Resumo
Nos Estados Unidos, dados recentes de inflação ao produtor e consumidor vieram abaixo do esperado, em linha com o recuo nos preços de energia durante o período de cessar-fogo no Oriente Médio. No entanto, nova escalada do conflito voltou a pressionar as cotações de petróleo, que se aproximaram de 90 dólares por barril.
A intensificação das tensões geopolíticas reforça a necessidade de cautela por parte dos principais bancos centrais. Diretores do Fed (banco central americano) reiteraram preocupações acerca do choque global de energia e inflação acima da meta.
No Brasil, indicadores de atividade de maio trouxeram sinais mistos, o que corrobora nossa visão de desaceleração gradual do PIB após forte expansão no começo do ano.
Com a decisão do governo Trump de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, o governo local discute medidas de apoio aos setores mais afetados. Dito isso, o impacto macroeconômico da imposição tarifária será limitado, já que os principais produtos da pauta exportadora ficaram de fora da nova cobrança.
Gráfico da Semana

Cenário Internacional
Nova escalada do conflito no Oriente Médio volta a pressionar os preços do petróleo
O conflito entre Estados Unidos e Irã voltou a dominar o noticiário. O Presidente Donald Trump fez reiteradas declarações em defesa da navegação no Estreito de Ormuz, afirmando que embarcações americanas continuarão a ter livre circulação. Do lado iraniano, no entanto, autoridades voltaram a mencionar medidas para restringir a passagem de navios até que haja avanço nas negociações e uma solução para o impasse entre as partes.
Com a sinalização de persistência do conflito e o menor tráfego pelo Estreito de Ormuz, as cotações do petróleo voltaram a subir, aproximando-se de 90 dólares por barril (Brent). A alta da commodity amplia as incertezas sobre as cadeias globais de oferta e a pressão de custos.
Inflação surpreende para baixo nos Estados Unidos, mas riscos seguem elevados
Nos Estados Unidos, os dados de inflação de junho trouxeram surpresas baixistas disseminadas. O índice de preços ao consumidor (CPI, em inglês) recuou 0,4% em relação a maio – a primeira retração desde abril de 2020 –, devido sobretudo à queda nos preços de combustíveis. Com isso, a inflação acumulada em 12 meses cedeu de 4,2% para 3,5%. O núcleo do CPI – exclui alimentos e energia – também perdeu força, caindo de 2,9% para 2,6% no acumulado em doze meses. Na mesma linha, o índice de preços ao produtor (PPI) declinou 0,3% em junho, contrariando a expectativa do mercado de estabilidade frente ao mês anterior e registrando a primeira queda redução desde agosto de 2025.
Em conjunto, os dados trouxeram sinais de alívio nas pressões inflacionárias de curto prazo, em grande medida explicado pela queda nos preços de energia ao longo de junho, em um contexto marcado pelo cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã. Contudo, a intensificação das tensões geopolíticas e a nova alta do petróleo nesta semana sugerem que parte dessa melhora pode ser apenas transitória.
Do ponto de vista de política monetária, os números de inflação levaram o mercado a reduzir ainda mais as apostas de elevação de juros pelo Fed em 2026. Mesmo assim, o presidente da instituição, Kevin Warsh, afirmou que o alívio em junho não representa “missão cumprida” e reiterou, em audiência no Congresso, que a prioridade do Fed continua sendo a convergência da inflação à meta de 2%. Warsh enfatizou também a importância da independência do banco central diante de eventuais pressões políticas por juros mais baixos.
Crescimento do PIB da China frustra expectativas e medidas de estímulo seguem no radar
O PIB da China cresceu 4,3% no 2º trimestre de 2026 em comparação ao 2º trimestre de 2025, abaixo da expectativa de 4,5% e desacelerando ante a alta de 5,0% vista na leitura anterior. Trata-se do ritmo de crescimento mais fraco desde o 4º trimestre de 2022. Na comparação com o 1º trimestre deste ano, o indicador avançou 0,9%. Os resultados desagregados mostraram solidez da indústria, sustentada por exportações ligadas à inteligência artificial, enquanto consumo e investimento seguem deprimidos pela crise imobiliária e fraqueza da demanda doméstica. Diante disso, as atenções se voltarão às novas diretrizes econômicas a serem discutidas pelo governo ao final de julho. O mercado espera o anúncio de medidas de estímulo adicionais para o restante do ano.
Enquanto isso, no Brasil…
Indicadores de atividade com sinais mistos no 2º trimestre
Indicadores de atividade corroboram nosso cenário de desaceleração gradual da demanda doméstica. A receita real de serviços recuou 0,4% em maio, após expansão de 1,1% em abril, com destaque negativo para transporte e armazenagem. Na comparação com o mesmo período de 2025, entretanto, o setor terciário avançou peço 26º mês consecutivo (0,4%). Além disso, as vendas reais do varejo ampliado caíram 0,2% em maio, abaixo das expectativas (0,8%). As principais contribuições negativas vieram das categorias de supermercados e atacarejo, refletindo a pressão inflacionária (especialmente de alimentos) no período.
Por sua vez, o IBC-Br – proxy mensal do PIB calculada pelo Banco Central – avançou 0,1% em maio contra abril, ligeiramente acima das projeções. Estimamos que o PIB cresceu 0,5% no 2º trimestre, após a forte elevação de 1,1% registrada no 1º trimestre. Nossa projeção para o crescimento do PIB de 2026 continua em 2,0%.
Governo Trump anuncia tarifas adicionais sobre produtos exportados pelo Brasil
O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) confirmou a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. A medida entra em vigor em 22 de julho. O governo de Donald Trump afirma que o Brasil adota práticas que “oneram ou restringem” o comércio com os Estados Unidos, mencionando temas como o sistema de pagamentos PIX, o desmatamento ilegal e a pirataria. Apesar da decisão, bens como petróleo, café, carne bovina, aeronaves e celulose ficaram de fora da nova cobrança. De acordo com estimativas do governo, 18% das exportações brasileiras serão afetadas pela taxação.
O Ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo prepara medidas de apoio aos exportadores frente às novas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos, embora o valor ainda dependa da avaliação dos setores mais afetados. Segundo nossos cálculos, as novas tarifas terão impacto macroeconômico limitado, considerando a proporção relativamente baixa das exportações no PIB (cerca de 18%), a ampla lista de exceções à nova tarifa, e a capacidade de diversos setores de redirecionar suas vendas para outras regiões. Todavia, os efeitos microeconômicos sobre algumas empresas e atividades podem ser relevantes.
Senado aprova mudanças na aposentadoria especial para agentes da saúde
Na seara fiscal, o Senado aprovou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que cria aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias, estabelecendo regras permanentes e mecanismos de transição para essas categorias. Como se trata de uma PEC já aprovada pelas duas Casas legislativas, o texto segue para promulgação. Tanto as estimativas do governo quanto as nossas indicam que a mudança deverá ter impacto de aproximadamente R$ 3 bilhões por ano sobre o orçamento federal, adicionando pressão a um quadro fiscal já desafiador.
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Destaques da próxima semana
No cenário internacional, o destaque da próxima semana será a decisão de política monetária pelo Banco Central Europeu (BCE), para a qual o mercado espera manutenção nas taxas de juros. Na China, o banco central também decidirá sobre as taxas de juros (de curto e médio prazo). Por fim, nos Estados Unidos e na Zona do Euro, os índices PMI de julho serão divulgados – oriundos de sondagens empresariais que buscam captar o pulso da atividade econômica.
No Brasil, agenda sem indicadores relevantes. Destaque apenas para a divulgação do Relatório Bimestral de Receitas e Despesas pelo Ministério do Planejamento (6ª-feira). Vale lembrar que o Congresso estará em recesso até o final deste mês. Veja as nossas projeções abaixo.

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