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União Europeia planeja ampliar seu mercado de carbono regulado | Café com ESG, 09/07

JBS revisa suas metas de sustentabilidade, União Europeia planeja ampliar mercado de carbono e EUA com pressão na oferta de energia

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Bom dia! Neste relatório diário publicado todas as manhãs pelo time ESG do Research da XP, buscamos trazer as últimas notícias para que você comece o dia bem informado e fique por dentro do temaESG – do termo em inglês Environmental, Social and Governance ou, em português, ASG – Ambiental, Social e Governança.

Quais tópicos abordamos ao longo do conteúdo? (i) Notícias no Brasil e no mundo acerca do tema ESG; (ii) Performance histórica dos principais índices ESG em diferentes países; (iii) Comparativo da performance do Ibovespa vs. ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial, da B3); e (iv) Lista com os últimos relatórios publicados pelo Research ESG da XP.

Principais tópicos do dia

• O pregão de quarta-feira fechou em território levemente negativo, com o IBOV e ISE recuando 0,79% e 0,55%, respectivamente. 

• Do lado das empresas, a JBS revisou sua estratégia climática e abandonou a meta de alcançar emissões líquidas zero até 2040, retirando também os compromissos relacionados às emissões de Escopo 3, que representam a maior parte de sua pegada de carbono – a empresa passará a focar na redução da intensidade das emissões dos Escopos 1 e 2 em 30% até 2030 e em 70% até 2050, justificando a mudança pela maior capacidade de mensuração e controle dessas emissões.

• No internacional, (i) a rápida expansão dos data centers para inteligência artificial começa a pressionar a infraestrutura elétrica dos EUA, elevando o risco de apagões e impulsionando pedidos de reajuste nas tarifas de energia – a Exelon alertou que o sistema já opera próximo do limite, enquanto encargos de capacidade em algumas regiões chegaram a subir 1.000% desde 2024, intensificando o debate sobre os custos da transição digital; e (ii) a União Europeia planeja ampliar seu mercado de carbono ao incluir as usinas de incineração de resíduos no EU ETS, reforçando os incentivos para redução das emissões e maior circularidade dos materiais – a proposta, com possível implementação a partir de 2031, enfrenta resistência do setor, que estima um aumento de € 3,8 bilhões nos custos operacionais dos municípios.

Gostaria de receber os relatórios ESG por e-mailClique aqui.
Gostou do conteúdo, tem alguma dúvida ou quer nos enviar uma sugestão? Basta deixar um comentário no final do post!

Brasil

JBS revisa estratégia climática e abandona meta de zerar emissões líquidas até 2040

“A JBS (JBSS32), maior empresa de processamento de carne do mundo, se afastou da meta de emissões líquidas zero até 2040, e abandonou as metas relativas às emissões indiretas que constituem a maior parte de sua pegada ambiental. Em seu último relatório de sustentabilidade, a empresa ajustou suas metas para eliminar as metas relativas às chamadas emissões de gases de efeito estufa do Escopo 3, que, no caso da JBS, incluem as emissões produzidas por todo o gado abatido por ela. Isso ocorre porque a empresa está substituindo o compromisso de 2021 de atingir emissões líquidas zero de gases de efeito estufa até 2040, que abrangia todos os três escopos, afirmou Jason Weller, diretor global de sustentabilidade, em entrevista à Bloomberg News. Em seu lugar, a empresa de processamento de carne manteve uma meta anunciada anteriormente de reduzir a intensidade das emissões dos Escopos 1 e 2 em 30% até 2030, em comparação com uma linha de base de 2019. Além disso, agora tem como meta uma redução de 70% nessas emissões em todas as suas instalações de processamento até 2050. Weller afirmou que a JBS está “aprimorando e concentrando” as metas da empresa naquilo que pode controlar e medir diretamente, e “afastando-se de grandes ambições genéricas, que aprendemos serem difíceis de medir, quantificar e que dificultam a mobilização de ações coletivas”. Os números de Escopo 1 e 2 da JBS, que monitoram suas operações diretas e o uso de energia, representaram apenas 4% de suas emissões em 2025. O restante provinha do Escopo 3, sendo que quase toda essa parcela era proveniente do gado que a empresa processa e da ração necessária para sua alimentação. Essa categoria, conhecida como “bens e serviços adquiridos”, não inclui o uso da terra nem o desmatamento. A empresa de processamento de carne já enfrentou críticas no passado por causa de seu impacto ambiental, especialmente durante o processo para obter a listagem na bolsa de valores dos EUA, aprovada no ano passado. Stephanie Dowlen, ativista sênior da campanha florestal da Rainforest Action Network, afirmou que a JBS “nunca teve um plano confiável para reduzir suas emissões excessivas de GEE”. A ação mais recente mostra que a empresa “não tem intenção de abordar a fonte mais significativa de suas emissões e nem mesmo divulga informações sobre mudanças no uso da terra”, disse ela. No ano passado, a empresa classificou as emissões de Escopo 3 como um “desafio significativo”, pois são “resultado de milhares de operações agrícolas individuais”, exigindo “mais colaboração e inovação em toda a nossa cadeia de valor para alcançar reduções significativas”. “Não estamos dizendo que o Escopo 3 não seja importante”, disse Weller, e a JBS continuará divulgando esses números anualmente.”

Fonte: Bloomberg Línea; 08/07/2026

Petrobras associa subsidiária de biodiesel à Abiove

“A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou nesta quarta (8/7) a entrada da Petrobras Biocombustível (PBIO) em seu quadro de associadas. Segundo a associação — que tem grandes tradigns do agronegócio como Amaggi, Bunge e Cargill entre seus membros — a chegada da subsidiária da Petrobras reforça o diálogo em torno de temas estratégicos para a cadeia de óleos vegetais e biocombustíveis no Brasil. O movimento de aproximação da petroleira com o setor de biodiesel já era esperado. A estatal busca parcerias no segmento de esmagamento de soja para viabilizar o aumento, tanto na produção de biodiesel da PBIO, quanto no coprocessado chamado Diesel R que sai das refinarias. Em maio, o gerente executivo da área de Transição Energética da petroleira William Nozaki chegou a anunciar que a PBIO estava em negociação para se associar à Ubrabio, outra entidade representativa do setor de biodiesel. Na época, ele aludiu à aproximação como “um abraço do agro com o petro [petróleo]”. Não foi possível confirmar até o fechamento desta edição se a negociação com a Ubrabio segue de pé. Questionada sobre as tratativas para associação da PBIO, a Ubrabio preferiu não comentar. A Petrobras não respondeu imediatemente aos questionamentos enviados. Atualmente, a PBIO opera duas usinas de biodiesel, em Montes Claros (MG) e Candeias (BA), além de estudar a reativação da unidade hibernada em Quixadá (CE). A produção gira entre 250 mil e 300 mil toneladas anuais, e a subsidiária projeta expansão nos próximos anos. A expansão passa por investimentos previstos no plano de negócios da companhia. De acordo com o executivo, os aportes serão destinados às plantas operacionais de Candeias e Montes Claros para modernização tecnológica. No radar estão também uma maior integração com a Petrobras e ganho de musculatura em novos mercados, como o de biobunker e o de exportação de biodiesel para a Europa.”

Fonte: Eixos; 08/07/2026

CMSE estabelece novas regras para despacho por garantia de suprimento energético

“O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) estabeleceu novas regras de transparência para nortear as decisões sobre o despacho de usinas por garantia de suprimento energético, mecanismo acionado para reforçar a segurança no fornecimento de energia elétrica. A resolução estabelece que, antes da autorização de despacho da geração ou revisão de autorização vigente, deverão ser apresentados estudos e análises considerando as condições do sistema elétrico nacional e de armazenamento dos reservatórios. A resolução, publicada nesta quarta-feira (8) no Diário Oficial da União, determina que a autorização de despacho de geração deverá ser formalizada por meio de deliberação do CMSE, contendo, no mínimo, a motivação técnica, a identificação dos subsistemas para os quais o despacho foi autorizado, o prazo da vigência da autorização e o montante máximo a ser despachado. Os estudos a serem apresentados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) devem ser prospectivos, considerando o atendimento ao sistema interligado e aos subsistemas. Ainda, devem ser realizadas análises das relações de causa e consequências previstas da autorização de despacho em termos de ganho percentual de armazenamento nos reservatórios de regularização e outros resultados esperados para a confiabilidade do sistema. Também deverão ser apresentadas análise de possíveis soluções alternativas, caso existentes, resultados parciais, e justificativas para a alternativa recomendada. Já a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) deverá realizar apresentação contendo a análise de impactos financeiros estimados, tanto para o mercado livre, onde grandes indústrias e empresas negociam energia, quanto para o mercado cativo, onde os consumidores são atendidos pelas distribuidoras de energia elétrica. O despacho, assinado pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, que preside o CMSE, também formaliza o uso da Curva Referencial de Armazenamento como instrumento de apoio à decisões sobre despacho por garantia energética. O instrumento foi instituído em 2019 para apoiar a avaliação das condições hidrológicas e a gestão da operação do sistema elétrico nacional. A Curva Referencial é estruturada em três faixas: verde, amarela e vermelha, que representam diferentes níveis de criticidade do armazenamento e sinalizam a necessidade de ações operativas, como o acionamento termelétrico, para assegurar o suprimento diante de condições hidrológicas e meteorológicas adversas. Em relação à ferramenta, a nova regra prevê que é o ONS que deverá elaborar estudo técnico com propostas de Curva para o ano subsequente, até novembro de cada ano. Já ao CMSE, caberá aprovar a Curva a ser utilizada no ano subsequente, até dezembro de cada ano.”

Fonte: Valor Econômico; 08/07/2026

União dá 30 dias para Estados informarem planos de prevenção contra efeitos do El Niño

“O governo federal estabeleceu um prazo de 30 dias para que Estados e Distrito Federal definam e informem suas áreas prioritárias para a prevenção e combate aos incêndios florestais diante da ocorrência do fenômeno El Niño e a provável intensificação desses eventos nos próximos meses A medida faz parte de recomendação do Comitê Nacional de Manejo Integrado do Fogo assinada pelo ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima e presidente do comitê, João Paulo Capobianco, e publicada nesta quarta-feira (8) no Diário Oficial da União (DOU). Pela recomendação, os Estados e o Distrito Federal devem ainda aprovar planos de manejo integrado de fogo e a regulamentação das medidas de prevenção e preparação em imóveis rurais que atendam às peculiaridades regionais. Já os municípios devem adotar, no que couber e observadas suas competências legais, as medidas recomendadas aos Estados e ao Distrito Federal. A medida solicitada considerou que as projeções dos principais modelos climáticos internacionais indicam a possibilidade de um episódio de forte intensidade do fenômeno El Niño a partir do segundo semestre de 2026 e seus potenciais impactos no agravamento dos incêndios florestais em diversas regiões do país entre 2026 e 2027. Também foram levadas em conta as análises expostas a respeito deste fenômeno em quatro reuniões convocadas por este ministério com as instituições do governo federal especializadas em meteorologia enotas técnicas a respeito das projeções acerca do fenômeno El Niño a partir do segundo semestre produzidas em abril deste ano pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) e Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (CensipamM) e em maio pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemanden). Outro ponto considerado para edição da recomendação foi a necessidade de constante integração entre a União, unidades federativas e seus respectivos planejamentos, a exemplo do já firmado “Pacto Interfederativo para o combate aos incêndios no Pantanal e Amazônia” e nos “Planos de Ação Integrados para Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais”.”

Fonte: Valor Econômico; 08/07/2026

Baterias entram no Plano Safra e aproximam o agro da transição energética

“A edição 2026/2027 do Plano Safra passa a permitir, pela primeira vez, o financiamento de sistemas de armazenamento de energia por baterias em algumas das principais linhas de crédito voltadas ao agronegócio. A mudança foi destacada pela Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), que considera a medida um avanço para a expansão da geração renovável nas propriedades rurais. Anunciado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), o programa prevê R$ 525,1 bilhões em recursos para o setor, um aumento de R$ 8,9 bilhões em relação ao ciclo anterior. Segundo a Absolar, linhas como o Inovagro e o Prodecoop passam a contemplar investimentos em sistemas de armazenamento de energia elétrica, tecnologia que pode ser integrada à geração solar para aumentar a segurança do abastecimento e ampliar a autonomia energética das propriedades. A entidade afirma que a inclusão do armazenamento foi resultado de contribuições apresentadas ao governo federal durante a construção da nova edição do programa. Apesar da ampliação dos recursos e da redução das taxas de juros, a associação avalia que o custo do crédito continua sendo um fator relevante para a adoção dessas tecnologias. De acordo com a entidade, as taxas passaram a variar entre 8% e 12,5%, abaixo do intervalo de 8,5% a 14,5% da edição anterior, mas ainda refletem o atual nível da taxa Selic. Bárbara Rubim, presidente do Conselho de Administração da Absolar, conta que o Plano Safra se consolida como um instrumento cada vez mais estratégico para acelerar a transição energética no agronegócio. Segundo levantamento da entidade, o agronegócio brasileiro reúne atualmente 6,3 gigawatts (GW) de potência instalada em sistemas fotovoltaicos, o equivalente a mais de 13% de toda a capacidade de geração própria de energia solar do país. Para a Absolar, a combinação entre geração solar e armazenamento pode ser aplicada em atividades como bombeamento e irrigação de água, refrigeração de alimentos, controle de temperatura na produção de aves, iluminação, cercas elétricas, telecomunicações e monitoramento das propriedades rurais. Na avaliação do CEO da entidade, Rodrigo Sauaia, a inclusão dos sistemas de armazenamento nas linhas de financiamento amplia o acesso a tecnologias que podem reduzir custos com eletricidade e aumentar a previsibilidade do fornecimento de energia no campo.”

Fonte: Exame; 08/07/2026

Cidades são palco da transição energética

“A transição energética, para ser justa, precisa estar presente no dia a dia da população. Isso significa contas de energia mais baixas, transporte público mais acessível e econômico, novas oportunidades de empregos verdes e acesso à capacitação profissional adequada, especialmente para grupos marginalizados e trabalhadores de setores intensivos em carbono. “Não se trata apenas de enfrentar as mudanças climáticas, mas também de combater as desigualdades. Precisamos garantir que a substituição dos combustíveis fósseis beneficie as pessoas, especialmente os trabalhadores e as comunidades mais afetadas por essa transformação”, diz Caterina Sarfatti, diretora geral de inclusão e liderança global da C40, uma rede composta por quase cem prefeituras. Sarfatti acrescenta que as cidades são centrais nesse esforço, já que áreas urbanas respondem por cerca de 67% do consumo mundial de energia primária e por 70% das emissões de gases de efeito estufa. Por isso, segundo ela, municípios precisam participar tanto da elaboração quanto da implementação dessa transição. “A China vê a transição como um grande motor econômico. A Europa vê a transição como uma necessidade de segurança e diversificação. Estamos tímidos em projetos, mas o que acontece aponta direção e inspira”, diz a diretora do Instituto E+ Transição Energética, Rosana Santos. Algumas iniciativas estão garantindo que a transição energética alcance a população. No Rio, moradores dos morros da Babilônia e Chapéu Mangueira, na zona sul, conseguem reduzir a conta de luz a menos da metade em alguns casos com energia solar, disponibilizada pela ONG Revolusolar. A iniciativa foi semifinalista no prêmio Earthshot, considerado o Oscar da sustentabilidade, e já está em mais cinco Estados: Espírito Santo, São Paulo, Tocantins, Pará e Amazonas. Os projetos são desenvolvidos em áreas de baixa renda. No Espírito Santo, a Revolusolar contemplou o primeiro conjunto habitacional Minha Casa, Minha Vida. Em Manaus, abastece escolas e postos de saúde da comunidade indígena Terra Preta. O projeto começou em 2015, por iniciativa do belga Pol Dhuyvetter, dono de uma pousada no morro da Babilônia, e, hoje, tem 22 usinas, que juntas produzem 23,6 mil quilowatts-hora (kWh). O financiamento sai, principalmente, de editais e do apoio da iniciativa privada. Os cooperados e associados também repassam para a ONG parte da economia na conta de luz, para custear a manutenção do sistema e gastos administrativos.”

Fonte: Valor Econômico; 09/07/2026

Internacional

Apagões nos EUA já em 2027? É a conta da AI pressionando a rede

“AI pede capex. Capex pede tarifa. Tarifa incomoda. Aí, aparecem os políticos… É o que está acontecendo nos EUA, onde a enorme demanda dos data centers de AI está sobrecarregando a rede elétrica, causando risco de apagões já no próximo ano se as empresas do setor não puderem aumentar suas tarifas para financiar investimentos no sistema. O alerta é de Calvin Butler, o CEO de um dos maiores grupos de eletricidade americanos, a Exelon, em entrevista ao Financial Times. “Chegamos muito perto, no último inverno, de ter que cortar energia para 400 mil consumidores em alguns dos dias mais frios do ano. E está só piorando,” disse Butler. A Exelon atende 11 milhões de clientes e controla seis concessionárias de distribuição e transmissão. O CEO defendeu mudanças legislativas para acelerar a expansão do grid diante da nova realidade. Uma subsidiária da Exelon que atende parte da Pensilvânia, a PECO, recuou recentemente de um pedido de aumento de suas tarifas após enfrentar dura oposição dos clientes – e de políticos. Segundo o FT, o Governador Josh Shapiro, do Partido Democrata, chegou a dizer que a empresa pediu o reajuste por “pura ganância”, e descreveu seus lucros de US$ 814 milhões em 2025 como “obscenos.” Para o CEO da Exelon, as empresas de energia estão virando o “bode expiatório” do aumento de custos gerado pelos data centers, e adiar aumentos agora só jogará a conta para a frente. “Estou elevando minha tarifa por causa do crescimento econômico que você quer,” disse ele ao FT, em resposta ao Governador. “Não posso ter um sistema de classe mundial sem investir nele. Não posso fazer isso e não pedir um reajuste. Não é a matemática correta, não é um bom negócio e não funciona.” O caso evidencia como o boom da AI tem desafiado as redes elétricas, os executivos das empresas do setor e os políticos dos EUA ao exigir mais investimentos que acabam por elevar as tarifas e pressionar a inflação, gerando insatisfação popular em algumas regiões. Na área que compreende Pensilvânia, Nova Jersey, Ohio e Illinois, sob gestão da operadora de rede PJM, um encargo de capacidade cobrado de clientes industriais disparou 1.000% desde 2024 com a chegada dos data centers, segundo reportagem da Reuters. Estados incluindo Nova Jersey, Nova York e Maryland aprovaram recentemente legislações que aumentam o escrutínio sobre aumentos de tarifas de energia e buscam aliviar os impactos para consumidores com créditos e ajuda financeira. Na página principal de seu site, a Exelon diz que está “buscando soluções para ajudar a reduzir as contas de luz e evitar blecautes”. “Nós sabemos que os consumidores estão frustrados com os crescentes custos da energia. Nós também estamos,” escreveu a companhia.”

Fonte: Brazil Journal; 08/07/2026

Megaemissões de bonds testam limites do mercado

“Antes um evento raro reservado para mega-aquisições históricas, a emissão de títulos de dívida de grande porte (ou “jumbo bonds”) está se tornando a ferramenta de financiamento preferida do setor de tecnologia. Ofertas de dívida de US$ 25 bilhões ou mais viraram um padrão para gigantes de tecnologia financiarem sua expansão em inteligência artificial (IA). A emissão realizada pela Amazon na terça-feira marcou a sétima vez, apenas neste ano, que uma empresa de tecnologia atingiu esse patamar em uma única operação. O número supera o total de grandes emissões realizadas nos seis anos anteriores. No entanto, Wall Street começa a dar sinais de saturação. A operação da Amazon teve recepção morna, atraindo volume de pedidos apenas 1,6 vez superior à oferta de US$ 25 bilhões – queda acentuada em relação à demanda registrada há apenas quatro meses e um nível bem abaixo da média deste ano. O recuo evidencia a tensão crescente no mercado de crédito “high grade” (com boa classificação de risco): embora emissões gigantes permitam que empresas de computação em nuvem de grande escala (“hyperscalers”) supram rapidamente suas enormes necessidades de caixa, a magnitude do endividamento acumulado está levando investidores ao limite de sua capacidade de exposição a esses ativos. “As pessoas preveem uma oferta muito grande e não querem ficar sobrecarregadas com papéis de uma mesma empresa, pois sabem que as companhias terão de voltar ao mercado poucos meses depois”, disse Brij Khurana, gestor de portfólio da Wellington Management. Há outros sinais de enfraquecimento da demanda. Quando a SpaceX, conglomerado de foguetes, satélites e IA de Elon Musk, emitiu bonds em junho, obteve US$ 73 bilhões em pedidos finais para uma oferta de US$ 25 bilhões. Os papéis perderam valor rapidamente em relação aos Treasuries nas negociações no mercado secundário, sugerindo que gestores que buscavam lucro rápido estavam se desfazendo dos ativos. Isso é incomum para uma grande emissão de bonds.”

Fonte: Valor Econômico; 09/07/2026

Vida útil da usina nuclear de Sizewell é prorrogada como parte do esforço do Reino Unido para atingir emissões líquidas zero

“O Reino Unido garantiu o preço da eletricidade da usina nuclear Sizewell B por duas décadas, até 2055 — uma medida que poderá torná-la uma das usinas nucleares em operação por mais tempo no mundo. O governo trabalhista busca aumentar a geração de energia nuclear para complementar o fornecimento de fontes eólica e solar, que estão em expansão à medida que o país tenta reduzir as emissões de dióxido de carbono a zero até 2050. A Sizewell B, localizada em Suffolk, no sudeste da Inglaterra, fornece cerca de 3% da eletricidade da Grã-Bretanha. Todas as outras usinas nucleares existentes no país devem ser desativadas até a primavera de 2030; as usinas que as substituirão — Hinkley Point C e Sizewell C — têm previsão de entrar em operação em 2030 e no final da década de 2030, respectivamente. Ministros anunciaram na quarta-feira que foi firmado um acordo preliminar para a Sizewell B, o que viabilizará cerca de £ 800 milhões em investimentos para a manutenção da usina. O aporte será realizado pela EDF (empresa estatal francesa proprietária e operadora da instalação) e pelo grupo Centrica (listado no índice FTSE 100), que detém uma participação de 20% no empreendimento. Lord Patrick Vallance, ministro de Ciência, Inovação, Pesquisa e Energia Nuclear, afirmou que o acordo “protegerá os consumidores e reforçará a segurança energética do país”, acrescentando que a medida ajudará a preservar 900 empregos qualificados. Os planos ainda precisam superar barreiras regulatórias. O Office for Nuclear Regulation (órgão regulador nuclear britânico) informou que, embora prorrogações de vida útil não exijam uma “avaliação regulatória formal”, elas devem ser realizadas com base em uma “justificativa de segurança válida”. “As justificativas de segurança da Sizewell B provavelmente precisarão ser atualizadas para alcançar a meta estabelecida pela EDF, juntamente com investimentos na usina para manter a confiabilidade dos equipamentos, garantindo ao mesmo tempo a disponibilidade de pessoal e competências necessários ao longo do período de vida útil estendido”, acrescentou o porta-voz. Nos termos do acordo de financiamento planejado com o governo, a EDF assinará um “contrato por diferença” (contract for difference), pelo qual a usina receberá £ 70,50 por megawatt-hora — valor corrigido pela inflação — durante os 20 anos compreendidos entre 2035 e 2055.”

Fonte: Financial Times; 09/07/2026

Tarifas de armazenamento em baterias na Índia devem subir à medida que custos mais altos pressionam projetos de baixo custo

“Espera-se que as tarifas para armazenamento de energia em baterias na Índia aumentem, afirmaram desenvolvedores e financiadores em um evento do setor na quarta-feira, uma vez que os altos custos de insumos tornaram difícil a sustentabilidade de projetos de baixo custo. O país sul-asiático está expandindo rapidamente o armazenamento em baterias para fornecer energia renovável ininterrupta, com cerca de 260 gigawatts-hora (GWh) em projetos de armazenamento de energia atualmente em vários estágios de desenvolvimento. “As tarifas para projetos de armazenamento em baterias independentes caíram drasticamente nos últimos dois anos, devido à expectativa de que os custos das células de bateria continuariam a diminuir”, disse Debamalya Sen, presidente da India Energy Storage Alliance (IESA). “Com os custos agora em alta, a questão é quantos desses projetos sobreviverão”, afirmou ele durante um evento organizado pela IESA em Nova Délhi. A capacidade instalada de armazenamento em baterias cresceu mais de 11 vezes, atingindo 8,7 GWh no primeiro semestre de 2026 — ante 0,78 GWh no final de 2025 — e deve chegar a 10 GWh até o final de 2026, segundo a IESA. No entanto, esse número ainda é muito inferior à capacidade de geração renovável, que é de cerca de 283 GW. A retirada de incentivos à exportação pela China — maior fornecedora mundial de baterias —, somada à alta nos preços de lítio, cobre e alumínio associada ao conflito envolvendo o Irã, elevou os custos das baterias. O principal banco da Índia, o State Bank of India, informou que alguns projetos que haviam garantido financiamento não avançaram, pois os preços das baterias subiram e os fornecedores deixaram de cumprir compromissos de preços anteriores. “Em 2025, vimos a cotação (de tarifa) mais baixa em 148.000 rúpias (US$ 1.548,85) por megawatt ao mês. Com os preços atuais das baterias, isso não é sustentável”, disse Asesh Chakrabarti, vice-gerente geral do State Bank of India, durante um painel de discussão. Empresas na Índia têm oferecido tarifas mais baixas para conquistar projetos de governos estaduais. No entanto, a Mahindra Susten, braço de energia limpa do Grupo Mahindra, alertou contra uma “corrida para o fundo do poço” nas tarifas. “As tarifas… precisam ser realistas para garantir que os projetos consigam financiamento, sejam construídos no prazo e de acordo com os padrões de qualidade exigidos, e permaneçam viáveis ​​ao longo de sua vida útil”, disse o CEO da Mahindra Susten, Avinash Rao.”

Fonte: Reuters; 08/07/2026

UE planeja impor custos de emissão a usinas de incineração de resíduos

“As usinas de incineração de resíduos na Europa terão de pagar por suas emissões de dióxido de carbono, conforme planos da União Europeia para incluir o setor no sistema de comércio de emissões do bloco, informaram autoridades da UE na quarta-feira. Os planos — que visam incentivar a reutilização de materiais, limitar a geração de resíduos e levar os operadores a investir em tecnologias de captura de emissões — enfrentam forte oposição do setor. As empresas do ramo argumentam que a medida penalizaria injustamente os proprietários de incineradores, em vez das companhias que produzem plásticos não recicláveis. As propostas integram uma iniciativa da Comissão Europeia para revisar a principal política climática da UE. Os setores abrangidos pelo sistema de comércio de emissões da UE (EU ETS) precisam comprar licenças ao emitir CO2, um mecanismo que cria um incentivo financeiro para minimizar as emissões. A Comissão proporá a inclusão da incineração de resíduos no ETS, mas ainda debate internamente o cronograma da medida, segundo três autoridades da UE que falaram sob condição de anonimato, uma vez que os planos ainda não foram finalizados. “Sabemos que essa medida não conta com apoio unânime na Europa; por isso, estamos analisando como implementá-la de forma progressiva”, afirmou uma das autoridades. Outra autoridade afirmou que a Comissão estava avaliando 2031 como uma possível data de início, mas que o assunto ainda estava sendo debatido. As usinas de incineração queimam grandes volumes de resíduos domésticos ou industriais a temperaturas muito elevadas, reduzindo drasticamente o volume e gerando calor que muitas dessas unidades utilizam, em seguida, para produzir eletricidade. As instalações de tratamento de resíduos — muitas das quais são administradas por governos locais — criticaram os custos planejados relacionados às emissões de CO2. A empresa francesa Veolia, que opera mais de 90 usinas de conversão de resíduos em energia em todo o mundo, estima que a inclusão no sistema de comércio de emissões da UE (EU ETS) elevaria os custos operacionais dos municípios em 3,8 bilhões de euros (4,3 bilhões de dólares). Constance Maillard, responsável por políticas na Veolia, afirmou que os municípios “não têm controle sobre os resíduos que entram em suas instalações” e são obrigados a tratá-los independentemente do seu potencial de emissão de CO2. “É um serviço público”, acrescentou ela. “

Fonte: Reuters; 08/07/2026

Índices ESG e suas performances

(1) O Índice ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial da B3) tem como objetivo ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de empresas com reconhecido comprometimento com o desenvolvimento sustentável, práticas e alinhamento estratégico com a sustentabilidade empresarial.
(2) O Índice S&P/B3 Brasil ESG mede a performance de títulos que cumprem critérios de sustentabilidade e é ponderado pelas pontuações ESG da S&P DJI. Ele exclui ações com base na sua participação em certas atividades comerciais, no seu desempenho em comparação com o Pacto Global da ONU e também cias sem pontuação ESG da S&P DJI.
(3) O ICO2 tem como propósito ser um instrumento indutor das discussões sobre mudança do clima no Brasil. A adesão das companhias ao ICO2 demonstra o comprometimento com a transparência de suas emissões e antecipa a visão de como estão se preparando para uma economia de baixo carbono.
(4) O objetivo do IGCT é ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de emissão de empresas integrantes do IGC que atendam aos critérios adicionais descritos nesta metodologia.
(5) A série de índices FTSE4Good foi projetada para medir o desempenho de empresas que demonstram fortes práticas ambientais, sociais e de governança (ESG).
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