IPCA-15 um pouco abaixo da expectativa, mas pressões altistas permanecem

O resultado do IPCA-15 de abril registrou alta de 0,60%, ligeiramente abaixo da nossa estimativa (0,63%) e da mediana das expectativas de mercado (0,66%). Apesar da pequena surpresa, ainda enxergamos pressões altistas no curto prazo.


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O resultado do IPCA-15 de abril registrou alta de 0,60%, ligeiramente abaixo da nossa estimativa (0,63%) e da mediana das expectativas de mercado (0,66%). O índice havia subido 0,93% no mês anterior e -0,01% em abril de 2020. Com isso, O IPCA-15 acumulou alta de 2,82% no ano (0,94% um ano antes), enquanto a variação em 12 meses subiu para 6,17% ante 5,52% em março. Apesar de levemente abaixo que o esperado por nós, balanço de riscos ainda aponta para pressões altistas no curto prazo.

Os preços livres subiram 0,26% no mês (0,33% em março), e a variação em 12 meses caiu de 5,57% no mês anterior para 5,46%. Os preços monitorados subiram 1,55% (após alta de 2,66% em março), e a variação em 12 meses atingiu 8,14% (5,31% em março). Entre os preços monitorados, a gasolina recuou para alta de 5,49%, após alta de 11,18% no mês passado. Entre os preços livres, os preços dos alimentos no domicílio aumentaram 0,19%, após queda de 0,03% em março; os preços industriais aumentaram 0,44% em abril e os preços dos serviços, 0,18%. Na comparação anual, os preços dos alimentos consumidos no domicílio subiram 15,07% (18,46% em março), os preços industriais atingiram 6,18% (4,61% em março), enquanto a inflação dos serviços aumentou 1,48% (1,56% em março).

Analisando por grupos do IBGE, a maior contribuição altista durante o mês veio de Transportes (0,36 p.p.), seguido por Alimentos e bebidas (0,08 p.p.), Habitação (0,07 p.p.) e Saúde e cuidados pessoais (0,06 p.p.). No grupo Transportes, a maior pressão de alta veio da gasolina, que subiu 5,49%, depois da alta de 11% no IPCA anterior. Esperamos que o produto migre para campo deflacionário no IPCA fechado do mês.

Os núcleos da inflação desaceleraram em relação ao mês anterior. A média das cinco medidas de núcleo acompanhadas pelo Banco Central (EX0, EX3, DP, MS e P55) subiu 0,33% (0,47% em março), e a variação anual foi de 3,63%. O índice de difusão (que mede a proporção dos produtos com variação positiva de preços) subiu para 59,49%, após atingir 58,70% em março.

Em suma, a leitura do IPCA-15 de abril veio abaixo da expectativa do mercado e levemente da nossa expectativa, mas, apesar disso, o balanço de riscos ainda é assimétrico para cima no curto prazo. O grupo alimentação acelera na margem, movimento que é parcialmente compensado pela descompressão temporária dos grupos transporte e vestuário. Os núcleos da inflação seguem pressionados, acima do compatível com a meta. O mesmo ocorreu com os bens industriais, que apesar da desaceleração, ainda cresceram 0,44% no mês e 6,18% na comparação anual.

Após incorporar os dados do IPCA-15 e outras informações contemporâneas, como coletas de preços, revisamos nossa projeção para o IPCA de abril para 0,28%, de 0,35%. Dentre as alterações promovidas na projeção mensal, reduzimos a variação esperada de produtos farmacêuticos (de 3% para 2,5%), vestuário (de 0,5% para 0,4%), etanol ( de -4% para -7%) e itens que repetem variação do IPCA-15 no IPCA fechado do mês, como aluguel residencial e condomínio (para 0,24% e 0,06%, de 0,42% e 0,33%, respectivamente).

Apesar da revisão baixista em abril, mantemos projeção de 4,9% de IPCA para 2021. Em parte, porque algumas altas não foram descartadas, apenas postergadas, como é o caso do reajuste de medicamentos e vestuário. Ou por antecipação de queda, como no caso do etanol. Ainda, vale pontuar que commodities agrícolas voltaram a subir com mais intensidade na última semana, assim como preços agropecuários nas coletas de preços no atacado. Isso gera pressão adicional para o grupo alimentação no domicílio.

Dessa forma, reduzimos o IPCA de abril de 0,35% para 0,28%, mas elevamos maio e junho para 0,41% e 0,44%, de 0,38% e 0,40%, respectivamente. A projeção para o ano permanece em 4,9%.

No balanço de riscos, há possibilidade de suspensão do reajuste de medicamentos. O senado tem na pauta da próxima quinta-feira, 29 de abril, o PL 939/2021 que suspende o reajuste de medicamentos. O texto já entrou em pauta no início do mês, mas foi retirado à espera de uma sessão de debates que aconteceu na semana passada. O relator da matéria ainda estuda a possibilidade de estender a proibição também aos planos de saúde.

O time de política da XP ouviu entre os líderes do Senado que ainda não há acordo para a votação da matéria. Caso aprovada, geraria impacto máximo, dado que nem todos os medicamentos estão com preço já no máximo autorizado e, portanto, tem espaço remanescente para reajustar, de -0,15 ponto percentual. Caso seja incluído também plano de saúde, então seriam retirados 0,24 ponto percentual.

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