XP Expert

Zeina Latif: Tempo de cautela

Metas de inflação são bastante utilizadas pelos bancos centrais mundo afora. Em países com inflação moderada, esse regime ajuda a manter a inflação bem comportada, com menor custo para a atividade econômica. Em países com inflação baixa, o risco de deflação pode ser mitigado com uma meta adequada, como a de 2% nos EUA. A […]

Compartilhar:

  • Compartilhar no Facebook
  • Compartilhar no Twitter
  • Compartilhar no Whatsapp
  • Compartilhar no LinkedIn
  • Compartilhar via E-mail

Metas de inflação são bastante utilizadas pelos bancos centrais mundo afora. Em países com inflação moderada, esse regime ajuda a manter a inflação bem comportada, com menor custo para a atividade econômica. Em países com inflação baixa, o risco de deflação pode ser mitigado com uma meta adequada, como a de 2% nos EUA. A política monetária torna-se também mais previsível, contribuindo para um ambiente econômico estável.

A meta de inflação no Brasil está em 4,5% desde 2005; patamar acima da média mundial (3,8% nos emergentes). México, Colômbia e Chile adotam 3%. Peru, 2%.

Não é possível definir a meta ideal. Um patamar muito baixo traz riscos. Para emergentes, que são mais vulneráveis a choques inflacionários, uma meta muito baixa poderia tornar a política monetária muito errática. Meta de inflação muito alta, por outro lado, sugere pouco compromisso do banco central com inflação baixa, reduzindo a eficácia do regime para estabilizar a economia.

Com a inflação em queda no Brasil, discute-se a oportunidade de reduzir a meta de 2019, a ser definida este ano pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

A defesa da redução parte do diagnóstico que há uma “gordura” na meta atual que pode ser facilmente removida, sem sacrifícios em termos de juros mais elevados no curto prazo. Isso porque ocorreria uma redução automática das expectativas inflacionárias para 2019, impulsionada pela ociosidade na economia e pela credibilidade do BC. Uma meta mais baixa, e crível, poderia permitir a redução da taxa de juros ao longo do tempo. Eventualmente, já no curto prazo, ao contrário do esperado. Haveria, portanto, uma janela de oportunidade para redução da meta, em boa medida por condições conjunturais.

Há quem defenda a manutenção da meta atual em função do risco fiscal ainda existente e dos gargalos do País, sendo necessário aguardar uma melhora efetiva dos fundamentos para reduzi-la. Uma meta menor não seria crível. O argumento enfatiza os desafios estruturais.

No médio prazo não há muitas dúvidas de que a meta deve ser reduzida. Seria importante caminhar para patamares observados nos demais países. Um passo essencial para ter taxas de juros nominal e real (desconta a inflação) mais baixas. Inflação mais elevada é também inflação mais volátil e rígida, o que pode, de quebra, estimular uma política fiscal descuidada. Todos são elementos que pressionam as taxas de juros.

A agenda econômica do País avança, abrindo espaço para redução da meta, senão agora, em breve. Para a decisão deste ano, no entanto, a recomendação não é tão óbvia.

Na falta de recomendação clara, convém analisar o custo do erro em cada escolha, para avaliar qual deles seria mais tolerável nas atuais circunstâncias.

Se houver gordura e nada for feito, perde-se uma oportunidade que poderá não aparecer tão cedo.

Se não houver gordura e a meta for reduzida, a taxa de juros será mais elevada no curto prazo. O custo pode ser relevante. O País está em momento de transição. Há reformas importantes ainda a serem aprovadas e, em 2018, justamente quando o BC estiver perseguindo a meta de 2019, terá eleição. O quadro eleitoral poderá ser ruidoso, com pressão na taxa de câmbio e na inflação. Mudar a meta precocemente implicaria não cumpri-la já de saída, ou enfraquecer uma economia ainda ganhando tração.

Seria também conveniente confirmar a inflação na meta este ano, depois de 7 anos de desvio.

Se o cenário de inflação for confortável, a banda inferior da meta (3%) poderá ser utilizada, construindo o caminho para uma meta mais baixa em 2020. Outra opção seriam cortes mais contundentes da taxa de juros.

Visões muito “curtoprazistas” não costumam ser boas conselheiras. No entanto, em função da fragilidade da economia e dos possíveis ruídos em 2018, manter a meta neste momento parece ser mais sensato. Não é possível dizer se é o mais correto. Apenas mais cauteloso.

02 de Março de 2017

Fonte: Artigo replicado do Estadão

XPInc CTA

Se você ainda não tem conta na XP Investimentos, abra a sua!

XP Expert

Avaliação

O quão foi útil este conteúdo pra você?


Newsletter
Newsletter

Gostaria de receber nossos conteúdos por e-mail?

Cadastre-se e receba grátis nossos relatórios e recomendações de investimentos

Telegram
Telegram XP

Acesse os conteúdos

Telegram XP

pelo Telegram da XP Investimentos

Disclaimer:

Este relatório foi preparado pela XP Investimentos CCTVM S.A. (“XP Investimentos”) e não deve ser considerado um relatório de análise para os fins do artigo 1º na Resolução CVM 20/2021. Este relatório tem como objetivo único fornecer informações macroeconômicas e análises políticas, e não constitui e nem deve ser interpretado como sendo uma oferta de compra/venda ou como uma solicitação de uma oferta de compra/venda de qualquer instrumento financeiro, ou de participação em uma determinada estratégia de negócios em qualquer jurisdição. As informações contidas neste relatório foram consideradas razoáveis na data em que ele foi divulgado e foram obtidas de fontes públicas consideradas confiáveis. A XP Investimentos não dá nenhuma segurança ou garantia, seja de forma expressa ou implícita, sobre a integridade, confiabilidade ou exatidão dessas informações. Este relatório também não tem a intenção de ser uma relação completa ou resumida dos mercados ou desdobramentos nele abordados. As opiniões, estimativas e projeções expressas neste relatório refletem a opinião atual do responsável pelo conteúdo deste relatório na data de sua divulgação e estão, portanto, sujeitas a alterações sem aviso prévio. A XP Investimentos não tem obrigação de atualizar, modificar ou alterar este relatório e de informar o leitor. O responsável pela elaboração deste relatório certifica que as opiniões expressas nele refletem, de forma precisa, única e exclusiva, suas visões e opiniões pessoais, e foram produzidas de forma independente e autônoma, inclusive em relação a XP Investimentos. Este relatório é destinado à circulação exclusiva para a rede de relacionamento da XP Investimentos, incluindo agentes autônomos da XP e clientes da XP, podendo também ser divulgado no site da XP. Fica proibida a sua reprodução ou redistribuição para qualquer pessoa, no todo ou em parte, qualquer que seja o propósito, sem o prévio consentimento expresso da XP Investimentos. A XP Investimentos não se responsabiliza por decisões de investimentos que venham a ser tomadas com base nas informações divulgadas e se exime de qualquer responsabilidade por quaisquer prejuízos, diretos ou indiretos, que venham a decorrer da utilização deste material ou seu conteúdo. A Ouvidoria da XP Investimentos tem a missão de servir de canal de contato sempre que os clientes que não se sentirem satisfeitos com as soluções dadas pela empresa aos seus problemas. O contato pode ser realizado por meio do telefone: 0800 722 3710. Para maiores informações sobre produtos, tabelas de custos operacionais e política de cobrança, favor acessar o nosso site: www.xpi.com.br.

A XP Investimentos CCTVM S/A, inscrita sob o CNPJ: 02.332.886/0001-04, é uma instituição financeira autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil.Toda comunicação através de rede mundial de computadores está sujeita a interrupções ou atrasos, podendo impedir ou prejudicar o envio de ordens ou a recepção de informações atualizadas. A XP Investimentos exime-se de responsabilidade por danos sofridos por seus clientes, por força de falha de serviços disponibilizados por terceiros. A XP Investimentos CCTVM S/A é instituição autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil.


Este site usa cookies e dados pessoais de acordo com a nossa Política de Cookies (gerencie suas preferências de cookies) e a nossa Política de Privacidade.