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PIB do 2º trimestre mostra queda do consumo e reforça cenário de ressaca na atividade

O PIB total cresceu ligeiramente acima das expectativas no 2º trimestre, puxado principalmente por um aumento mais forte do que o esperado na Agropecuária. Porém, os setores mais sensíveis ao ciclo econômico apresentaram resultados decepcionantes, e o consumo das famílias veio muito abaixo do antecipado.

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O PIB do Brasil cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026 em relação aos três meses anteriores, ligeiramente acima das expectativas da XP e do mercado, de 0,4%. Na comparação com o mesmo período de 2025, a economia avançou 2,0%, também acima das projeções de 1,9%.

Apesar da surpresa positiva no número cheio, a composição do PIB não foi encorajadora. O crescimento geral foi puxado, principalmente, por um desempenho mais forte do que o esperado da agropecuária, enquanto os setores mais sensíveis ao ciclo econômico — serviços e indústria — apresentaram resultados modestos. Além disso, o consumo das famílias recuou e veio muito abaixo do antecipado, apesar da renda real crescente e das medidas de estímulo de curto prazo.

Em nossa avaliação, os resultados desagregados trouxeram um viés dovish, isto é, podem contribuir para flexibilização adicional da política monetária. Os “ventos contrários” à atividade econômica estão se acumulando, e prevemos que a atividade ficará estagnada no segundo semestre deste ano. Com isso, atribuímos viés de baixa às nossas projeções atuais de crescimento do PIB em 2026 (2,0%) e 2027 (1,0%).

O efeito de carrego estatístico — crescimento já contratado para o resultado anual caso a economia permanecesse estável nos trimestres seguintes — ficou em 1,8% para o PIB de 2026.

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Por que o PIB cresceu no segundo trimestre de 2026?

O avanço do PIB no segundo trimestre refletiu, em grande medida, a força da agropecuária e da indústria extrativa, enquanto a demanda doméstica ficou estável. Em outras palavras, o resultado agregado foi positivo, mas não mostrou uma expansão disseminada entre os setores mais ligados à renda e ao crédito.

A absorção doméstica — que reúne o consumo das famílias, o consumo do governo e os investimentos — não avançou no trimestre e ficou abaixo da nossa projeção de alta de 0,6%. O consumo das famílias recuou, apesar das iniciativas governamentais de estímulo à demanda no curto prazo. Por outro lado, os investimentos cresceram pelo segundo trimestre consecutivo, com destaque para os investimentos de governos estaduais no ano de eleições gerais.

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Lado da Oferta

A principal surpresa positiva em relação às nossas estimativas veio da agropecuária, que cresceu 2,8% no segundo trimestre, após avançar 2,3% no primeiro trimestre. O resultado ocorreu apesar da base de comparação elevada de 2025 e foi explicado principalmente pelo aumento da produção de soja.

Isto posto, as perspectivas para o setor primário são menos favoráveis no próximo trimestre. Parte dessa piora esperada está relacionada aos efeitos do fenômeno climático El Niño sobre a produtividade das safras.

O setor de serviços continuou em trajetória de crescimento, embora tenha perdido tração. O setor terciário registrou o 24º avanço consecutivo na comparação trimestral, com alta de 0,2%. Porém, somente três dos sete subsetores cresceram no período.

Entre os destaques positivos, os serviços de informação e comunicação avançaram 2,1%, registrando o sexto trimestre consecutivo de elevação. Os serviços de transporte e armazenagem também se recuperaram, com alta de 1,1%, após um desempenho fraco no primeiro trimestre.

Por outro lado, as atividades financeiras recuaram 0,3%, no segundo trimestre consecutivo de queda. Os serviços de administração, saúde e educação públicas caíram 0,4%, após cinco altas consecutivas. O comércio ficou estável no segundo trimestre, abaixo da nossa expectativa de avanço de 0,5%.

Na indústria, as atividades extrativas compensaram o desempenho fraco da indústria de transformação e da construção. A indústria total cresceu apenas 0,1% no trimestre, com três de seus quatro subsetores em contração.

A indústria extrativa avançou 3,4%, acima das estimativas, impulsionada principalmente pela maior produção de petróleo. Em contrapartida, a indústria de transformação e a construção recuaram 0,4% no trimestre, enquanto os serviços de utilidade pública caíram 1,1%.

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Lado da Demanda

A absorção doméstica ficou estável no segundo trimestre, frustrando nossa projeção de crescimento de 0,6%. A principal surpresa negativa veio do consumo das famílias, que recuou 0,4%, enquanto esperávamos alta de 0,6%.

O resultado é especialmente relevante porque ocorreu mesmo em um contexto de renda real crescente e medidas de estímulo de curto prazo. Em outras palavras, apesar do mercado de trabalho apertado e dos impulsos à renda e ao crédito, as famílias reduziram o consumo na margem.

Os investimentos, medidos pela Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), cresceram 1,2% no segundo trimestre, registrando o segundo avanço consecutivo. O principal destaque foi a contribuição significativa dos investimentos de governos estaduais. O consumo do governo também avançou, com alta moderada de 0,4% em relação ao primeiro trimestre.

No setor externo, a contribuição líquida para o crescimento do PIB foi negativa: -0,4% na comparação trimestral e -0,3% na comparação anual. As exportações recuaram 0,8% no segundo trimestre em relação ao primeiro, embora tenham permanecido 3,8% acima do patamar de um ano antes. As importações, por sua vez, cresceram 1,8% na comparação trimestral e 5,5% na anual.

Por fim, a variação de estoques contribuiu positivamente para o resultado. O componente adicionou 0,9 ponto percentual ao crescimento do PIB total no segundo trimestre em relação ao primeiro, e 1,2 ponto percentual na comparação com o segundo trimestre de 2025.

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O que esperar adiante?

A economia brasileira deve enfrentar uma “ressaca” econômica a partir do segundo semestre de 2026. As condições financeiras permanecem restritivas, principalmente em razão da política monetária contracionista. Nesse ambiente, as taxas de inadimplência e o comprometimento da renda das famílias continuam em alta.

Além disso, o impacto total dos impulsos fiscais e parafiscais de curto prazo deve ser significativo em 2026, mas menor do que inicialmente projetado. Nossa estimativa atual é de impacto equivalente a 1,0 ponto percentual do PIB, abaixo da projeção anterior de 1,4 ponto percentual.

Nosso tracking para o crescimento do PIB no terceiro trimestre está atualmente próximo de zero, enquanto nosso cenário base considera uma alta de 0,3% em relação ao segundo trimestre. Esse quadro impõe viés de baixa à nossa projeção de crescimento de 2,0% para o PIB em 2026.

Para 2027, projetamos aumento de 1,0%, bem abaixo do potencial e do consenso de mercado. Apesar da elevada incerteza sobre a condução da política econômica a partir do próximo ano, avaliamos que a retirada — ainda que incompleta — do grande impulso fiscal e parafiscal de 2026 deve ser sentida na atividade econômica.

A política monetária deverá permanecer contracionista, embora em menor grau do que atualmente. A contribuição da agropecuária também tende a ser limitada, com riscos inclinados para o lado negativo diante dos efeitos adversos do El Niño. Como fatores de mitigação, destacamos o aumento esperado da renda disponível às famílias e a expansão das exportações líquidas em 2027.

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Como o PIB impacta o dia a dia e os investimentos?

Trazendo para o dia a dia do brasileiro, o resultado do PIB reflete mais o passado do que o presente, uma vez que traz números referentes ao trimestre anterior ao que estamos vivendo.

Assim, para o investidor, o resultado do PIB não deve ser visto como motivo para grandes mudanças na estratégia de investimentos.

Não porque os movimentos da economia medidos pelo PIB não afetem ações de empresas listadas na bolsa ou no mercado de renda fixa e outros ativos financeiros, como o dólar e fundos imobiliários.

Pelo contrário! Os rumos da economia no Brasil e no mundo são o cenário e a verdadeira base sobre a qual se sustenta o mercado financeiro e nossos investimentos. Assim, o indicador não deixa de ser um bom termômetro, ajudando também no planejamento social e financeiro olhando para frente.

Mas, na ausência de grandes surpresas, o resultado do PIB costuma confirmar expectativas sobre o estado da economia – levando, no máximo, a ajustes pontuais de projeções econômicas. Assim, as principais recomendações de investimento devem seguir as mesmas: manter uma reserva de emergência para eventuais imprevistos pessoais; atentar-se aos objetivos e horizontes de investimento (quando você acredita que precisará do seu dinheiro investido?); e nunca esquecer da diversificação dos investimentos entre ativos e geografias – o bom e velho “não colocar todos os ovos na mesma cesta”. 


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