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Quais temas estão chamando a atenção dos investidores na agenda ESG?

Feedback da nossa rodada de reuniões com investidores institucionais no Rio de Janeiro

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Principais mensagens da nossa rodada de reuniões com investidores institucionais

#1. Fundos de crédito com foco ESG continuam ganhando força. Embora o apetite dos investidores por produtos de renda variável ESG permaneça limitado, os fundos de crédito IS continuam ganhando tração, impulsionados principalmente pela: (i) ampla oportunidade de mercado endereçável; e (ii) expansão de mandatos de investimento com critérios ESG. Como resultado, as discussões evoluíram, passando do questionamento em relação à existência de demanda, para a forma como os produtos podem ser estruturados dentro do arcabouço da ANBIMA para fundos IS. Apesar de persistir certa incerteza quanto à forma de implementação e acompanhamento das regras IS pela entidade, os investidores, de modo geral, consideram o arcabouço suficientemente flexível para acomodar diversas estruturas de produtos, sustentando uma tese crescente de novos fundos de crédito ESG.

#2. Eletrificação permanece no centro das discussões temáticas. Embora os investidores concordem que a eletrificação continuará sendo uma importante tendência estrutural no Brasil, o debate ainda persiste em torno do ritmo de adoção, diante das incertezas relacionadas aos valores de revenda dos veículos elétricos e à infraestrutura de recarga, que seguem como os principais desafios. As discussões também evidenciaram a crescente influência das montadoras chinesas no Brasil, frente à competitividade de preços e maior oferta de modelos, o que intensificou os questionamentos sobre a continuidade e potencial aumento da concorrência para as montadoras tradicionais e para as locadoras de veículos locais. Olhando adiante, os investidores acompanham de perto: (i) o impacto do aumento final das tarifas de importação sobre veículos elétricos montados; e (ii) o avanço da produção local por fabricantes chineses, com 8 plantas já anunciadas.

#3. Leilão de BESS continua sendo um importante catalisador regulatório. Após os atrasos no primeiro leilão brasileiro de sistemas de armazenamento de energia por baterias (BESS), os investidores receberam de forma positiva a publicação das diretrizes do leilão, especialmente a proposta de uma estrutura com dois certames (conteúdo local e estrangeiro). Ao mesmo tempo em que o mercado viu com bons olhos a definição de um conteúdo local, que deve beneficiar fornecedores nacionais, a percepção predominante é de que fabricantes chineses conquistarão uma parcela significativa da capacidade contratada, refletindo sua escala, competitividade em custos e o número ainda limitado de players domésticos. À medida que se aproxima o leilão (planejado para dezembro), os investidores permanecem atentos à lista de potenciais participantes e à capacidade do desenho proposto de reduzir de forma relevante os desafios de curtailment no sistema elétrico brasileiro.

#4. Transição energética tem sido cada vez mais vista como uma via mão dupla. Com a segurança energética permanecendo uma prioridade global, as discussões indicaram consenso de que a transição exigirá uma alocação de capital mais equilibrada entre os ativos energéticos já existentes  – incluindo combustíveis fósseis – e as tecnologias emergentes de baixo carbono. Os investidores também demonstraram convicção de que há uma crescente demanda por energia, cada vez mais impulsionada pelo consumo associado à inteligência artificial, exigindo expansão simultânea da capacidade de geração, melhorias na eficiência do sistema e uma alocação de capital mais responsável, em vez de uma simples substituição em direção às fontes renováveis.

#5. Retirada da exigência de reporte de sustentabilidade alinhado ao IFRS vista como negativa. Embora os investidores reconheçam os desafios associados à divulgação de informações ESG, a reversão promovida pela CVM foi amplamente percebida como um retrocesso, com a avaliação de que o adiamento da implementação ou a introdução de maior flexibilidade teriam sido alternativas preferíveis. A principal preocupação concentrou-se no sinal transmitido ao mercado, especialmente diante do caráter inesperado da decisão e de suas potenciais implicações para a credibilidade regulatória do Brasil. Olhando para frente, as expectativas de restabelecimento da exigência permanecem baixas, sugerindo que a adoção voluntária por parte das empresas deverá continuar limitada na ausência de incentivos mais robustos.

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