IPCA apresenta deflação de 0,38% em maio


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IPCA registrou contração de 0,38% em maio, a maior deflação histórica do indicador desde agosto de 1998 (-0,51%). No acumulado de 12 meses, a inflação desacelerou de 2,40% em abril para 1,88% em maio.

Apesar da descompressão, o resultado veio acima tanto da nossa expectativa (-0,48%) quanto da expectativa de mercado coletada pela Bloomberg (-0,46%). O resultado foi influenciado principalmente pelos preços da gasolina, que apresentaram deflação de apenas 4,35% no mês (vs. expectativa de -6,30%), e pela inflação acima do esperado dos alimentos frescos (tubérculos, +5,65%, hortaliças, -1,62%, e frutas, -2,10).

O indicador, coletado de forma remota pelo IBGE (internet e telefone), trouxe alguns destaques que mostraram novamente os impactos do coronavírus sobre a economia brasileira. Os preços foram coletados entre 30 de abril e 28 de maio e comparados com os preços vigentes entre 31 de março e 29 de abril.

  • A inflação de bens não duráveis reduziu consideravelmente na passagem de abril (+1,06%) para maio (+0,11%), refletindo a desaceleração da busca por alimentos durante o isolamento social.
  • Os bens duráveis, por sua vez, apresentaram inflação de 0,50% no mês (vs. deflação de 0,87% em abril). Os principais destaques foram as categorias de eletrodomésticos (+1,98%) e Tv, som e informática (+4,57%).
  • Os bens semiduráveis apresentaram deflação em maio (-0,38%), com destaque para a categoria de vestuário (-0,58%).
  • A inflação de serviços continuou sendo impactada em boa medida pelo isolamento social e apresentou deflação de 0,45% em maio, influenciada principalmente pela descompressão de transportes (-1,90%).

Apesar da leitura levemente acima do esperado, todas as principais medidas de núcleo de inflação, que em linhas gerais expurgam os itens com mais volatilidade, recuaram em maio e permaneceram em patamares historicamente baixos.

Diante do resultado levemente acima das expectativas, revisamos a nossa projeção de IPCA de 0,7% para 0,8% em 2020. Continuamos acreditando que a inflação abaixo do esperado abrirá espaço para que o BC corte mais 0,75 pp na taxa Selic em sua próxima reunião (17 de junho).

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