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Expert ESG: ‘nova era de investimentos responsáveis’ no Brasil

Evento aterrissa o país numa realidade sem volta, onde os investidores passam a enxergar os valores do equilíbrio entre lucro e propósito.

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A primeira edição da Expert ESG chegou ao fim nesta sexta-feira (5) colocando o Brasil no trilho dos investimentos responsáveis e iniciando para os investidores uma viagem só de ida, onde lucro e propósito se equilibram para levar lógica aos mercados e às carteiras.

Há alguns anos o parágrafo acima poderia ser utopia. Mas a versão especial do maior evento de investimentos do mundo, focada em Meio Ambiente, Sociedade e Governança, mostrou que existem inúmeras alternativas viáveis aos desafios que enfrentamos há décadas nas três esferas do acrônimo ESG.

O primeiro dia do encontro foi dedicado às discussões em torno da “agenda verde”, seguido de outro focado somente em ricos debates sobre “impactos sociais”. No terceiro, a Expert ESG mergulhou nos caminhos, ideias e soluções promovidos pelo “G”, a Governança, para fechar o entendimento de um ciclo sustentável para os investimentos.

E, nesta sexta, grandes nomes completaram o ciclo abordando especificamente os investimentos a partir da ótica sustentável.

Grandes lições foram extraídas desses quatro dias de Expert ESG, em especial:

  • Há uma unanimidade em torno do cenário global: ele é crítico, há desafios, mas o ponto positivo é que ainda dá tempo de revertermos, pois se trata de uma jornada, seja por parte dos investidores ou empresas.
  • Diversidade traz pluralidade de pensamentos e promove inovação.
  • ESG não pode ser um processo de “checking the boxes”, mas sim de medir e demonstrar o real impacto das ações evoluindo para o mais alto patamar de transparência frente à sociedade.
  • Empresas e lideranças devem se questionar sobre suas intenções e metas, orientando-se por propósito (uma missão, além do lucro), stakeholders (no sentido amplo, tendo-os como sociedade), liderança (com a função de servir) e cultura (que permita desenvolvimento de pessoas).
  • Os investimentos responsáveis vieram para ficar. Se uma pessoa ou empresa consegue fazer a diferença no mundo, imaginem todos juntos.

ESG: do que estamos falando?

Na primeira sessão do último dia da Expert ESG, conhecemos mais sobre a origem do termo “ESG”, a evolução dos últimos anos e as perspectivas para o futuro a partir das visões de Fiona Reynolds, CEO do Princípios para o Investimento Responsável (PRI, em inglês), uma organização apoiada pela ONU que, no início em 2006, tinha 84 signatários pelo mundo e, hoje, possui mais de 2.000 signatários que representam mais de US$ 100 trilhões em ativos sob gestão.

O tema “ESG” foi acelerado pela pandemia da COVID-19, que, segundo Fiona, foi como um gatilho para se falar mais sobre investimentos responsáveis.


Ela acredita não existir uma abordagem única no tratamento de investimentos responsáveis, mas diversas abordagens. Uma delas, por exemplo, parte dos investidores e é chamada de “abordagem ativa”.

Investidores têm uma abordagem ativa quando já investem em uma empresa e eles mesmos passam a demandar práticas ESG nessas companhias.

“Investimento responsável já está no caminho certo para se tornar investimento padrão”

Fiona Reynolds

Uma das maiores referências em ESG, Fiona Reynolds
fala sobre o futuro dos investimentos responsáveis

ESG na prática: Crédito

Alexandre Muller (gestor de crédito da JGP Asset Management), David Knutson (Head of Fixed Income Research da Schroders), Steve Waygood (CIO da Aviva Investor) e Mathilde Dufour (Head of Sustainability Research da Mirova) exploraram como gestores estão incorporando fatores ESG na gestão de fundos de crédito.

Dentre as letras E, S e G, Alexandre Muller enxerga as grandes empresas no Brasil melhores posicionadas na frente de governança. Contexto explicado principalmente pelas práticas difundidas no mercado de capitais, embora ainda exista um universo grande de pequenas e médias empresas carentes de estruturas.

Steve Waygood ponderou que, em muitos casos, é possível aumentar a rentabilidade de empresas no curto prazo ao fazer escolhas erradas do ponto de vista sustentável. Porém, com essas atitudes, o nosso futuro e o das próximas gerações são deteriorados. Apesar de ser possível assegurar altos retornos em prazos mais longos no processo de transição energética prevista no Acordo de Paris, a agenda não avançou no ritmo necessário.

A perspectiva ESG oferece um horizonte de investimento de longo prazo (…). Usando fatores ESG, podemos olhar mais além no horizonte para destravar oportunidades de investimento de longo prazo.

David Knutson

Como integrar fatores ESG na análise de crédito

ESG na prática: Ações

ESG_Expert

Para tratar de investimento sustentável em ações e como o ESG influencia a tomada de decisão em seus fundos de investimento, no último dia da Expert ESG tivemos a presença de Hilde Jenssen (Head of Fundamental Equities da Nordea Asset Managemen), Cindy Shimoide (Head of Multi-Asset Portfolio and IC for LATAM da BlackRock), Fabio Alperowitch (Co-Fundador e Gestor de Portfólio da FAMA Investimentos) e Florian Bartunek (Sócio Fundador e CIO da Constellation Investimentos).

Algumas razões comuns entre os palestrantes para o crescente movimento ESG são: (1) mudanças regulatórias a serem implementadas nos próximos anos; (2) busca por enquadramento dos investimentos, notadamente por parte das pessoas físicas; e (3) busca por altos retornos ajustados ao risco.

No Brasil a ordem foi “GSE”. Segundo Florian Bartunek, a principal preocupação ao se investir em ações no Brasil sempre foi governança “G”, uma vez que a maioria das empresas possui controle definido, portanto se aprendeu a escolher os controladores com critério. Depois veio o Social (S), e por fim o ambiental (E).

No futuro, espera-se que o tema ESG não precise ser discutido de forma separada, mas que ele seja parte totalmente integrada ao processo de investir e como frisou Cindy:

 “Investimento sustentável será apenas investimento”.

Cindy Shimoide

Investimento sustentável será apenas ‘investimento’;
entenda a visão de grandes gestores

Investimento de impacto: do que estamos falando?

O crescente interesse do público em ESG trouxe também muita atenção para os investimentos de impacto, o que levou diversos grandes bancos a começarem a oferecer opções de investimento de impacto aos seus clientes. Mas afinal, o que é isso?

Amit Bouri, CEO e co-fundador do The Global Impact Investing Network (GIIN), uma organização sem fins lucrativos, dedicada em aumentar a escala e efetividade dos investimentos de impacto através da troca de conhecimento, ferramentas e pesquisas que possam acelerar o desenvolvimento dessa indústria, foi o convidado do painel para explicar investimentos de impacto.

Ele afirmou que investidores estão cada vez mais percebendo que o investimento de impacto são uma forma atraente de investimento não apenas pelo impacto social ou no meio ambiente, mas também em termos financeiros considerando que  maioria dos investidores de impacto está atingindo ou superando as taxas médias de retorno do mercado, segundo dados da GIIN.

“Todo investidor deve ter a opção de investir em algo com impacto positivo.”

Amit Bouri

Investimento de impacto: do que estamos falando?

Investimento de impacto na prática

Ainda envolto em muito preconceito, os investimentos que buscam retorno financeiro e, ao mesmo tempo, impacto social ou ambiental positivo têm crescido fortemente nos últimos anos. Parte dessa visão negativa deve-se à dicotomia inexistente entre retorno financeiro e objetivos maiores para a sociedade, sobretudo conforme mais exemplos de empresas mostram que os dois propósitos estão alinhados.

Este foi o tema que esteve no centro do debate entre Paulo Bellotti, Sócio Fundador e Diretor Executivo da Mov Investimentos, Andrea Oliveira – Sócia Fundadora e CEO da Positive Ventures, Anibal Wadih, Sócio Fundador da GEF Capital, e Daniel Izzo, Sócio, Co-Fundador e CEO da Vox Capital.

Com trajetórias distintas entre si, notamos um consenso entre os palestrantes presentes: a busca por financiamento e apoio a empresas com forte potencial transformacional, muitas vezes utilizando de inovação e tecnologia como forma de se sobressaírem como soluções viáveis a problemas muitas vezes recorrentes no contexto socioambiental atual.

Olhando mais atentamente ao contexto brasileiro, país imerso em uma desigualdade social significativa, os palestrantes pontuaram o fato de que para cada problema decorrente desse desequilíbrio socioeconômico, abrem-se portas para empreendedores emergirem com soluções inovadoras com o intuito de preencher essas lacunas.

Apesar do pouco tempo no painel, os convidados trouxeram inúmeros exemplos de investimentos realizados pela ótica de impacto social ou ambiental positivo e resultado financeiro, como: Magnamed (empresa especializada na produção de ventiladores pulmonares para UTIs que exerceu papel fundamental durante a pandemia), investida pela Vox Capital; Eureciclo (plataforma que emite, homologa e comercializa créditos de carbono obtidos a partir da reciclagem de embalagens) e Labi Exames (rede de laboratórios de exames clínicos de baixo custo), ambas investidas pela Positive Ventures; e Celcoin (app para celular que permite que estabelecimentos comerciais atuem como correspondentes bancários), investida pela Vox Capital, entre outras.

Investimento de impacto é a maneira eficiente de gerar retornos financeiros.”

Anibal Wadih

‘Investimentos de impacto não são uma oportunidade, e sim uma necessidade’, dizem especialistas em private equity e venture capital

Investidores institucionais e seu potencial transformador

Eliane Lustosa (Conselheira, Ex-Diretora do BNDESPAR), Maria Netto (Financial Institutions Principal Specialist do IDB) e Filipe Borsato (Head de Fundos de Investimento do BNDES) debateram sobre o papel do investidor institucional nos investimentos ESG, e em como seu papel pode ser transformador para mercados e sociedades.

Eles destacaram futuras oportunidades do setor, apontando como o mercado de títulos verdes ajuda a fomentar projetos de impacto social e ambiental. A partir da maior maturidade desse mercado, há maior capacidade de realizar projetos mais complexos, unindo benefício monetário, valor econômico e propósito, acreditam.

De acordo com Maria Netto, os investimentos ESG apresentaram acelerado crescimento em 2020, praticamente dobrando de tamanho em comparação ao ano anterior, o que mostra a forte tendência de crescimento e discussão sobre o tema. 

Já Filipe Borsato ressaltou a importância dos investidores institucionais no desenvolvimento de investimentos sustentáveis. O gestor lembrou que, historicamente, investidores institucionais sempre catalisaram esse tipo de iniciativa, primeiramente nos anos 1980, com os chamados investimentos totalmente responsáveis, que foram impulsionados pelos movimentos cívicos dos anos 1960 e 1970

“Investidores Institucionais são indutores das práticas ESG.”

Filipe Borsato

O Papel do Investidor Institucional em ESG

Como seus investimentos impactam o mundo

Colin Le Duc, da Generation Investment Management, foi o convidado do último painel da Expert ESG, representando a gestora fundada em 2005, com sede em Londres, e que dedica-se totalmente a incorporar os padrões ESG em todos os investimentos. Após mais de 16 anos são referência mundial e possuem mais de US$ 30 bilhões em ativos sob gestão. A empresa tem como um dos fundadores o ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore.

Colin explicou que, em 2003 e 2004, estava muito claro que a desigualdade e as mudanças climáticas estavam afetando a lucratividade corporativa. Naquela época, os fundos focavam muito nos resultados de curto prazo. Além disso, muitos fundos surgiram com estratégias diferentes naquela época. Ele destacou a participação de Al Gore com o Prêmio Nobel da Paz justamente por impulsionar essa agenda ambiental.

Para a Generation, entender o ESG proporcionará uma visão mais abrangente sobre os investimentos. A estratégia da gestora é baseada em alta convicção e horizonte de longo prazo.

O mais importante é entender a importância estratégica das empresas e como elas atuam. Eles trabalham muito analisando o futuro das indústrias e selecionam empresas com base em atributos relacionados. Pode-se ter situações em que a empresa tem um legado, mas não tem sustentabilidade, onde não está claro se o produto beneficia a sociedade.

Para Colin, a forma atual de pensar os investimentos é otimizar o risco e o retorno. A maioria dos investidores faz isso. No entanto, eles percebem que é necessário alocar capital também para otimizar os impactos.

Pergunte a si mesmo se você, sua carteira, sua empresa está do lado certo da história. Pergunte a sí mesmo qual é o propósito do meu capital e da minha atividade cotidiana? Será que estou contribuindo para a transição que o mundo tem que fazer em direção a um futuro mais sustentável? Pergunte a si mesmo.”

Colin Le Duc

Pioneiro em investimentos ESG, Colin Le Duc discute os impactos da alocação sustentável

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