Sinais adicionais de recuperação (gradual) do mercado de trabalho

Embora a taxa de desemprego permaneça em patamares elevados, as estatísticas mais recentes do mercado de trabalho apresentam sinais de recuperação gradual. Os dados de emprego formal seguem sólidos, enquanto as categorias sem carteira assinada começam a se beneficiar da retomada do setor de serviços.


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Conforme publicado na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua) do IBGE, a taxa de desemprego brasileira permaneceu em 14,3% entre abril e maio, já descontadas as influências da sazonalidade. Segundo nossas estimativas, tanto a população ocupada total quanto a força de trabalho cresceram 0,6% no período (alcançando 87,1 e 101,6 milhões, respectivamente). Ou seja, o nível de emprego na economia doméstica vem aumentando, mas o contingente de pessoas em busca de trabalho também cresce (com a alta da mobilidade e as perspectivas de recuperação da atividade), o que limita os movimentos baixistas da taxa de desocupação. Apesar da melhora em maio, a população ocupada e a força de trabalho (População Economicamente Ativa – PEA) estão 7,6% e 4,5% abaixo dos níveis pré-pandemia.

Como sinal importante das estatísticas da PNAD de maio, o rendimento real efetivo médio registrou alta pelo terceiro mês consecutivo (1,1% em comparação a abril, chegando a R$ 2.535/mês), também com base em nossas estimativas dessazonalizadas. Desta forma, o indicador situa-se 1,2% abaixo do patamar anterior à crise sanitária. Por sua vez, a massa de rendimento real efetiva (combina rendimento médio com população ocupada) mostrou crescimento de 1,7% na margem, ficando 8,3% abaixo dos níveis observados no início de 2020. Isto é, os principais indicadores do mercado de trabalho doméstico seguem deprimidos em relação ao cenário observado antes da deflagração da pandemia, mas os resultados mais recentes apontam para recuperação gradual, que não deverá ser interrompida no 2º semestre.

Neste sentido, as categorias de emprego informal acompanhados pela PNAD Contínua continuam em rota de crescimento, ainda que a ritmo moderado, como reflexo do afrouxamento das restrições sanitárias da Covid-19 e da retomada do setor de serviços. Segundo nossos cálculos, a população ocupada informal cresceu 1,3% entre abril e maio (a segunda elevação mensal consecutiva, pois a publicação anterior exibiu variação positiva de 0,9%). Desta forma, o nível de emprego sem carteira assinada totalizou 36,7 milhões de pessoas – o contingente registrado antes da crise de saúde pública estava ao redor de 40,5 milhões.

Acreditamos que os principais indicadores de mercado de trabalho acompanhados pela PNAD exibirão melhoria paulatina nos próximos meses. O aumento da mobilidade, a elevação da confiança de empresários e consumidores, e a retomada dos serviços prestados às famílias (atividades bastante intensivas em trabalho) são os principais fatores que sustentam este prognóstico. Isto posto, prevemos que a população ocupada total retornará aos níveis pré-pandemia (ao redor de 93,5 milhões de pessoas) no 3º trimestre de 2022.

Por fim, projetamos que a taxa de desemprego encerrará 2021 em 13,0% (de 14,7% em 2020), com base na série dessazonalizada. Para o final de 2022, vemos a taxa de desocupação em 11,5%. Para as médias anuais, projetamos 13,8% e 12,4%. 

Em relação ao mercado de trabalho formal, vale destacar a divulgação dos dados do CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério da Economia) referentes a junho, que mostraram geração líquida de 309,1 mil vagas, acima das expectativas.

Em termos dessazonalizados, estimamos que o saldo de ocupações com carteira assinada aumentou de 267 mil em maio para 323 mil em junho. Com isso, a média móvel de 3 meses acelerou de 170 mil para 213 mil empregos no período, um ritmo bastante forte de geração de vagas.  

As contratações expandiram 1,7% entre maio e junho (de 1,59 para 1,62 milhão), após a elevação mensal bastante acentuada vista na publicação anterior (18,4%). Enquanto isso, o total de demissões recuou 2,2% no mesmo período (de 1,32 milhão para 1,29 milhão), permanecendo em níveis próximos aos observados no pré-pandemia (ao redor de 1,27 milhão). Tais resultados já descontam as influências da sazonalidade.

Mais uma vez, todos os principais setores econômicos apresentaram adição líquida de ocupações. O setor de serviços foi o principal destaque da leitura de junho, já que seu saldo mensal de empregos formais acelerou de 117 mil em maio para 132 mil em junho, segundo nossas estimativas que já expurgam os efeitos sazonais. Vale mencionar a expansão no saldo da atividade de “Serviços de Alojamento e Alimentação” (de 14 mil em maio para 26 mil em junho), como reflexo do afrouxamento de restrições de distanciamento social. O comércio também mostrou resultados animadores no período, pois a adição líquida de vagas com carteira assinada neste setor subiu de 73 mil em maio para 89 mil em junho.

Em nossa avaliação, a criação de empregos seguirá exibindo resultados sólidos nos próximos meses, como reflexo da (I) reabertura da economia, (II) demanda doméstica firme, (III) aumento da confiança do empresariado e (IV) nova edição do programa BEm (Benefício Emergencial para Manutenção do Emprego e da Renda).  

Segundo estimativas da Dataprev (empresa estatal vinculada ao Ministério da Economia), havia cerca de 2,1 milhões de trabalhadores formais com garantia de estabilidade em junho devido a acordos celebrados sob a primeira rodada do BEm, que vigorou entre abril e dezembro de 2020. Vale notar que o BEm promove estabilidade no emprego pelo dobro do tempo em que o governo federal paga parte dos salários dos trabalhadores, seja por suspensão de contrato ou redução proporcional de jornada e rendimentos. Em relação à segunda rodada do programa, iniciada no final de abril de 2021, cerca de 3,07 milhões de trabalhadores já foram contemplados (dados até 27/07). A expectativa do governo é celebrar entre 4 e 4,5 milhões de acordos empregatícios com a segunda edição do BEm.

Este programa tem sido bastante efetivo em limitar as demissões no mercado formal de trabalho desde maio de 2020, inclusive com números mensais de términos de contrato próximos aos totais observados antes da eclosão da crise da Covid-19. Por exemplo, a média de desligamentos mensais entre janeiro de 2019 e fevereiro de 2020 foi de 1,29 milhão, ao passo que a média registrada em abril de 2020 e junho de 2021 ficou em 1,31 milhão.

No primeiro semestre deste ano, o CAGED apresentou saldo mensal médio de 220 mil empregos com carteira assinada, considerando dados com ajuste sazonal. No segundo semestre, por sua vez, projetamos geração líquida mensal média ao redor de 150 mil vagas. Os efeitos paulatinos do menor número de acordos empregatícios regidos pelo BEm e (principalmente) a desaceleração no ritmo de contratações nos setores de serviços e comércio no 4º trimestre são as principais razões por trás dessas expectativas.

Portanto, projetamos criação líquida de 2,2 milhões de empregos formais em 2021.  

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