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Entenda por que Magalu, Via, Americanas caem mais 30% esse mês…

Veja no relatório os principais motivos da forte queda de ações como Magalu, Via e Americanas e por que não temos recomendação de Compra.

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…e mesmo assim ainda não recomendamos a Compra desses papéis

Um dos setores que tem sido mais penalizados na Bolsa desde a mudança de humor do mercado em Junho de 2021 é o de ecommerce, com os principais papéis do setor, como Magalu (MGLU3), Via (VIIA3) e Americanas (AMER3) acumulando quedas superiores a 80% nos últimos 12 meses. Como resultado, vemos diversos investidores buscando entender os motivos por trás dessa forte queda e se ela pode ser uma oportunidade de Compra para esses papéis. Nesse relatório, trazemos a nossa visão acerca desses dois pontos.

Elencando os principais motivos para a forte queda do setor de ecommerce

Na nossa visão, os principais motivos para a forte queda do setor na bolsa são:

1) Deterioração macroeconômica

A inflação tem se mostrado mais persistente do que originalmente imaginávamos, com o conflito de Rússia e Ucrânia e continuidade de lockdowns na China contribuindo para sua manutenção em patamares altamente elevados. Dessa forma, temos visto uma forte redução do poder de compra do brasileiro o que, aliado a um cenário de forte alta de juros, se traduz em uma demanda altamente fragilizada para bens de consumo, especialmente os discricionários e de preço médio mais alto. Nesse sentido, bens duráveis acabam sendo fortemente penalizados, sendo essa categoria uma das mais relevantes para todos os players de ecommerce, principalmente Magalu e Via.

2) Aumento do custo de capital

Desde Fev/21, quando a meta SELIC atingiu o menor patamar dos últimos 20 anos (em 2%), o COPOM (Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil) aumentou a taxa utilizada como referência para a renda fixa em 11,25p.p., atingindo 13,25% na última reunião. Esse forte aumento não só desmotiva o consumo por tornar o financiamento cada vez mais caro, como também é um desafio para os preços das ações, uma vez que o custo de capital das companhias também aumenta, impactando negativamente o valor dessas companhias. Nesse caso, as empresas de ecommerce sofrem ainda mais por serem papéis com fortes perspectivas de crescimento e, portanto, concentrando grande parte do seu valor em fluxos de caixa mais longos.

Alta de juros implica em um maior custo de capital, o que impacta negativamente as ações (principalmente as de crescimento)

Fonte: Research XP

3) Aumento da competição

Conforme temos destacado há algum tempo, o cenário competitivo do setor tem sido bastante duro, tanto entre os players já consolidados no setor (como MELI, Magalu, Via e Americanas) como também com companhias estrangeiras como Amazon e Shopee. Apesar de termos visto uma racionalização do setor em busca de rentabilidade, principalmente através do aumento das taxas de comissões compradas em seus marketplaces, ainda há desafios de rentabilidade por conta do aumento de competição por marketing (o que se traduz em um maior CAC – custo de aquisição de clientes) além de impulsionar a necessidade de investimentos em melhorar a oferta de serviços para o cliente (como frete grátis, programas de fidelidade, cashback, entre outros).

4) Mudança do foco do mercado

Frente à deterioração macroeconômica, vimos uma mudança no foco dos investidores, agora priorizando lucratividade e geração de caixa a crescimento e, portanto, analisando o valuation das companhias sob a ótica de múltiplo Preço/Lucro normalizado em vez de EV/GMV. Com essa mudança, investidores podem achar que as ações estão fortemente descontadas ao olhar múltiplo EV/GMV, porém com uma conclusão distinta se feita baseada em Preço/Lucro.

Ainda não recomendamos Compra dos papéis do setor

Apesar da forte queda do setor, ainda não recomendamos Compra dos papéis de ecommerce por esperarmos uma dinâmica macro bastante desafiadora pela frente, tanto do ponto de vista de inflação (que deve se manter próxima a patamar de duplo dígito ao longo do ano) como de taxa de juros (com pelo menos mais uma alta esperada no Brasil e um ciclo ainda por vir nos EUA).

Além disso, os movimentos recentes de Amazon e Shopee adicionam risco para o cenário competitivo do setor uma vez que ambas as companhias são altamente capitalizadas, possuem expertise global e tem focado na plataforma de marketplace, onde todas as companhias de ecommerce brasileiras tem concentrado seus esforços frente à fraca demanda de bens duráveis por conta do cenário macro atual.

Dessa forma, ainda vemos uma dinâmica de resultados fracos pela frente, com o 2T22 ainda contando com uma base de comparação forte, enquanto não vemos interesse e apetite de investidores pelo setor no cenário atual.

Nós portanto, mantemos recomendação Neutra para o setor (MGLU3, VIIA3, AMER3, ENJU3).

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