Taxa de desemprego permanece ao redor de 14%

A população ocupada aumentou em abril, puxada principalmente pelas categorias informais, mas o maior contingente de pessoas em busca de emprego (aumento mais expressivo da força de trabalho) impediu a queda da taxa de desocupação. Por sua vez, os salários reais exibiram alguns sinais de reação, mas seguem abaixo dos níveis pré-pandemia.


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Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – Contínua (PNAD Contínua), publicados na manhã de quarta-feira (30/06) pelo IBGE, a taxa de desemprego brasileira atingiu 14,7% no trimestre encerrado em abril, em linha com as expectativas. A pesquisa traz informações sobre o mercado de trabalho com base em trimestres móveis. Descontadas as influências da sazonalidade (nossa forma preferida de analisar o indicador), a taxa de desocupação subiu de 13,8% em março para 14,1% em abril, o que significa um total de 14,2 milhões de desempregados. No início de 2020, antes da eclosão da crise da Covid-19 no Brasil, o indicador estava ao redor de 11,5%.

A população ocupada cresceu entre março e abril (0,4% segundo nossas estimativas), mas o número de pessoas em busca de emprego, o que é refletido na força de trabalho (PEA – População Economicamente Ativa), apresentou elevação mais expressiva no período (0,7%). Este movimento impediu a queda da taxa de desocupação em relação à leitura anterior.

Apesar de alguma melhoria nos últimos dados, a população ocupada e a força de trabalho situam-se ainda 7,7% e 4,6% abaixo do nível pré-pandemia, respectivamente. Caso a PEA estivesse no mesmo nível de fevereiro de 2020, estimamos que a taxa de desemprego estaria em 18% na divulgação referente a abril de 2021. Ou seja, o maior contingente de pessoas desencorajadas a procurar emprego durante a crise sanitária (seja pelo “efeito desalento” ou pelas restrições de circulação propriamente ditas) mitigou a elevação da taxa de desemprego.  

Os grupos de emprego informal acompanhados pela PNAD Contínua exibiram sinais de recuperação em abril, ainda que incipientes, em linha com a flexibilização das restrições de mobilidade ao longo daquele mês. Segundo nossos cálculos, a população ocupada informal teve alta mensal de 0,9%, totalizando 36,2 milhões – antes da pandemia, este grupo era composto por cerca de 40 milhões de pessoas. Por sua vez, a população ocupada com carteira assinada apresentou elevação sutil de 0,2% entre março e abril, chegando a 50,4 milhões (ante 53,0 milhões no pré-crise sanitária).

Outro sinal ligeiramente positivo da divulgação correspondeu à expansão, pelo segundo mês consecutivo, do salário real médio (0,8% entre março e abril). Desta forma, o indicador situa-se 1,3% abaixo do patamar anterior à crise de saúde pública. Por sua vez, a massa de salários reais (combina salário médio com população ocupada) registrou crescimento de 1,1% no período, mas ainda encontra-se 9,3% abaixo dos níveis observados no início de 2020.

Acreditamos que os principais indicadores do mercado de trabalho acompanhados pela PNAD exibirão sinais de recuperação nos próximos meses, embora gradualmente. Esta expectativa tem respaldo nos níveis mais elevados de mobilidade e confiança dos empresários, que apontam para uma retomada consistente da atividade doméstica adiante. Em particular, destacamos as perspectivas de crescimento mais sólido do setor de serviços no 2º semestre, sobretudo daqueles prestados às famílias, que são bastante intensivos em mão de obra. Como premissa fundamental para a materialização deste cenário, vemos aceleração adicional da campanha de vacinação contra a Covid-19.

Isto posto, projetamos que a população ocupada total retornará aos níveis pré-pandemia (ao redor de 93,5 milhões de pessoas) no 3º trimestre de 2022. Já em relação à força de trabalho, antevemos “normalização” (isto é, retorno a patamares próximos a 106 milhões de pessoas, conforme visto antes da crise) no 2º trimestre do ano que vem, pois esperamos que o contingente de “desalentados” recue paulatinamente.

Por fim, projetamos que a taxa de desemprego encerrará 2021 em 13,0% (de 14,7% em 2020), já considerando os ajustes sazonais. Para o final de 2022, vemos a taxa de desocupação em 11,2%. Já em relação às médias anuais de desocupação, projetamos 13,8% e 12,2%.   

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