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A semana na Renda Fixa (18/04 a 22/04)

Acompanhe os principais movimentos da semana no mercado de renda fixa e o que esperar para a semana que se inicia.

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Resumo: Os juros futuros encerraram a semana em queda na ponta curta, devido a ajustes de expectativa em torno da próxima reunião do Copom e alta nos vencimentos mais longos, em linha com movimento global de aversão a ativos de risco. A semana também foi marcada por novo aumento nos prêmios dos títulos soberanos pós-fixados (LFT), levando a nova desvalorização do título.

Para a próxima semana, é esperada a divulgação da inflação medida pelo PCE nos Estados Unidos, indicador de preços preferido pelo Fed. Além disso, a prévia da inflação ao produtor e ao consumidor de abril na Zona do Euro, o PIB do 1º tri nos EUA e na Zona do Euro também serão destaque na semana. No Brasil, os destaques da semana serão o IBC-Br (proxy do PIB) e a taxa de desemprego de fevereiro, dados fiscais e a criação de empregos formais referentes a março, além do IGP-M e da prévia da inflação ao consumidor (IPCA-15) de abril.

Cenário macroeconômico

Nesta semana, os destaques internacionais foram a revisão para baixo da projeção do FMI para o crescimento global, os dados fracos de atividade na China devido ao lockdown e a sinalização de aumento de 0,5 pp na taxa de juros americana na próxima reunião do Fed.

No cenário doméstico, destaque para a negociação de reajuste para servidores públicos, anúncio de normalização da divulgação de dados pelo Banco Central na semana que vem e detalhes do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2023.

O FMI cortou a previsão de crescimento do PIB global para 3,6% de 4,4% para 2022; e para 3,6% de 3,8% para 2023. O Fundo espera que o crescimento global desacelere significativamente este ano, à medida que a repercussão da guerra na Ucrânia se espalhe e os principais bancos centrais apertem a política monetária. Para o Brasil, o FMI elevou a previsão de crescimento do PIB do Brasil de 0,3% para 0,8%.

O PIB da China cresceu 4,8% a/a no primeiro trimestre, acima das expectativas (4,2%). Entretanto, os dados mensais indicaram que a tendência de melhora na economia se interrompeu devido aos lockdowns. A produção industrial já teve desaceleração registrada entre janeiro e fevereiro e as vendas no varejo caíram no período. Os resultados aumentam a pressão sobre o governo do presidente Xi Jinping, que reafirmou seu compromisso com uma política de Covid zero.

O presidente do Federal Reserve (o Fed, banco central americano), Jerome Powell, enviou o sinal mais forte até o momento de que o Federal Reserve está preparado para aumentar as taxas de juros a um ritmo mais elevado, em meio ponto percentual na próxima reunião, à medida que o banco central dos EUA intensifica os esforços para combater a inflação crescente.

Após o anúncio na semana passada de reajuste de 5% para todos os servidores, o ministro da Economia, Paulo Guedes, declarou que dar um aumento de 5% para todos os servidores públicos não seria um problema, apesar do alto custo. 

Nessa semana, o governo promoveu coletiva de imprensa detalhando o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2023, que mostra as projeções de médio prazo para as principais variáveis e discute estratégias de política fiscal. Detalhamos os principais pontos e avaliamos as estimativas do governo, confira aqui o novo relatório.

Leia tudo o que aconteceu nesta semana em economia.

Juros e inflação

Os juros futuros encerraram a semana em queda na ponta curta e alta nos vencimentos mais longos. O movimento nos vencimentos mais curtos se deu à medida em que investidores realizavam ajustes de expectativas para a reunião do Copom que ocorrerá em maio, enquanto os vencimentos longos subiram refletindo o movimento global de fuga de ativos de risco em meio às sinalizações de altas de juros mais fortes nos EUA.

A curva de juro real, a qual reflete as taxas dos títulos do Tesouro indexados à inflação (NTN-B), fechou a semana em movimento semelhante, o que levou a pouca alteração nas expectativas de inflação.

De acordo com os preços de mercado, é esperado uma taxa Selic de 13,29% ao final de 2022, contra a expectativa da XP de 13,75%, 11,90% em 2023 (vs. 8,75% da XP), 11,35% em 2024 e 11,63% em 2025. Para inflação, o mercado aponta estimativa de cerca de 8,72% em 2022 (vs. 7,4% da XP), e 6,65% em 2023 (vs. 4,0%). Para 2024 e 2025, o mercado espera 6,24% e 6,25%.

A curva de juros pode ser compreendida como as expectativas dos rendimentos médios de títulos públicos prefixados sem cupom (ou seja, sem pagamentos semestrais), a partir dos contratos futuros de juros (ou DI). Entenda mais aqui.

Títulos públicos

Mercado primário (leilões)

Para mais informações sobre o funcionamento de leilões de títulos públicos, clique aqui.

Leilão do dia 19/04 – NTN-B e LFT

Na terça-feira, o Tesouro Nacional (TN) ofertou 950 mil papéis de Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B) e 300 mil de Letras Financeiras do Tesouro (LFT).

O TN vendeu quase a totalidade da oferta de NTN-Bs (923 mil), em três vencimentos, e o volume financeiro foi de R$ 3,8 bilhões. Também vendeu 165 mil LFTs, apenas do vencimento de 2028, e o volume financeiro foi de R$ 1,9 bilhão.

Leilão do dia 20/04 – LTN e NTN-F

No leilão de quarta-feira, adiantado devido ao feriado de Tiradentes, o Tesouro Nacional divulgou a realização dos leilões de vendas de 9 milhões de Letras do Tesouro Nacional (LTN) e apenas 300 mil Notas do Tesouro Nacional – Série F (NTN-F).

O TN vendeu integralmente a oferta de LTNs e o volume financeiro somou R$ 6,8 bilhões, divididos em três vencimentos. Adicionalmente, também vendeu 250 mil NTN-Fs, em dois vencimentos, com o volume financeiro somando R$ 229,3 milhões.

Mercado Secundário

O IMA-B representa a evolução, a preços de mercado, da carteira de títulos públicos indexados ao IPCA (NTN-B). O IRF-M representa a evolução, a preços de mercado, da carteira de títulos públicos prefixados (LTN e NTN-F). Ambos são calculados pela Anbima.

Nesta semana, no mercado de títulos pós-fixados, o movimento foi de venda e abertura de prêmio, com trocas de LFTs para LTNs (prefixados), com o segundo mais comprado nos vencimentos curtos e médios (2023, 2025 e 2027).

Nas NTN-Bs, houve movimento de alta na inflação implícita dos vencimentos curtos, ou seja, com queda na taxa de juro real das NTN-Bs 2022 e 2023. Nos vencimentos longos, foi destaque a venda de fundos de investimentos nos vencimentos 2050 e 2055.

Tesouro Direto

O preço dos títulos sobe quando a expectativa de juro futuro cai (e vice-versa) devido à relação inversa entre os dois. Esse mecanismo que mostra o efeito dos juros sobre preços é a marcação a mercado. Entenda mais aqui.

Nessa semana não tivemos negociações na quinta-feira e, mais uma vez, todas os títulos sofreram com desvalorização nos preços. O Tesouro Selic, mesmo sendo mais estável e comumente usado como uma aplicação de reserva de liquidez ou “caixa”, apresentou desvalorização por conta da elevação na parcela prefixada na remuneração dos títulos, que atingiu 0,13%.

Já os títulos prefixados e indexados à inflação (IPCA+) sofreram o efeito da pressão altista nas taxas de juros futuros esperados pelo mercado. Devido à marcação a mercado, as elevações nas taxas negociadas desvalorizaram os títulos. O Tesouro Prefixado e Tesouro IPCA+ de vencimentos acima de 10 anos já acumulam mais de 5% de desvalorização nos preços, com destaque para o Tesouro IPCA 2045 sem juros semestrais, que soma quase 20% de queda nos últimos 12 meses.

Acompanhe as taxas do títulos do Tesouro Direto disponíveis para compra e para resgate aqui!

Crédito Privado

Fluxo

Na última semana, o fluxo médio diário de negociações em debêntures não incentivadas foi de R$ 715 milhões (ante R$ 1,1 bilhão na semana anterior), R$ 714 milhões em debêntures incentivadas (vs. R$ 660 milhões), R$ 676 milhões em CRIs (vs. R$ 203 milhões) e R$ 220 milhões em CRAs (vs. R$ 203 milhões).

Os papeis mais negociados por classe de ativos foram as debêntures da Diagnósticos da América (DASAA3), a debênture incentivada da Rumo Malha Paulista (GASC23), CRI JSL e CRA BR Distribuidora.

Como não são disponibilizados a tempo da publicação do relatório, os dados desta sexta-feira não são considerados e podem alterar o apresentado. Ressaltamos que quinta-feira (21/04) foi feriado nacional, sem negociações no mercado de renda fixa. Para trazer uma aproximação do resultado em quatro dias, os dados abrangem desde a sexta-feira da semana anterior até a quarta-feira da semana corrente.

Ações de rating

Ratings são notas atribuídas por agências classificadoras de risco de crédito que podem impactar diretamente seus investimentos em Renda Fixa. Entenda mais aqui.

Spreads de Crédito

Nesta seção, apresentamos a movimentação dos spreads de crédito consolidados, com spread médio no intervalo de semanas. Intercalamos dessa forma para melhor análise da movimentação dos spreads por rating e é possível conferir no relatório anterior clicando aqui. A próxima série será apresentada no mês que vem.

O que esperar – Semana de 25/04 a 29/04

Agenda econômica

Entre os dados econômicos internacionais, o principal dado econômico da semana será a inflação medida pelo PCE nos Estados Unidos, indicador de preços preferido pelo Fed. Além disso, a prévia da inflação ao produtor e ao consumidor de abril na Zona do Euro, o PIB do 1º tri nos EUA e na Zona do Euro também serão destaque na semana.

No Brasil, o Banco Central anunciou que deve regularizar a divulgação de indicadores econômicos que foram postergados devido à greve dos servidores. Os destaques da semana serão o IBC-Br (proxy do PIB) e a taxa de desemprego de fevereiro, dados fiscais e a criação de empregos formais referentes a março, além do IGP-M e da prévia da inflação ao consumidor (IPCA-15) de abril. O Banco Central voltará a divulgar o boletim Focus com as expectativas de mercado.

Leilões do Tesouro Nacional

Vencimentos de debêntures da próxima semana

Relatórios recentes em destaque

Renda Fixa

Outras editorias

Nota de revisão de cenário: 
Inflação alta deve levar Selic a 13,75%

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