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Zeina Latif: Quando faltam palavras

FHC nos ensinou a importância do diálogo institucional e da conversa com a classe política e com grupos representativos da sociedade, para governar, construir consensos e avançar com reformas. Não à toa ele foi o mais reformista dos presidentes. Temer resgatou o diálogo entre Executivo e Legislativo, e reformas foram aprovadas. Pecou na falta de […]

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FHC nos ensinou a importância do diálogo institucional e da conversa com a classe política e com grupos representativos da sociedade, para governar, construir consensos e avançar com reformas. Não à toa ele foi o mais reformista dos presidentes.

Temer resgatou o diálogo entre Executivo e Legislativo, e reformas foram aprovadas. Pecou na falta de comunicação com a sociedade. Para começar, não expôs a grave herança do governo anterior, principalmente nas contas públicas. O governo de transição e com baixa credibilidade optou pelo recolhimento. Essa decisão cobrou seu preço: a maioria da sociedade não reconhece o desastre de Dilma e a contribuição do governo Temer para a estabilidade econômica.

A campanha eleitoral está repleta de falas tortas que atrapalham o amadurecimento da sociedade, com ameaças às instituições, promessas inexequíveis e agenda econômica descabida. Os discursos das candidaturas mais competitivas poderão custar caro.

A retórica petista é exemplo de dor de cabeça contratada para o futuro.

A agenda econômica do PT produziu uma crise sem precedentes e enorme desestruturação de setores importantes, como o de energia, por conta de intervenção equivocada. O quadro só não foi mais grave por conta do legado de Lula I, que renegou a política econômica do PT, e porque houve o impeachment de Dilma interrompendo a agenda petista. Os erros não só são negados, como o programa petista insiste na mesma fórmula.

Alegam que Dilma estava no caminho certo, fechando os olhos para a rápida deterioração das contas públicas, os sinais de estagnação já em 2012 fazendo o Brasil descolar do resto do mundo e o aumento da inflação. Erros teriam sido “laterais” e apenas dois, segundo Fernando Haddad, dividindo a responsabilidade com a Fiesp: a desonerações sobre a folha e a redução forçada das tarifas de energia elétrica.

A crise econômica decorreria menos dos erros do PT, e mais da crise institucional, além do ajuste fiscal de Joaquim Levy em 2015. A sociedade foi às ruas por conta do fracasso da agenda econômica petista (enquanto agora as ruas estão quietas) e, bem ou mal, a política sancionou o desejo da sociedade. Quanto a Levy, por resistências do PT, seu ajuste foi superficial, o que levou à perda do grau de investimento pelo Brasil e ao agravamento da crise econômica já instalada.

Haddad alega que a oposição “sabotou” o governo Dilma, com liderança do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha; justo quem garantiu a aprovação das únicas medidas de ajuste fiscal de Dilma em 2015, as MPs 664 e 665, apesar da relutância petista.

O fim do fator previdenciário, que precisaria ser mantido até que se aprovasse a reforma da Previdência, teria sido culpa do PSDB. Caso todos os 63 parlamentares do PT tivessem apoiado o governo, o fator teria sido mantido por um voto.

Haddad defende a política de campeões nacionais, apesar do seu fracasso; seus conselheiros defendem a expansão de gastos públicos, ignorando a crise fiscal e suas consequências sobre a inflação (que voltará a subir sem ajuste fiscal) e o crescimento; e o PT promete revogar o legado de Temer, como a lei trabalhista, a regra do teto e as mudanças no marco regulatório do pré-sal, enquanto pretende suspender a política de privatização. Todas medidas na direção correta e fruto de debate público.

A negação dos erros compara-se à da campanha eleitoral de 2014. A ausência de autocrítica do PT tornará mais desafiadora a gestão da economia e o avanço de reformas, caso volte ao poder. O partido não tem bons quadros técnicos e terá dificuldades para atrair talentos para o time econômico, Banco Central, estatais, agências reguladoras e demais ministérios. A conquista de credibilidade entre investidores e empresários será desafiadora.

A moderação do discurso é esperada na descida do palanque. Mas é necessário ir além.

Caso eleito, o que Haddad fará para conquistar a confiança do País?

27 de Setembro de 2018

Fonte: Artigo replicado do Estadão

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