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Zeina Latif: Comunicado do Copom de abril

O Banco Central aumentou o ritmo de corte da taxa Selic, confirmando nossa expectativa na leitura da decisão passada (fevereiro), quando atribuímos maior probabilidade de um corte de 100bp. A análise se baseava apenas na mensagem do comunicado do Copom, mas também na avaliação que os dados de atividade deveriam decepcionar, enquanto a inflação ao […]

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O Banco Central aumentou o ritmo de corte da taxa Selic, confirmando nossa expectativa na leitura da decisão passada (fevereiro), quando atribuímos maior probabilidade de um corte de 100bp. A análise se baseava apenas na mensagem do comunicado do Copom, mas também na avaliação que os dados de atividade deveriam decepcionar, enquanto a inflação ao consumidor continuaria a surpreender favoravelmente.

No comunicado de ontem, o Copom afirma que “essa intensificação moderada (no corte da Selic) … mostra-se, no momento, adequada.” Ou seja, o BC não pretende, em princípio, acelerar novamente o ritmo de corte.

Os fatores de risco para a extensão do ciclo de relaxamento monetário seguem os mesmos: tudo que pode afetar as expectativas inflacionárias.

O BC parece menos preocupado com o cenário internacional, afirmando que há fatores que mitigam o efeito da alta de juros do Fed. Concordamos com a avaliação. O crescimento mundial ganha ímpeto suavemente e de forma sincronizada entre emergentes e economias avançadas, criando um ambiente propício para uma taxa de câmbio bem comportada.

Sobre a atividade econômica, o Copom mantém-se neutro. Vê sinais de estabilização, e não de retomada por ora. Estabilização, na nossa opinião, é a melhor das hipóteses. É necessário lembrar que a atividade hoje está reagindo, grosso modo, à taxa de juros de 3 a 6 meses atrás. Ainda que a produção agrícola e alguma recomposição de estoques ajude o PIB do primeiro trimestre, o quadro ainda seria de contração da demanda interna, mesmo que mais moderada.

Sobre a inflação, o Copom identifica um processo de desinflação ainda em curso, devendo o IPCA este ano fechar em 4,1%, de acordo com seu modelo e também com as expectativas do mercado. O BC cita também o choque benigno da inflação de alimentos e seu efeito baixista sobre a inflação de outros itens da cesta do consumidor. Importante reforçar que haverá, por um tempo ainda, o efeito de condições monetárias restritivas deprimindo a atividade e, portanto, a inflação. Vale citar que o baixo dinamismo no mercado de crédito, um importante canal de transmissão da política monetária, reforça esse avaliação.

O BC reafirma a importância das reformas e seu impacto na redução da taxa de juros estrutural (aquela que mantém a inflação estável) e reforça a discussão sobre a velocidade do corte de juros ou, como colocado, o grau de antecipação do ciclo. O documento afirma que “a atual conjuntura econômica recomenda monitorar a evolução dos determinantes do grau de antecipação do ciclo.” O BC já considera 100 bp uma antecipação de ciclo. Não parece aqui que ele realmente avalia uma nova aceleração do corte na próxima reunião.

O Copom tampouco pensa em reduzir o ritmo por ora. Provavelmente o BC acelerou o corte para 100bp porque enxerga que esta velocidade será adequada por algum tempo. Essa percepção vai ao encontro de sua projeção de inflação em 4,5% em 2018 com a Selic em 8,5%. As incertezas em relação ao conteúdo da proposta da reforma da previdência aumentaram e poderiam levar o BC a desacelerar o ritmo. Não parece ser o caso por ora.

Conforme a taxa Selic caminhar para um dígito (e isso deverá ocorrer em julho), o BC poderá adotar um tom mais conservador, sinalizando cortes mais modestos, buscando uma “sintonia fina” da política monetária. Mas não é para já. A política monetária ainda está no campo contracionista.

13 de Abril de 2017

Fonte: Artigo replicado do Estadão

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