É hora de comprar dólar? Entenda como investir na moeda americana

Vai viajar ou quer ter dólar como proteção da carteira? Saiba os fatores que influenciam a moeda americana e como investir em dólar


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É hora de comprar dólar? Entenda como investir na moeda americana

Com a reabertura da economia e das fronteiras com o avanço da vacinação contra a Covid-19, muitas pessoas já começam a retomar os planos de viagem para o exterior ou o sonho de um intercâmbio lá fora. E a dúvida que surge é: devo comprar dólar agora ou esperar para adquirir mais perto da viagem?

Se você não quer que o câmbio atrapalhe seus sonhos ou busca uma proteção para sua carteira de investimento diante da incerteza no cenário político e fiscal no Brasil é bom começar a se planejar agora.  Veja abaixo que fatores podem influenciar a cotação da moeda americana e quais as alternativas disponíveis no mercado local para ter dólar na carteira.

  • O dólar pode subir mais?
  • Fatores que influenciam a cotação do dólar
  • Comprar dólar ou vender?
  • Como faço para investir em dólar?

O dólar pode subir mais?

O dólar comercial sobe 1,36% no ano, até 14 de setembro, e é negociado próximo a R$ 5,25. Nesse patamar, o investidor pode se perguntar: o dólar já está muito caro? Tem espaço para subir mais?

A mediana das projeções dos analistas no último Boletim Focus apontava dólar a R$ 5,20 no fim de 2021 e fim de 2022. Já os analistas do time de macroeconomia da XP projetam um câmbio a R$ 5,20 para o fim deste ano e de R$ 5,10 para o fim de 2022. Veja o relatório com as projeções dos analistas da XP.

É importante destacar que essas são as projeções para o fim desses anos e isso não quer dizer que não vamos ter solavancos na moeda brasileira no caminho.

Os cenários macroeconômico e geopolítico influenciam a cotação da moeda americana. A seguir, vamos explicar em detalhes os principais fatores desse quebra-cabeça e como você pode se preparar para ter uma posição em dólar na carteira tendo em vista esse cenário.

Fatores que influenciam a cotação do dólar

1- Cenários político e fiscal

A preocupação com o quadro fiscal e a incerteza no cenário político têm contribuído para aumentar a pressão de alta do dólar frente ao real.

Frequentes ruídos no cenário político, com as eleições de 2022 se aproximando, e a escalada recente na tensão entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário aumentaram a preocupação dos investidores no mercado local e trouxeram dúvidas sobre a capacidade do governo de buscar o equilíbrio das contas públicas.

Isso porque sem uma boa relação entre os poderes fica difícil aprovar as reformas necessárias para aumentar a eficiência do setor público e a competitividade do Brasil, como as reformas Administrativa (que trata da carreira dos funcionários públicos) e Tributária, por exemplo.

Além disso, questões como o pagamento dos precatórios, que são dívidas da União para as quais não cabem mais recursos, aumentaram a incerteza sobre a capacidade do governo de avançar na agenda de controle fiscal e levaram os investidores a cobrar um custo maior para rolar a dívida pública.

As incertezas fiscal, política e econômica devem elevar a volatilidade do real ao longo do próximo trimestre. O Barclays, por exemplo, vê risco, inclusive, de o dólar voltar a operar próximo das máximas recentes em que chegou a bater R$ 5,47 em 20 de agosto, em um cenário de elevada tensão

Por outro lado, a diminuição da incerteza fiscal e um cenário internacional favorável ao investimento em ativos de maior risco podem desencadear um rali do real frente ao dólar já no primeiro trimestre de 2022.

2– Política Monetária

O ciclo de alta da taxa Selic, hoje em 5,25%, é outro fator que pode influenciar a cotação do câmbio no Brasil. Uma taxa básica de juros mais alta pode ser favorável ao real dado o ambiente de taxas negativas lá fora. Os analistas da XP projetam a taxa Selic a 8,50% ao fim do ciclo de alta da taxa de juros pelo Banco Central. Veja o relatório aqui.

3- Cenário externo

Decisão do Fed, banco central americano, sobre juros nos EUA é dos fatores que influenciam o dólar
Decisão do Fed, banco central americano, sobre juros nos EUA é dos fatores que influenciam o dólar

O movimento global do dólar frente as outras moedas é influenciado pela política monetária americana. Após o anúncio de um programa de estímulos para promover a recuperação da economia dos Estados Unidos, o banco central americano se prepara para reduzir as compras mensais de R$ 120 bilhões em títulos e voltar a subir a taxa de juros nos EUA. O quão rápido ele vai fazer isso vai depender do ritmo de recuperação da economia americana. Taxas de juros mais altas nos Estados Unidos é um quadro desfavorável ao real pois os investidores internacionais podem migrar os investimentos no Brasil para os títulos do Tesouro americano. Além disso, os investidores seguem monitorando a situação da Covid-19 e como as economias têm conseguido se recuperar da pandemia.

5- Fluxo de recursos externos para o Brasil

Com vimos acima, o patamar da taxa de câmbio também depende do fluxo de recursos estrangeiros que entram no mercado local, seja para investimentos no mercado de capitais, em renda fixa ou ações, ou no setor produtivo, em projetos ou empresas.

Os preços das commodities lá fora também têm peso relevante para o fluxo de recursos que entram no Brasil, uma vez que o país é um grande exportador de matérias-primas e a elevação de suas cotações pode significar mais dólares entrando no país.

Comprar dólar ou vender?

Como vimos acima, a cotação da moeda americana depende de uma série de fatores que podem influenciá-la e causar volatilidade. Por isso, se você pretende viajar para o exterior, fazer um intercâmbio ou precisa mandar dinheiro para um familiar que mora lá fora, o melhor é ir comprando a moeda americana aos poucos, assim você consegue fazer um preço médio do dólar até chegar a data do seu objetivo.

Além disso, ter uma posição em moedas fortes na carteira, como Dólar ou Euro, ajuda a proteger seu portfólio do “risco Brasil”. Veja nosso relatório Navegando águas incertas.

Isso porque essa estratégia é usada principalmente em momentos de volatilidade de mercado como uma proteção contra essas oscilações.

Por ser uma moeda forte, o dólar é, então, um dos principais ativos para estar na sua carteira (direta ou indiretamente) nesse momento, segundo os analistas da XP.

Como faço para investir em dólar?

Quer ter dólar na carteira para  proteger seus investimentos da volatilidade ou não tomar um susto com o câmbio quando for viajar? Veja as principais alternativas disponíveis:

  • Moeda: a compra de papel moeda não é a melhor das alternativas para quem quer ter uma proteção na carteira. Mas caso precise do dinheiro para uma viagem, por exemplo, o melhor é ir comprando aos poucos, em momentos distintos para conseguir uma cotação média. Você pode aproveitar os dias de queda do dólar frente ao real para ir comprando a quantidade da moeda que você precisa. Veja abaixo os custos :
  • em espécie — IOF de 1,1% sobre o valor total da moeda adquirida;
  • cartão pré-pago — IOF de 6,38% sobre o valor de carga do cartão;
  • cartão de crédito — IOF de 6,38% sobre o valor de cada compra realizada.
  • Fundos cambiais: outra alternativa para quem quer proteger patrimônio em momentos turbulentos são os fundos que têm em suas carteiras ao menos 80% dos investimentos atrelados à variação da moeda estrangeira, no caso o dólar. A XP lançou um fundo Trend Dólar FI Cambial, com aplicação mínima de R$ 100. O fundo replica a variação do dólar americano comercial a partir da compra de contratos futuros de dólar. A alíquota regressiva de IR, nesse caso, varia de 22,5% a 15,0% incidida sobre o lucro obtido no momento do resgate. Saiba mais sobre esse investimento aqui.
  • Dólar futuro: : Uma alternativa para quem quer se proteger da alta da moeda americana é comprar um contrato de dólar no mercado futuro. Nesse caso o investidor compra um contrato para determinada data a determinada cotação. Se no dia do vencimento o dólar estiver acima do valor da negociação, o comprador se beneficia. Se for o contrário, ele tem pagar a diferença dessas cotações. Mas atenção: um contrato cheio custa cerca de US$ 50 mil. Saiba mais sobre esse mercado aqui.
  • Mini dólar: Não tem o valor de um contrato cheio de dólar? A alternativa para investidores pessoa física são os mini contratos de dólar. Neste caso, o valor do contrato é de US$ 10 mil. Mas atenção, tanto os contratos de dólar padrão como os mini contratos exigem depósito de margem, ou seja, uma quantia em dinheiro ou ativos que tem que ficar depositada com a corretora para cobrir eventuais oscilações do mercado.
  • Ações: : Outra maneira de ter dólar na carteira é investir em ações de empresas exportadoras ou com receita em dólar. Veja o relatório da XP das ações que ganham com a alta do dólar.
  • BDRs: As Brazilian Depositary Receipts (BDRs) são recibos de ações listadas em bolsas estrangeiras negociadas na B3, como Microsoft, Coca-Cola, etc. Por se tratar de investimentos em papéis atrelados a ações listados lá fora, esses ativos estão sujeitos à variação cambial. Veja a lista de BDRs recomendadas pela XP.
  • Fundos que investem em ativos internacionais. Outra forma de ter uma exposição a dólar na carteira é por meio de fundos que investem em ativos internacionais. A vantagem aqui é que eles contam com uma gestão ativa para escolher os melhores investimentos no mercado global. Os assinantes da Expert Pass contam com a recomendação de uma carteira com os melhores ativos internacionais. Saiba mais.

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Como você pode ter percebido, o dólar pode ser bom para o investidor que quer usá-lo como uma proteção contra volatilidades. Por isso, comprar dólar agora é uma alternativa boa de hedge para carteira de quem está com receio das complicações do cenário atual de coronavírus e de problemas geopolíticos.

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