Energia elétrica e automóveis puxam alta de preços em agosto

A prévia da inflação do mês de agosto, medida pelo índice de preços ao consumidor, subiu 0,89% em agosto, com alta de 5,0% da energia elétrica e 2,58% de automóvel usado.


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O índice de preços ao consumidor IPCA-15 subiu 0,89% em agosto, acima da nossa estimativa (0,86%) e da mediana das expectativas de mercado (0,83%). Os desvios mais significativos em relação à projeção vieram do grupo de bens duráveis (+0,04pp), com destaque para automóveis (+0,03pp). Coletas já sinalizavam aumento dos preços desses itens, assim como da inflação no atacado, mas ainda não tínhamos visto esse aumento do IPCA. A tendência é que alta persista nos próximos meses.

No ano, o índice acumula alta de 5,81% e, em 12 meses, de 9,30%, acima dos 8,59% observados nos 12 meses imediatamente anteriores.

Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, oito tiveram alta de preços em julho. O maior impacto (0,31pp.) e a maior variação (1,97%) vieram de Habitação, ainda sob influência da alta da energia elétrica (5,0%), que acelerou frente a julho (4,49%) e exerceu o maior impacto (0,23pp) no IPCA-15 de agosto. Essa elevação resulta do efeito que persiste nessa divulgação do reajuste de 52% no valor adicional da bandeira tarifária vermelha patamar 2, que passou a cobrar R$9,492 a cada 100 kWh consumidos a partir de 1º de julho.

Devido à crise hídrica severa, o governo vem tomando uma série de medidas para tentar mitigar o problema. Essa semana, o presidente Jair Bolsonaro editou um decreto que determina a redução do consumo de energia elétrica nos meses de setembro de 2021 a abril de 2022, por parte da administração direta, autárquica e fundacional. Os órgãos públicos terão que reduzir o consumo de 10% a 20%. A medida não vale para as estatais. Ainda de impacto pequeno, medida sinaliza preocupação ainda maior diante do cenário de crise hídrica, apesar do ministro negar risco de racionamento.

Nesta semana também, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, disse em coletiva de imprensa que o governo passará a dar bonificações aos clientes residenciais e empresariais que se dispuserem a economizar voluntariamente energia elétrica, diante do crítico nível de reservatórios. O programa começa a valer a partir de 1º de setembro e ainda deve ser detalhado como funcionará essa bonificação. Para IPCA, impacto é nulo, uma vez que os descontos na tarifa não são considerados pelo IBGE.

Em evento da Expert XP 2021, o ministro Guedes admitiu que a conta de luz vai ficar mais cara por causa da crise hidrológica e sugeriu que bandeira tarifária vai subir novamente. Hoje, a bandeira vermelha 2 representa um adicional de R$ 9,49 para cada 100 quilowatts-hora consumidores. Nosso cenário base prevê elevação para R$ 11,50, o que resultaria em +0,12pp no IPCA. Se o reajuste for entre R$ 15,0 e R$ 20,0, como sugeriram fontes no início da semana, o impacto resultante ficaria entre 0,36pp e 0,70pp; no caso limite, o impacto seria de 1pp para R$ 25 reais a cada 100 kWh.

A inflação de serviços subiu 0,29% em agosto, após alta de 0,71% em julho. E os serviços subjacentes, medida monitorada pelo BC que busca expurgar itens mais voláteis, desacelerou de 0,60% para 0,46%. Daqui pra frente, esperamos que o grupo, mais afetado pelas medidas de restrição de mobilidade social durante a pandemia, continue registrando variações positivas e em crescimento, em linha com a reabertura da economia e maior demanda por esses serviços.

Os veículos próprios, que haviam subido 0,73% em julho, também aceleraram acima do projetado, crescendo 1,06% em agosto. A surpresa em relação à nossa expectativa residiu principalmente em automóveis novos e usados. O grupo de industrializados, que engloba esses itens, registrou aceleração no mês, de 0,70% para 0,94%, acima da nossa projeção (+0,72%). O setor viu sua demanda subindo bastante desde o inicio da pandemia ao mesmo tempo em que enfrentou falta de de insumos e elevação de custos. Apesar da demanda já mostrar sinais de arrefecimento, custos se mantem em nível elevado e ainda há repasses que deverão vir nos próximos meses.

Os núcleos da inflação recuaram marginalmente para 0,54% em agosto, após alta de 0,60% em julho, em linha com nossa expectativa. A comparação anual passou de 5,2% para 5,6%, acima da meta de inflação do BC (3,75%).

O resultado reforçou nossa avaliação de que a inflação segue pressionada, ainda repassando custos aos produtos industrializados e o efeito da aceleração dos preços dos serviços. Projetamos alta de 0,64% no IPCA de agosto e 7,3% no ano.

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