XP Expert

Zeina Latif: Sobre escolhas e riscos

Há um ano, o governo Temer trabalhava para honrar acordos e garantir o impeachment de Dilma no Congresso. Era um governo fragilizado que cedia a pressões, como no ajuste do funcionalismo. Naquele momento, a agenda econômica foi temporariamente relegada ao segundo plano. A situação se repete agora. Os sinais emitidos pelo governo são de uma […]

Compartilhar:

  • Compartilhar no Facebook
  • Compartilhar no Twitter
  • Compartilhar no Whatsapp
  • Compartilhar no LinkedIn
  • Compartilhar via E-mail

Há um ano, o governo Temer trabalhava para honrar acordos e garantir o impeachment de Dilma no Congresso. Era um governo fragilizado que cedia a pressões, como no ajuste do funcionalismo. Naquele momento, a agenda econômica foi temporariamente relegada ao segundo plano.

A situação se repete agora. Os sinais emitidos pelo governo são de uma volta de políticas que lembram a gestão Dilma e de um menor protagonismo do ministério da Fazenda, enquanto a reforma da Previdência deixa de ser prioridade.

É compreensível que Temer defenda seu mandato. A questão é a estratégia por ora escolhida. Políticas como as do passado envolvem muitos riscos e não têm benefício óbvio. Não recuperam a economia e não garantem a sustentação do governo.

Claro que não há espaço para uma volta de fato da agenda Dilma. A questão é que a margem de erro se estreitou. O ambiente econômico frágil não aceita desaforo. Deslizes podem custar caro.

Já discuti neste espaço que ações mais ousadas na concessão de benefícios e em supostas políticas de estímulo seriam contraproducentes. Se o risco fiscal aumentar, o espaço para corte de juros pelo Banco Central não será o mesmo, justamente o mais eficaz instrumento de estímulo econômico de curto prazo. Deslizes fiscais poderiam também provocar baixas no time econômico.

Além disso, se antes a perspectiva de aprovação da reforma da Previdência este ano gerava certa tolerância dos agentes econômicos com o déficit público e com as dificuldades para cumprir as metas fiscais, agora, sem a reforma, a sensibilidade aos problemas fiscais tende a aumentar.

Quanto a deixar a reforma da Previdência para o futuro, isso não vai produzir rapidamente um quadro econômico como o do pré-impeachment, quando o elevado risco fiscal empurrava a economia para o descontrole da inflação. Afinal, muito foi feito neste último ano para melhorar a política econômica. Mas é importante reconhecer que o ambiente vai ficando cada vez mais arriscado.

A percepção de que a reforma da Previdência é inadiável eleva a expectativa em relação ao próximo presidente. E sabe-se lá quem vai ter coragem de não negar essa reforma durante a campanha eleitoral. Assim, 2018 será mais conturbado sem a reforma da Previdência, podendo atrapalhar a política econômica até as eleições. Que o diga 2002, quando a tensão eleitoral prejudicou muito a gestão FHC.

O risco para 2019 não é de volta do populismo à la Dilma – não há espaço fiscal para isso –, mas sim um outro tipo, que nega os problemas e rejeita reformas.

A agenda fiscal, da reforma da Previdência à tributária, passando por guerra fiscal dos Estados e eliminação de privilégios e proteções, é uma agenda politicamente difícil, sendo que a reação das corporações contra a reforma da Previdência evidencia as dificuldades para avançar.

Não à toa protelamos o ajuste fiscal estrutural por décadas. Os avanços que tivemos na agenda econômica desde a redemocratização do País não envolveram o efetivo enfrentamento do Estado patrimonialista, que provê benefícios e privilégios a grupos de pressão. Grosso modo, foi possível contorná-lo.

O ajuste fiscal estrutural, condição para a estabilidade econômica do País, depende, porém, desse enfrentamento. Diferentemente do passado, não há mais espaço para aumentos da carga tributária.

E, se a missão do próximo presidente tiver de ser a reforma da Previdência, outras reformas pró-crescimento, como a reforma tributária, terão provavelmente de entrar na fila de espera.

Lá se vão oportunidades perdidas.

Não é um cenário de colapso iminente. É um cenário medíocre, de baixo crescimento, menor estabilidade econômica e limites para políticas públicas já no curto prazo. Um quadro mais perigoso e propenso a acidentes, inclusive para o próprio governo. Esses riscos precisam ser levados em conta pelos estrategistas do governo. Atalhos na política econômica não servem para construção de pontes.

16 de Junho de 2017

Fonte: Artigo replicado do Estadão

XPInc CTA

Se você ainda não tem conta na XP Investimentos, abra a sua!

XP Expert

Avaliação

O quão foi útil este conteúdo pra você?


Newsletter
Newsletter

Gostaria de receber nossos conteúdos por e-mail?

Cadastre-se e receba grátis nossos relatórios e recomendações de investimentos

Telegram
Telegram XP

Acesse os conteúdos

Telegram XP

pelo Telegram da XP Investimentos

Disclaimer:

Este relatório foi preparado pela XP Investimentos CCTVM S.A. (“XP Investimentos”) e não deve ser considerado um relatório de análise para os fins do artigo 1º na Resolução CVM 20/2021. Este relatório tem como objetivo único fornecer informações macroeconômicas e análises políticas, e não constitui e nem deve ser interpretado como sendo uma oferta de compra/venda ou como uma solicitação de uma oferta de compra/venda de qualquer instrumento financeiro, ou de participação em uma determinada estratégia de negócios em qualquer jurisdição. As informações contidas neste relatório foram consideradas razoáveis na data em que ele foi divulgado e foram obtidas de fontes públicas consideradas confiáveis. A XP Investimentos não dá nenhuma segurança ou garantia, seja de forma expressa ou implícita, sobre a integridade, confiabilidade ou exatidão dessas informações. Este relatório também não tem a intenção de ser uma relação completa ou resumida dos mercados ou desdobramentos nele abordados. As opiniões, estimativas e projeções expressas neste relatório refletem a opinião atual do responsável pelo conteúdo deste relatório na data de sua divulgação e estão, portanto, sujeitas a alterações sem aviso prévio. A XP Investimentos não tem obrigação de atualizar, modificar ou alterar este relatório e de informar o leitor. O responsável pela elaboração deste relatório certifica que as opiniões expressas nele refletem, de forma precisa, única e exclusiva, suas visões e opiniões pessoais, e foram produzidas de forma independente e autônoma, inclusive em relação a XP Investimentos. Este relatório é destinado à circulação exclusiva para a rede de relacionamento da XP Investimentos, incluindo agentes autônomos da XP e clientes da XP, podendo também ser divulgado no site da XP. Fica proibida a sua reprodução ou redistribuição para qualquer pessoa, no todo ou em parte, qualquer que seja o propósito, sem o prévio consentimento expresso da XP Investimentos. A XP Investimentos não se responsabiliza por decisões de investimentos que venham a ser tomadas com base nas informações divulgadas e se exime de qualquer responsabilidade por quaisquer prejuízos, diretos ou indiretos, que venham a decorrer da utilização deste material ou seu conteúdo. A Ouvidoria da XP Investimentos tem a missão de servir de canal de contato sempre que os clientes que não se sentirem satisfeitos com as soluções dadas pela empresa aos seus problemas. O contato pode ser realizado por meio do telefone: 0800 722 3710. Para maiores informações sobre produtos, tabelas de custos operacionais e política de cobrança, favor acessar o nosso site: www.xpi.com.br.

A XP Investimentos CCTVM S/A, inscrita sob o CNPJ: 02.332.886/0001-04, é uma instituição financeira autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil.Toda comunicação através de rede mundial de computadores está sujeita a interrupções ou atrasos, podendo impedir ou prejudicar o envio de ordens ou a recepção de informações atualizadas. A XP Investimentos exime-se de responsabilidade por danos sofridos por seus clientes, por força de falha de serviços disponibilizados por terceiros. A XP Investimentos CCTVM S/A é instituição autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil.


Este site usa cookies e dados pessoais de acordo com a nossa Política de Cookies (gerencie suas preferências de cookies) e a nossa Política de Privacidade.