Taxa Referencial: Descubra o que é TR e Como Calcular

A Taxa Referencial, também conhecida como TR, foi criada com o objetivo de servir de referência para as demais taxas de juros no Brasil.


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A Taxa Referencial, também conhecida como TR, foi criada com o objetivo de servir de referência para as demais taxas de juros no Brasil.

Atualmente, a taxa Selic desempenha o papel desta taxa de juros. Mesmo assim, a TR ainda é utilizada como parte da indexação de ativos como, por exemplo, FGTS, poupança e títulos de capitalização.

No passado, alguns títulos públicos como a NTN-P e a NTN-H, possuíam parte dos rendimentos atrelados à Taxa Referencial. Estes ativos não são mais comercializados, mas ainda há investidores que ainda os têm em suas carteiras.

Em outubro de 2019, a Taxa Referencial estava em 0,0%. Desde 2018, ela tem apresentado este mesmo valor, ou seja, encontra-se em estabilidade.

Mesmo assim, é fundamental entender seu funcionamento, seu histórico e de que maneira ela pode afetar seu capital. Veja o que preparamos para você:

  • O que é Taxa Referencial (TR)?
  • Qual é o valor da TR?
  • Taxa TR histórica – mensal e anual
  • Como a TR afeta os investimentos

O que é Taxa Referencial (TR)?

A Taxa Referencial é uma taxa de juros criada com o objetivo de controlar a inflação e desindexar a economia.

Na década de 1990, durante o governo Collor, o Brasil sofreu com a hiperinflação. Em 1993, a inflação chegou a 2.447,15% ao ano.

Lembre-se que a maioria dos contratos, como salários e poupanças, costumam ser corrigidos ou indexados ao IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo).

Assim, considere uma inflação de 1.620% ao ano, como foi a registrada em 1990. Se seu salário fosse de R$ 5.000,00 por mês, em 1991 ele seria corrigido para R$ 81.000,00.

Mesmo o salário tendo sido ajustado, os gastos cresceram em velocidade tão alta quanto ele. Assim, a indexação causou ainda mais inflação.

Para conter esse movimento, a equipe econômica de Collor criou a Taxa Referencial para substituir as correções pelo IPCA.

Mesmo assim, o plano fracassou e a inflação só foi devidamente controlada em 1994, com a criação do Plano Real no governo de Itamar Franco.

No novo modelo, implantado pelo então Ministro da Fazenda (e, posteriormente, Presidente da República) Fernando Henrique Cardoso, a Taxa Referencial deixou de ser utilizada para controlar o IPCA, dando lugar à taxa Selic.

Hoje, quando a inflação está em ritmo de subida, a taxa Selic também aumenta, com o objetivo de barrar esse movimento. Se o objetivo é incentivar o consumo, a taxa básica de juros cai.

Ao longo do anos, a TR sofreu diversas mudanças no seu cálculo, até chegar ao modelo utilizado atualmente, que será mostrado neste artigo.

Como a taxa TR afeta a poupança?

A Taxa Referencial é utilizada para incrementar os rendimentos da poupança. Então, se este indexador subir, os retornos também aumentam.

Com a TR em 0,0%, tem-se apenas a rentabilidade proveniente da taxa Selic, segundo o modelo atual do cálculo da caderneta.

No passado, como a Taxa Referencial costumava ser alta, a poupança configurava como uma boa opção para guardar dinheiro.

Atualmente, existem opções de investimento mais vantajosas, como Tesouro Direto, ações e Fundos de Investimentos.

Como surgiu o CDI?

O CDI (Certificado de Depósito Interbancário), ou taxa DI, costuma influenciar no custo do dinheiro. Foi criado no início da década de 1980 com o objetivo de melhorar a liquidez dos bancos.

Basicamente, eles são empréstimos de curtíssimo prazo (1 dia útil), realizados apenas entre os bancos. Isso é necessário para que estas instituições fechem o dia sem excesso ou com falta de dinheiro em caixa.

O valor do CDI é definido diariamente, com base no valor da taxa Selic, pois estas operações interbancárias não devem gerar lucros. Geralmente, este indexador é cerca de 0,2% abaixo da taxa básica de juros.

O CDI também pode ser utilizado no rendimento de investimentos, como o CDB (Certificado de Depósito Bancário), LC (Letra de Câmbio) e CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários).

Qual é o valor da TR?

O valor atual da Taxa Referencial, referente à outubro de 2019, é de 0,0% ao mês e também ao ano.

A sua metodologia de cálculo passou por mudanças em 2018. Anteriormente, ela se baseava nos juros diários dos CDBs prefixados de grandes bancos.

Na sua nova fórmula, são levados em consideração os juros do Tesouro Selic, que são indexados pela taxa Selic.

Para calcular a Taxa Referencial, basta utilizar a seguinte equação:

TR = 100 x {[((1 + TBF) / 100) / R] – 1}

Além disso, você precisa calcular a variável R, que é o redutor, através da fórmula:

R = (a + b) x TBF

Onde:

  • a: é uma constante de valor 1,005
  • b: é definido pelo TBF e divulgado pelo Banco Central (BC)
  • TBF: esta é a tarifa básica financeira divulgada diariamente pelo BC

De acordo com as normas do Banco Central, a Taxa Referencial não pode ter valores negativos. Caso isso aconteça, a TR será zero.

Taxa TR histórica – Mensal e Anual

Para entender ainda melhor sobre como a Taxa Referencial pode influenciar sua vida, é fundamental conhecer seu histórico.

Apesar de hoje a TR estar em seu menor patamar histórico, ela já alcançou valores elevados e ainda é utilizada em alguns ativos brasileiros.

TR Mensal 2019

MêsTaxa Referencial (%)
Janeiro0,0
Fevereiro0,0
Março0,0
Abril0,0
Maio0,0
Junho0,0
Julho0,0
Agosto0,0
Setembro0,0
Outubro0,0
Acumulado do ano0,0

Taxa Referencial em 2019 – Fonte: Banco Central

Em 2019, até o mês de outubro, a Taxa Referencial está acumulada em 0,0%. Em todos os meses, ela registrou esse mesmo valor.

O resultado se deve à influência da taxa Selic sobre a TR. No seu cálculo, há a variável da Tarifa Básica Financeira (TBF).

Ela é definida de acordo com a taxa básica de juros vigente. Então, se a taxa Selic cair, a Taxa Referencial tende a permanecer no patamar atual. Do contrário, a subida dos juros faria com que a TR também aumentasse.

Caso esse cenário se concretize, a Taxa Referencial deverá fechar o ano em 0,0%.

TR Mensal 2018

MêsTaxa Referencial (%)
Janeiro0,0
Fevereiro0,0
Março0,0
Abril0,0
Maio0,0
Junho0,0
Julho0,0
Agosto0,0
Setembro0,0
Outubro0,0
Novembro0,0
Dezembro0,0
Acumulado do ano0,0

Taxa Referencial em 2018 – Fonte: Banco Central

Em 2018, a Taxa Referencial fechou em 0,0% no ano todo. Assim, todos os ativos que tinham a TR como parte dos rendimentos, não tiveram incrementos nos retornos.

O acumulado se deu por conta da redução na Taxa Selic, que finalizou em 6,5% ao ano.

TR histórica ano a ano

AnoTaxa Referencial (%)
1991335,51
19921.556,22
19932.474,73
1994951,19
199531,62
19969,55
19979,78
19987,79
19995,72
20002,09
20012,28
20022,80
20034,64
20041,81
20052,83
20062,03
20071,44
20081,63
20090,71
20100,68
20111,20
20120,28
20130,19
20140,85
20151,79
20162,01
20170,59

Histórico da Taxa Referencial desde a sua criação – Fonte: Banco Central

O valor da Taxa Referencial está em tendência de queda desde sua implementação. É possível notar, porém, que desde 2011 ela passou a subir novamente.

Isso ocorreu após a criação da Nova Matriz Econômica de Dilma Rousseff. Neste período, os juros brasileiros sofreram intervenção direta do governo.

Mesmo com o aumento da taxa Selic de forma frequente, não foi o suficiente para conter o avanço da inflação.

Como a Taxa Referencial também depende da taxa básica de juros, seu valor quase dobrou entre 2014 e 2016, que foram os períodos mais críticos da crise econômico-política no governo de Dilma Rousseff.

Perceba que antes de 1995, ano em que o Plano Real já estava consolidado, a TR apresentou valores acentuados, principalmente pela falta de controle nos juros deixados pelo governo Collor.

Em 2017, especificamente a partir do mês de setembro, a Taxa Referencial atingiu seu menor valor histórico. Desde então, se mantém nele.

Entre 2016 até 2018, a taxa Selic foi de 14,25% até 6,5%. A Taxa Referencial seguiu esta mesma trajetória, indo de 2,01% para 0,0%.

Como a TR afeta os investimentos

Mesmo que a Taxa Referencial tenha menor abrangência no mercado, ela ainda é usada como parte da rentabilidade de alguns ativos financeiros.

Poupança

Desde 1991, a Taxa Referencial tem sido utilizada como parte do rendimento da poupança. Anteriormente, ela era indexada pelo IPCA.

Desde 2012, com a mudança no cálculo da sua remuneração, o rendimento da poupança funciona assim:

  • Se a Selic for maior ou igual a 8,5% ao ano: rendimento de 0,5% ao mês + TR.
  • Para taxa Selic inferior a 8,5% ao ano: rentabilidade de 70% da taxa Selic + TR.

Então, em 2020, com a taxa Selic em 3,75% ao ano e a Taxa Referencial em 0,0%, o rendimento da poupança ficaria muito menor.

FGTS

O FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) faz parte dos direitos trabalhistas. Seu saque é realizado mediante algumas regras, como demissão sem justa causa, desastres naturais e aposentadoria.

A alíquota de 8,0% do salário bruto é descontada mensalmente e é alocada em um fundo que possui rentabilidade de 3,0% ao ano + Taxa Referencial.

Ao considerar a TR, em 2019, de 0,0%, o dinheiro retido no FGTS rende 3,0% ao ano. Isto é, bem menos do que a inflação.

Títulos de Capitalização

Estas aplicações são oferecidas pelos bancos, onde o poupador pode concorrer ao sorteio de prêmios enquanto o dinheiro está aplicado.

O tempo de aplicação depende de cada instituição e da modalidade do título de capitalização.

É importante lembrar que não é possível fazer resgates antes do vencimento. Caso isso aconteça, será necessário arcar com multas de até 10% do valor aplicado.

A rentabilidade dos títulos de capitalização costumam ser a Taxa Referencial mais um valor fixo, por exemplo, 1,0% ao ano.

Ao considerar a inflação acumulada atual, que é de 2,89%, perceba que este rendimento não é suficiente para superá-la. Ou seja, o seu dinheiro perde o poder de compra.

Desta forma, os títulos de capitalização não costumam ser boas opções para alocação de capital. Na XP Investimentos, você poderá encontrar alternativas mais vantajosas, como CDBs, LCIs e ações.

Conclusão

A Taxa Referencial já foi utilizada como referencial para as demais taxas de juros no Brasil e no controle da inflação.

Com a chegada do Plano Real, ela deu espaço à taxa Selic, que desempenha as mesmas funções. Desde então, a TR tem perdido abrangência no mercado.

Mesmo assim, ela ainda é utilizada como parte dos rendimentos de algumas aplicações, como a poupança.

Leia também estes outros artigos sobre o mercado financeiro do nosso blog:

No patamar atual, onde os juros brasileiros estão apresentando valores mínimos históricos, investir nos ativos indexados pela Taxa Referencial não costuma ser uma boa opção para seu capital.

Independentemente de qual seja seu perfil de investidor, o recomendado é buscar por investimentos atrelados ao CDI ou ao IPCA, como os títulos públicos, Fundos Imobiliários e CDBs.

Na XP Investimentos, você encontra estas e outras alternativas para fazer seu dinheiro render de forma segura e sustentável.

Abra sua conta agora mesmo e conheça investimentos com rentabilidades mais vantajosas em relação à Taxa Referencial.

Caso você tenha qualquer dúvida, conte com o seu assessor de investimentos. Ele poderá ajudá-lo a definir os ativos mais adequados para sua carteira.

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