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Investimento sustentável será apenas ‘investimento’; entenda a visão de grandes gestores

Gestores abordam como os critérios ESG os ajudam a escolher melhores empresas e assim trazer melhores retornos com menor risco aos seus investimentos

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Para tratar de investimento sustentável em ações e como o ESG influencia a tomada de decisão em seus fundos de investimento, no último dia da Expert ESG tivemos a presença de Hilde Jenssen (Head of Fundamental Equities da Nordea Asset Managemen), Cindy Shimoide (Head of Multi-Asset Portfolio and IC for LATAM da BlackRock), Fabio Alperowitch (Co-Fundador e Gestor de Portfólio da FAMA Investimentos) e Florian Bartunek (Sócio Fundador e CIO da Constellation Investimentos).

Vimos como é importante tratar de temas práticos quando o tema é ESG. Interessante notar que, assim como é o caso no processo de decisão de investimento tradicional, a aplicação do critério ESG também possui fator subjetivo importante e varia significativamente de acordo com o estilo dos gestores. Entretanto, é campo comum entre os gestores participantes que ESG passou a ser parte do dia-a-dia e inerente ao processo de investimento.

Causas da revolução ESG

Uma visão controversa. É consenso entre os palestrantes e público em geral que ESG vem ganhando espaço relevante nas discussões de investimento mundo a fora. No entanto, Fabio Alperowitch trouxe à tona uma crítica construtiva quanto ao processo de evolução da temática ESG no Brasil. Apesar do acrônimo ESG existir a mais de 15 anos, pouca gente sabia do que ele se tratava até poucos anos atrás, desde quando o volume de mídia espontânea e a oferta de produtos relacionados ao tema nunca foram tão grandes. Ele nota, porém, que a demanda por tais produtos não se deu na mesma velocidade. A razão para tal fenômeno seriam dois entendimentos equivocadas: (1) link direto e exclusivo entre ESG e filantropia; e (2) de que a busca por sustentabilidade pelas empresas estaria dissociada ao objetivo de geração de lucro.

Algumas razões comuns entre os palestrantes para o crescente movimento ESG são: (1) mudanças regulatórias a serem implementadas nos próximos anos (gestores de fundos passarão a ter que dar transparência de razões pelas quais não usam ESG no processo de decisão, e não o contrário como acontece hoje); (2) busca por enquadramento dos investimentos, notadamente por parte das pessoas físicas (ESG vem como uma solução para investidores categorizarem empresas dentro de tudo que é importante considerar ao investir); e (3) busca por altos retornos ajustados ao risco (com ESG se fazendo presente desde a fase de geração de ideias, até a gestão de risco dos portfolios).

ESG como parte do processo de investimento

No Brasil a ordem foi “GSE”. Segundo Florian Bartunek, a principal preocupação ao se investir em ações no Brasil sempre foi governança “G”, uma vez que a maioria das empresas possui controle definido, portanto se aprendeu a escolher os controladores com critério. Em seguida apareceu o pilar de social “S” juntamente com o processo de queda das antigamente mais comuns barreiras de entrada no país. Antigamente era comum as empresas terem bons resultados sem uma clara postura de tratar bem as pessoas (seja cliente, funcionários, etc), mas com o advento da tecnologia as pessoas passaram a ter mais opções de serviços e maior transparência, exigindo das empresas maior foco no pilar social. E por fim surge a questão ambiental “E” ao qual o termo ESG tanto se relaciona hoje em dia.

Palestrantes estrangeiros dividiram seus processos de investimento. Hilde Jenssen da Nordea (baseada na Dinamarca) explicou como compõe dois fatores importantes do processo: (1) a parte quantitativa, que se baseia em tecnologia para analisar e tratar dados durante a fase inicial de geração de ideias de investimento. Ela explica a importância da tecnologia e processamento de dados para ganhar escala e eficiência na alocação de tempo; e (2) a parte qualitativa, que segundo ela ainda é a mais importante e responsável pela maior geração de valor (onde eles seguem critérios proprietários de ESG para qualificação dos possíveis investimentos). Já Cindy Shimoide da BlackRock (baseada nos Estados Unidos) comenta seu processo de investimento em três etapas: (1) criar convicção de investimento, fruto principalmente de análise de preço dos ativos e risco da carteira; (2) considerações ESG, que não são capturadas de forma completa pela primeira etapa; e (3) monitoramento dos riscos ESG e demais riscos. Por fim, ela menciona a importância da educação do time de gestão, que passa por treinamentos contínuos sobre ESG no seu setor de atuação.

Um peso e duas medidas. Nem todos os gestores usam a metodologia mais comum de atribuição de notas para cada critério ESG (a BlackRock possui mais de mil critérios, segundo a Cindy), mas todos concordam que o peso atribuído a cada critério deve ser diferente para cada setor, ou seja, a materialidade do fator depende do contexto onde a empresa está inserida (setor, região, etc.). Por exemplo: (1) empresas do setor de energia deverão ter peso alto nos itens relacionados ao meio ambiente como uso da água, redução de lixo, emissão de carbono e outros; e (2) empresas de tecnologia serão avaliadas principalmente pelos critérios de inovação, experiência do consumidor e outros temas mais focados no social e na governança.

Por fim, uma forma bastante ilustrativa de se descrever o ESG e seu uso no processo de decisão de investimento foi dada pelo Florian ao longo do painel. Ele explicou que enxerga as empresas que têm boa avaliação nos critérios ESG como aquelas que são parte da solução, e não parte do problema. Além disso, ele lembrou que para aderir aos critérios ESG, as instituições não precisam abrir mão de nada, pelo contrário, estarão trilhando o caminho da alta performance. No futuro, espera-se que o tema ESG não precise ser discutido de forma separada, mas que ele seja parte totalmente integrada ao processo de investir e como frisou Cindy: “investimento sustentável será apenas investimento”.

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