Disney, Nike e Comcast: quando a economia antiga encontra a nova

Conheça três empresas com presença global, visão de longo prazo e sólido histórico de lucratividade, inovação e competitividade


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O que a Disney, Nike e Comcast tem em comum? Além de estarem presentes nos segmentos de entretenimento, esportes e parques de diversões, são empresas de qualidade e que tem adotado cada vez mais a tecnologia como motor de seus negócios. Essas empresas estão na intersecção entre a economia “antiga” (setores tradicionais) e a nova (tecnologia) e, com DNA de inovação, tem feito proativamente um trabalho que hoje em dia é fundamental: adaptação aos novos tempos.

Após a forte recuperação da bolsa americana, puxada principalmente pelas empresas de tecnologia (FAAMGs: Facebook, Apple, Amazon, Microsoft e Google) alguns setores ficaram para trás. Em toda crise existem oportunidades e dessa vez não é diferente. É possível identificar empresas de qualidade, com boas perspectivas de longo prazo, e que tiveram seus preços descontados durante a crise.

Sabemos que, além de uma marca forte, a capacidade de execução, inovação e saúde do balanço também são fatores essenciais para a sustentabilidade do crescimento e dos lucros no longo prazo. Conheça, abaixo, 3 destaques.

Disney: quase 100 anos de inovação

Com mais de 96 anos de história, iniciou suas atividades no segmento de estúdio e entretenimento, desenvolvendo conteúdo de filmes e músicas para diversos públicos. A empresa atua nos segmentos de TV por assinatura (35% das receitas), parques de diversão e hotéis (37%), estúdio e entretenimento (15%) e venda de produtos com a marca Disney (13%).

Apesar de parques parados, a companhia continua bem posicionada estruturalmente e com vantagens competitivas de longo prazo intactas. O forte nome, combinado com a produção de animações num mundo onde pessoas consomem cada vez mais conteúdo digital, devem ser uma fórmula poderosa para a companhia gerar valor e lucro no longo prazo. Além disso, a recente reabertura parcial do parque de diversões em Shanghai passa um sinal otimista para o mercado em relação à retomada das operações.

Como uma empresa de quase 100 anos continua crescendo e se destacando? Resposta: inovação. O recente lançamento do Disney+ (serviço de streaming que oferece conteúdo da Disney, Marvel, Lucasfilm, Pixar e National Geographic) por US$ 7 mensais contra US$ 13 do Netflix é um exemplo disso. Além da aquisição do Hulu e assinaturas ESPN+.

Também é interessante notar a penetração de um serviço recém lançado em um público tão relevante. Quase 30% do mercado alvo existente nos EUA já assina Disney+ e 37% Hulu.

Nike: um exemplo de transição para o comércio eletrônico

Marca global especializada em design, desenvolvimento e comercialização de calçados, roupas, e outros acessórios esportivos com presença global. 96% das receitas são representadas pela venda de calçados (marcas Nike e Converse) e roupas, enquanto a presença global é perceptível com quase 60% das vendas acontecendo fora da América do Norte (AN).

Hoje, a produção de sapatos da companhia não é mais tão dependente da China (23%), pois migrou boa parte para o Vietnam (49%), o que a protege de tensões comerciais entre EUA e China e diminui riscos de trabalho irregular.

A empresa está bem posicionada frente aos competidores, onde uma marca forte combinada com uma estratégia disruptiva de vendas digitais sustentam o crescimento, inclusive com expansão de margens dada a diluição de custos e maior lucratividade (alavancagem operacional).

Este crescimento continuará a vir de diversas regiões onde atua e de diferentes produtos, considerando os benefícios de escala na distribuição global, ao mesmo tempo em que as vendas via o canal direto Nike.com (B2C – fidelização via vendas diretas a consumidores) vem ganhando espaço (cresce 35% ao ano). O grupo pretende tornar o canal direto responsável por 50% das receitas até 2023, sendo que atualmente responde por 31%, o que impulsionará as margens.

As vendas no mercado Chinês, 10% de penetração, são chave para a manutenção do crescimento, e o foco em iniciativas digitais, produtos de maior qualidade frente marcas locais e lojas monomarca tem sido fundamentais para o fortalecimento da marca e poder de precificação. Além do cenário construtivo no mundo dos esportes, outros fatores podem ajudar a gerar crescimento adicional, como o aumento do poder de compra de consumidores mais jovens, sobretudo na China, e maior penetração no segmento premium de vestuário e itens femininos em diversas regiões.

Comcast: uma história de substituição de TV por internet

Comcast é um grupo que engloba fornecimento de internet banda larga, mídia e entretenimento, com presença global. O modelo de negócios da Comcast é dividido em 3 segmentos.

1) Xfinity: produto de conectividade e entretenimento, oferece assinatura de internet de alta velocidade, TV, conexão mobile, Wi-Fi, e plataforma de streaming.

2) NBCUniversal é o setor que abrange os parques temáticos e resorts da Universal e as receitas de distribuição de filmes e séries. Incluem-se também as receitas com propaganda nos canais da empresa, como o CNBC e transmissões esportivas.

3) Sky, uma das líderes europeias de mídia e entretenimento com 24 milhões de clientes.

A companhia está bem posicionada para se beneficiar de expansão de receitas com custos controlados, principalmente no setor de internet e banda larga, dado que já tem toda uma infraestrutura construída e é um negócio altamente escalável.

Mesmo que a tendência de enfraquecimento da TV tradicional se acelere (o que significa perda em partes dos negócios da empresa), a Comcast estaria bem posicionada, por outro lado, para fornecer internet de alta velocidade e dessa forma participar das mudanças nas preferências de consumo que estão em curso.

Saiba como ter exposição ao retorno dessas empresas:

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