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Morning Call XP (23.set): Negociações comerciais e crescimento global em foco

Tudo o que você precisa saber sobre os mercados nacional e internacional, com análises econômicas e políticas sobre fatos que podem impactar seus investimentos.

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O que pode impactar o mercado hoje

Após semana marcada por tensões geopolíticas no Oriente Médio e decisões de Bancos Centrais para novos patamares de juros, a semana se inicia com foco nas negociações comerciais entre EUA-China e dados de atividade (PMI composto) mais fracos na Zona do Euro e Alemanha, que pesam no exterior nesta segunda-feira.

Na semana passada, o Ibovespa acumulou alta de 1,27%, fechando em 104.817 pontos. Nesta manhã, futuros dos EUA negociam em queda, em meio a sessões negativas na Europa e Ásia durante a noite.

Atenção hoje para o discurso de vários presidentes de Bancos Centrais dos EUA (Fed) e Europa (BCE). Mario Draghi, presidente do BCE, discursará as 10h e as 12h. John Williams do Fed de Nova Iorque e James Bullard do Fed de St. Louis discursarão às 10h50 e 14h, respectivamente. O mercado aguardará maiores informações sobre mais medidas de estímulo na Europa e sobre o tamanho do ciclo de corte de juros nos EUA.

As negociações comerciais entre EUA-China seguem em destaque após a confiança dos investidores ter sido abalada na sexta-feira pelo comentário do presidente Trump, dizendo que ele queria um “acordo completo” (e, segundo especulações recentes, ele poderia se contentar com um acordo provisório), enquanto as autoridades chinesas cancelaram a visita planejada aos estados agrícolas.

Apesar disso, autoridades chinesas e norte-americanas consideraram as negociações recentes construtivas e esperam reunião planejada do alto escalão em outubro. As preocupações geopolíticas continuam elevadas após os recentes ataques às instalações petrolíferas sauditas.

Enquanto isso, o Wall Street Journal informou que as autoridades sauditas dizem que pode levar vários meses para restaurar completamente as operações. Os preços de petróleo tipo Brent operam em leve queda de -0,3% nesta manhã, em US$64,1/barril, após alta de +7,2% na semana passada.

No campo político no Brasil, membros do governo se queixam, com aval do Planalto, da demora do ministro da economia Paulo Guedes na entrega de aceleração do crescimento e da queda do desemprego. Mas o incômodo mais cotidiano, na verdade, é o teto de gastos. Há uma frustração constante do chefe do executivo e dos ministros com a falta de verbas para executar projetos.

Como a regra criada no governo Temer fica em vigor até 2026, não haverá alento nos próximos anos. O governo tem, então, três opções: (1) manter o teto de gastos e atacar as despesas obrigatórias, tema também impopular, para liberar espaço no orçamento; (2) manter o teto de gastos, mas fazer medidas paliativas e conviver com o encolhimento gradual das despesas discricionárias, que em 2020 serão apenas 4% do orçamento; (3) alterar total ou parcialmente o teto de gastos para aumentar despesas.

Por fim, o governo anunciou na sexta-feira o descontingenciamento de aproximadamente R$ 12,5 bilhões em virtude de novas receitas oriundas da Lava Jato e menores gastos com folha de pagamento, reduzindo as chances de uma paralisação (shutdown) do governo por falta de verba.  

Tópicos do dia

Brasil

  1. Política Brasil: O risco do divórcio de Guedes e Bolsonaro

Internacional

  1. PMI da Zona do Euro e da Alemanha decepcionam em agosto

Empresas

  1. Braskem (BRKM5): Odebrecht acredita que não é momento de vender a petroquímica


Veja todos os detalhes

Brasil

Política Brasil: O risco do divórcio de Guedes e Bolsonaro

  • O risco Paulo Guedes: Desde a campanha eleitoral, ainda antes da vitória de Bolsonaro, alertamos que o maior risco para o mercado em relação ao novo governo seria o possível divórcio de Guedes e Bolsonaro. A fritura recente do ministro tem recebido aval do Planalto, que se queixa da demora na entrega de aceleração do crescimento e da queda do desemprego. Mas o incômodo mais cotidiano, na verdade, é o teto de gastos. Há uma frustração constante do chefe do executivo e dos ministros com a falta de verbas para executar projetos;
  • Como a regra criada no governo Temer fica em vigor até 2026, não haverá alento nos próximos anos. O governo então tem então três opções: (1) mantém o teto de gastos e ataca as despesas obrigatórias, tema também impopular, para liberar espaço no orçamento; (2) mantém o teto de gastos, mas faz medidas paliativas e convive com a o encolhimento gradual das despesas discricionárias, que em 2020 serão apenas 4% do orçamento; (3) altera total ou parcialmente o teto de gastos para aumentar despesas;
  • Descontingenciamento: Arrecadação maior que a prevista com IR, COFINS e CSLL e a antecipação de dividendos de empresas com participação estatal deram R$ 6,5 bi de folga fiscal. Do lado da despesa, foram R$ 6 bi a menos de gastos com servidores em relação ao orçado. No total, o governo ficou com R$ 12,5 bi à disposição. Desses, R$ 8,3 bi foram descontingenciados para os ministérios, os R$ 2,7 bi oriundos de recursos recuperados pela Lava-Jato terão destinação específica acordada com o STF, R$ 800 mi serão destinados ao pagamento de emendas parlamentares e R$ 613 mi ficam como reserva fiscal.

Internacional

PMI da Zona do Euro e da Alemanha decepcionam em agosto

  • O índice de gerente de compras (PMI) composto (indústria e serviços) da Zona do Euro caiu de 51,9 em agosto para 50,4 este mês, o menor nível desde junho de 2013, surpreendendo negativamente a expectativa de mercado de leve alta (52);
  • O PMI composto da Alemanha passou de 51,7 para 49,1 no mesmo período. Leituras abaixo de 50 indicam contração da atividade e o resultado de agosto é o mais fraco desde o final de 2012;
  • O mau resultado fez o juro do bônus alemão (Bund) de 10 anos recuar e o euro operar em queda.

Empresas

Braskem (BRKM5): Odebrecht acredita que não é momento de vender a petroquímica

  • Segundo o Valor Econômico, a avaliação dentro da construtora Odebrecht é de que não é o momento mais adequado de vender a Braskem tendo em vista o ciclo global de baixa de preços petroquímicos, o atraso da entrega do formulário 20-F e o litígio judicial devido ao afundamento de terras em Alagoas;
  • Apesar da construtora não se opor à ideia de vender a Braskem, a companhia estaria trabalhando junto a seus assessores financeiros (incluindo a consultoria financeira Lazard) para destravar valor na divisão. A estratégia vai ser definida concomitantemente ao plano de recuperação judicial da Odebrecht junto aos bancos credores, com R$65,5 bilhões de dívidas a serem reestruturadas;
  • Dentre as alternativas em estudo, avalia-se a unificação das ações preferenciais e ordinárias e migração para o Novo Mercado.
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