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Economia em Destaque: Invasão da Ucrânia domina atenções e eleva risco de estagflação global

Seu resumo semanal de economia no Brasil e no mundo

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Resumo

O destaque da semana foi a invasão russa à Ucrânia, que mexeu com os mercados e aumentou incertezas e riscos, especialmente relacionados à alta da inflação global. A reação do ocidente ao conflito, em especial aplicação de novas sanções econômicas à Rússia são ponto de atenção para a próxima semana.

No cenário doméstico, semana repleta de divulgações de indicadores econômicos, entre piora na inflação e recordes em resultados fiscais. Do lado político, foi anunciada redução do IPI, enquanto a desoneração do diesel segue no radar.

Atualizações Covid-19

No Brasil, as médias móveis de sete dias de novos casos e de óbitos caíram para 92,7 mil e 792, respectivamente. Ao todo, 81,3% da população brasileira já está vacinada com ao menos a primeira dose de imunizante contra a doença; 72,9% já tomou dose única ou duas doses e 29,9% já teve o reforço da vacinação.

Cenário Internacional

Invasão russa na Ucrânia

As atenções do mercado ficaram dominadas pela operação militar russa na Ucrânia. As bolsas chegaram a cair fortemente no início da semana, mas se recuperaram parcialmente entre quinta e sexta-feira com a perspectiva de que a guerra não se prolongue. De toda forma, as incertezas seguem elevadas.  

Do lado das commodities, o petróleo Brent chegou a ultrapassar a marca de 100 dólares por barril e o gás natural teve alta de 30% na Europa. As commodities agrícolas também sofrem impacto, especialmente aquelas cuja produção é concentrada nos países envolvidos no conflito.

As commodities são importantes determinantes da inflação global, que já se encontra elevada. Vemos um possível cenário de estagflação global (crescimento baixo com inflação em alta). Neste relatório aqui exploramos os possíveis impactos da crise na Ucrânia para a economia do Brasil e do mundo. E discutimos os efeitos sobre os mercados financeiros e os investimentos em uma live:

Medida de inflação preferida pelo Fed atinge maior alta em 12 meses em quase 40 anos

O deflator de consumo pessoal (PCE), a medida de inflação preferida do Fed (banco central dos EUA), atingiu em janeiro maior alta interanual desde 1983: 5,2%. O número foi impulsionado especialmente por preços de bens duráveis.

A inflação pressionada nos EUA deve levar o Fed a elevar os juros em pelo menos quatro vezes ao longo deste ano.

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Enquanto isso, no Brasil…

Votação do PL dos Combustíveis adiada mais uma vez

A votação do Projeto de Lei que tem como objetivo aliviar a alta de preços nos combustíveis foi adiada para a semana que vem, e o relator Jean Paul Prates sinaliza que deve incluir a desoneração do diesel. Caso aprovado, estimamos impacto de 19 bilhões de reais em perda de arrecadação e um impacto de 0,02 pp na inflação.

Governo reduz IPI em 25%

O governo publicou no diário oficial decreto que altera a Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados. A redução linear de 25% no IPI, com exceção de fumo, e de 18,5% de automóveis, tem potencial impacto no IPCA de 0,49pp, se repassado integralmente para os preços. Vale destacar que bebidas também entraram na lista de produtos que terão a alíquota reduzida, mas dado peso pequeno no IPCA, o impacto é próximo a 0,01pp ( já considerados na estimativa de 0,49pp).

Do ponto de vista fiscal, a redução das alíquotas de IPI, exceto produtos relacionados a Tabaco (capítulo 24 da TIPI), terá um impacto de pouco mais de R$ 18,8 bilhões, dos quais R$ 7,7 bilhões serão suportados pela União (41%) e o restante – R$ 11,1 bilhões – serão suportados pelos Estados e Municípios.

Prévia da inflação de fevereiro acima do esperado

O IPCA-15 de fevereiro subiu 0,99% no mês (XP: 0,81%; consenso: 0,87%). No ano, o IPCA-15, considerado uma prévia da inflação oficial, acumula alta de 1,58% e, em 12 meses, de 10,76%, acima dos 10,20% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores.

O desvio de 0,18pp em relação à nossa projeção foi liderado altas mais fortes nos preços de carros novos e usados (+0,06pp) seguidos por artigos de residência (0,03pp) e vestuário (0,02pp). Todos esses subgrupos compõem o grupo de bens industrializados, que cresceu 1,17% no mês. Em 12 meses, a inflação do grupo já acumula alta de 12,9%.

Abordamos esta divulgação com mais detalhes aqui. Para o IPCA fechado de fevereiro, esperamos alta de 0,94%. Nossa projeção para a inflação de 2021 de 5,2% tem viés de alta devido aos novos riscos colocados pelo cenário internacional.

Recordes nos resultados fiscais de janeiro

Os fiscais de janeiro surpreenderam positivamente. A arrecadação total de receitas federais atingiu R$ 235,3 bilhões em janeiro, um aumento de 18,3% em termos reais em relação ao mesmo mês do ano passado, e representa a melhor marca mensal da série histórica iniciada em 1995. Acreditamos que a arrecadação de impostos deve continuar apresentando fortes recordes com alguma desaceleração na margem no segundo semestre de 2022 devido à desaceleração da atividade econômica e desinflação dos preços das commodities.

Taxa de desemprego encerra 2021 em patamar próximo ao pré-pandemia

Conforme publicado na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – Contínua (PNAD Contínua) do IBGE, a taxa de desemprego brasileira atingiu 11,1% no 4º trimestre de 2021 (XP e consenso: 11,2%), ante 11,6% no trimestre móvel até novembro.

Do lado negativo, o rendimento real médio exibiu queda pelo sétimo mês consecutivo (-0,4% na comparação entre novembro e dezembro, chegando a aproximadamente R$ 2.440/mês). A inflação persistentemente alta, mudanças relevantes na composição da população ocupada (participação crescente das categorias de emprego informal que, em média, possuem rendimentos mais baixos) e desequilíbrios setoriais causados pela pandemia (deslocamento de mão-de-obra e impacto sobre a produtividade) são os principais fatores que explicam a tendência cadente do rendimento médio na economia doméstica, em nossa opinião. O indicador está 8,7% abaixo dos patamares vistos antes da pandemia.

O emprego informal segue em trajetória de sólida recuperação, ainda refletindo a reabertura econômica e o aumento da interação social.

Esperamos que a taxa de desemprego brasileira atinja 11,0% no 2º trimestre e suba ligeiramente ao longo da segunda metade de 2022. No que diz respeito à taxa média anual de desemprego, estimamos 11,6% em 2022 e 10,5% em 2023.

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O que esperar para semana que vem?

No cenário internacional, o conflito na Ucrânia segue em destaque. Os mercados ficarão atentos a novas sanções impostas pelas economias ocidentais à Rússia. A sanção que tem potencialmente o maior efeito é se o país for desconectado do Swift. O Swift é a estrutura de mensagens financeiras que conecta bancos ao redor do mundo. É uma medida dura, mas que pode ser contraproducente. Retirar a Rússia do comércio exterior tende a intensificar as interrupções na cadeia de suprimentos e a inflação global de custos, com efeitos negativos sobre toda a economia global.

No campo das divulgações, os destaques serão dados de emprego de fevereiro nos EUA, a inflação de fevereiro na Europa e indicadores de atividade na China, Europa e Estados Unidos.

No Brasil, semana curta por conta do feriado de Carnaval. A principal divulgação será a o PIB do 4º trimestre de 2021, na sexta-feira.

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