XP Expert

Zeina Latif: Desconectados?

Apesar de muito se falar do apoio parlamentar a Michel Temer, o quadro no Congresso não tem sido favorável para a agenda fiscal. Desde a aprovação da PEC do Teto (com importante trabalho de seu relator na Câmara, o deputado Darcísio Perondi), nenhuma matéria de ajuste das contas públicas avançou. A julgar pelas matérias na […]

Compartilhar:

  • Compartilhar no Facebook
  • Compartilhar no Twitter
  • Compartilhar no Whatsapp
  • Compartilhar no LinkedIn
  • Compartilhar via E-mail

Apesar de muito se falar do apoio parlamentar a Michel Temer, o quadro no Congresso não tem sido favorável para a agenda fiscal. Desde a aprovação da PEC do Teto (com importante trabalho de seu relator na Câmara, o deputado Darcísio Perondi), nenhuma matéria de ajuste das contas públicas avançou.

A julgar pelas matérias na imprensa, o Congresso não apoia o aumento de impostos e o corte de despesas, enquanto busca alívio tributário, como evidenciado nas discussões em torno da reoneração da folha, do Refis e do Funrural. Tampouco discute cortar despesas do Poder Legislativo. A conta não fecha.

Temendo o resultado das eleições de 2018, os congressistas em sua maioria dificultam as negociações para a aprovação de medidas de ajuste fiscal, como a reforma da previdência. Curioso muitos não terem ainda entendido que o dinheiro acabou e que serão responsabilizados pelo colapso fiscal e suas consequências na economia.

A gravidade da crise fiscal está cada vez mais explícita pelas consequências práticas no funcionamento do Estado. A dramática experiência do Rio de Janeiro, com o colapso dos serviços públicos, é didática. Sem reformas, o governo federal vai virar Rio de Janeiro, não em 10 anos, mas já nos próximos anos.

Ainda que a sociedade, naturalmente, não compreenda temas tecnicamente complexos relacionados às reformas fiscais, há percepção que ajustes precisam ser feitos para garantir o funcionamento da máquina pública.

As lentes do Congresso precisam de ajuste. Não apenas pelo usual foco no curto prazo, difícil de mudar, mas porque este também carece de maior nitidez. A fragilidade das contas públicas está mais transparente para sociedade do que muitos pensam. Sinal disso é a ausência de grandes mobilizações contra a PEC do Teto, a reforma trabalhista e mesmo a reforma da previdência. Mostra o quanto a economia é um assunto central para a sociedade.

A bronca da sociedade com a classe política, em boa medida, decorre da desconexão com os problemas econômicos. Negar o problema fiscal talvez seja mais grave do que aprovar reformas polêmicas.

É possível que muitos parlamentares interpretem a calmaria no mercado financeiro, refletido na bolsa e no dólar, como evidência de que o governo e os analistas exageram quanto à urgência de reformas fiscais, de forma que não haveria grandes consequências deixá-las para o próximo mandato presidencial. No entanto, é importante reconhecer que os riscos de estresse irão aumentar conforme nos aproximarmos de 2018, dado o desafio do próximo presidente. O mercado não aceita desaforo por muito tempo e pode mudar suas convicções rapidamente. Isso tornaria o quadro eleitoral mais ruidoso e poderia reduzir as chances de reeleição dos congressistas.

Para que posturas individualistas dos parlamentares não levem a decisões equivocadas no Congresso, o papel aglutinador das lideranças políticas é essencial, e precisa ser reforçado. A transparência na comunicação do governo sobre a gravidade do quadro fiscal é importante ingrediente, inclusive para reduzir o risco de aventuras em 2018.

O governo deveria ter sido mais transparente desde o início. Deveria ter deixado claro as consequências da combinação da má gestão de Dilma e do envelhecimento da população pressionando os gastos com a Previdência.

Aos poucos isso vem mudando. Algo que não estava no radar foi explicitado: a chamada “regra de ouro”. Amparada na Constituição Federal, ela proíbe operações de crédito que excedam as despesas de capital, ainda que com algumas ressalvas. Em outras palavras, gastos correntes não podem ser financiados com emissão de dívida pública. Segundo o governo, a margem para atendimento da regra se estreita rapidamente, sendo que não atendê-la implica incorrer em crime fiscal. Não vai ter quem aceite ser ministro da Fazenda e do Planejamento diante deste risco.

É positivo que as várias restrições orçamentárias fiquem claras para os parlamentares e a sociedade. Certamente ajudarão a colocar de vez o ajuste fiscal no foco do Congresso.

24 de Agosto de 2017

Fonte: Artigo replicado do Estadão

XPInc CTA

Se você ainda não tem conta na XP Investimentos, abra a sua!

XP Expert

Avaliação

O quão foi útil este conteúdo pra você?


Newsletter
Newsletter

Gostaria de receber nossos conteúdos por e-mail?

Cadastre-se e receba grátis nossos relatórios e recomendações de investimentos

Telegram
Telegram XP

Acesse os conteúdos

Telegram XP

pelo Telegram da XP Investimentos

Disclaimer:

Este relatório foi preparado pela XP Investimentos CCTVM S.A. (“XP Investimentos”) e não deve ser considerado um relatório de análise para os fins do artigo 1º na Resolução CVM 20/2021. Este relatório tem como objetivo único fornecer informações macroeconômicas e análises políticas, e não constitui e nem deve ser interpretado como sendo uma oferta de compra/venda ou como uma solicitação de uma oferta de compra/venda de qualquer instrumento financeiro, ou de participação em uma determinada estratégia de negócios em qualquer jurisdição. As informações contidas neste relatório foram consideradas razoáveis na data em que ele foi divulgado e foram obtidas de fontes públicas consideradas confiáveis. A XP Investimentos não dá nenhuma segurança ou garantia, seja de forma expressa ou implícita, sobre a integridade, confiabilidade ou exatidão dessas informações. Este relatório também não tem a intenção de ser uma relação completa ou resumida dos mercados ou desdobramentos nele abordados. As opiniões, estimativas e projeções expressas neste relatório refletem a opinião atual do responsável pelo conteúdo deste relatório na data de sua divulgação e estão, portanto, sujeitas a alterações sem aviso prévio. A XP Investimentos não tem obrigação de atualizar, modificar ou alterar este relatório e de informar o leitor. O responsável pela elaboração deste relatório certifica que as opiniões expressas nele refletem, de forma precisa, única e exclusiva, suas visões e opiniões pessoais, e foram produzidas de forma independente e autônoma, inclusive em relação a XP Investimentos. Este relatório é destinado à circulação exclusiva para a rede de relacionamento da XP Investimentos, incluindo agentes autônomos da XP e clientes da XP, podendo também ser divulgado no site da XP. Fica proibida a sua reprodução ou redistribuição para qualquer pessoa, no todo ou em parte, qualquer que seja o propósito, sem o prévio consentimento expresso da XP Investimentos. A XP Investimentos não se responsabiliza por decisões de investimentos que venham a ser tomadas com base nas informações divulgadas e se exime de qualquer responsabilidade por quaisquer prejuízos, diretos ou indiretos, que venham a decorrer da utilização deste material ou seu conteúdo. A Ouvidoria da XP Investimentos tem a missão de servir de canal de contato sempre que os clientes que não se sentirem satisfeitos com as soluções dadas pela empresa aos seus problemas. O contato pode ser realizado por meio do telefone: 0800 722 3710. Para maiores informações sobre produtos, tabelas de custos operacionais e política de cobrança, favor acessar o nosso site: www.xpi.com.br.

A XP Investimentos CCTVM S/A, inscrita sob o CNPJ: 02.332.886/0001-04, é uma instituição financeira autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil.Toda comunicação através de rede mundial de computadores está sujeita a interrupções ou atrasos, podendo impedir ou prejudicar o envio de ordens ou a recepção de informações atualizadas. A XP Investimentos exime-se de responsabilidade por danos sofridos por seus clientes, por força de falha de serviços disponibilizados por terceiros. A XP Investimentos CCTVM S/A é instituição autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil.


Este site usa cookies e dados pessoais de acordo com a nossa Política de Cookies (gerencie suas preferências de cookies) e a nossa Política de Privacidade.