Tudo sobre Renda Fixa no mês (e o que esperar)

Leia aqui sobre os principais indicadores macroeconômicos e como impactam os produtos de renda fixa, além do desempenho de títulos públicos e o que esperar para os próximos meses.

access_time 06/02/2020 - 16:29
format_align_left 7 minutos de leitura

Para melhor experiência de leitura, recomendamos navegação através do índice à esquerda.

Caso esteja iniciando sua jornada na Renda Fixa, recomendamos começar pelo conteúdo “Renda Fixa: O que é preciso saber?

Renda Fixa: tudo sobre o que passou e o que esperar.

O mês de janeiro foi marcado pelos temores globais referentes ao coronavírus e seus desdobramentos sobre a economia. Apesar da volatilidade trazida aos mercados, as notícias não foram suficientes para mudar a trajetória da curva futura de juros, que fechou em toda a sua extensão em relação ao mês anterior. Isto foi resultado da visão de que a inflação segue controlada e de que a economia mantém ritmo gradual de crescimento, dando espaço a novo corte na Selic (que de fato ocorreu no dia 5 de fevereiro). O mercado de renda fixa, por sua vez, não teve grandes surpresas, com volume mais baixo de emissões de debêntures no mês e poucas ações de ratings.

Esperamos que emissões de crédito privado voltem a crescer gradualmente no primeiro trimestre do ano e continuamos com visão positiva para ativos de maior risco e prazo mais alongado. Essa expectativa se baseia em um cenário de juros baixos por mais tempo, fazendo com que empresas procurem balancear seus passivos e investidores busquem por ativos mais rentáveis.

Alocação recomendada

Ativos de renda fixa são recomendados para todos os perfis de investidor. O que muda, basicamente, são três quesitos importantes: o tipo de ativo, o indicador e o percentual a ser alocado.

A alocação recomendada em renda fixa para cada perfil de investidor em nosso relatório Onde Investir em Fevereiro é a seguinte:

No Radar

Destaques do mês de janeiro

  1. Dados de produção industrial e de comércio varejista ampliado de novembro (divulgadas em novembro) frustraram expectativas do mercado.
  2. IBC-Br expande 0,2% em novembro e supera expectativas.
  3. Ministro Paulo Guedes afirmou que agenda de reformas deverá ser retomada até fevereiro.
  4. EUA e China assinaram a Fase 1 do acordo comercial preliminar.

Além disso, no dia 5 de fevereiro, o Copom decidiu realizar novo corte na taxa Selic, de 4,5% para 4,25%. O Banco Central sinalizou que este foi o último corte do ciclo.

Como agir?

  1. Esperamos que o cenário de juros baixos continue por mais tempo. Por isso, a recomendação é de busca por diversificação e ativos mais arriscados.
    • Escolha sempre de acordo com seu perfil.
  2. Continuamos indicando o Tesouro Prefixado 2022, com base em nossa visão de oportunidades na parte intermediária da curva (cerca de três anos).
  3. No caso de investimentos acima de quatro anos, preferimos ativos indexados à inflação, possibilitando ganhos acima do IPCA por prazos mais longos.

O mercado de Renda Fixa

Poupança

No mês de janeiro (dados até dia 30), a captação líquida da Poupança ficou negativa em R$ 15 bilhões.

Nos últimos três anos, janeiro foi um mês de resgates líquidos, o que pode ser justificado por ser um mês de despesas mais altas da população.

Considerando a taxa Selic em sua mínima histórica, combinada ao rendimento da caderneta de poupança, de apenas 70% dessa taxa, essa aplicação fica cada vez menos atraente e faz sentido esperar constantes reduções na captação líquida.

Veja mais sobre comparações do investimento em Poupança em relação a outras aplicações também conservadoras, como o Tesouro Selic (aqui) e emissões bancárias (aqui).

Tesouro Direto

Captação Líquida

No caso do Tesouro Direto, em 2019 (último dado disponível) foi possível observar captação líquida negativa, em R$ 33 milhões. No mês de dezembro, os resgates somaram R$ 159 milhões.

O principal ativo comprado por investidores foi o Tesouro Selic, historicamente o mais buscado.

Os investidores continuam comprando principalmente ativos com prazo entre 5 e 10 anos de vencimento, alongando o perfil de seus investimentos, visando maior rentabilidade.

Rentabilidade

No mês de janeiro, foi possível observar elevação nos preços dos títulos públicos, de forma geral.

Isso se deve a novos fechamentos da curva DI futuro (veja em “No Radar”) no mês, resultado de visão do mercado de inflação contida e recuperação gradual da atividade econômica.

O efeito é mais forte sobre os títulos mais longos. Quanto mais longo o título, maior o risco e maior a sensibilidade a variações nas expectativas de juros.

Entenda mais sobre a relação entre preços dos títulos e os juros aqui.

Emissões Bancárias

O estoque de emissões bancárias cresceu apenas 0,8% em janeiro em relação a dezembro de 2019.

Os principais destaques foram crescimento de 1,5% no estoque de CDBs, de 1,7% em LCAs, e queda de 2,1% em LCIs.

Essa variação indica contínua redução de captações de empresas do setor imobiliário.

Crédito Privado

O estoque de ativos de crédito privado se manteve constante no mês de janeiro.

No segundo slide (acima), vemos que a emissão de debêntures (incentivadas ou não) atingiu R$ 5 bilhões no primeiro mês de 2020.

Isso representa forte redução em relação a dezembro de 2019. No entanto, não acreditamos que seja uma tendência para o ano, e sim resultado dos movimentos de abertura de spread de crédito, que por sua vez alterou o cronograma de ofertas.

O prazo médio das emissões do mês caiu para 5,3 anos, porém isso foi puxado por poucas emissões de prazo curto e de alto volume, o que “poluiu” a amostra.

Por isso, continuamos esperando que empresas aproveitem o cenário de juros baixos para refinanciar suas dívidas e alongar seus prazos ao longo dos próximos meses.

Debêntures incentivadas

O volume emitido de debêntures incentivadas, com foco em financiamento à infraestrutura e isentas de imposto de renda, mostra tendência de crescimento.

Em 2019 (último dado disponível), foram emitidos R$ 33,8 bilhões desse tipo de instrumento (+56% vs. 2018).

O setor de energia elétrica continua representando a maior parte das emissões, mas é interessante observar o aumento em emissões de transporte/logística. Essa tendência deve continuar em 2020.

Acreditamos que a tendência de alta de emissões deva continuar, em linha com expectativa de crescimento econômico, incentivo do governo em novos projetos e redução da participação do BNDES em investimentos de infraestrutura.

Spreads de crédito

Conforme apresentamos em nossos relatórios mensais mais recentes, os últimos meses de 2019 foram marcados por abertura dos spreads de crédito (aumento dos prêmios de risco).

O movimento de abertura foi resultado de um ajuste técnico do mercado e não refletiu deterioração na qualidade de crédito de emissores.

No entanto, desde dezembro podemos enxergar movimento de consolidação desses novos patamares, indicando estabilização dos spreads e possível fim desse ciclo de ajuste técnico.

De modo geral, esperamos que novas emissões de crédito privado sejam realizadas a taxas mais elevadas, acompanhando o ajuste ocorrido nos últimos meses.

Ratings

Durante o mês de janeiro, essas foram as ações de ratings das principais agências de classificadoras de risco*:

No mês, foram poucas as ações de ratings realizadas. Por outro lado, houve algumas mudanças de perspectiva, sem tendência dominante.

Vale observar que Vamos faz parte do grupo econômico da JSL e que as rodovias MG-050, Colinas e Triângulo do Sol fazem parte da AB Concessões.

Veja mais

Disclaimer:

Este material foi elaborado pela XP Investimentos CCTVM S/A (“XP Investimentos” ou “XP”) tem caráter meramente informativo, não constitui e nem deve ser interpretado como sendo material promocional, solicitação de compra ou venda, oferta ou recomendação de qualquer ativo financeiro, investimento, sugestão de alocação ou adoção de estratégias por parte dos destinatários. Os prazos, taxas e condições aqui contidas são meramente indicativas. As informações contidas neste relatório foram consideradas razoáveis na data em que ele foi divulgado e foram obtidas de fontes públicas consideradas confiáveis. A XP Investimentos não dá nenhuma segurança ou garantia, seja de forma expressa ou implícita, sobre a integridade, confiabilidade ou exatidão dessas informações. Este relatório também não tem a intenção de ser uma relação completa ou resumida dos mercados ou desdobramentos nele abordados.
Os instrumentos financeiros discutidos neste material podem não ser adequados para todos os investidores. Este material não leva em consideração os objetivos de investimento, situação financeira ou necessidades específicas de qualquer investidor. Os investidores devem obter orientação financeira independente, com base em suas características pessoais, antes de tomar uma decisão de investimento. A XP Investimentos não se responsabiliza por decisões de investimentos que venham a ser tomadas com base nas informações divulgadas e se exime de qualquer responsabilidade por quaisquer prejuízos, diretos ou indiretos, que venham a decorrer da utilização deste material ou seu conteúdo. Os desempenhos anteriores não são necessariamente indicativos de resultados futuros. Este relatório é destinado à circulação exclusiva para a rede de relacionamento da XP Investimentos, incluindo agentes autônomos da XP e clientes da XP, podendo também ser divulgado no site da XP. Fica proibida sua reprodução ou redistribuição para qualquer pessoa, no todo ou em parte, qualquer que seja o propósito, sem o prévio consentimento expresso da XP Investimentos. A Ouvidoria da XP Investimentos tem a missão de servir de canal de contato sempre que os clientes que não se sentirem satisfeitos com as soluções dadas pela empresa aos seus problemas. O contato pode ser realizado por meio do telefone: 0800 722 3710.