Economia em Destaque: inflação volta a surpreender, Copom acelera alta de juros

Seu resumo semanal de economia no Brasil e no mundo


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Resumo

No cenário internacional, destaque para a decisão de juros do Banco Central Europeu, resultado abaixo do esperado do PIB dos EUA no terceiro trimestre e persistência dos riscos no mercado de crédito chinês.

No Brasil, a aceleração da inflação surpreendeu o mercado e nos fez revisar nossa estimativa de IPCA para 2021 para 9,5%. O Copom decidiu por acelerar a elevação da taxa de juros básica, resultando em Selic de 7,75% a.a. após alta de 1,5 p.p. Novo adiamento da votação da Pec dos Precatórios eleva percepção de risco fiscal de longo prazo.

Para a próxima semana, os destaques serão a decisão de juros do FOMC nos Estados Unidos e o possível anúncio do calendário do tapering (redução da compra de ativos pelo banco central). No Brasil, destaque para a divulgação da produção industrial de setembro e da ata da última reunião do Copom.

Atualizações Covid-19

No Brasil, o número de novos diagnósticos e óbitos apresentou leve queda em relação à semana anterior. Houve queda de 1,2% nos novos casos confirmados, chegando a 12.014 frente aos 12.158 da semana anterior, e queda de 7,4% nos óbitos, com 341 contra 369 de semana passada.

72,9% da população brasileira já está vacinada com ao menos a primeira dose, enquanto 54,1% já tomou 2 doses ou dose única da vacina.

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Cenário Internacional

Estados Unidos:  surpresa negativa no PIB do terceiro trimestre e impasses políticos

O PIB dos Estados Unidos cresceu a uma taxa anualizada de 2,0% no 3º trimestre, abaixo das expectativas do mercado (2,6%). A surpresa negativa decorreu principalmente das menores contribuições dos investimentos e estoques, enquanto o consumo das famílias registrou expansão acima do esperado (principalmente o consumo de serviços, que cresceu a uma taxa anualizada de quase 8%). Projetamos elevação de 5,3% para o PIB americano em 2021.

Os pedidos iniciais de auxílio-desemprego atingiram na semana passada o nível mais baixo desde o início da pandemia, indicando que o mercado de trabalho segue melhorando, o que deve continuar dando fôlego ao consumo adiante.  

O deflator das despesas de consumo pessoal (PCE) de setembro, medida de inflação preferida do Federal Reserve, apresentou alta de 0,3% no comparativo mensal, em linha com as expectativas.

Do lado da política, Joe Biden apresentou nesta quinta-feira (27) um novo esboço do Plano das Famílias Americanas/Build Back Better Act com valor de USD 1,75 trilhão na expectativa de unir as diferentes alas do partido democrata e destravar sua agenda econômica. Apesar de ter sido recebido com tom positivo pelos parlamentares, o projeto ainda terá que ser negociado.

Europa: manutenção da taxa de juros pelo BCE e risco inflacionário

Em anúncio de política monetária, o Banco Central Europeu (BCE) manteve suas taxas de juros de referência inalteradas, conforme amplamente esperado. A Presidente do BCE, Christine Lagarde, afirmou que a área do euro continua em rota de recuperação firme, a despeito de alguma perda de ímpeto no período recente. Além disso, Lagarde reforçou a avaliação de que a inflação mais alta tende a ser transitória, por conta da alta dos custos de produção.

China: riscos no mercado de crédito persistem

A crise da dívida no setor imobiliário da China continua pairando sobre o mercado. Nesta semana, outra incorporadora deu default em um papel em dólar, a Modern Land China Co, e o fundador da Evergrande irá pagar dívida da empresa com fortuna pessoal.

No campo diplomático, Janet Yellen (Tesouro americano) e Liu He (vice premier da China) fizeram nova rodada ao telefone, na qual houve algum progresso incremental nas negociações sobre economia e comércio, mas ainda há distância significativa entre o que querem os dois países. Vale destacar que permanecem diversos pontos de tensões entre os países que ameaçam o andamento das relações, entre eles as disputas no mar meriodional da China e Taiwan.

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Enquanto isso, no Brasil…

Inflação segue surpreendendo para cima

O índice de preços ao consumidor IPCA-15 subiu 1,20% em outubro (consenso: 1,0; XP: 0,96), impulsionado por altas acentuadas nos preços dos serviços. O índice de preços anual subiu para 10,34%, de 10,05% no mês anterior. Itens como aluguel, passagem aérea, hospedagem, cabeleireiro, entre outros, apresentaram reajustes de preços bem maiores do que o esperado.

A Petrobras reajustou o preço da gasolina e do diesel em aproximadamente 7% e 9%.

Assim, ajustamos nossa projeção de IPCA para 2021 de 9,1% para 9,5%.

Copom acelera o passo em resposta à piora do risco fiscal

No Brasil, o Copom elevou a taxa Selic em 1,5 pp, em linha com nossas expectativas e parte das projeções do mercado. O comunicado que acompanhou a decisão afirmou que o aumento do ritmo de aperto foi justificado “pela deterioração do balanço de riscos e pelo aumento das projeções de inflação”. O Copom foi claro em indicar que esta piora do balanço de riscos foi por conta da discussões sobre mudar as regras fiscais para permitir mais gastos no futuro.

Em nossa avaliação, a decisão é consistente com nosso cenário de uma taxa Selic em 11,00% ao final do ciclo de ajuste monetário. Esperamos que a Selic termine o ano de 2021 em 9,25%, com nova alta de 1,5 pp em dezembro.

Câmara posterga votação da PEC dos Precatórios

Não houve quórum na Câmara dos Deputados para a votação da PEC dos Precatórios, projeto que traz a texto mudanças no teto de gastos para permitir aumento dos programas de transferência de renda.  

O Governo sinalizou que, se a PEC não for votada, pode haver prorrogação dos auxílios emergenciais, que já são realizados fora do teto constitucional. No entanto, há um risco nesta estratégia, uma vez que os números da pandemia não indicam o cenário preocupante de 2020 ou do início deste ano.

Emprego segue em recuperação

Conforme divulgado pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do IBGE, a taxa de desemprego no Brasil atingiu 13,2% no trimestre móvel encerrado em agosto (de 13,7% na leitura anterior), abaixo da nossa estimativa e do consenso de mercado (ambos em 13,4%). Em termos dessazonalizados, calculamos que a taxa de desemprego recuou de 13,5% em julho para 13,1% em agosto. Projetamos a taxa de desemprego brasileira atingindo 12,6% ao final de 2021 e 12,2% ao final de 2022. A taxa média anual de desemprego deve ficar em 13,7% neste ano e 12,4% no próximo.

A pesquisa CAGED registrou adição líquida de 314 mil empregos formais em setembro, abaixo de nossa previsão e do consenso de mercado (335 mil e 355 mil, respectivamente), mas ainda em níveis muito encorajadores. O mercado de trabalho formal provavelmente permanecerá em uma trajetória ascendente consistente no futuro, embora em um ritmo mais moderado a partir do primeiro trimestre de 2022.

Reforma tributária do imposto de renda

No Brasil, o relator da Reforma do IR, Senador Angelo Coronel, disse em entrevista à imprensa que pretende separar a correção da tabela do IR para votá-la ainda neste ano. Com isso, nova tabela entraria em vigor em janeiro de 2022 e possivelmente aumentaria a faixa de isenção de R$ 1,9 mil para R$ 3 mil (acima dos R$ 2,5 mil aprovados na Câmara), além de promover a correção nas demais faixas. A perda estimada de arrecadação seria de R$ 15 bilhões, ainda sem fonte de compensação definida.

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O que esperar para semana que vem?

Do lado internacional, destaque para decisão de juros do comitê de política monetária americano (FOMC) e possível anúncio oficial do calendário de retirada dos estímulos. Os dados do mercado de trabalho nos EUA também concentrarão a atenção dos mercados.

No Brasil, seguiremos monitorando de perto a tramitação da Pec dos Precatórios no Congresso. Entre os indicadores econômicos, destaque para a produção industrial de setembro e para a ata da última reunião do Copom.

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