Radar ESG | Setor de saúde: O ESG ainda está na sala de espera?

Ao longo deste relatório, fazemos uma análise ESG do setor de saúde e destacamos como as empresas brasileiras desse setor dentro do nosso universo de cobertura (NotreDame, Hapvida e Rede D'Or) estão posicionadas quando o tema é ESG.


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As empresas de saúde operam na vanguarda de um dos maiores desafios de longo prazo de todo o mundo – a busca por uma vida mais longa e melhor. Na nossa opinião, o setor de saúde oferece uma combinação interessante de desafios e oportunidades na perspectiva ESG. Para este setor, vemos o pilar Social como o mais importante dos três, seguido pelo de Governança e Meio Ambiente, respectivamente.

Vemos a NotreDame bem posicionada na agenda ESG, com o compromisso da empresa com essa agenda desempenhando um papel importante na sua estratégia, além da companhia estar à frente de seus pares quando se trata da divulgação de dados ESG. Já em relação à Hapvida, vemos com bons olhos os esforços da empresa na agenda ESG, no entanto, entendemos que ainda há espaço para melhorias, principalmente no pilar Social, enquanto no caso de Rede D’Or, vemos a empresa se destacando em relação aos seus pares tanto no pilar Social, principalmente no que diz respeito à qualidade do serviço, quanto no de Governança, com a Família Moll possuindo um forte know-how no setor e sendo a principal acionista da empresa.

Neste relatório, destacamos os principais tópicos ESG que vemos como os mais importantes para o setor e analisamos como as empresas sob o universo de cobertura da XP (GNDI3, HAPV3 e RDOR3) se posicionam quando o tema é ESG.

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Setor de saúde: As empresas estão se preocupando com ESG?

As empresas de saúde operam na vanguarda de um dos maiores desafios de longo prazo de todo o mundo – a busca por uma vida mais longa e melhor. Na nossa opinião, o setor de saúde oferece uma combinação interessante de desafios e oportunidades na perspectiva ESG.

Melhorar a qualidade dos serviços de saúde e, ao mesmo tempo, aumentar o custo-benefício dos tratamentos, estão se tornando cada vez mais os principais objetivos das empresas de saúde. Tendo isso em vista, consideramos que as empresas que são inovadoras, com estratégias de preços bem pensadas e com capacidade de adaptação ao cenário de constante mudança, possuem negócios mais fortes e, portanto, estão melhor preparadas pensando no longo prazo.

Para este setor, vemos o pilar Social como o mais importante dos três, seguido pelo de Governança e Meio Ambiente, respectivamente. Abaixo destacamos os tópicos ESG comuns entre as empresas de saúde, em uma perspectiva setorial.

Ambiental: Impacto limitado, mas ainda importante de monitorar

Empresas de saúde tendem a ter um impacto limitado no meio ambiente o que, consequentemente, faz com que os fatores ambientais tenham um peso reduzido para as empresas deste setor. Ainda assim, destacamos dois tópicos importantes de serem monitorados: (i) emissões de gases do efeito estufa (GEEs) e (ii) gestão e tratamento de resíduos.

Primeiro, em comparação com as indústrias pesadas, as operações de saúde são substancialmente menos intensivas em carbono, no entanto, os riscos relacionados a essa agenda ainda assim representam o desafio ambiental mais substancial dessa indústria. Companhias que operam hospitais e/ou clínicas, como no caso das empresas sob cobertura da XP (RDOR3, GDNI3 e HAPV3), estão mais expostas a esses riscos, pois estão sujeitas a uma série de normas rígidas que podem restringir a implementação de certas oportunidades de eficiência energética e, portanto, reduções nas emissões de carbono. Por exemplo, as áreas clínicas devem atender aos padrões de iluminação específicos para a observação do paciente, enquanto as salas de cirurgia têm controles rígidos sobre a faixa de temperatura e os níveis de umidade. Os hospitais também funcionam sem interrupções, portanto, não há possibilidade de usar o “tempo de inatividade” nos sistemas de iluminação ou ar-condicionado, e as fontes de energia elétrica devem estar sempre disponíveis imediatamente.

Segundo, em relação à gestão e tratamento de resíduos, os hospitais e outras unidades de saúde geram uma quantidade cada vez maior de resíduos, dos quais aproximadamente 15% podem ser infecciosos, tóxicos ou radioativos. Dito isso, vemos a gestão de resíduos como uma questão importante a ser analisada e monitorada para as empresas do setor de saúde.

Social: No centro da equação ESG

Fatores sociais são fundamentais em nossa análise ESG, pois as empresas brasileiras de saúde desempenham um papel crucial para as comunidades que atendem. Por esta razão, elas estão frequentemente no debate público sobre como lidar com os custos crescentes de saúde, como lidar com a falta de transparência em relação aos preços e como melhorar o acesso aos serviços com qualidade. Na frente Social, destacamos três tópicos principais:

(i) Segurança e qualidade do serviço: As empresas de saúde têm a enorme responsabilidade de garantir que estejam mantendo os mais altos padrões de segurança e qualidade de seus serviços. Para esta avaliação, analisamos medidas como satisfação do paciente e atendimento oportuno e eficaz como representantes para a qualidade dos serviços de saúde nos hospitais.

(ii) Gestão da mão de obra: Dada a importância da inovação e da qualidade do serviço para o desempenho das empresas de saúde, atribuímos especial importância ao fator capital humano na nossa avaliação. A manutenção do conhecimento e a garantia da capacidade de inovação são questões fundamentais, especialmente no contexto em que fusões e aquisições são recorrentes no setor, bem como a reestruturação das empresas frente a esses processos. Portanto, ter uma estratégia adequada de atração e retenção de talentos é crucial para garantir que uma empresa tenha o número adequado de pessoas qualificadas para alcançar suas ambições. Neste caso, como se tratam de funcionários cujas habilidades são altamente especializadas, a competição por talentos é enorme. Dito isso, recrutar e reter os melhores funcionários é uma questão chave para impulsionar a inovação e o valor em empresas com intensa atividade de Pesquisa & Desenvolvimento.

(iii) Privacidade e segurança de dados: A proteção de dados tornou-se um risco social notável à luz das leis emergentes de privacidade e proteção de dados. Em nossa visão, a preocupação crescente com empresas que coletam uma série de dados pessoais referentes à saúde de seus clientes faz com que exista um risco de aumento nos custos de conformidade – em outras palavras, à medida que a atenção do público ao problema se intensifica, as empresas com controles inadequados em vigor podem ter que pagar compensações significativas aos clientes no caso de uma violação.

Governança: Diversidade na liderança deixa muito a desejar

A governança corporativa é uma questão-chave padrão para todas as empresas, independentemente do setor de atuação. Para o setor de saúde, reconhecemos positivamente que as três empresas sob nossa cobertura (RDOR3, GDNI3 e HAPV3) possuem suas ações listadas no Novo Mercado, o mais alto padrão de governança corporativa do mercado brasileiro. No entanto, vemos espaço para melhorias tanto na independência quanto na diversidade do Conselho de Administração dessas companhias. Primeiro, em relação à independência, notamos a ausência de maioria independente nos três Conselhos – os membros independentes nos Conselhos da Rede D’Or, NotreDame Intermédica e Hapvida representam 29%, 33% e 29%, respectivamente. Por fim, no que se refere à diversidade, acreditamos que há muito a ser feito, uma vez que não há nenhuma mulher tanto no Conselho de Administração quanto na Diretoria Executiva das três empresas.


NotreDame (GNDI3): Cuidar da agenda ESG traz saúde ao negócio

Vemos o compromisso da NotreDame Intermédica com a agenda ESG desempenhando um papel importante na estratégia da empresa e vemos a companhia à frente de seus pares quando se trata da divulgação de dados ESG. No pilar E, destacamos positivamente a divulgação histórica envolvendo o uso de água, o consumo de energia e a gestão de resíduos da empresa, enquanto na frente S, destacamos as sólidas e gratuitas iniciativas da empresa em medicina preventiva, além de um robusto Código de Conduta e Ética, que supera seus pares no setor nos esforços para gerenciar riscos de envolvimento potencial em práticas de negócios antiéticas. No pilar G, a GNDI é uma Corporation, ou seja, não possui acionista controlador, enquanto o Conselho de Administração da empresa carece de maioria independente, ao mesmo tempo em que vemos espaço para melhorias na promoção da igualdade de gênero nos cargos de liderança, uma vez que não há mulheres tanto no Conselho quanto na Diretoria Executiva da empresa.

Ambiental: Robustas iniciativas para reduzir seus impactos ao meio ambiente

A gestão do pilar Ambiental é orientada pela Política de Meio Ambiente, Sustentabilidade e Segurança do Trabalho (MASS) da GNDI, que estabelece responsabilidades, critérios e compromissos para guiar suas operações. Em seu Relatório de Sustentabilidade, a NotreDame afirma que ainda não possui metas específicas para esses temas – porém, do lado positivo, a empresa destaca que está buscando consolidar o monitoramento dos indicadores e resultados apresentados abaixo, o que, a nosso ver, é um importante passo para a empresa avançar nesta agenda. Dentre as iniciativas atuais que visam minimizar os impactos da GNDI ao meio ambiente, destacamos:

(i) Consumo de Energia: A empresa está implementando em seus hospitais um sistema de automação e monitoramento em tempo real, denominado Follow Energy, que permite o acompanhamento da demanda de energia, mapeando com precisão o perfil de consumo de cada unidade da empresa. Além disso, outro projeto em andamento refere-se à substituição da iluminação de 100% dos hospitais por lâmpadas LED, que consomem menos energia. Apesar de constatarmos que o consumo de energia aumentou consideravelmente nos últimos anos, principalmente devido ao crescimento do número de unidades (veja o gráfico da esquerda abaixo), saudamos os esforços da empresa no monitoramento do seu consumo, embora ainda vejamos espaço para melhorias. Do lado positivo, reconhecemos os esforços da GNDI para buscar fontes de energia mais limpas, com destaque para a política da empresa de abastecimento de sua frota com etanol, o que levou à redução do consumo de gasolina (gráfico à direita).

(ii) Gerenciamento de resíduos: Conforme mencionado anteriormente, o gerenciamento de resíduos é uma questão importante para as empresas do setor de saúde, dados os altos níveis de geração de resíduos hospitalares, das quais parte são classificados como “perigosos”, por se tratarem de materiais infecciosos, tóxicos ou radioativos (gráfico ao lado). Sobre este tema, reconhecemos de forma positiva o forte compromisso da GNDI em gerenciar adequadamente seus resíduos: a empresa possui seu próprio Plano de Gerenciamento de Resíduos, que estabelece os procedimentos para manuseio, armazenamento, coleta interna e externa e destinação final de resíduos sólidos conduzida por empresas especializadas licenciadas por autoridades governamentais. Além disso, vale destacar que toda unidade GNDI possui uma Comissão de Resíduos, formada pelos responsáveis dos setores.

Social: Código de Conduta e Ética é o principal destaque

(i) Segurança e qualidade do serviço: A GNDI adotou medidas robustas de segurança do consumidor, sem ter recebido advertências regulatórias nos últimos três anos. Adicionalmente, destacamos que a empresa possui importantes certificados, com destaque para: (i) Certificação da Organização Nacional de Acreditação (ONA) – entidade não governamental que atesta a qualidade dos serviços de saúde no Brasil – nos Níveis 1 (Acreditado), 2 (Acreditado pleno) e 3 (Acreditado com excelência); e (ii) Certificação Diamante no Qmentum International Accreditation Program, metodologia que orienta e monitora padrões de alta performance em qualidade e segurança na área de saúde, alinhada aos princípios de Governança Clínica, sendo utilizada em mais de 50 países ao redor do mundo. Por fim, destacamos o robusto Código de Conduta e Ética da GNDI, que coloca a empresa à frente de seus pares da indústria nos esforços para gerenciar riscos de potencial envolvimento em práticas de negócios antiéticas.


(ii) Gestão do Trabalho: A NotraDame possui mais de 14 mil colaboradores e a empresa adota iniciativas de promoção da saúde e estímulo ao desenvolvimento do autocuidado de sua força de trabalho, as quais acolhemos com satisfação. Sobre a diversidade de gênero, notamos que as mulheres representam 79,4% da força de trabalho total da GNDI (veja o gráfico ao lado), e destacamos que desde 2019 a empresa se tornou signatária dos Princípios de Empoderamento das Mulheres da ONU (WEPs), que orienta as empresas sobre as melhores práticas para o empoderamento das mulheres.

(iii) Privacidade e segurança de dados: Empresas que fornecem planos e serviços de saúde normalmente lidam com grandes volumes de informações confidenciais de pacientes e, portanto, estão expostas à riscos potenciais de segurança de dados. Nesse sentido, vemos espaço para uma política de privacidade mais rígida por parte da NotreDame, como por exemplo, via auditorias regulares do sistema de gestão de segurança da informação.

Governança: Uma Corporation

A GNDI é uma Corporation – ou seja, não possui um acionista controlador – e as ações da empresa (GNDI3) são listadas no Novo Mercado, o mais alto padrão de governança corporativa da B3. Além disso, destacamos que a NotreDame possui diretrizes positivas em governança corporativa, alinhadas ao IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa). Em relação ao Conselho de Administração da empresa, vale ressaltar que ele carece de maioria independente (2 dos 6 membros) e, no que diz respeito à diversidade, vemos espaço para melhorias na promoção da igualdade de gênero nos cargos de liderança, uma vez que não há mulheres tanto no Conselho de Administração quanto na Diretoria Executiva da empresa.

MSCI ESG Ratings

A NotreDame Intermédica possui classificação BBB pela MSCI ESG Ratings. Em uma perspectiva global, a classificação BBB coloca a GNDI dentre os 30% de empresas com esta classificação sob os constituintes do Índice MSCI ACWI no setor de Saúde (45 empresas).


Hapvida (HAPV3): Existe espaço para melhoria até alcançar uma gestão ESG mais saudável

Vemos com bons olhos os esforços da Hapvida na agenda ESG, no entanto, entendemos que ainda há espaço para melhorias, principalmente no pilar S, pois notamos esforços relativamente limitados para lidar com os riscos demográficos, riscos de saúde e a falta de políticas robustas de proteção de dados. Na frente E, reconhecemos positivamente a gestão ambiental da empresa relacionada com (i) a medição e gestão dos resíduos sólidos produzidos; (ii) as regras para a eliminação adequada de resíduos; e (iii) o uso racional de energia e água. No pilar G, a Hapvida é uma holding, com a PPAR Pinheiro Participações S.A. sendo acionista controlador (68,8%), e a empresa possuem suas ações (HAPV3) listadas no Novo Mercado. Por fim, destacamos a presença de um Comitê de Sustentabilidade, liderado por um membro do Conselho – vemos esse compromisso como chave para aprimorar ainda mais os avanços na agenda ESG da empresa.

Ambiental: Iniciativas robustas, mas a falta de dados históricos limita nossa análise

Em linha com as práticas positivas de sustentabilidade, a Hapvida tem o compromisso de contribuir para a preservação do meio ambiente. A empresa obedece às rígidas legislações e exigências de seu setor de atuação e promove campanhas de comunicação interna para o consumo consciente dos recursos naturais. A sua gestão ambiental engloba a medição e gestão dos resíduos sólidos produzidos, as regras para a destinação adequada dos resíduos e o uso adequado e racional de energia e água.

(i) Consumo de energia: A Hapvida monitora seu consumo de energia e, para se tornar mais eficaz na gestão ambiental, adotou em 2018 uma série de iniciativas com o objetivo de reduzir seu consumo por meio de uma ampla revisão de obras realizadas tanto em novas construções quanto em reformas de espaços já existentes, com destaque para: (i) sistemas de ar condicionado com Fluxo Refrigerante Variável, que consome cerca de 35% menos energia; e (ii) em 2019, a Hapvida firmou parceria com uma empresa fornecedora de energia solar, buscando alternativas de fontes renováveis. Apesar de ver os esforços da empresa como positivos, os números sobre a evolução do consumo de energia não estão disponíveis, dados estes que são fundamentais para avaliar a eficácia das iniciativas mencionadas acima.

(ii) Gerenciamento de resíduos: Cada unidade operacional da empresa possui um Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde (PGRSS) específico e conta com prestadores de serviços bem treinados e licenciados para o descarte dos materiais. Os resíduos sólidos são descartados sob regulamentação específica quanto à correta destinação, transporte e destinação final – conforme Resolução da Diretoria da ANVISA, Resolução do CONAMA, Legislação Federal, Estadual e Municipal. Além disso, a empresa segue também suas próprias normas e procedimentos específicos estabelecidos no seu plano de gestão de resíduos hospitalares, que segue minuciosamente as diretrizes de coleta, transporte e destinação final de cada tipo de resíduo. Ao longo de 2019, a Hapvida produziu cerca de 6,5 mil toneladas de resíduos, dos quais 26,9% eram resíduos “perigosos”. Assim como para o consumo de energia, não encontramos informações sobre a evolução histórica deste número, o que limita nossa análise.

Social: Espaço para melhorias


(i) Segurança e Qualidade do Serviço: a Hapvida expandiu significativamente em 2019 sua base de clientes por meio de aquisições. Assim, ao final de 2019, a empresa controlava uma carteira de 6,3 milhões de clientes (gráfico ao lado), um aumento de 56,8% em relação a 2018. Mesmo com o crescimento da base de clientes, o Hapvida alcançou 3,12 pontos no Índice de Reclamações de Clientes da ANS, muito melhor do que a média da indústria brasileira de 4,76.

(ii) Gestão de Mão de Obra: a Hapvida possui mais de 22 mil colaboradores, entre estagiários e jovens aprendizes. Por meio do Programa Sentinela, coordenado pela Auditoria Interna, os colaboradores da Hapvida, incluindo prestadores de serviços e terceirizados, são continuamente treinados para a adoção de condutas adequadas perante o enfrentamento de qualquer questão ética em seu dia a dia. Quando se trata de diversidade, notamos que as mulheres representam 69,2% da força de trabalho total da empresa.

(iii) Privacidade e Segurança de Dados: Embora a Hapvida tenha instituído uma política de privacidade para mitigar sua exposição aos riscos relacionados à segurança de dados, ela ainda precisa adotar políticas, padrões e procedimentos de segurança de informações abrangentes, incluindo auditorias internas periódicas.

Governança: Comitê de Sustentabilidade é o principal destaque

A Hapvida é uma holding, sendo a PPAR Pinheiro Participações S.A. a controladora da empresa (68,8%). As ações da Hapvida (HAPV3) estão listadas no Novo Mercado e a empresa possui diretrizes positivas em governança corporativa, alinhadas ao IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa). Por outro lado, vale ressaltar que: (i) o Conselho de Administração da empresa carece de maioria independente (2 dos 7 membros); e (ii) destacamos a ausência de mulheres tanto no Conselho de Administração quanto na Diretoria Executiva. Por fim, destacamos positivamente o Comitê de Sustentabilidade da Hapvida, que é liderado por um membro do Conselho, e vemos esse compromisso como a chave para aprimorar ainda mais os avanços na agenda ESG da empresa.

MSCI ESG Ratings

A Hapvida possui uma classificação B pela MSCI ESG Ratings. Em uma perspectiva global, a classificação B coloca a HAPV dentre os 9% de empresas com essa classificação sob os constituintes do Índice MSCI ACWI no setor de Saúde (45 empresas).


Rede D’Or (RDOR3): Há espaço para uma agenda ESG ainda mais saudável; Qualidade do serviço é destaque

Vemos a Rede D’Or com esforços robustos na agenda ESG e destacamos positivamente a elaboração de um relatório de sustentabilidade desde 2015. No pilar E, destacamos as divulgações de dados históricos envolvendo uso de água, consumo de energia e gestão de resíduos da empresa. Em relação ao pilar S, vemos a Rede D’Or se destacando em relação aos seus pares, principalmente no que diz respeito à qualidade do serviço: (i) 75% dos hospitais são credenciados; (ii) indicadores clínicos superiores (em relação à média do ANAHP); e (iii) reconhecimento do paciente – 72 NPS. Por último, mas não menos importante, na frente G, a Família Moll é a principal acionista da empresa (52,4%), família com forte conhecimento (know-how) no setor, e as ações da Rede D’Or (RDOR3) estão listadas no Novo Mercado. Em relação ao Conselho de Administração, o Sr. Jorge Moll Filho, fundador da empresa, é o Presidente, enquanto o Conselho carece de maioria independente. Em relação à diversidade, vemos espaço para melhorias, considerando a ausência de mulheres tanto no Conselho de Administração quanto na Diretoria Executiva.

Ambiental: Lição de casa bem feita; Todos os olhos voltados para as próximas etapas

A empresa realiza auditorias internas regularmente para avaliar o cumprimento e a adesão de seus planos e metas de gestão ambiental. Um dos objetivos é gerenciar e monitorar todas as licenças e autorizações hospitalares em todo o Grupo – as licenças operacionais e de trabalho também são tratadas pelas políticas internas da empresa.

(i) Consumo de energia: A gestão eficiente de energia é prioridade nas operações da Rede D’Or, e a empresa vem investindo continuamente em tecnologia e infraestrutura para economizar  energia e aumentar a sua eficiência energética – como referência, entre 2017 e 2019, mais de R$ 15 milhões foram alocados para projetos de eficiência energética. Os hospitais de São Lucas (SE) e UDI (MA) da Rede D’Or obtêm energia elétrica no mercado livre, enquanto em São Rafael (BA), a energia solar é utilizada para aquecimento de água com um sistema de 288 painéis solares que geram em média 156 kWh por mês. Além disso, a empresa investe em sistemas híbridos de ar condicionado em alguns hospitais, que proporcionam economia de custos e benefícios ambientais, entre outras iniciativas. Em 2019, o consumo total de energia da RDOR foi de 903.598,30 GJ, 13,72% maior do que em 2018, o que é explicado pelas aquisições e expansões durante o ano (veja o gráfico da esquerda abaixo).

(ii) Gerenciamento de resíduos: Cada unidade hospitalar possui seu próprio plano de gerenciamento de resíduos hospitalares em conformidade com a ANVISA / RDC, CONAMA e outras políticas relacionadas, incluindo seu padrão corporativo de gerenciamento de resíduos e padrões de procedimentos operacionais. Departamentos específicos em cada hospital monitoram diariamente os volumes de descarte de resíduos por tipo de material e reportam os indicadores de resíduos ao Departamento de Sustentabilidade Corporativa para uma revisão mensal. Iniciativas são implementadas periodicamente para minimizar a geração de resíduos e melhorar as práticas de tratamento. Em 2019, a Rede D’Or gerou 23.742,25 toneladas de resíduos, dos quais 21,29% eram resíduos tóxicos (gráfico da direita abaixo).

Social: Destaque vs. pares no quesito segurança e qualidade do serviço

A empresa mantém altos padrões de ética e integridade em suas práticas de atendimento e transações comerciais. Ao fazer isso, eles observam os princípios estabelecidos no código de conduta, no programa de integridade e na política corporativa de anticorrupção.

(i) Segurança e Qualidade do Serviço: Desde 2012, a Rede D’Or aprimorou o processo de mensuração da qualidade dos serviços prestados e desenvolveu um sistema de pesquisa inovador no mercado hospitalar brasileiro, denominado Pesquisa Contínua de Satisfação do Paciente, que permite entender as necessidades e expectativas dos clientes em relação aos serviços prestados.

No final do ano de 2019, 34 de seus hospitais e clínicas eram credenciados por organizações especializadas nacionais (21 unidades) e internacionais (13 unidades). No âmbito da Organização Nacional de Acreditação (ONA), principal organismo de acreditação do Brasil, seis hospitais foram elevados ao nível “Acreditado com Excelência” (enquanto três foram recertificados neste nível), padrão de qualidade mais elevado da organização, um foi elevado para nível “Acreditação Completa”  e um foi certificado dentro do programa “QMentum International Accreditation”.

Dito isso, vemos a Rede D’Or se destacando em relação aos pares no que diz respeito à qualidade do serviço, com 75% dos hospitais credenciados, indicadores clínicos superiores (em relação à média do ANAHP) e reconhecimento do paciente (72 NPS).

(ii) Gestão de Mão de Obra: Sendo a maior rede hospitalar privada do Brasil, em 2019 a Rede D’Or contava com uma força de trabalho de ~ 51 mil funcionários diretos, apoiados por 14 mil  funcionários terceirizados, todos comprometidos com a missão da empresa de entregar serviços de alta qualidade. Além disso, destacamos os esforços atuais da RDOR para reduzir sua taxa de rotatividade, juntamente com as pesquisas mensais com funcionários recém-contratados para avaliar o quão bem eles têm sido capazes de se adaptar à empresa. Sobre a diversidade, notamos que as mulheres representam 73,6% da força de trabalho total da RDOR.

(iii) Privacidade e segurança de dados: Como mencionado anteriormente, as empresas que fornecem planos e serviços de saúde normalmente lidam com grandes volumes de informações confidenciais de pacientes e, portanto, estão expostas a potenciais riscos de segurança de dados. No caso da Rede D’Or, a Política de Segurança da Informação da empresa está em revisão, em um exercício que incluiu o benchmarking das melhores práticas e a incorporação dessas práticas em seus processos. Um grupo de trabalho multidisciplinar é responsável por revisar e reformular todos os processos relacionados aos dados do paciente de acordo com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) do Brasil.

Por fim, destacamos que a Rede D’Or é dona de uma instituição sem fins lucrativos para promover a pesquisa, educação e inovação em saúde, chamada IDOR. Como centro educacional, o IDOR oferece programas de doutorado, graduação, especialização, extensão e residência. A instituição, fundada em 2010, é hoje líder em pesquisa e ciência em uma ampla gama de campos médicos e no treinamento de profissionais de saúde.

Governança: Uma empresa familiar bem estruturada

A Família Moll é a principal acionista da empresa (52,4%), família com forte conhecimento (know-how) do setor, e as ações da Rede D’Or (RDOR3) estão listadas no Novo Mercado. Em relação ao Conselho de Administração, o Sr. Jorge Moll Filho, fundador da empresa, é o Presidente, enquanto o Conselho carece de maioria independente. Em relação à diversidade, vemos espaço para melhorias, considerando a ausência de mulheres tanto no Conselho de Administração quanto na Diretoria Executiva.


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