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Economia em Destaque: PIB reflete desaceleração antecipada no Brasil

Seu resumo semanal de economia no Brasil e no mundo

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Resumo

Nos Estados Unidos, os dados de emprego de agosto vieram mais fortes do que o esperado. Com isso, subiram as apostas de que o Fed – banco central – elevará os juros na reunião de setembro. No Oriente Médio, a escalada militar entre Estados Unidos e Irã se traduziu em alta nos preços do petróleo – o tipo Brent subiu 7% na semana, para cerca de 95 dólares por barril.

No Brasil, o PIB do 2º trimestre cresceu ligeiramente acima das expectativas, mas com composição desfavorável, especialmente nos componentes da demanda doméstica. Com isso, em nosso relatório mensal, publicado nesta semana, revisamos a projeção para o crescimento do PIB em 2026 de 2,0% para 1,7%. 

O governo federal apresentou o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027, com projeção de superávit primário, condizente com o cumprimento da meta fiscal. No entanto, algumas premissas parecem otimistas, com destaque à expectativa de crescimento econômico no próximo ano (2,5%).

A semana foi marcada por noticiário turbulento em Brasília, ao mesmo tempo em que o governo conseguiu avançar em pautas econômicas no Congresso, como o fim da “taxa das blusinhas”.

Gráfico da Semana

Cenário Internacional

Preços do petróleo em níveis ainda mais pressionados

A escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã voltou ao centro do noticiário global. O Comando Central americano iniciou uma nova rodada de ataques contra alvos iranianos, enquanto o Presidente Donald Trump afirmou que a ofensiva poderá ser intensificada caso Teerã volte a retaliar. Paralelamente, o Secretário do Tesouro, Scott Bessent, sinalizou que os Estados Unidos devem anunciar novas sanções contra bancos iranianos e outras entidades ligadas à Guarda Revolucionária, inclusive com possibilidade de exclusão do sistema financeiro em dólar. O movimento elevou o prêmio de risco no mercado de energia: a cotação do petróleo (Brent) avançou quase 7% na semana, para 95 dólares por barril. A pressão também vem do lado dos derivados do petróleo, em meio a ataques contra refinarias russas e restrições adicionais à oferta.

Relatório de emprego surpreende para cima e mantém alta de juros do Fed na mesa

Nos Estados Unidos, houve criação líquida de 162 mil ocupações em agosto, muito acima das expectativas de mercado (56 mil). Trata-se do maior avanço mensal desde março. Os dois resultados anteriores foram revisados para cima em 55 mil vagas conjuntamente, o que reverteu a queda inicialmente reportada para julho. A taxa de desemprego permaneceu em 4,1%. O salário médio por hora subiu 0,3% na margem e acumula alta de 3,1% em 12 meses.

Os resultados de agosto interromperam a sequência de leituras fracas de contratação observada desde o 2º trimestre. Ademais, corroboram a avaliação de dirigentes do Fed (banco central dos Estados Unidos) de que o mercado de trabalho continua sólido. Com isso, o foco da política monetária se desloca para os indicadores de inflação. Antes da divulgação do relatório de emprego, o mercado atribuía probabilidade próxima de 50% a uma alta de juros na reunião de política monetária deste mês; a probabilidade subiu para 62% após a publicação das estatísticas.

Inflação mais alta reforça expectativas de aumento de juros na Zona do Euro

O índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) da Zona do Euro subiu 1,6% em agosto contra julho, superando o consenso de mercado de 1,3%. No acumulado em 12 meses, a inflação ao produtor acelerou de 4,6% para 5,8%. Por sua vez, ainda em termos anualizados, a inflação ao consumidor da Zona do Euro acelerou de 2,9% em julho para 3,3% em agosto, em linha com as expectativas. Já o núcleo da inflação — que exclui itens voláteis de alimentos e energia — recuou ligeiramente de 2,5% para 2,4%, enquanto o mercado esperava estabilidade. Essa dinâmica inflacionária reforça as expectativas de elevação de juros pelo Banco Central Europeu (BCE) na próxima decisão de política monetária, que ocorrerá na semana que vem (10/09).

Enquanto isso, no Brasil…

Brasil Macro Mensal: Desaceleração antes do esperado

Publicamos nosso relatório Brasil Macro Mensal, destacando a desaceleração econômica antes do esperado no Brasil. Os dados recentes sugerem enfraquecimento disseminado entre os componentes cíclicos do PIB. Com isso, reduzimos nossa projeção de crescimento econômico em 2026 de 2,0% para 1,7%. Para 2027, mantivemos a expectativa de alta de 1,0%, ainda com viés de baixa.

O ambiente global permanece misto para o Brasil: o risco de juros mais altos nos Estados Unidos é um vetor negativo, enquanto os preços mais elevados de petróleo, soja, milho e açúcar favorecem as contas externas. Nesse contexto, continuamos a projetar a taxa de câmbio em 5,00 reais por dólar no final de 2026 e 5,30 reais por dólar no final de 2027. Ademais, o déficit em conta corrente tende a ser financiado com folga pelos ingressos líquidos de Investimento Direto no País (IDP).

No que diz respeito à inflação, a projeção para o IPCA de 2026 foi revisada de 5,1% para 5,0%, ao passo que a expectativa para 2027 continuou em 4,2%, com riscos assimétricos para cima. Diante da desaceleração mais clara da atividade e leituras de inflação benignas nos últimos meses, não esperamos pausa no ciclo de flexibilização monetária. Projetamos a taxa Selic em 13,25% no final de 2026 e 11,50% em 2027 (patamar alcançado em junho). Em nossa avaliação, os principais riscos ao cenário permanecem ligados à política monetária do Fed, aos preços do petróleo, ao El Niño e à trajetória das contas fiscais brasileiras. Para detalhes, acesse Brasil Macro Mensal: Desaceleração antes do esperado.

PIB surpreende positivamente no 2º trimestre, mas composição reforça desaceleração da atividade

O PIB cresceu 0,5% no 2º trimestre em comparação ao 1º trimestre de 2026 (e 2,0% ante o mesmo trimestre do ano passado), ligeiramente acima da expectativa de 0,4% na margem (e 1,9% na base interanual). Apesar da surpresa positiva no número cheio, a composição veio mais fraca que o antecipado. A agropecuária avançou 2,8% e a indústria extrativa 3,4% no 2º trimestre, enquanto serviços cresceram apenas 0,2% e a indústria total, 0,1%. A principal surpresa negativa veio da demanda: a absorção doméstica (soma das contribuições do consumo das famílias, consumo do governo e investimentos em ativos fixos) ficou estagnada, frente à nossa expectativa de alta de 0,6%. Em particular, o consumo privado recuou 0,4%, apesar do aumento da renda real disponível e das medidas de estímulo à demanda no curto prazo. Além disso, a variação de estoques adicionou 0,9 p.p. ao crescimento trimestral, enquanto o setor externo contribuiu negativamente. Para detalhes, acesse PIB do 2º trimestre mostra queda do consumo e reforça cenário de ressaca na atividade.

Nosso tracking (estimativa de alta-frequência) para o PIB indica estabilidade no 3º trimestre. Por fim, revisamos nossa projeção para o crescimento em 2026 como um todo, de 2,0% para 1,7%. Para 2027, mantivemos a expectativa de alta de 1,0%, mas com viés de baixa.

Produção industrial mostra sinais adicionais de fraqueza

A produção industrial avançou 0,2% em julho contra junho, em linha com a nossa projeção (o mercado esperava alta de 0,5%), interrompendo assim uma sequência de duas quedas consecutivas. Na comparação anual, houve retração de 0,5%. Apesar da alta em julho, a indústria permanece 2,4% abaixo do pico de abril e entra no 3º trimestre com sinais de fraqueza. A indústria de transformação cresceu 0,5% no mês, enquanto a indústria extrativa contraiu 1,0% (embora esta atividade apresente forte expansão em relação ao ano passado). As categorias de bens de capital e bens de consumo duráveis apresentaram desempenho positivo, mas o comparativo interanual segue fraco, com a expansão da indústria geral acumulada no ano concentrada quase integralmente na indústria extrativa. Desse modo, prevemos que a indústria total ficará praticamente estagnada ao longo do segundo semestre.

Orçamento de 2027 contempla crescimento considerável das receitas

O governo federal apresentou o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027, com projeção de superávit primário de R$ 18,6 bilhões — superando a meta fiscal em R$ 10,1 bilhões. A estimativa é sustentada por premissas otimistas de receita, incluindo expansão de 2,5% para o PIB de 2027, bem acima da nossa projeção de 1,0%. Segundo o documento, as receitas devem crescer 9,8% e as despesas, 7,0%, ambos em termos nominais. Projetamos déficit total de R$ 28,0 bilhões no próximo ano (0,2% do PIB), refletindo projeções de crescimento do PIB mais conservadoras.

A nosso ver, é improvável que o governo alcance superávit primário. Por outro lado, considerando-se as exclusões legais para fins de cálculo da meta, projetamos superávit de R$ 36,7 bilhões (0,3% do PIB), em linha com o limite inferior da meta de resultado primário (R$ 36,6 bilhões).

Cobrança de impostos sobre as exportações de petróleo

O Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região derrubou a liminar que havia suspendido a cobrança do imposto de 12% sobre as exportações de petróleo, após recurso apresentado pelo governo. A decisão restabelece a cobrança do tributo, cuja manutenção é defendida pela equipe econômica em meio à volatilidade internacional da commodity. No mesmo contexto, a produção brasileira de petróleo atingiu novo recorde de 4,5 milhões de barris por dia em julho, expansão de 13,6% na comparação interanual e de 0,5% na margem, reforçando o peso crescente do setor tanto para as exportações quanto para as receitas fiscais.

Congresso aprova “MP das blusinhas”; PEC 6×1 deve ficar para depois das eleições

Semana agitada no Congresso. A Câmara dos Deputados e o Senado aprovaram a Medida Provisória que zerou a tributação sobre compras internacionais de até US$ 50 (conhecida como “taxa das blusinhas”), que segue para sanção presidencial. O texto autoriza o Poder Executivo a limitar a quantidade e a frequência das remessas beneficiadas e prevê avaliações periódicas dos efeitos da medida pelo Ministério da Fazenda. Por fim, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou, sem alterações, a PEC que acaba com a escala de trabalho 6×1, que agora está pronta para o plenário. O Presidente do Senado, Davi Alcolumbre, afirmou que a PEC deve ser votada em plenário apenas após as eleições de outubro.

Desdobramentos do caso do Banco Master mantêm ruído institucional no radar

O caso do Banco Master ganhou novos capítulos nesta semana, com a divulgação de informações sobre a relação entre o ex-controlador do banco e integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF). Em resposta, a Presidência da Corte abriu, na quinta-feira (3), um procedimento para apurar a condução das investigações da Polícia Federal envolvendo autoridades com foro no tribunal, e a sessão do plenário que analisará o tema foi adiada para a segunda quinzena de setembro. Em nossa avaliação, os desdobramentos tendem a seguir no radar dos mercados nas próximas semanas, como fonte adicional de incerteza institucional no período pré-eleitoral.  

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Destaques da próxima semana   

No cenário internacional, o destaque será a divulgação da inflação ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) de agosto nos Estados Unidos. O dado será relevante para o banco central americano (Fed) avaliar uma eventual alta de juros, após leituras mais fortes de mercado de trabalho. Na Europa, o destaque será a decisão de política monetária pelo Banco Central Europeu (BCE), para a qual o mercado espera elevação de 0,25 p.p. nas taxas de juros de referência. Por fim, na China, os indicadores de inflação ao consumidor e ao produtor serão conhecidos.   

No Brasil, o protagonismo da agenda econômica ficará com o IPCA de agosto, que deverá registrar deflação mensal, em linha com o observado na prévia (IPCA-15). Do lado da atividade econômica, o IBGE divulgará a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) de julho. Por fim, a FGV divulgará o IGP-DI do último mês. Veja as nossas projeções abaixo.

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