Banco Central corta Selic para 3,00% e sinaliza mais um corte adiante


Compartilhar:


O Copom reduziu, por unanimidade, a taxa Selic em 75bps para 3,0% a.a.. O corte foi uma surpresa parcial, dado que dos economistas ouvidos pela Bloomberg, 8 esperavam corte de 75bps e 28 esperavam 50bps e a expectativa do mercado embutida na curva de juros estava entre 50 e 75bps.

No comunicado emitido logo após a reunião, o BC ressaltou a elevada incerteza do momento e afirmou que, no cenário básico para a inflação, permanecem fatores de risco em ambas as direções. No entanto, interpretamos que os argumentos expostos são majoritariamente “dovish” (o seja, reforçam o cenário de mais cortes de juros adiante), sendo mais provável um corte adicional de 75bps na próxima reunião (17 de junho). Abaixo os pontos mais relevantes do comunicado:

  • As projeções de inflação do cenário híbrido (2,4% em 2020 e 3,4% para 2021) e de referência (2,3% para 2020 e 3,2% para 2021) estão abaixo das metas de inflação. O Comitê adicionou um comentário sobre expectativa de alta de 40% para o preço do Petróleo (Brent) até o final de 2020 nessas projeções, ou seja, fizeram questão de amenizar os efeitos desse possível movimento nas expectativas para as próximas decisões de política monetária;
  • Outro argumento relevante para o corte mais agressivo foi a incorporação de uma forte queda da atividade observada nos meses de março e abril, observando que a contração será “significativamente superior à prevista na última reunião do Copom”;
  • Além de reconhecer que o cenário requer “estímulo monetário extraordinariamente elevado”, dois membros defenderam que dado o risco de não cumprimento da meta de inflação em 2021, seria oportuno o Comitê atuar de maneira mais agressiva, utilizando todo o estímulo monetário de maneira imediata. No entanto, optaram por um corte “moderado” de 75bps, deixando a porta aberta para um último ajuste não superior ao atual na próxima reunião;
  • No lado conservador, o BC ressaltou os riscos da trajetória fiscal do país, principalmente se os elevados gastos para combater a pandemia não se mostrarem temporários.

Assim, acreditamos que o comunicado da reunião deixou claro que o próximo movimento deve ser de um novo corte, entre 50 e 75bps.

Dado o cenário de forte contração da atividade e considerável deflação nas próximas leituras do IPCA, ambos com risco de surpresas ainda mais negativas, o nosso entendimento é de que o Copom deverá reduzir a Selic para 2,25% na próxima reunião.

Apesar de o Comitê sinalizar que o próximo corte deva ser o último, reconhecemos a razoável possibilidade de que estímulos adicionais sejam considerados dada a complexidade do cenário, reforçando que os riscos fiscais terão maior peso nas próximas decisões.

Avaliação

O quão foi útil este conteúdo pra você?


Disclaimer:

Este relatório foi preparado pela XP Investimentos CCTVM S.A. (“XP Investimentos”) e não deve ser considerado um relatório de análise para os fins do artigo 1º da Instrução CVM nº 598/2018. Este relatório tem como objetivo único fornecer informações macroeconômicas e análises políticas, e não constitui e nem deve ser interpretado como sendo uma oferta de compra/venda ou como uma solicitação de uma oferta de compra/venda de qualquer instrumento financeiro, ou de participação em uma determinada estratégia de negócios em qualquer jurisdição. As informações contidas neste relatório foram consideradas razoáveis na data em que ele foi divulgado e foram obtidas de fontes públicas consideradas confiáveis. A XP Investimentos não dá nenhuma segurança ou garantia, seja de forma expressa ou implícita, sobre a integridade, confiabilidade ou exatidão dessas informações. Este relatório também não tem a intenção de ser uma relação completa ou resumida dos mercados ou desdobramentos nele abordados. As opiniões, estimativas e projeções expressas neste relatório refletem a opinião atual do responsável pelo conteúdo deste relatório na data de sua divulgação e estão, portanto, sujeitas a alterações sem aviso prévio. A XP Investimentos não tem obrigação de atualizar, modificar ou alterar este relatório e de informar o leitor. O responsável pela elaboração deste relatório certifica que as opiniões expressas nele refletem, de forma precisa, única e exclusiva, suas visões e opiniões pessoais, e foram produzidas de forma independente e autônoma, inclusive em relação a XP Investimentos. Este relatório é destinado à circulação exclusiva para a rede de relacionamento da XP Investimentos, incluindo agentes autônomos da XP e clientes da XP, podendo também ser divulgado no site da XP. Fica proibida a sua reprodução ou redistribuição para qualquer pessoa, no todo ou em parte, qualquer que seja o propósito, sem o prévio consentimento expresso da XP Investimentos. A XP Investimentos não se responsabiliza por decisões de investimentos que venham a ser tomadas com base nas informações divulgadas e se exime de qualquer responsabilidade por quaisquer prejuízos, diretos ou indiretos, que venham a decorrer da utilização deste material ou seu conteúdo. A Ouvidoria da XP Investimentos tem a missão de servir de canal de contato sempre que os clientes que não se sentirem satisfeitos com as soluções dadas pela empresa aos seus problemas. O contato pode ser realizado por meio do telefone: 0800 722 3710. Para maiores informações sobre produtos, tabelas de custos operacionais e política de cobrança, favor acessar o nosso site: www.xpi.com.br.

Receba nosso conteúdo por email

Seja informado em primeira mão, não perca nenhuma novidade e tome as melhores decisões de investimentos

A XP Investimentos CCTVM S/A, inscrita sob o CNPJ: 02.332.886/0001-04, é uma instituição financeira autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil.

Toda comunicação através de rede mundial de computadores está sujeita a interrupções ou atrasos, podendo impedir ou prejudicar o envio de ordens ou a recepção de informações atualizadas. A XP Investimentos exime-se de responsabilidade por danos sofridos por seus clientes, por força de falha de serviços disponibilizados por terceiros. A XP Investimentos CCTVM S/A é instituição autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil.

BMF&BOVESPA

BSM

CVM