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Mercado de trabalho dos EUA e pesquisas eleitorais no Brasil no radar dos investidores

Dados econômicos dos EUA, preços do petróleo e eleições no Brasil são alguns dos temas de maior destaque nesta quinta-feira, 08/10/2026

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IBOVESPA -0,74% | 204.302 Pontos

CÂMBIO +0,70% | 5,01/USD

O que pode impactar o mercado hoje

Ibovespa

O Ibovespa encerrou o pregão de quarta-feira (7) em queda de 0,7%, aos 204.302 pontos, em movimento de realização de lucros após a forte alta registrada na última segunda-feira.

Na ponta positiva, Magazine Luiza (MGLU3, +5,1%) liderou as altas do índice, recuperando-se de um desempenho negativo no pregão anterior. As construtoras Tenda (TEND3, +4,9%) e Cury (CURY3, +4,8%) também apresentaram um desempenho sólido.

Por outro lado, Natura (NATU3, -9,0%) foi o destaque negativo do dia, em meio à repercussão de seu relatório sobre a exposição da receita a riscos climáticos ligados a insumos da Amazônia. 

Renda Fixa

Os juros futuros fecharam com direções mistas nesta quarta-feira. Nos Estados Unidos (EUA), os Treasuries encerraram sem direção única, com a T-note de dois anos a 4,77% (-3 bps), a T-note de 10 anos a 5,28% (-1 bp) e o T-bond de 30 anos a 5,66% (0 bp), que voltou a renovar máximas em 24 anos durante a sessão, em meio às pressões inflacionárias associadas ao petróleo acima de US$ 100 por barril e após a divulgação da ata do Federal Reserve, o banco central norte-americano. No Brasil, os vértices curtos acompanharam a precificação de cortes da Selic, enquanto os vencimentos mais longos devolveram levemente a forte compressão de prêmios observada desde o início da semana. O DI jan/28 encerrou a 12,61%, o DI jan/29 a 12,44% (-2 bps) e o DI jan/31 a 12,60% (+4 bps). A NTN-B também apresentou realização parcial dos ganhos recentes, com os juros reais operando próximos da estabilidade ao longo da curva. A NTN-B encerrou com a B29 a 6,82% (vs. 6,91%), a B35 a 6,90% (vs. 6,97%) e a B50 a 6,74% (vs. 6,71%).

Mercados globais

Nesta quinta-feira (8), os futuros nos EUA operam em queda (S&P 500: -0,5%; Nasdaq 100: -0,8%), pressionados pela alta do petróleo e dos juros longos, depois da repercussão da ata do Fed. Na Europa, o Stoxx 600 opera em queda de 0,9%, pressionado principalmente pelos setores bancário e de semicondutores. Na Ásia, os mercados fecharam em forte queda: o Kospi (Coreia) recuou 2,6%, no terceiro pregão consecutivo de perdas, o Nikkei 225 (Japão) caiu 1,4%, enquanto na China o CSI 300 perdeu 1,1%. O Hang Seng, de Hong Kong, recuou 1,4%.

O mercado acompanha a disparada do petróleo, após relatos de que a Casa Branca pediu ao Pentágono opções de ataque ao Irã antes das eleições legislativas, em meio a ataques a petroleiros no Estreito de Ormuz. O Brent opera acima de US$ 104/barril, em máxima de duas semanas, reforçando os temores inflacionários. Nesse cenário, o yield do Treasury de 10 anos segue em torno de 5,35%, próximo do maior nível desde 2002. A ata do Fed mostrou que a maioria dos dirigentes considera apropriada nova alta de juros até dezembro, com o mercado precificando cerca de 71% de chance de aperto no mês. Os investidores também direcionam o foco para o discurso do dirigente do Fed Chris Waller e, na próxima semana, os balanços de JPMorgan, Citigroup, Goldman Sachs e Wells Fargo na terça-feira, seguidos por Bank of America e Morgan Stanley na quarta-feira.

IFIX

O Índice de Fundos de Investimento Imobiliário (IFIX) encerrou o pregão desta quarta-feira em alta de 1,19%, renovando sua máxima histórica aos 3.955,32 pontos, ainda sustentado por uma percepção mais favorável do mercado em relação ao cenário eleitoral.

O viés positivo predominou entre os segmentos acompanhados ao longo da sessão. O segmento de multiestratégia liderou os ganhos do dia, com valorização de 2,03%, seguido pelo segmento de multiestratégia/FOFs (+1,80%), pelos ativos logísticos (+1,58%) e pelos fundos de shoppings (+1,51%). Os fundos híbridos avançaram 1,09%, enquanto os fundos de recebíveis e as lajes corporativas registraram altas de 0,76% e 0,72%, respectivamente. No agregado, os fundos de tijolo encerraram o pregão com valorização de 1,50%.

Entre os destaques positivos do pregão, sobressaíram VGRI11 (+8,1%), TGAR11 (+5,9%) e VGHF11 (+5,6%). No campo negativo, as maiores quedas foram registradas por KISU11 (-1,4%), KFOF11 (-1,2%) e FATN11 (-1,0%).

Economia

Nos Estados Unidos, a ata do FOMC revelou divergências entre os dirigentes do Fed sobre os fundamentos da alta de juros de setembro, embora a maioria tenha considerado apropriado um novo aumento até o fim do ano. A cautela é reforçada pela elevação das expectativas de inflação dos consumidores para 3,9% em um ano, maior nível desde maio de 2023. No mercado de energia, o petróleo do tipo Brent avançou 0,3% na última sessão, para US$ 100,90 por barril, em meio à recuperação parcial da oferta do Oriente Médio e à persistência das restrições no Estreito de Ormuz. Na Europa, a deterioração fiscal francesa elevou os custos de financiamento, com os juros soberanos de 10 anos atingindo 4,91%.

No Brasil, o IGP-DI acelerou para 1,50% em setembro, pressionado por commodities agrícolas e energia, enquanto o governo reafirmou que as negociações comerciais com os Estados Unidos continuarão independentemente do resultado do primeiro turno das eleições. Os dois países concordaram em criar um grupo de trabalho para discutir questões tarifárias e não tarifárias, buscando reduzir as sobretaxas americanas que chegam a 37,5% sobre determinados produtos brasileiros.

Na agenda internacional, serão divulgados os pedidos iniciais de seguro-desemprego dos Estados Unidos, ao passo que na Zona do Euro a ata da reunião de política monetária de setembro do Banco Central Europeu será conhecida. No Brasil, dentro do front político, serão aguardadas as divulgações das primeiras pesquisas do segundo turno pelo Datafolha e PoderData.

Veja todos os detalhes

Economia

Fed dividido sobre juros; pressão fiscal francesa ganha força

  • Nos Estados Unidos, a ata do FOMC revelou divergências sobre os fundamentos da alta de juros de setembro, embora a decisão de elevar a taxa em 0,25 p.p., para 3,75%–4,00%, tenha sido unânime. Parte dos dirigentes do Fed considerou o aumento necessário para evitar a propagação dos choques de energia e tarifas para outros preços, enquanto outros defenderam uma política mais restritiva diante das pressões inflacionárias provenientes da demanda. Alguns participantes também apontaram uma estimativa mais elevada da taxa neutra, e vários avaliaram que a política atual é apenas levemente restritiva ou não restritiva. A maioria considerou apropriada outra alta até o fim de 2026, mas dados recentes de emprego e inflação mais fracos reduziram as expectativas de aperto imediato. O mercado passou a projetar manutenção dos juros em outubro e eventual aumento em dezembro;
  • As expectativas de inflação dos consumidores americanos voltaram a subir em setembro, segundo pesquisa do Fed de Nova York. A projeção para os próximos 12 meses avançou de 3,6% para 3,9%, maior nível desde maio de 2023, enquanto a expectativa para três anos aumentou de 3,2% para 3,3%. Para cinco anos, permaneceu estável em 3,0%. A piora foi disseminada entre categorias como gasolina, alimentos, aluguéis, assistência médica e educação, acompanhada por avaliações mais negativas das condições financeiras das famílias. O resultado reforça as preocupações do Fed com a possibilidade de que choques inicialmente temporários se tornem persistentes, embora a estabilidade das expectativas de prazo mais longo sugira ausência de deterioração adicional nesse horizonte;
  • O petróleo fechou em alta em uma sessão volátil. Nos Estados Unidos, os estoques de petróleo diminuíram 3,186 milhões de barris, contrariando a expectativa de aumento de 1,7 milhão, enquanto os estoques de gasolina avançaram 382 mil barris, ante projeção de queda de 1,1 milhão. No Oriente Médio, as negociações entre Washington e Teerã seguem sem avanços concretos, e autoridades iranianas reiteraram que o Estreito de Ormuz permanecerá fechado até que suas exigências sejam atendidas. Segundo a Kpler, os fluxos de petróleo bruto pelo estreito recuaram para 74% dos níveis anteriores à guerra, embora rotas alternativas tenham mantido as exportações totais do Golfo próximas dos patamares pré-conflito. O aperto no mercado de derivados também permanece relevante, com a Shell reportando margens de refino recordes no terceiro trimestre;
  • Na Europa, a deterioração fiscal da França ampliou as preocupações com a sustentabilidade da dívida pública e elevou os custos de financiamento soberano. A dívida francesa ultrapassou US$ 4 trilhões em junho, superando o tamanho da economia, enquanto os rendimentos dos títulos de 10 anos atingiram 4,91% no início de outubro, maior nível desde 2002, após alta superior a 130 pontos-base em um ano. O rendimento de dois anos alcançou 3,61%, ampliando a inclinação da curva para cerca de 1,3 p.p., enquanto o spread em relação aos títulos alemães atingiu níveis não observados desde a crise da dívida europeia. Diante da menor demanda por títulos longos, o ministro das Finanças, Roland Lescure, sinalizou que emissões de prazo mais curto poderiam ser vantajosas, embora o governo tenha negado mudanças formais na estratégia. O encurtamento dos vencimentos pode reduzir o custo imediato, mas amplia o risco de refinanciamento, em um contexto de déficits persistentes, incerteza política e resistência social ao ajuste fiscal. O aumento dos prêmios de risco também pressiona o euro e eleva o risco de contágio para outros mercados europeus;
  • No Brasil, o IGP-DI acelerou de 0,06% em agosto para 1,50% em setembro, em linha com as expectativas, acumulando alta de 3,80% em 12 meses. O movimento foi impulsionado principalmente pelo IPA-DI, que avançou de 0,10% para 1,95%, refletindo preços mais elevados de commodities agrícolas, especialmente soja, farelo de soja e milho, além do reajuste da gasolina. O IPC também acelerou, passando de queda de 0,37% para alta de 0,67%, pressionado pela eletricidade residencial após o fim dos descontos do Bônus de Itaipu e pelos alimentos in natura, com destaque para tomate e batata-inglesa. Em contrapartida, o INCC desacelerou de 0,66% para 0,22%. O resultado evidencia a renovação das pressões inflacionárias de commodities e energia, com potenciais efeitos sobre os preços ao consumidor nos próximos meses;
  • O governo brasileiro afirmou que o resultado do primeiro turno das eleições não deverá interferir nas negociações comerciais com os Estados Unidos. Brasil e EUA concordaram em criar um grupo de trabalho para discutir um possível acordo comercial, após reunião de representantes dos dois países durante o G20 de Comércio. Washington deverá encaminhar nas próximas semanas uma proposta para o escopo das negociações, abrangendo questões tarifárias e não tarifárias. O objetivo brasileiro é reduzir as sobretaxas americanas, que chegam a 37,5% sobre determinados produtos, combinando uma tarifa adicional de 25% associada a alegações de práticas comerciais desleais e outra de até 12,5% relacionada ao controle de produtos fabricados com trabalho forçado. A criação do grupo representa continuidade do diálogo bilateral, mas ainda sem acordo concreto ou redução anunciada das tarifas;
  • Na agenda internacional, serão divulgados os pedidos iniciais de seguro-desemprego dos Estados Unidos, indicador relevante para acompanhar as condições do mercado de trabalho e avaliar os próximos passos do Federal Reserve, ao passo que na Zona do Euro a ata da reunião de política monetária de setembro do Banco Central Europeu será conhecida. No Brasil, não há indicadores econômicos relevantes a serem divulgados. Já no front político, serão aguardadas as divulgações das primeiras pesquisas do segundo turno pelo Datafolha e PoderData.

Empresas

Capital Goods – XP Industrial Pulse (Oct’26)

SLC (SLCE3) | Watered Down; SLC 2026/27 Crop Year Projections


Renda fixa

De Olho na Renda Fixa: principais notícias de crédito privado, mercados e renda fixa

  • Credores da Braskem resistem a plano de reestruturação às vésperas de prazo, dizem fontes (Bloomberg Línea);
  • Casas Bahia perde queda de braço e Justiça aprova recuperação extrajudicial do GPA (InvestNews);
  • Petrobras leva 19 blocos de petróleo em leilão da ANP que arrecada R$ 3 bilhões (O Globo);
  • França vira epicentro do novo estresse da renda fixa global (Valor Econômico).
  • Clique aqui para acessar o clipping.

Estratégia

Posicionamento dos Fundos de Ações – Outubro de 2026               

  • Atualizamos nossa estimativa do posicionamento dos fundos de ações, analisando regressões móveis que comparam o desempenho dos fundos a vários setores e fatores.
  • No último mês, os movimentos setoriais foram menores do que em agosto, com a principal mudança de posicionamento ocorrendo nos fatores.
  • Inst. Financeiras (+146 bps; -11,5 p.p. subalocado) registrou o maior aumento, revertendo parcialmente vários meses de reduções, embora siga como a maior subalocação entre os setores e uma posição líquida vendida. Em seguida Transportes (+94 bps; +2,3 p.p. sobrealocado) e Papel & Celulose (+80 bps; +7,0 p.p. sobrealocado), este último permanecendo como o setor de sobrealocação mais concentrada.
  • Por outro lado, Propriedades Comerciais (-155 bps; +2,7 p.p. sobrealocado) apresentou a maior redução pelo segundo mês consecutivo, estendendo o desmonte do mês anterior, seguido por Bancos (-113 bps; -4,8 p.p. subalocado), que devolveu parte do fluxo de agosto, e Óleo, Gás e Petroquímicos (-103 bps; -1,9 p.p. subalocado).
  • Os setores com sobrealocação mais concentrada (crowded) são Papel & Celulose, TMT e Propriedades Comerciais. Os setores mais subalocados (underbought) são Inst. Financeiras, Bancos e Saneamento.
  • A exposição ao mercado caiu 1.038 bps, a maior redução mensal desde 2021, retornando aos níveis observados em março, antes da retomada de risco vista em abril. O Índice de Risco Ativo subiu levemente (z-score de 5 anos de -0,7 para -0,5), revertendo parcialmente a queda do mês anterior, mas ainda abaixo do neutro.
  • Clique aqui para acessar o relatório completo

Alocação & Fundos

Principais notícias

  • Fundos Imobiliários (FIIs): confira as principais notícias
    • IFIX engata terceira alta seguida e fecha em 3.955 pontos, com alta de 1,19% (Suno Notícias);
    • Como tirar proveito da volatilidade nos FIIs? (Clube FII News);
    • Data centers ganham espaço nos FIIs após Redata? Fundos miram renda de longo prazo (InfoMoney);
    • Clique aqui para acessar o relatório.

ESG

Data centers arrematam toda capacidade ofertada em leilão de acesso à rede de transmissão de energia | Café com ESG, 08/10

  • O pregão de quarta-feira fechou em território negativo, com o IBOV e o ISE recuando 0,72% e 0,19%, respectivamente.
  • No Brasil, (i) três empresas (Pahlavan One, Pahlavan Three e Digital DC Brasil) com projetos de data centers venceram a primeira disputa competitiva pelo acesso à rede de transmissão de energia elétrica realizada pelo governo federal – o processo terminou com a contratação de 100% da capacidade oferecida, e os três projetos juntos arremataram toda a capacidade disponibilizada em quatro pontos de conexão localizados no Estado de São Paulo; e (ii) o quinto leilão do EcoInvest mobilizou quase R$ 50 bilhões para projetos de inovação, em um modelo que usa recursos públicos para estimular o setor privado a assumir mais riscos no financiamento de projetos sustentáveis, afirmou o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron – a estratégia pretende viabilizar projetos mais arriscados em áreas como inteligência artificial, minerais críticos, combustíveis verdes e biotecnologia.
  • No internacional, fabricantes de painéis solares nos Estados Unidos dizem estar próximos de um avanço tecnológico que pode transformar o setor e até ameaçar o domínio da China sobre o mercado – as empresas estão correndo para desenvolver novos tipos de painéis capazes de gerar 25% mais energia do que a maioria dos equipamentos disponíveis atualmente, e, caso sejam bem sucedidas, será possível atender à demanda crescente por eletricidade usando menos espaço em terrenos e telhados.
  • Clique aqui para acessar o relatório completo.

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