Economia em Destaque: cenário global segue marcado pela alta de custos, enquanto dados indicam atividade perdendo força no Brasil

Seu resumo semanal de economia no Brasil e no mundo


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Resumo

No cenário internacional, destaque para dados de inflação nos EUA, que trazem sinais mistos, e na China, que preocupam. Ainda, repercussões de acordo para tributação internacional e sanção de Biden a novo teto para a dívida americana, que dá um novo fôlego, mas não resolve problema do Tesouro.

No Brasil, cenário político agitado, com a CPI da Pandemia que se encaminha para o final, aprovação na Câmara de projeto que altera regras do ICMS de combustíveis e dados de atividade econômica mais fracos no mês de agosto, apesar de divulgação positiva em serviços.

Para semana que vem, dados de atividade econômica na China, o resultado da produção industrial e o Livro Bege nos EUA, e números de inflação na Zona do Euro são destaques internacionais. No Brasil, a política segue em foco, com atenção especial para tramitação da PEC dos precatórios na Câmara e do PL do ICMS de combustíveis no Senado, além de discussões sobre a possível extensão do auxílio emergencial este ano.

Atualizações Covid-19

O quadro nacional de coronavírus continua melhorando no Brasil. A média móvel de óbitos voltou a cair, com variação de -25,2% em relação à semana passada, saindo de 437 por dia para 327. O número de novos casos também apresentou queda, passando de 15.069 na última semana para 11.383, ou diminuição de 25,2%.

71,2% da população brasileira já está vacinada com ao menos a primeira dose, enquanto 48,3% já tomou 2 doses ou dose única da vacina.

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Cenário Internacional

Ministros das finanças das maiores economias do mundo caminham para imposto mínimo global

Os ministros das finanças das maiores economias do mundo endossaram um acordo global que visa reforçar a tributação de multinacionais por meio da criação de um imposto mínimo e de regras para tributação de lucros de empresas de tecnologia, abrindo o caminho para aprovação do projeto pelos chefes de estado em cúpula no final do mês.

Em paralelo, a secretária do Tesouro americano, Janet Yellen, espera que o Congresso do país avance na pauta via reconciliation, manobra que não requer votos republicanos. No entanto, diante da resistência de moderados e diversas divergências existentes nas discussões sobre o projeto, o ambiente é pouco favorável à inciativa.

Estados Unidos: inflação, ata do FOMC e elevação do teto da dívida

O principal destaque da semana foi a divulgação de dados de inflação de setembro.

Do lado dos preços ao consumidor, o CPI apresentou elevação de 0,4% entre agosto e setembro, levemente acima do esperado (0,3%), e acumulando alta de 5,4% em 12 meses. Já a medida de núcleo da inflação – exclui os itens voláteis de alimentos e energia – avançou 0,2% na comparação mensal, em linha com as expectativas (aumento de 4,0% em 12 meses). Os dados desagregados apresentaram sinais mistos, com destaque para a elevação significativa nos preços de alimentação no domicílio e em aluguéis, e queda acentuada dos preços de veículos usados e passagens aéreas.

O resultado reforça a avaliação de que os itens mais sensíveis às restrições de oferta (gargalos em cadeias de suprimentos) e à reabertura econômica irão mostrar descompressão ao longo dos próximos meses (ou seja, que os efeitos altistas são transitórios). Para o final de 2022, por sua vez, acreditamos que ambas as medidas irão retornar a níveis próximos a 2%, em linha com a expectativa de desaceleração da economia americana e normalização gradual das cadeias de insumos globais.

Enquanto isso, os preços pagos aos produtores dos EUA aumentaram em setembro em um ritmo mais moderado, sugerindo trégua nas pressões da cadeia de abastecimento e escassez de materiais que aumentaram o custo de produção. O índice de preços ao produtor para a demanda final aumentou 0,5% em relação ao mês anterior e 8,6% na comparação anual. Excluindo os componentes voláteis de alimentos e energia, o chamado núcleo do PPI subiu 0,2% no mês, e 6,8% em relação ao ano anterior.

Ainda em inflação e política monetária, a semana contou com a publicação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária nos Estados Unidos (FOMC), que indicou que o processo de redução gradual das compras de ativos por parte do Banco Central americano deve começar em breve. Mantemos a expectativa de que a autoridade monetária anunciará o plano de retirada gradual dos estímulos em sua reunião de 02-03 de novembro, com o início efetivo do processo em dezembro (prevemos diminuição paulatina de US$ 15 bilhões por mês nas compras de ativos, com a duração de oito meses).

A nosso ver, o primeiro movimento de alta de juros nos Estados Unidos ocorrerá apenas em 2023, provavelmente no segundo trimestre. Por fim, acreditamos que a taxa de juros neutra (equilíbrio de longo prazo) da economia americana está entre 1,75% e 2,00%.

Na seara da atividade econômica, os novos pedidos de seguro desemprego caíram para um novo mínimo durante a pandemia, indicando que empregadores estão tendo algum sucesso em reter trabalhadores em um mercado de trabalho apertado.

Finalmente, no campo político, o destaque da semana foi a sanção do Presidente Biden da medida que eleva teto da dívida americana em USD 480 bilhões, evitando assim um default dos Estados Unidos e dando fôlego para o Tesouro até dezembro, quando o tema terá que ser retomado pelo Congresso. No momento, lideranças democratas estudam alternativas, como a possibilidade de o Tesouro aumentar o teto por conta própria.

No Congresso, representantes democratas continuam tentando resolver divergências sobre o Plano das Famílias Americanas. Moderados procuram diluir o valor do projeto de USD 3,5 trilhões para cerca de USD 2 trilhões, mas enfrentam resistência da ala mais à esquerda do partido. A principal dificuldade é negociar quais artigos serão retirados do projeto. Enquanto isso, o Pacote de infraestrutura segue pendente de aprovação.

Europa: queda na produção industrial da Zona do Euro e crescimento da economia britânica em agosto

Na Zona do Euro, a produção industrial de agosto caiu 1,6% (consenso: -1,7%), enquanto a economia do Reino Unido voltou a crescer em agosto (0,4%), após contrair-se pela primeira vez em seis meses em julho, mantendo intactas as apostas do mercado financeiro de que o Banco da Inglaterra começará a aumentar as taxas de juros antes do final do ano.

China: disparo na inflação ao produtor levanta preocupações sobre inflação global

O crescimento das exportações da China acelerou mais que o esperado em setembro, registrando alta de 28,1% no comparativo anual (consenso em 21%), à medida que a demanda global ainda sólida compensou algumas das pressões sobre as fábricas devido à escassez de energia, gargalos de fornecimento e um ressurgimento de casos de COVID-19. As importações, por sua vez, vieram abaixo do esperado no período, com alta de 17,6% nos últimos 12 meses (consenso em 21,5%).

Já na seara inflacionária, o Índice de Preços ao Produtor da China (PPI, na sigla em inglês) registrou elevação anual de 10,7% em setembro, atingindo o patamar mais alto desde novembro de 1995, puxado principalmente pela disparada dos preços do carvão e de produtos intensivos em energia. Enquanto isso, o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) recuou de 0,8% em agosto para 0,7% em setembro (consenso: 0,8%), devido sobretudo à menor taxa de variação dos preços de alimentos. Consequentemente, a diferença entre os índices de preços ao produtor e ao consumidor da China atingiu 10 p.p. em setembro (de 8,7 p.p. em agosto), a mais ampla desde 1993.

O aumento expressivo dos preços ao produtor na China (líder em exportações no mundo) adiciona riscos relevantes ao cenário de inflação global nos próximos meses.

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Enquanto isso, no Brasil…

Câmara aprova mudança no ICMS de combustíveis

A câmara aprovou nesta semana projeto de lei parlamentar que institui mudança na regra para tributação do ICMS de combustíveis. Pelo texto, passa a ser cobrada uma alíquota fixa por 12 meses, determinada pelo estado, sobre o preço médio do combustível praticado nos últimos dois anos, havendo também a previsão de um teto para esse valor, correspondente à alíquota cobrada em 31 de dezembro de 2020, aplicada o preço médio cobrado em 2019 e 2020.

Segundo o parecer do deputado Dr. Jaziel, poderá haver redução média de 8% na gasolina comum, 7% no etanol hidratado e 3,7% no diesel tipo “B”. A aprovação significa vitória do discurso de Jair Bolsonaro, que vem responsabilizando governadores pela alta do preço dos combustíveis e demonstra força de Arthur Lira, que promoveu a votação mesmo com resistência de governadores e de algumas bancadas de centro.

O texto agora segue para o Senado, que tem demonstrado menor alinhamento com a agenda do governo e onde a pressão de governadores costuma ter efeito maior.

CPI da Pandemia se encaminha para a conclusão

O relatório final da CPI da Pandemia, que deve ser apresentado pelo senador Renan Calheiros na próxima semana, deverá pedir o indiciamento do presidente Jair Bolsonaro por 11 crimes, dentre eles, os de charlatanismo, prevaricação, responsabilidade e infração de medidas sanitárias preventivas.

Impactos sobre o IPCA com possível mudança de bandeira

O presidente Bolsonaro declarou que irá determinar ao ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, que “volte à bandeira normal a partir do mês que vem.”. A visão do presidente é que houve melhora na situação hidrológica por conta das chuvas recentes. A estimativa da XP é que o impacto para o IPCA pode variar de -0,31pp, se retornar à bandeira vermelha 2, até -0,95pp, se para a bandeira verde. Mas na nossa avaliação, nível dos reservatórios ainda é bastante crítico e não permite o desligamento das térmicas, cujo custo se elevou com alta no preço de gás. Dessa forma, a retirada da bandeira escassez hídrica antes de abril/22 é pouco provável.

Arrefecimento da atividade econômica em agosto apesar de crescimento em serviços

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) recuou 0,15% entre julho e agosto (consenso: -0,1%; XP: 0,1%). Em comparação a agosto de 2020, a proxy mensal do PIB registrou crescimento de 4,7% (consenso: 4,9%; XP: 5,2%). Apesar do resultado positivo na Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), divulgada pelo IBGE na quinta-feira, 14, , que registrou alta de 0,5% em agosto (consenso:  0,3%; XP: 0,2%) e de 16,7% no comparativo anual (consenso: 16,1%; XP: 15,9%), o IBC-Br foi puxado para baixo pelos resultados negativos da indústria e vendas no varejo (divulgados na semana passada).

Nossa projeção preliminar para o IBC-Br de setembro sugere declínio de 0,3% em comparação a agosto e aumento de 1,8% em relação a setembro de 2020. Por ora, estimamos crescimento de 0,4% para as receitas reais do setor de serviços (PMS), crescimento de 0,7% para as vendas reais do varejo ampliado (PMC), após contração de 2,5% em agosto e contração de 0,6% para a produção industrial (PIM). Se nossa projeção para o IBC-Br de setembro estiver correta, o indicador mostrará estabilidade no 3º trimestre deste ano em comparação ao trimestre anterior (aumento de 4,0% ante o 3º trimestre de 2020).

Por fim, esperamos que o PIB do 3º trimestre (a ser divulgado em 02/12) mostre crescimento de 0,3% em relação ao trimestre imediatamente anterior, após ajuste sazonal (elevação de 4,7% ante o 3º trimestre de 2020). Nossa estimativa estava em 0,7% t/t (5,2% a/a) há um mês. Com isso, nossa projeção atual para o crescimento do PIB em 2021 (5,3%) tem claro viés de baixa.

Para o PIB de 2022, por sua vez, mantemos a expectativa de crescimento de 1,3%. Para mais informações sobre nosso cenário de atividade econômica, confira a edição de outubro do nosso relatório Brasil Macro Mensal.

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O que esperar para semana que vem?

No cenário internacional, destaque para a China, que terá divulgações do PIB do terceiro trimestre, de vendas no varejo e produção industrial de setembro. A atenção com a atividade econômica chinesa se dá na esteira da crise energética global. Nos Estados Unidos, destaque para publicação do Livro Bege pelo FED, além de dados de produção industrial de setembro. Na Zona do Euro, os principais indicadores da próxima semana serão inflação ao consumidor de setembro e as prévias dos índices de gerentes de compras (PMIs).

No Brasil, a política segue em foco, com atenção especial para tramitação da PEC dos precatórios na Câmara e do PL do ICMS de combustíveis no Senado, além de discussões sobre a possível extensão do auxílio emergencial este ano. Na seara de indicadores, possivelmente teremos a divulgação da arrecadação federal de setembro.

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