Recuperação firme do comércio no 2º trimestre

O comércio varejista mostrou resultados sólidos em maio, com expansão de vendas em praticamente todos os segmentos. Após contração no começo do ano, causada sobretudo pela piora da crise sanitária e restrições de mobilidade, o varejo brasileiro emite sinais de retomada relativamente rápida.


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Segundo dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC/IBGE) publicados nesta quarta-feira (07/07), as vendas no varejo brasileiro cresceram 3,8% em maio, um sinal adicional de retomada do setor após a contração aguda gerada pelo recrudescimento da crise sanitária no início deste ano – as vendas do comércio sofreram tombo de 9% em março, seguido de recuperação parcial em abril (aumento de 5,4%). Na comparação com maio de 2020, por sua vez, as vendas varejistas registraram expansão de 26,1%, mas vale ressaltar o efeito estatístico da base de comparação muito deprimida no 1º semestre do ano passado, quando a disseminação da Covid-19 culminou em forte retração do consumo das famílias.

As vendas no varejo apresentaram crescimento disseminado em maio. Nove dos dez segmentos varejistas acompanhados pelo IBGE tiveram expansão no mês, já descontadas as influências da sazonalidade. Apenas a atividade de “artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, perfumaria e cosméticos” exibiu queda (-1,4%), mas os resultados anteriores haviam sido bastante sólidos. Os destaques positivos foram os segmentos de “tecidos, vestuário e calçados”, “combustíveis e lubrificantes” e “outros artigos de uso pessoal e doméstico”, como pode ser observado na tabela logo abaixo.

Em nossa avaliação, a recuperação expressiva das vendas varejistas no 2º trimestre refletiu principalmente: (I) o aumento da mobilidade, em linha com a flexibilização das restrições de enfrentamento à pandemia; (II) a nova rodada de pagamentos de auxílio emergencial às famílias mais vulneráveis (ainda que em montante inferior ao observado em 2020); e (III) a retomada da confiança dos consumidores, dadas as perspectivas mais claras de recuperação da economia brasileira. E as vendas no varejo devem continuar em trajetória altista ao longo do 2º semestre, respaldadas pelos avanços na campanha de vacinação da população contra a Covid-19. No entanto, acreditamos que o ritmo de crescimento do comércio será mais moderado nos próximos meses, uma vez que maior proporção do consumo das famílias será direcionado ao setor de serviços (gastos com restaurantes, viagens, eventos, entre outros).

Por fim, projetamos que as vendas no varejo irão crescer 8,2% em 2021, após terem contraído cerca de 1,5% em 2020. A recuperação robusta do setor a partir do 2º trimestre contribuirá de forma relevante para o crescimento do PIB Brasileiro este ano, projetado em 5,2%.

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