), em Formosa (Goiás). Em sequência, cria a marca Friboi.

Daí em diante, a JBS iniciou uma estratégia de expansão, por meio do desenvolvimento e aquisição de novos frigoríficos na região, o que permitiu o alcance de novos mercados em outras regiões do país, como Sul e Sudeste.

Buscando se consolidar como líder de mercado, a JBS transfere sua sede administrativa para São Paulo em 2004. Já no ano de 2005, a aquisição da Swift Armour na Argentina marcou o início do processo de internacionalização da companhia.

Em 2007, a companhia abre seu capital na bolsa de valores de São Paulo, tornando-se a primeira empresa de carnes do Brasil a ter suas ações negociadas em bolsa. A capitalização, aliada ao investimento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), permitiu que no mesmo ano a empresa adquirisse a Swift, nos Estados Unidos, e se tornasse a maior empresa de processamento de carne bovina do mundo.

No ano de 2013, a JBS adquire a Seara Brasil, o que consolidou as operações de frangos e suínos no país, e fez com que a empresa também se tornasse a maior processadora de frangos do mundo.

A partir de meados de 2016, uma série de operações deflagradas pela Polícia Federal atingiu a JBS. Como consequência, seu grupo controlador, a J&F Investimentos, celebrou um acordo de leniência em 2017 para detalhar fatos investigados nas operações Greenfield, Sépsis, Cui Bono, Carne Fraca e Bullish e aceitou desembolsar R$ 10,3 bilhões. Tal montante representa o maior valor no mundo a ser devolvido aos cofres públicos em um acordo de leniência até então.

Atuação

A JBS é a segunda maior empresa alimentícia do mundo, com operações nos segmentos de carne bovina, suína, aves, ovinos e laticínios.

Além do setor de alimentos, seu core business, a companhia atua também em couros, biodiesel, colágeno e outros relacionados.

Seu portfólio de produtos conta com nomes como Seara, Swift, Friboi, Doriana, Vigor, Pilgrim’s, entre outras.

Presença

A plataforma global de produção e distribuição da companhia está presente em 15 países, com mais de 400 de unidades de produção e escritórios nos cinco continentes do globo.

Essa configuração permite que a JBS alcance 190 países através de exportações da ampla gama de produtos, com flexibilidade das suas operações em cada mercado.

Quem são seus acionistas?

A empresa está listada no mercado de ações à vista com ações ordinárias (JBSS3). As ações da JBS são negociadas no Brasil no Novo Mercado da B3, segmento que concentra as empresas nacionais com maior nível de governança corporativa. Suas ações também são negociadas sob o formato de ADRs no mercado de balcão (OTCQX) em Nova York, sob o código “JBSAY”.

J&F Investimentos S.A. e Formosa (44,44%): veículos de investimentos pertencente à família Batista, que também controla a Eldorado Celulose, Banco Original e o Canal Rural.

BNDESPar (23,23%): subsidiária do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), criada para administrar as participações em empresas detidas pelo banco, as capitalizando por meio da aquisição de ações ou debêntures conversíveis.

Outros (32,32%).

Principais fatores do crédito

Para melhor entendimento, esclarecemos que a nomenclatura “1T21” significa “primeiro trimestre de 2021”. Suas variações também se aplicam (ex: 4T20 seria o quarto trimestre de 2020). 

Fontes: XP Investimentos, JBS, Bloomberg
Preços de frango, carne bovina e suína: Indicador CEPEA (ESALQ/USP)

Cenário atual

A princípio, o avanço da covid-19 trouxe impactos negativos para o setor de pecuária global, com paralisação de frigoríficos, quedas nas taxas de abates, retração nas vendas no atacado e gargalos logísticos. No entanto, a menor produção de carne bovina e de suínos elevou o preço das proteínas, enquanto as vendas no varejo foram beneficiadas por novos hábitos de consumo, os quais também impulsionaram o desempenho de produtos processados (que apresentam maior valor agregado).

Na América do Norte, principal região de atuação da JBS, a receita de vendas superou o ano anterior em razão do aumento da demanda e maior preço de produtos vendidos, mesmo com a redução do volume de produção.

As exportações da JBS para a China atingiram níveis recordes em 2020, após apresentar demanda ainda mais aquecida, já que a retomada econômica pós covid-19 ocorreu primeiro na região. Nota-se que a China ainda conta com oferta interna reprimida em virtude dos efeitos da peste suína africana em seus rebanhos.

Além disso, a desvalorização do real frente ao dólar no ano também foi benéfica para a JBS, dada a alta dolarização de suas operações. Ressalta-se que cerca de 70% de sua receita líquida é proveniente de suas unidades de negócios nos EUA: JBS USA Beef, JBS USA Pork e Pilgrim’s Pride.

Embora os maiores preços de venda estejam sendo aceitos pelos consumidores até então no mercado global, pontua-se que a trajetória das cotações do boi gordo permanece em ascensão. Portanto, o repasse da alta de custos aos consumidores finais deverá ser monitorado.

Destaques financeiros

Receita

O bom desempenho de todas as unidades de negócio da JBS em 2020 resultou no avanço de 32,1% na receita líquida do exercício para R$ 270,2 bilhões. Como operações de destaque, apontam-se a JBS USA Pork, cuja rentabilidade cresceu 37,1% no ano, e a Pilgrim’s Pride, com expansão de 38,3%.

Enquanto isso, o EBITDA ajustado aumentou 48,7% em 2020 para R$ 29,6 bilhões. Destaca-se positivamente o aumento na margem EBITDA de 9,7% em 2019 para 10,9% em 2020, mesmo em cenário de alta de matéria-prima, reflexo do ganho de participação de produtos com maior valor agregado.

No primeiro trimestre de 2021, a JBS apresentou receita líquida de R$ 75,3 bilhões, aumento de 33,2% em relação ao 1T20, com todas as unidades de negócio apresentando avanço no intervalo. O EBTIDA ajustado registrou valorização de 75,8% no mesmo período para R$ 6,9 bilhões.

Endividamento e alavancagem

A dívida bruta da JBS encerrou o primeiro trimestre de 2021 em R$ 67,4 bilhões, crescimento de 2,3% em comparação com o saldo de 2020. O avanço ocorreu a despeito da retração de 6,7% no endividamento em dólares na mesma janela, devido à desvalorização do real. Aponta-se que 90,4% da dívida atual é denominada em dólares.

Enquanto isso, a menor posição em caixa da companhia no trimestre, que totalizou R$ 10 bilhões, ou US$ 1,8 bilhão, foi responsável pelo crescimento de 23,7% no endividamento líquido ante a posição apurada no 4T20. Sendo assim, a alavancagem medida pela relação dívida líquida/EBITDA avançou de 1,56x para 1,76x. A companhia não possui cláusulas restritivas de alavancagem em suas emissões (covenants).

Após o fechamento do 1T21, a companhia realizou captação de bond de US$ 1 bilhão da PPC com vencimento em 2031 e recompra de bond da PPC com vencimento em 2025 de mesmo valor em abril. Além disso, emitiu um CRA com vencimentos em 2028 e 2031, de cerca de R$ 1,6 bilhão, em maio.

A JBS USA conta ainda com US$ 1,8 bilhão disponível em linhas de créditos rotativas e garantidas, valor equivalente a R$ 10,5 bilhões ao considerarmos o câmbio de fechamento do trimestre. Adicionando essas linhas de crédito às atuais disponibilidades, a empresa teria liquidez para o atendimento de suas obrigações financeiras até o fim de 2025, mitigando o risco de refinanciamentos ou reperfilamentos no médio prazo.

Pontos de atenção

Exposição ao câmbio

Por conta de a operação ser em sua maior parte dolarizada, os investimentos da JBS em reais estão expostos a flutuações na taxa de câmbio, inflação ou deflação nos países em que atua. Como os resultados recentes da JBS foram beneficiados pelo câmbio pressionado, a valorização do real frente ao dólar mais rápido do que o esperado pode prejudicar o resultado da empresa.

Os impactos da variação cambial podem ser amenizados via operações de hedge. Qualquer desvalorização não coberta por contratos de hedge poderia ter efeitos adversos nos negócios e nos resultados da empresa.

Questões sanitárias

Um dos principais riscos dos frigoríficos em geral abrange questões sanitárias. O avanço da peste suína africana, por exemplo, dizimou o rebanho de suínos na China e alterou os padrões de consumo no país, com consequências para frigoríficos em todo o mundo.

O caso da febre aftosa no Brasil também ilustra o cenário. No século XIX, a doença que causa febre e aparecimento de vesículas em animais se espalhou pelo mundo com o transporte de gado europeu. Desde então, casos em território nacional trouxeram medo aos pecuaristas, por enfraquecer o rebanho e tornar a carne imprópria ao consumo. Apenas em 2018, a Organização Mundial da Saúde Animal (OIE) certificou o Brasil como livre de aftosa.

Também é importante mencionar que países importadores possuem órgãos de vigilância sanitária, que aprovam a exportação de frigoríficos caso a caso, visando garantir padrões de qualidade para os alimentos comercializados em seus territórios. Com uma certa recorrência, notícias são veiculadas sobre habilitações e desabilitações de plantas no Brasil por parceiros comerciais.

Litígios em potencial

Ressaltam-se as investigações ainda em curso sobre a companhia no âmbito da Operação Lava Jato, referente aos fatos ocorridos em 2017.

Além disso, em dezembro de 2019, o Ministério Público Federal protocolou uma ação civil pública por improbidade administrativa contra a JBS e o grupo J&F Investimentos por fraudes no sistema do BNDES/BNDESPar.

A acusação é de que o frigorífico estava sendo favorecido pelo banco de estado para seu processo de internacionalização e, como consequência, o MPF pede o ressarcimento de mais de R$ 21 bilhões.

Veja mais

Fonte

JBS
Cepea – Esalq USP

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