Bom dia! Neste relatório diário publicado todas as manhãs pelo time ESG do Research da XP, buscamos trazer as últimas notícias para que você comece o dia bem informado e fique por dentro do temaESG – do termo em inglês Environmental, Social and Governance ou, em português, ASG – Ambiental, Social e Governança.
Quais tópicos abordamos ao longo do conteúdo? (i) Notícias no Brasil e no mundo acerca do tema ESG; (ii) Performance histórica dos principais índices ESG em diferentes países; (iii) Comparativo da performance do Ibovespa vs. ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial, da B3); e (iv) Lista com os últimos relatórios publicados pelo Research ESG da XP.
Principais tópicos do dia
• O mercado encerrou a semana passada em leve alta, com o Ibovespa subindo 0,44% e o ISE, 0,03%. O pregão de sexta-feira também fechou no positivo, com o IBOV e o ISE subindo 0,74% e 0,64%, respectivamente.
• No Brasil, o Ministério da Fazenda informou que o Plano de Transformação Ecológica (PTE) já mobilizou R$ 140 bilhões por meio da plataforma Eco Invest Brasil, captou US$ 5,5 bilhões em títulos soberanos sustentáveis e multiplicou o Fundo Clima em 316x, alcançando R$ 27,5 bilhões – sendo coordenado pelo Ministério da Fazenda, o PTE foi lançado em 2023 e compreende instrumentos financeiros, mecanismos de mercado e marcos regulatórios voltados a ampliar o financiamento sustentável, atrair capital privado e dar previsibilidade asetores estratégicos da transformação ecológica.
• No internacional, (i) as tarifas impostas pela União Europeia sobre veículos elétricos chineses não têm sido suficientes para conter o avanço das montadoras da China no mercado europeu – apesar da medida ter como objetivo fortalecer a competitividade da indústria europeia, a participação de mercado das montadoras chinesas na região aumentou 3,9 pontos percentuais em um ano, atingindo 8,7%; e (ii) nos EUA, as empresas norte-americanas podem enfrentar um aumento de 40% a 120% nos custos de energia renovável com o encerramento dos subsídios previstos na Lei de Redução da Inflação (Inflation Reduction Act) para projetos solares e eólicos – paralelamente, a forte demanda dos data centers vem consumindo grande parte da oferta disponível de energia limpa, pressionando os preços e dificultando o cumprimento de metas corporativas e políticas de descarbonização.
Gostaria de receber os relatórios ESG por e-mail? Clique aqui.
Gostou do conteúdo, tem alguma dúvida ou quer nos enviar uma sugestão? Basta deixar um comentário no final do post!
Brasil
Empresas
Naturgy busca manter concessão de gás e eletricidade no Rio
“A Naturgy, multinacional espanhola de energia com atividades nas áreas de gás natural e eletricidade, pretende participar de uma eventual licitação que o governo do Rio venha a fazer para os serviços de gás canalizado no Estado. “Se for esse o caso [a realização da licitação], estaremos presentes”, diz Pedro Larrea, vice-presidente e diretor-geral de redes da Naturgy, responsável pela área internacional de distribuição de gás e eletricidade do grupo. Larrea diz, porém, que na visão da empresa, a melhor opção seria pela renovação das concessões da CEG e da CEG Rio, distribuidoras de gás canalizado que atendem a capital, a região metropolitana e o interior do Estado. As duas distribuidoras estão sob controle da Naturgy desde 1997 em contratos de concessão válidos por 30 anos, que expiram em julho de 2027. “Pensamos que é do interesse da cidadania [fluminense] a renovação da concessão”, disse Larrea ao Valor. O argumento se apoia no fato de que, em 28 anos de operação, a CEG e a CEG Rio, que operam sob a marca Naturgy, investiram R$ 12 bilhões, o que levou o Rio a ter o maior nível de gaseificação do Brasil, segundo a companhia. No período, a companhia triplicou as redes de distribuição de 2 mil para mais de 6,6 mil quilômetros. O Rio responde por mais de 20% do consumo nacional de gás natural e por 70% da produção do insumo. Nas discussões com o governo do Estado, a Naturgy apresentou um plano de investimento de R$ 14 bilhões na hipótese de prorrogação dos contratos de concessão por mais 30 anos. Com isso, seria possível levar gás natural a 22 novos municípios, totalizando mais de 1,2 milhão de usuários adicionais. O plano inclui ainda a construção de 1,7 mil quilômetros de rede de distribuição e a criação de mais de 45 mil empregos. O interesse na prorrogação foi manifestado oficialmente pela Naturgy ao governo do Estado do Rio em julho de 2024, conforme previsto na Lei estadual 1481/1989, vigente à época da assinatura do contrato de concessão. Apesar do pedido, a renovação não foi adiante até o momento. No ano passado, o governo estadual encomendou um estudo à Fundação Getulio Vagas (FGV) para avaliar se seria mais interessante renovar a concessão ou fazer uma nova licitação. A FGV fez um diagnóstico, mas evitou recomendar uma ou outra opção, como mostrou o Valor em fevereiro de 2026. O trabalho indicou, porém, que a não renovação poderia resultar em indenização de R$ 9,4 bilhões a ser paga pelo Estado. No mesmo mês, o governo do Rio, à época sob comando de Cláudio Castro, decidiu que o caminho seria o de nova licitação, mais vantajosa para os cofres estaduais. Em março, Castro renunciou e quem assumiu foi o desembargador Ricardo Couto, cuja perspectiva é se manter no cargo até as eleições de outubro, fazendo a transição para o governador eleito. A atual gestão do Estado se manifestou em nota. “Em relação ao contrato de concessão de distribuição de gás, decidiu-se, com o objetivo de evitar a descontinuidade na prestação destes serviços, priorizar a elaboração de procedimentos administrativos necessários para uma possível licitação ou renovação. A expectativa do governo é de que até dezembro 2026 esta etapa esteja concluída, deixando à disposição do próximo governador eleito os produtos necessários para que seja tomada a decisão mais adequada para a concessão do gás.”
Fonte: Valor Econômico; 06/07/2026
Axia Energia e Alupar vencem leilão de transmissão, que tem deságio médio de 53,2%
“A Axia Energia, antiga Eletrobras, ficou com três dos quatro lotes do leilão de transmissão realizado nesta sexta-feira na B3, em São Paulo. O maior ativo, no entanto, foi vencido pelo Consórcio Olympus XX, formado pela Alupar e pela Infra 2 Investment, da Perfin. De acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), os investimentos totais somam R$ 1,8 bilhão. O deságio médio foi de 53,2%, o que representa o terceiro maior desconto desde 2017 para o segmento. O Lote 7, o primeiro a ser ofertado, ficou com o consórcio da Alupar e da Perfin, que ofereceu uma Receita Anual Permitida (RAP) de R$ 96,7 milhões, valor que representa um desconto de 52% em relação à RAP máxima estipulada pela Aneel. O trecho abrange 35 quilômetros (km) de linhas subterrâneas, além de 1.200 megavolt-ampère (MVA) em capacidade de transmissão em São Paulo. A transmissora não vencia certames do segmento desde 2024. A Axia, por sua vez, ficou com o Lote 8 após ofertar R$ 10,8 milhões de RAP, montante que representa um deságio de 59%. O trecho corresponde a 6 km de linhas aéreas, além de 300 MVA de capacidade de transmissão no Mato Grosso do Sul. A mesma companhia levou também o Lote 9 com uma RAP de R$ 16,2 milhões, desconto de 57,2% em relação à RAP máxima. O ativo compreende 19 km de linhas aéreas, além de 300 MVA em capacidade de transmissão no Estado de São Paulo. Por fim, a elétrica ficou ainda com o Lote 10 ao ofertar RAP de R$ 23,75 milhões, deságio de 51,8%. Assim, será responsável por construir e operar 600 MVA em capacidade de transmissão no Mato Grosso. Segundo o vice-presidente executivo da Axia Energia, Élio Wolff, a empresa optou por buscar ativos nos quais já tem experiência. A companhia ficou com os trechos que abrangem linhas aéreas e subestações, e não apresentou proposta para o lote que contempla infraestrutura subterrânea. “O Lote 7 é peculiar, ele é subterrâneo e em São Paulo (SP), o que traz uma complexidade diferente. Por isso, optamos por focar nos lotes 8, 9 e 10. É um pouco da cabeça da empresa, focar naquilo que a gente tem expertise”, disse a jornalistas após o certame na B3. Os ativos compreendem obras em três Estados, com investimentos estimados em cerca de R$ 700 mil. Isso se soma a carteira de projetos adquiridos em outros certames do segmento, que ficam entre R$ 7 bilhões e R$ 8 bilhões. Ainda nesta frente, a companhia está aportando outros R$ 4 bilhões, considerando os reforços e melhorias nas linhas e subestações já existentes.”
Fonte: Valor Econômico; 06/07/2026
Embalagens dão voz a causas sociais e ambientais
“Caixas de leite, embalagens de cosméticos e até etiquetas deixaram de servir apenas para informar composição, validade e modo de uso. Esses espaços vêm sendo usados, cada vez mais, para disseminar mensagens de conscientização e aproximar causas sociais e ambientais da rotina do consumidor – um movimento que ganha força à medida que cresce a expectativa de que as marcas assumam um papel mais ativo não apenas no debate público, mas também na promoção de mudanças concretas na sociedade. Uma das empresas que apostam nessa estratégia é a Piracanjuba. Desde 2024, a marca de laticínios utiliza suas embalagens de leite para divulgar fotos de pessoas desaparecidas em parceria com a ONG Mães da Sé. Recentemente, a companhia decidiu ampliar o escopo da iniciativa social e desde abril passou a estampar mensagens de conscientização sobre o transtorno do espectro autista (TEA) nas caixinhas distribuídas por todo o país. As frases curtas e diretas, como “autismo não é doença” e “cada pessoa autista é única”, foram elaboradas em parceria com a organização Autistas Brasil. “O Brasil é hoje um dos maiores polos de desinformação sobre autismo. Então, pensamos em mensagens curtas, com respaldo científico, mas que fossem compreensíveis para qualquer pessoa”, afirmou ao Valor, o presidente da entidade, Guilherme de Almeida. Segundo o executivo, trata-se de uma das maiores campanhas com essa temática no mundo, por causa do alcance dos produtos da Piracanjuba, que distribui cerca de 50 milhões de litros de leite por mês em todo o país. A diretora de marketing do grupo de laticínio, Lisiane Campos, conta que houve adesão de supermercados, que voluntariamente – e sem custos – passaram a veicular informações sobre autismo nos telões e encartes. “Estamos vendo um enorme engajamento espontâneo”, disse. As campanhas se tornarão recorrentes. Em agosto, as embalagens voltam a trazer rostos de desaparecidos; e em abril, será a vez novamente das mensagens sobre autismo. Para a diretora-presidente (CEO) da agência Ampfy, Andrea Siqueira, a estratégia vai além de uma ação pontual de comunicação. “A embalagem virou uma plataforma de conscientização. A ideia é usar essa capilaridade para falar de temas urgentes da sociedade”, disse ela, que também é responsável pelo projeto. a iniciativa vai ao encontro do que os consumidores entendem como papel social das companhias. Estudo da consultoria Ipsos aponta que 85% dos brasileiros acreditam que as empresas têm o dever de contribuir com a sociedade; no mundo, esse indicador é de 82%. Segundo o gerente sênior de reputação corporativa e opinião pública da Ipsos, Rafael Pisetta, isso acontece porque existe uma percepção crescente de que apenas ações individuais não são suficientes para enfrentar problemas como mudanças climáticas, desigualdade ou inclusão social.”
Fonte: Valor Econômico; 06/07/2026
El Niño e alta de custos desestimulam o plantio de trigo no país
“A safra brasileira de trigo em 2026 deve registrar uma das maiores retrações dos últimos anos. A combinação entre preços pouco atrativos, aumento dos custos de produção, dificuldade de acesso ao crédito e a previsão de um ano de El Niño desestimulou o plantio em praticamente todos os Estados produtores. Além da redução de área, especialistas afirmam que o clima ainda pode comprometer a produtividade e a qualidade dos grãos, elevando a necessidade de importações. Segundo o último levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a área plantada com a cultura no Brasil em 2026, semeada em grande parte entre abril e julho, deve encolher 13,4% em relação ao ano passado, atingindo 2,117 milhões de hectares. A estimativa da consultoria Safras& Mercado é de uma queda maior, de 17%, saindo de 2,3 milhões para 1,9 milhão de hectares. Com isso, a produção nacional pode cair 26,8%, de 8,12 milhões para 5,9 milhões de toneladas. “O comportamento é praticamente unânime em todos os Estados produtores: redução de área, menor produção e expectativa de perdas de produtividade”, afirma Élcio Bento, analista da Safras & Mercado. “Os preços não têm atraído o produtor, e outras culturas estão oferecendo uma relação de risco e retorno mais favorável. Além disso, o produtor do Sul vem de sucessivas quebras de safra, tanto no verão quanto no inverno, e está mais receoso em investir no trigo”, diz Jonathan Pinheiro, analista de inteligência de mercado da StoneX. No Rio Grande do Sul, maior produtor nacional de trigo, onde agricultores enfrentam uma grave crise de endividamento após várias safras de verão com problemas climáticos, a queda deve ser ainda mais drástica. A Emater-RS, empresa pública de extensão rural do Estado, estima o plantio de 814 mil hectares com o cereal em 2026, um tombo de 30% em comparação com o 1,16 milhão de hectares da safra passada, e a menor área desde 2019. Os prognósticos para o clima são um dos principais fatores para a redução. Com o fenômeno El Niño, o inverno gaúcho deverá ter temperaturas e precipitações acima da média, situação que deverá se acentuar na primavera, segundo Flávio Varone, agrometeorologista da Secretaria Estadual da Agricultura (Seapi). “Isso se refletirá em desafios no fim do ciclo da safra de inverno, já que o excesso de chuvas prejudica a qualidade do grão e atrapalha a colheita”, ressalta. A previsão faz com que os produtores fiquem mais cautelosos em investir na cultura, como é o caso de João Carlos Bilibio, de Ciríaco (RS). Enquanto no ano passado ele plantou 140 hectares de trigo, em 2026 vai dedicar apenas 25 hectares para o cereal.”
Fonte: Valor Econômico; 06/07/2026
Política
Fazenda: Plano de Transformação Ecológica capta US$ 5,5 bi e multiplica Fundo Clima em 316 vezes
“O Ministério da Fazenda informou, nesta sexta-feira (3/7), que o Plano de Transformação Ecológica (PTE) mobilizou R$ 140 bilhões pelo Eco Invest Brasil, captou US$ 5,5 bilhões em títulos soberanos sustentáveis e ainda multiplicou o tamanho do Fundo Clima em 316 vezes, chegando a R$ 27,5 bilhões. O PTE foi lançado em dezembro de 2023 e é coordenado pelo Ministério da Fazenda. Segundo a pasta, ele compreende instrumentos financeiros, mecanismos de mercado e marcos regulatórios voltados a ampliar o financiamento sustentável, atrair capital privado e dar previsibilidade a setores estratégicos da transformação ecológica. – Emissões sustentáveis: Foram US$ 2 bilhões captados em 2023, US$ 2 bilhões em 2024 e US$ 1,5 bilhão em 2025, em operações destinadas a projetos sustentáveis; –Fundo Clima: previsão de recursos disponíveis para 2026 é de R$ 27,5 bilhões, valor 316 vezes superior ao patamar de 2020; – Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT): recursos empenhados passaram de R$ 1,9 bilhão em 2021 para R$ 30,7 bilhões em 2025; –Letras de Crédito do Desenvolvimento (LCDs): somam R$ 16,3 bilhões em emissões pelo BNDES, BRDE e BDMG. O país também captou US$ 6 bilhões em fundos climáticos concessionais entre 2023 e 2025, o maior volume já registrado; Eco Invest: prevê R$ 140 bilhões em investimentos em quatro leilões; – Plataforma Brasil de Investimentos Climáticos (BIP): parceria entre ministérios com US$ 26,5 bilhões em potencial de investimento total e US$ 4,1 bilhões já confirmados; debêntures incentivadas e de infraestrutura: emissões somaram R$ 396 bilhões entre 2023 e 2026, frente a R$ 137 bilhões entre 2019 e 2022, alta superior a 180%.A fazenda destacou no balanço também que marcos regulatórios publicados nos últimos anos ajudaram o PTE. A Taxonomia Sustentável Brasileira é um sistema oficial de classificação de atividades, ativos e projetos econômicos ambiental e socialmente sustentáveis. A ferramenta orienta decisões de investidores, bancos e empresas, reduz assimetrias de informação e ajuda no combate ao greenwashing. Já o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE), mercado regulado de carbono do Brasil, também integra o PTE. A implementação gradual prevê 17 setores econômicos em três etapas, entre 2027 e 2031. A proposta trata de obrigações de monitoramento, relato e verificação de emissões e servirá de base para a definição futura do Plano Nacional de Alocação.”
Fonte: Eixos; 03/07/2026
Crédito e políticas públicas são principais gargalos para expandir os SAFs na Amazônia
“Os sistemas agroflorestais (SAFs) já demonstraram capacidade para aumentar a produtividade, diversificar a renda dos agricultores e tornar a produção mais resiliente às mudanças climáticas. Apesar disso, sua expansão na Amazônia ainda esbarra em um conjunto de obstáculos que vai do acesso ao crédito à falta de assistência técnica, passando pela necessidade de políticas públicas específicas e maior articulação entre pesquisa, mercado e financiamento. Esse foi o consenso entre pesquisadores, representantes do setor produtivo e agricultores durante o painel “Sistemas Agroflorestais (SAFs) como Ferramenta de Resiliência Climática: desafios, tecnologias e caminhos para escala na Amazônia”, realizado no terceiro dia da II Semana do Clima da Amazônia, 02 de julho. Os SAFs são sistemas produtivos que combinam a plantação de árvores com espécies agrícolas, com o objetivo de restaurar a floresta ao mesmo tempo em que cultiva alimento que chega à mesa dos brasileiros. Na visão do pesquisador Jonas Steinfeld, Diretor Científico e Co-fundador no Centro de Estudos e Inovação Agroflorestal (CEIA), as evidências científicas sobre os benefícios dos SAFs já são amplas. Agora, o desafio é produzir conhecimento mais aplicado, voltado às necessidades dos agricultores. Segundo ele, estudos sobre biodiversidade e captura de carbono já demonstram a eficiência dos sistemas agroflorestais, mas ainda faltam pesquisas econômicas e de manejo que possam orientar produtores, bancos e formuladores de políticas públicas. Agora é a hora de produzir estudos mais aplicados, principalmente sobre diversificação econômica, manejo e produtividade. Precisamos gerar dados que ajudem os bancos a entender melhor esses sistemas”. Steinfeld também destacou que o Brasil já possui experiência suficiente para ampliar esse modelo. “Os ingredientes já existem. Temos muitos casos bem-sucedidos. Agora precisamos replicar essas experiências, adaptando-as às características de cada território”, conclui. Para Carolina Domênico, bióloga e gerente da Natura, além das evidências dos benefícios, já existe um interesse dos produtores pelo modelo. O desafio é transformar essa demanda em projetos viáveis.”
Fonte: Exame; 05/07/2026
Internacional
Empresas
Crise de combustível na Rússia provoca corrida por carros elétricos da China
“Uma revenda de carros em Moscou está lutando para atender à demanda por novos veículos elétricos produzidos na China, na medida em que os russos tentam contornar a crise de fornecimento de combustível que resulta em longas filas para reabastecimento e preços fora de controle em boa parte do país. A escalada de ataques da Ucrânia à infraestrutura de energia da Rússia afetou a oferta de gasolina e diesel nas últimas semanas, com restrições ao fornecimento na maioria das regiões do país. Embora seja grande produtora de petróleo, os preços da gasolina no varejo chegaram na Rússia a níveis considerados entre os mais altos da Europa, de acordo com cálculos da Reuters. A grande dimensão territorial e a limitada capacidade de recarga limitaram o crescimento do mercado de veículos elétricos no país. Mesmo assim, os desafios crescentes ao fornecimento de combustível têm levado os russos a fazer a transição para os elétricos. A EN Cars, revenda especializada em marcas chinesas, tem vendido de dois a três veículos por dia, comparados a dois ou três por mês, algumas semanas atrás, disse o fundador da empresa, Yevgeniy Zabelin, à Reuters. Ele acrescentou que o interesse se aplica tanto aos modelos de entrada, mais baratos, como aos mais sofisticados, considerados premium. Sergei Udalov, dirertor-executivo da consultoria Autostat, disse que as vendas de elétricos e de híbridos estão crescendo, mas a demanda ainda é considerada relativamente baixa, na medida em que os estoques desses modelos são insuficientes. Mas ele acrescentou que, se a crise persistir, as vendas podem crescer de forma significativa, e a principal beneficiária será a China. As principais marcas do setor na Rússia são as das fabricantes chinesas Geely, Dongfeng, GAC e Chery. O principal modelo elétrico russo é o Evolute, montado a partir de kits fornecidos pela Dongfeng. Segundo dados da Austostat e do Ministério da Indústria e do Comércio, cerca de 24,6 mil híbridos foram vendidos na Rússia nos primeiros cinco meses do ano, uma alta de 125% em relação ao mesmo período de 2025, e as vendas de carros elétricos aumentaram 19%, para 4.460 unidades, na mesma base de comparação.”
Fonte: Valor Econômico; 03/07/2026
“As empresas norte-americanas enfrentam um aumento acentuado nos custos da energia verde, à medida que a administração Trump suspende os créditos fiscais renováveis, ao mesmo tempo que os centros de dados ricos em dinheiro estão a abocanhar a oferta disponível. De acordo com um inquérito realizado a promotores solares e eólicos nos EUA pela LevelTen Energy, um mercado de energia limpa, o custo dos contratos de compra de energia limpa (PPAs) deverá aumentar entre 40 a 120 por cento quando os subsídios da Lei de Redução da Inflação para projectos solares e eólicos chegarem ao fim. Por exemplo, no Texas, os preços dos PPA poderiam saltar de US$ 55 por megawatt-hora para US$ 121. Ao abrigo do One Big Beautiful Bill do presidente dos EUA, Donald Trump, os projectos de energias renováveis que comecem a ser construídos depois de 4 de Julho já não serão elegíveis para incentivos fiscais da era Biden, que valiam cerca de 30 por cento dos custos de desenvolvimento. De acordo com Wood Mackenzie, a capacidade solar dos EUA quase dobrou entre 2022 e 2025, saltando de 141 gigawatts para 279 gigawatts. Mas prevê-se agora que esse crescimento desacelere acentuadamente, prevendo-se que o custo dos CAE de energia limpa aumente à medida que os promotores ganham vantagem nas negociações. “Em última análise, há um número fixo de projetos de energia renovável [elegíveis para subsídios] disponíveis no mercado”, disse LevelTen. “Depois que eles se forem, eles se vão.” A compressão dos preços surge num contexto de rápido aumento da procura de energia nos EUA, à medida que os gigantes tecnológicos se envolvem numa corrida armamentista de IA e à medida que os bens domésticos e os transportes são cada vez mais electrificados. Meta e Google são os maiores compradores mundiais de contratos de energia renovável em 2026, segundo a BloombergNEF. A Administração de Informação sobre Energia prevê que a procura de electricidade nos EUA crescerá entre 25 e 50 por cento até 2050. Os grandes utilizadores de energia, como fábricas, retalhistas e centros de dados, compram CAE de energia limpa para ajudar a cumprir os seus objectivos de sustentabilidade, combinando a sua utilização de electricidade alimentada pela rede ou no local — que poderia ser gerada por combustíveis fósseis — com a energia renovável gerada noutros locais. Ao garantir um comprador para a energia, os PPAs dão aos promotores a certeza de que necessitam para financiar e construir novos projectos. A reacção liderada por Trump contra as energias renováveis e o boom na procura de energia nos EUA tornaram as empresas menos preocupadas com os factores ambientais do que nos anos anteriores. A Microsoft está considerando descartar sua meta para 2030 para igualar seu uso de energia hora a hora, o que significa que cada hora de uso de eletricidade precisaria ser coberta por energia limpa gerada ao mesmo tempo. A Google alertou que atingir os seus objectivos climáticos “moonshot” está a tornar-se cada vez mais desafiante – apesar de ter alcançado um número recorde de acordos de energia limpa em 2025. Mas os objectivos climáticos não foram largamente abandonados, com as empresas dos EUA cientes de que alguns clientes ainda querem vê-los reduzir a sua pegada de carbono.”
Fonte: Financial Times; 04/07/2026
BP avalia deixar projeto de parque eólico offshore no Japão
“A petroleira britânica BP avalia deixar um projeto de parque eólico offshore na costa do norte do Japão, que desenvolveria em parceria com empresas japonesas, apurou o “Nikkei Asia”. Embora o consórcio liderado pela Marubeni deva manter o empreendimento, a saída de uma grande empresa estrangeira representa um revés para o desenvolvimento da energia eólica offshore no país. Segundo diversas fontes, a BP iniciou discussões com os demais integrantes do consórcio sobre sua retirada. A sede da companhia no Reino Unido informou ao “Nikkei Asia” que nenhuma decisão foi tomada até o momento. Na tentativa de reduzir as emissões de gases de efeito estufa e ampliar a segurança energética, o governo japonês e o setor privado têm apostado na energia eólica offshore como um dos pilares da transição para fontes renováveis. Cercado pelo mar, o Japão é considerado um mercado com elevado potencial para esse tipo de geração. Em dezembro de 2024, Marubeni, Kansai Electric Power, BP, Tokyo Gas e a construtora local Marutaka venceram a terceira grande licitação pública para instalação de turbinas eólicas na costa de Yuza, na província de Yamagata. Em novembro do ano passado, o grupo apresentou o plano detalhado do projeto, cuja entrada em operação está prevista para junho de 2030. A BP detém cerca de 25% da empresa de propósito específico criada para desenvolver o empreendimento, participação semelhante à da Kansai Electric. Apenas a Marubeni possui uma fatia maior. A expectativa é que os demais sócios absorvam a participação da BP, permitindo a continuidade do projeto. Em agosto de 2025, a BP integrou sua operação global de energia eólica offshore à da JERA, maior operadora de usinas termelétricas do Japão, criando a joint venture JERA Nex bp, com participação igualitária das duas empresas. No entanto, o projeto de Yamagata foi conquistado antes dessa integração e vinha sendo conduzido diretamente pela matriz britânica da BP. Antes da união com a BP, a JERA havia vencido licitações para projetos nas províncias de Aomori e Akita, também no norte do Japão, que foram transferidos para a nova empresa. Já o projeto de Yamagata não pôde ser incorporado da mesma forma, e a BP teria concluído que seria difícil seguir adiante sozinha. A companhia pretende continuar atuando no mercado japonês de energia eólica offshore por meio da joint venture. O setor enfrenta dificuldades crescentes no Japão. Em agosto do ano passado, uma joint venture entre a Mitsubishi Corporation e a Chubu Electric Power anunciou a desistência de três projetos nas províncias de Chiba e Akita. Apesar de terem vencido a primeira grande licitação promovida pelo governo, as empresas decidiram abandonar os empreendimentos diante da forte alta dos custos de construção.”
Fonte: Valor Econômico; 06/07/2026
Política
Como os EUA estão ampliando a rede de transmissão sem fazer nenhuma grande obra?
“Em 4 de março de 2026, a PJM Interconnection, instituição que gerencia a maior rede de transmissão de energia elétrica dos Estados Unidos, tornou-se o primeiro operador regional a implementar o Ambient-Adjusted Rating (AAR). A tecnologia permite calcular a cada hora a capacidade segura de transporte de energia das linhas de transmissão da região considerando a temperatura ambiente do momento. Os operadores das redes utilizam usualmente limites de capacidade das linhas pré-fixados e conservadores, calculados “a priori” considerando condições de temperatura e vento adversas. Desta forma, a maior parte do tempo a linha trabalha com folga, e seria possível passar mais energia pela linha ao considerar uma condição de temperatura mais amena ou períodos com vento. A implementação de tecnologias como o AAR e o Dynamic Line Rating (DLR) moderniza essa operação, ao permitir que a capacidade da rede seja ajustada de forma dinâmica e contínua, considerando as condições meteorológicas em tempo real. O AAR atualiza esses limites com base na temperatura ambiente, enquanto o DLR é mais sofisticado e utiliza sensores em campo para monitorar em tempo real temperatura, vento e radiação solar. Os grandes benefícios desta mudança incluem a redução das restrições e congestionamentos de rede e a otimização da estrutura existente, o que evita ou adia a necessidade de construção de novas linhas. Além de diminuir os custos, essas tecnologias são fundamentais para a transição energética: elas reduzem o desperdício de energia renovável (curtailment) ao aproveitar, por exemplo, condições ambientais que favorecem o resfriamento dos condutores. Impulsionada pelo Inflation Reduction Act (IRA) em 2022, a modernização da rede nos EUA tornou-se essencial para viabilizar as novas metas de descarbonização e o escoamento de fontes limpas naquele momento. Uma análise publicada no mesmo ano indicou que se os EUA mantivessem o ritmo histórico de crescimento da transmissão, mais de 80% do potencial de redução de emissões do IRA até 2030 seria perdido Assim, em 2021, a Comissão Reguladora Federal (FERC) emitiu a Order 881, que tornou obrigatório o uso do AAR em todo o país, após o Departamento de Energia (DOE) reportar ao Congresso Americano que o DLlR poderia ampliar a capacidade das redes existentes entre 10% e 40%. Além da PJM, as jurisdições Southeast Power Pool, New England e CAISO pretendem ter o AAR implementado para todas as suas redes até o fim de 2026. No Brasil esta tecnologia é vantajosa, devido às características climáticas do país: os mesmos ventos constantes que impulsionam a geração eólica atuam resfriando as linhas de transmissão, o que permitiria passar mais energia pela rede. Essa sinergia climática permite elevar o transporte de energia limpa aproveitando a infraestrutura já instalada. A adoção da tecnologia possibilita que o sistema supere os limites conservadores para operar com base na capacidade real dos ativos, aliviando gargalos de transmissão sem a necessidade imediata de novas obras físicas.”
Fonte: Eixos; 03/07/2026
Tarifas da UE não freiam avanço de carros chineses na Europa
“As tarifas impostas pela União Europeia sobre veículos elétricos chineses não têm sido suficientes para conter o avanço das montadoras da China no mercado europeu. Apesar das sobretaxas, as fabricantes seguem ampliando participação por meio de preços mais baixos, mudança de portfólio e expansão da produção dentro da própria Europa. A Comissão Europeia anunciou em 4 de julho de 2024 tarifas adicionais sobre veículos elétricos a bateria (BEVs) importados da China, após concluir que os fabricantes se beneficiavam de subsídios estatais considerados desleais. A medida buscava equilibrar a concorrência com a indústria automotiva europeia. As tarifas definitivas passaram a valer em outubro daquele ano, com validade de cinco anos e diferentes níveis por empresa. A SAIC e “outras companhias não cooperantes” foram taxadas em 35,3%, além da tarifa já existente de 10%. Geely, BYD e Tesla (Xangai) enfrentam sobretaxas de 18,8%, 17% e 7,8%, respectivamente. Segundo o jornal alemão Handelsblatt, a Comissão Europeia também avalia estender as tarifas compensatórias a veículos híbridos plug-in (PHEVs), até agora fora do alcance da medida. Mesmo com as tarifas, os registros de veículos de marcas chinesas na Europa Ocidental seguem em crescimento. Em maio, as montadoras chinesas superaram as japonesas no mercado europeu, com avanço de 6% nas vendas, apoiadas por exportações agressivas e preços competitivos. No primeiro trimestre de 2026, foram registrados 273.051 veículos de marcas chinesas na Europa, acima dos 223.300 da Coreia do Sul pelo segundo trimestre consecutivo, segundo a Schmidt Auto Research. A participação de veículos chineses — produzidos na China ou por marcas do país — subiu 3,9 pontos percentuais em um ano, para 8,7%. Para Ferdinand Dudenhoeffer, do Center for Automotive Research, as montadoras chinesas devem vender cerca de 800 mil veículos na União Europeia neste ano. “Ultrapassar 1 milhão de unidades em 2027 já é praticamente certo para os chineses”, afirmou. As fabricantes chinesas reagiram às tarifas ampliando a oferta de híbridos plug-in e modelos a combustão. A BYD, por exemplo, deixou de focar exclusivamente em elétricos e passou a expandir sua linha híbrida. O BYD Seal U foi o híbrido plug-in mais vendido na Europa em 2025, com 65.866 unidades. “Esses motores não estão sujeitos às tarifas compensatórias, o que contribui para o aumento da participação chinesa”, disse Matthias Schmidt, da Schmidt Automotive Research. Além disso, os preços seguem como vantagem central. O BYD Seal U, por exemplo, é significativamente mais barato que o Kia Sportage. No segmento de elétricos, modelos de entrada como o T03, da Leapmotor, também ajudam a sustentar competitividade. Analistas apontam ainda que subsídios à compra na Alemanha, que podem chegar a 6 mil euros por família em alguns casos, devem reforçar essa tendência.”
Fonte: Valor Econômico; 06/07/2026
Milhares de pessoas foram evacuadas de casas no sudoeste da França devido ao incêndio florestal
“Um incêndio florestal fora de controle no sudoeste da França forçou a evacuação de 10.000 pessoas de duas dúzias de pequenas cidades e vilarejos perto da fronteira espanhola e as autoridades disseram que os fortes ventos de segunda-feira aumentariam ainda mais o incêndio. O incêndio queimou cerca de 4.600 hectares no sopé dos Pirenéus franceses, disse o prefeito local Pierre Regnault de la Mothe em um post no X. “Esta manhã as condições estão piorando novamente”, alertou o ministro do Interior, Laurent Nunez, na estação de TV francesa TF1. “Hoje a batalha recomeça.” As ondas de calor do início do verão em França e em toda a Europa Ocidental, em maio e junho, queimaram vastas áreas de terra, tornando-as particularmente vulneráveis aos incêndios florestais este ano. O incêndio de Trevillach está queimando nas proximidades da terceira etapa do Tour de France. As autoridades locais fecharam a perna ao público para permitir o fácil acesso dos serviços de emergência à área. Embora a corrida continue, a carreata de veículos da equipe que se segue será agora reduzida ao mínimo. No lado espanhol da fronteira, o incêndio devastou 2.200 hectares – 97% deles na área natural protegida de Les Gavarres – mas as autoridades catalãs disseram na noite de sábado que estava estável e seria completamente extinto durante a semana. A polícia prendeu um funcionário de uma empresa contratada pelo governo regional da Catalunha, suspeito de ter provocado o incêndio usando uma rebarbadora na beira de uma estrada. Ao sul da Catalunha, na província oriental de Castellón, 500 pessoas foram evacuadas depois que um incêndio atingiu o parque nacional Sierra de Espadan, que abriga uma importante floresta de sobreiros.”
Fonte: Reuters; 06/07/2026
Índices ESG e suas performances


(1) O Índice ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial da B3) tem como objetivo ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de empresas com reconhecido comprometimento com o desenvolvimento sustentável, práticas e alinhamento estratégico com a sustentabilidade empresarial.
(2) O Índice S&P/B3 Brasil ESG mede a performance de títulos que cumprem critérios de sustentabilidade e é ponderado pelas pontuações ESG da S&P DJI. Ele exclui ações com base na sua participação em certas atividades comerciais, no seu desempenho em comparação com o Pacto Global da ONU e também cias sem pontuação ESG da S&P DJI.
(3) O ICO2 tem como propósito ser um instrumento indutor das discussões sobre mudança do clima no Brasil. A adesão das companhias ao ICO2 demonstra o comprometimento com a transparência de suas emissões e antecipa a visão de como estão se preparando para uma economia de baixo carbono.
(4) O objetivo do IGCT é ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de emissão de empresas integrantes do IGC que atendam aos critérios adicionais descritos nesta metodologia.
(5) A série de índices FTSE4Good foi projetada para medir o desempenho de empresas que demonstram fortes práticas ambientais, sociais e de governança (ESG)..
Ainda não tem conta na XP? Clique aqui e abra a sua!

