Resumo
Em um ambiente geopolítico ainda instável, sinais de avanço nas negociações para encerrar o conflito no Oriente Médio contribuíram para queda de 7% no preço do petróleo nesta semana. O recuo ante os picos recentes tende a aliviar a pressão sobre a inflação global.
Nos Estados Unidos, o relatório de emprego veio abaixo do esperado, com destruição de vagas e forte redução da força de trabalho. Por outro lado, os dados de produção seguem indicando expansão da indústria. Em conjunto, os indicadores econômicos apresentam sinais mistos para a próxima decisão de política monetária do Fed (banco central). O mercado continua projetando uma alta de 0,25 p.p. nos juros até o fim do ano.
No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic em 0,25 p.p., após dados mais fracos do IPCA e sinais de desaceleração da atividade. O comunicado pós-reunião teve tom neutro e trouxe pouca sinalização sobre os próximos passos da política monetária, que continuarão dependentes da evolução dos indicadores econômicos.
No cenário político, o Partido dos Trabalhadores oficializou a candidatura de Lula à reeleição, com Geraldo Alckmin mantido como vice. Além disso, Alfredo Gaspar foi confirmado como candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro.
Gráfico da Semana

Cenário Internacional
Cotação do petróleo recua em meio a sinais de avanço diplomático no Estreito de Ormuz
Depois de encerrar a semana anterior próximo de 90 dólares por barril, o preço do petróleo (Brent) caiu cerca de 7%, devolvendo parte da alta de 25% registrada em julho. O ajuste acompanhou a sinalização de que Donald Trump havia cancelado um ataque planejado ao Irã e tentaria reabrir a via diplomática.
O alívio em relação aos picos recentes tende a favorecer a dinâmica da inflação global. Ainda assim, o ambiente geopolítico permanece bastante incerto. Nos últimos dias, uma comissão do Parlamento iraniano passou a discutir um projeto que barraria, no Estreito de Ormuz, embarcações dos Estados Unidos, de Israel e de países classificados como hostis. A proposta prevê multas de até 20% do valor da carga em caso de descumprimento. Paralelamente, os houthis anunciaram novos ataques a posições sauditas no Iêmen, aumentando as preocupações com as rotas do Mar Vermelho. Uma retomada das tensões poderia voltar a pressionar os preços de energia e afetar as próximas leituras de inflação ao redor do mundo.
Mercado de trabalho americano registra enfraquecimento, reforçando sinais mistos na atividade econômica
O relatório de emprego dos Estados Unidos surpreendeu negativamente, com destruição líquida de 23 mil vagas, ante expectativa de criação de 80 mil postos. A taxa de desemprego recuou de 4,2% para 4,1%, mas o movimento refletiu, em grande medida, a queda na participação da força de trabalho. No lado da produção, o sinal foi mais favorável. O ISM industrial, sondagem empresarial que mede o desempenho do setor manufatureiro, subiu para 55,6 pontos em julho. O resultado ficou acima das expectativas, de 54,0 pontos, e da leitura de junho, de 53,3 pontos. Com isso, o indicador atingiu o maior nível desde maio de 2022 e permaneceu em terreno expansionista (50 pontos) pelo sétimo mês consecutivo.
Em conjunto, os dados reforçam um quadro misto para a economia americana. A atividade segue resiliente e a inflação permanece distante da meta de 2,0%, o que sustenta a expectativa do mercado de alta de 0,25 p.p. nos juros até o fim do ano. Ainda assim, a fraqueza do mercado de trabalho pode adiar esse movimento. Nesse contexto, os próximos passos da política monetária seguem dependentes dos dados.
Em outras economias desenvolvidas, sinais seguem divergentes
Em julho, os PMIs de serviços – sondagens com empresários para medir o pulso do setor – apontaram direções distintas entre as principais economias. No Japão, o índice recuou de 52,2 para 51,2 pontos, permanecendo em território expansionista, mas com perda de fôlego diante da pressão de custos sobre as margens. Na Europa, o quadro foi mais positivo: a Zona do Euro avançou para 51,7 pontos, maior nível em cinco meses; o Reino Unido subiu para 52,1 pontos, retornando à expansão; e a Alemanha chegou a 49,8 pontos, aproximando-se da estabilidade. Os PMIs compostos reforçaram essa melhora, com leituras acima das prévias na Zona do Euro, no Reino Unido e na Alemanha. Apesar do desempenho mais favorável, a persistência da inflação de custos segue como ponto de atenção, especialmente no Japão, onde os repasses de preços continuam elevados.
Inflação ao produtor perde força na Zona do Euro
Os preços ao produtor da Zona do Euro recuaram 0,3% em junho ante maio, na primeira queda mensal em quatro meses. O resultado foi puxado pela retração de 1,5% nos custos de energia, em meio ao alívio do petróleo após a trégua temporária entre Estados Unidos e Irã. Houve moderação em outros segmentos: bens intermediários desaceleraram de 1,4% para 0,3%, bens de capital passaram de 0,3% para 0,2% e bens duráveis recuaram de 0,3% para 0,2%, enquanto os preços de bens não duráveis ficaram estáveis.
Na comparação anual, a inflação ao produtor desacelerou de 5,9% em maio, maior patamar desde março de 2023, para 4,6% em junho. A menor pressão sobre os custos é positiva para o cenário inflacionário global, mas permanece condicionada à evolução do conflito no Oriente Médio.
Enquanto isso, no Brasil…
Desaceleração e desinflação antes do esperado?
Divulgamos o relatório Brasil Macro Mensal, que traz projeções para as principais variáveis da economia doméstica. As últimas divulgações do IPCA vieram bem abaixo das expectativas. Em nossa visão, ainda é cedo para dizer que a política monetária restritiva está superando os efeitos dos choques de oferta global e demanda doméstica e trazendo a inflação para baixo antes do esperado. A taxa de desemprego encontra-se em mínimas históricas, o mercado de crédito continua resiliente, apesar da leve moderação em algumas modalidades, e o El Niño ainda deverá pressionar os preços de alimentos no quarto trimestre. Assim, mantivemos nossa projeção de 14,00% para a taxa Selic ao final de 2026. Com relação ao PIB, esperamos crescimento de 2,0% para 2026 e adicionamos viés de baixa à nossa expectativa de 1,0% para 2027, na esteira das políticas fiscal e monetária contracionistas. Além disso, prevemos inflação de 5,1% neste ano e 4,2% no ano que vem. Para mais detalhes, confira “Brasil Macro Mensal: Desaceleração e desinflação antes do esperado?”.
Copom corta taxa Selic para 14,00% e deixa cenário prospectivo em aberto
O Copom reduziu a taxa Selic em 0,25 p.p., para 14,00%, conforme esperado quase unanimemente pelo mercado. O comunicado pós-reunião foi neutro, em nossa avaliação, com sinais limitados sobre os próximos passos da política monetária. O Comitê revisou sua leitura do cenário doméstico para incorporar dados mais fracos de atividade e inflação. O comunicado também passou a mencionar que o Comitê “monitora com atenção a desancoragem adicional das expectativas de inflação para prazos mais longos” e reforçou a necessidade de “serenidade e cautela” — sinalização que, em nossa leitura, indica uma postura efetivamente dependente de dados daqui em diante.
Como mencionamos acima, os choques de oferta global e de demanda doméstica, somados a expectativas de inflação acima da meta, justificam uma pausa no patamar atual da Selic. No entanto, reconhecemos que há sinais de que a atividade e a inflação podem estar arrefecendo mais rápido que o esperado. Se confirmado, o cenário abriria espaço para o Copom retomar os cortes já nos próximos meses. Por ora, mantemos a Selic em 14,00% neste ano e 11,50% em 2027, aguardando mais dados antes de revisar o cenário.
Chapas presidenciais começam a tomar forma
O Partido dos Trabalhadores (PT) realizou sua convenção nacional e oficializou a candidatura de Lula à reeleição em 2026, mantendo Geraldo Alckmin (PSB) como vice, em repetição da chapa de 2022. A semana também teve a confirmação de Alfredo Gaspar (PL) como candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro. As definições se somam a outros nomes já oficializados na disputa, como Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão). O prazo para registro das candidaturas na Justiça Eleitoral termina em 15 de agosto.
Produção industrial recua pelo segundo mês consecutivo
A produção industrial brasileira recuou 1,8% em junho ante o mês anterior, segunda queda consecutiva e resultado significativamente pior do que o esperado pelo mercado. A retração foi disseminada entre os setores industriais, levando a indústria a iniciar o terceiro trimestre com tendência clara de queda. Após a divulgação, revisamos nossa estimativa para o crescimento do PIB no segundo trimestre de 0,5% para 0,4% na comparação trimestral. No entanto, o número ainda é condizente com nossa projeção de 2,0% para o PIB de 2026.
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Destaques da próxima semana
No cenário internacional, os destaques da agenda serão os indicadores de inflação de julho nos Estados Unidos, com a divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) e do índice de preços ao produtor (PPI).
No Brasil, o Banco Central publicará a ata da última reunião do Copom, que trará mais detalhes sobre o corte de juros desta semana. Na agenda de inflação, o IBGE divulgará o IPCA de julho, para o qual esperamos deflação mensal, refletindo a queda acentuada dos preços de alimentos. Também serão conhecidas as receitas de serviços (PMS) e as vendas no varejo (PMC) de junho, ambas com expectativa de retração na margem. Veja as nossas projeções abaixo.

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