Produção industrial interrompe sequência de nove elevações seguidas

A queda da indústria frustrou expectativas. O setor automotivo se destacou negativamente, ao exibir recuo expressivo em fevereiro. As próximas divulgações também devem trazer números negativos, tendo em vista o impacto da pandemia. Porém, o encolhimento da indústria brasileira no curto prazo será mais suave do que o observado no 1º semestre de 2020.


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A produção industrial brasileira recuou 0,7% entre janeiro e fevereiro, já descontados os efeitos da sazonalidade, o que surpreendeu negativamente tanto nossa expectativa (0,1%) quanto o consenso de mercado (0,5%). Este resultado interrompeu uma sequência de nove elevações mensais consecutivas, que sucederam a aguda contração da indústria vista em abril do ano passado. Em relação a fevereiro de 2020, o volume produzido na indústria exibiu ligeira alta de 0,4%.

No que diz respeito às principais categorias industriais, o desempenho de ‘Bens Duráveis’ foi o grande destaque negativo em fevereiro (declínio de 4,6% ante janeiro e 8,4% ante fev/20), em grande medida devido ao tombo da produção de veículos automotores (-7,2% em fev/jan; -6,6% em fev-21/fev-20). Por outro lado, a produção da categoria de ‘Bens Intermediários’ mostrou expansão de 0,6% em relação a janeiro (e alta de 0,5% ante fev/20), evitando uma queda mais profunda da indústria geral.

Apesar do enfraquecimento da demanda por bens industriais no período recente, continuamos a avaliar que a produção industrial tem sido sustentada por um processo de recomposição de estoques, cujos níveis permanecem abaixo da média histórica – e de patamares desejáveis – para muitas cadeias manufatureiras. Por isso, a magnitude de contração na indústria no curto prazo provavelmente será menor do que nas vendas varejistas e no faturamento do setor de serviços.  

Com o recrudescimento da crise do coronavírus no Brasil, a atividade industrial tende a apresentar outros números negativos no curto prazo. Por exemplo, nossa estimativa preliminar para o desempenho da produção industrial em março é uma contração de 1,7% na comparação com fevereiro – vale ressaltar que ainda há poucos indicadores coincidentes divulgados para o mês. Apesar disso, a indústria doméstica ainda deverá mostrar algum crescimento no 1º trimestre de 2021 (+0,3% em relação ao 4º trimestre de 2020), após ajuste sazonal. Este desempenho positivo (embora modesto) do setor secundário explica, em grande medida, nossa expectativa preliminar de ligeiro aumento de 0,1% para o PIB Brasileiro nos primeiros três meses deste ano.   

Por fim, a possível escassez de insumos em alguns setores industriais permanece como um risco importante a ser monitorado ao longo dos próximos meses. Por ora, não prevemos problemas generalizados nas cadeias de suprimentos, o que corrobora nossa visão de que o encolhimento da produção industrial no curto prazo (dada a piora da pandemia e subsequentes restrições de mobilidade social) será mais suave do que o observado no 1º semestre de 2020.

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