5 anos em 5 minutos – Fevereiro 2020

O objetivo deste novo relatório mensal é passar nossa visão de longo prazo em 5 minutos ou menos, detalhando os retornos esperados para os perfis de risco e classes de ativos.


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Retornos esperados para os portfólios nos próximos 5 anos

Um dos destaques internacionais de fevereiro de 2020 foi a bolsa americana com uma nova máxima histórica, apesar das preocupações referentes ao Coronavírus continuarem. Vale ressaltar, também, a sinalização do Fed referente a manutenção da taxa de juros no atual patamar de 2%, fazendo com que nossas projeções de Renda Variável Global tivessem uma alteração muito pequena na margem.

A mudança na expectativa da classe de Renda Fixa Global se deve a utilização de um novo índice. Aproximando ao que temos nas nossas carteiras recomendadas, passamos a adotar nas expectativas de uma carteira mista de títulos corporativos de grau de investimento com os sem ele.

No Brasil, as instabilidades da economia não alteraram a curva de juros futura que continuou fechando um pouco mais em sua extensão do que janeiro, resultado de uma inflação controlada e o crescimento gradual da economia. Assim, o Comitê do Banco Central optou por reduzir a taxa de juros para 4,25%.

Em Renda Variável, ajustamos nossas expectativas de crescimento de lucros no cenário base, para ficar mais condizente com a forte expansão esperada para este ano e o próximo.

Por fim, no cenário base, os retornos esperados para a carteira de mercado de NTN-Bs (Tesouro IPCA), o IMA-B, estão em linha com o CDI / Selic. O mercado parece ter precificado um juro de equilíbrio de longo prazo de 2,5% ao ano, ao passo que nossas estimativas são um pouco mais conservadoras, 2,7% ao ano. Ou seja, por ora, nao enxergamos prêmio nesses ativos. Destacamos, entretanto, que se caminharmos para o cenário Otimista, existe espaço para ganhos de capital nos papéis.

Prêmios de Crédito

O movimento de re-precificação de crédito que aconteceu no final do ano de 2019 segue trazendo bons retornos em 2020. A classe de dos títulos de grau de investimento continua com desempenhos mais fortes no curto prazo, e se observa uma performance positiva principalmente nas debêntures de infraestrutura.

O spread de crédito para a classe classe de Pós-Fixados com base no índice IDA-DI, divulgado pela ANBIMA e na taxa disponível para papéis bancários na plataforma da XP está hoje em torno de 0.8% ao ano, nível que consideramos próximo do valor justo ou mais barato.

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Desta maneira, utilizamos o IDA IPCA Infraestrutura para estimar o prêmio de crédito para a classe de inflação, hoje cerca 1,00% ao ano acima da NTN-B de mesmo duration.

Como os ativos são isentos, esse prêmio de crédito sobe para 2,0% ao ano quando a comparação é feita líquida de IR.

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O Cenário Base

Entendemos que atualmente há um ambiente pró-reformas no Brasil, que tende a fazer com que as engrenagens da economia deslizem com mais facilidade, trazendo crescimento e mais eficiência.

No entanto, estamos longe de um ambiente político harmônico: o executivo federal e o congresso têm um diálogo truncado e existe muita resistência à agenda de reformas por grupos organizados e influentes.

A bolsa brasileira é a classe com maior retorno potencial em 5 anos:

O Cenário Pessimista

Ainda que esse não seja nossa visão, não podemos ignorar que, dadas as instabilidades políticas, existe a chance de que piore a relação entre o Executivo e o Congresso. Isso faria com que as Reformas empacassem, com o país falhando em desbloquear um novo ciclo de crescimento.

O baixo crescimento pode abrir os ouvidos da população para políticos populistas, que queiram desfazer reformas como a do Teto de Gastos e talvez até mesmo a Reforma da Previdência.

A Renda Variável Global é nossa principal defesa em um cenário adverso:

O Cenário Otimista

Mesmo com a articulação truncada, podemos ser surpreendidos pelo alinhamento do Congresso em entregar as reformas, e as privatizações. O crescimento da economia nos próximos anos seria mais forte do que conseguimos agora antecipar, ao mesmo tempo em que a taxa de juros neutra seria mais baixa.

Nesse cenário os lucros das empresas cresceriam mais, e com taxas de juros mais baixas, haveria maiores ganhos nos papéis de renda fixa.

Fundos multimercados podem se adaptar rápido mudanças no cenário

Principais Temas Globais

Nossa visão de como os grandes temas globais afetam o Brasil está detalhada no quadro a seguir.

O mercado dá sequencia ao movimento de novembro se tornando mais otimista com o crescimento global, e com o primeiro acordo comercial entre Estados Unidos e China.

Esse acordo será limitado, não destravando, portanto, as tensões e a incerteza quando se leva em conta prazos mais longos. Por outro lado, aparenta por fim ao ciclo onde as tensões apenas cresciam.

Entendemos, assim, que não há alteração dos fundamentos para alterar nossos temas globais: vivemos em um mundo de crescimento mais baixo do que no período pré-crise de 2008, com taxas de juros comprimidas e aversão a risco mantendo Dólar e outros ativos considerados seguros em patamares valorizados.

Metodologia

O quadro a seguir resume os dados e premissas utilizados para calcular os retornos por classe de ativo.

Notas

Inflação: Para estimar o retorno da classe inflação para o portfólio, utilizamos nossa recomendação de 50% em papéis soberanos (IMA-B) e 50% em créditos isentos.

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